Folha centenária (II)

(…) velhice não precisa ser um amontoado de consequências caras de uma jornada vivida. Pode ser também um sadio compreender de novas maneiras de viajar com mais bagagem e ao mesmo tempo, menos roupas e compromissos.
– Jairo Marques –

https://pt.wikipedia.org/wiki/Folha_de_S.Paulo#/media/Ficheiro:Webysther_20151205123429_-_Sede_Grupo_Folha.jpg

Sem mais protelações, apresento o segundo time (o primeiro foi arrolado na postagem anterior, de Ana Cristina Rosa a Lucia Guimarães). Em realidade não é absolutamente o time B. A distribuição das camisas se operou na ordem meramente alfabética, todo mundo é titular e reserva ao mesmo tempo, cabendo a este técnico (o professor) avisar que por isso ninguém tem protagonismo – a despeito da heterogeneidade dos colaboradores e colaboradoras da Folha que prestaram depoimento.

Luiz Felipe Pondé – Otavio (Frias Filho) me dizia coisas como “lembre que tem alguém que quer entender o que você escreve”. Na universidade, querer ser compreendido por quem nos lê é para os fracos. “Repita frases, palavras, jornalismo é muito redundância, o leitor é efêmero”, ele dizia. “E cuidado com o sucesso, ele pode destruir a sua inteligência.” Otavio era de uma elegância ímpar. Obrigado à Folha, sempre.

Maria Hermínia Tavares – o debate informado e acessível a um público amplo é uma dimensão desse interminável empreendimento coletivo, com acolhida assegurada em um jornal centenário.

Mathias Alencastro – A Folha, que se posicionou contra as cotas raciais, soube abrir as suas páginas para as pessoas certas quando chegou a hora de derrubar os Borbas Gatos. A contribuição do jornal para a revolução do debate público sobre raça, memória e desigualdade será o maior legado destes anos centenários.

Mirian Goldenberg – Não titubeio quando me pedem uma única palavra para definir o que faz a Folha continuar sendo a Folha: coragem.

Paulo Vinicius Coelho (PVC) – Somos jornalistas profissionais, vivemos de nosso trabalho, da cultura acumulada por anos de apurações e por conversas às claras em busca de grandes histórias. Relação com fonte é no fio da navalha. Sem estar longe e nem perto demais, para não ser confundido com amigo ou coisa pior. Amigo do jornalista é o leitor, com quem deve ser leal, dar a notícia certa e a análise precisa, feita a partir de todas as informações disponíveis. O centenário da Folha é um símbolo de resistência do jornalismo profissional. Jornalismo esportivo é parte disso.

Ruy Castro – A Folha tinha algo de que eu gostava —pode-se ocupar uma seção fixa, mas participa-se de todo o jornal (…). A Folha me revelou que, por trás da bic ou do teclado, pode bater um coração.

Tatiana Prazeres – no ano em que a Folha completa 100 anos, quem também comemora o centenário é o Partido Comunista Chinês. Vou aguardar uma reportagem especial sobre esse tema. Presente do jornal para o leitor. Fazer uma cobertura informada e equilibrada, trazer análises e opiniões bem fundamentadas sobre a China não é desafio apenas da Folha, é da imprensa de todo o mundo. Mas o jornal tem lá seus leitores exigentes.

Tati Bernardi – Eu respeito o fato de que, para os colunistas mais velhos (ou apenas para os mais politizados), a Folha represente tantos momentos históricos do país. E os leio querendo aprender. Mas, para mim, ela simboliza algo bem mais autocentrado: a grande virada da minha carreira. E não existe homenagem maior que eu possa fazer a esta publicação do que, semanalmente, dar minha cara a tapa, me desnudar, me derramar, e exercer sem limites minha profissão e meu tesão.

Tostão – Desde 1999, há 22 anos, escrevo na Folha, às quartas e aos domingos no jornal impresso. Estive presente em alguns Mundiais. Impressionou-me como os jornalistas da Folha são eficientes e independentes. O Datafolha, com a introdução das estatísticas, trouxe uma evolução nas análises do futebol.

Vera Iaconelli  –  …foi sentada naquele sofazinho cinza, que fazia as vezes de cama, descabelada e com profundas olheiras, que recebi o e-mail propondo uma conversa sobre escrever neste jornal. O veículo de imprensa mais importante do país me convidava para ser sua colaboradora.

Zeca Camargo – A paixão por escrever ganhou forma na missão de informar desta Folha e daí nasceu esta relação de exatos 34 anos: seu primeiro dia de contratado foi na Quarta-feira de Cinzas de 1987. Dos 100 anos que o jornal comemora, ele, de alguma forma, colaborou em um terço deles, de várias maneiras.

Veja-se que a escalação acima enunciada se inicia com a fala do 12º na lista geral, que não é o goleiro porque ele se intitula atacante. Trata-se do filósofo Pondé, devido à letra “L” de seu prenome. Ele abriu a listagem citando lições do Otavio Frias Filho, falecido precocemente, mas não seguira a principal delas. O teor do que transcrevi do artigo do Pondé omitiu a seguinte declaração: “Quebrar o coro dos contentes é algo que faço até hoje na Folha. Cumpro a promessa feita a Otavio em 2008.”

Peço vênia para discordar do filósofo, a quem admiro porque bate tanto nos inteligentinhos da esquerda (e da direita) quanto nos imbecilzinhos da direita (e da esquerda). Todavia, ele se contradisse: em vez de quebrar o coro, alinhou-se ao coro dos contentes, a turma esfuziante com o centenário da Folha.

Ironias à parte, faremos a prometida consulta ao VAR para verificar se, na terceira e última postagem dentro desse tópico, o depoimento ainda não reproduzido aqui revelará algum erro no lance.

#Folha de São Paulo
#Centenário
#Otávio Frias Filho

10/03/2021
(330)
mmsmarcos1953@hotmail.com

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