1953, o ano que acaba quando termina

1953, o ano que acaba quando termina

Assim é a vida. Um dia estamos, no outro, já não. A fila é longa. Mas aquele que, ao morrer, reacende
em nossa memória o espírito de um tempo volta, imediatamente,
a figurar entre os vivos. Como em imagens coloridas de vídeo.

(Arnaldo Bloch)

Meu pai comentava vez que outra sobre o desalento de entrar nos 60. O Bojudo não se referia aos anos de 1960, célebres pelo 1968, batizado pelo padrinho Zuenir Ventura como o ano que não terminou. Brevemente, o jornalista e escritor baterá nos 90 e ali, se os deuses o permitirem e para nosso gáudio, se conservará para todo o sempre com suas crônicas estimulantes – mas refratárias a autoajuda – em face de nossa penosa realidade.

Incomodava ao velho (“a velhice é uma m…”) o tratamento dispensado a quem já havia galgado as seis décadas. A imprensa por exemplo estampava (ainda estampa?) “foi atropelado um sexagenário” na rua tal, o que deixava meu velho uma arara, ele já na faixa etária 60/70.

Se neste 2018 minha idade fosse 65 anos (isso está tão longe, né?), meu nascimento teria ocorrido portanto em 1953, um ano de poucos acontecimentos, ano insignificante para o Brasil e, eu diria, para o mundo também. Desprezando a cronologia – ou seja, dias e meses, naqueles remotos 365 dias – e numa pegada wikipediana, posso consignar os fatos e observar que

  • É instituído o Ministério da Saúde
  • O Presidente Getúlio Vargas sanciona a lei que cria a Petrobras
  • Lançamento da geladeira Panasonic
  • O oceanógrafo francês Jacques-Yves Cousteau publica a sua obra mais famosa: O mundo do silêncio
  • Conquista-se o Everest
  • Acaba a guerra na Coreia, que é dividida em dois países
  • Início da série televisiva Alô, Doçura, com John Herbert e Eva Wilma
  • Primeira aparição pública da Rainha Elza Soares
  • Coroação da Rainha Elizabeth 2ª
  • Morte de Stalin
  • Aprovada pela ONU a Convenção sobre os Direitos Políticos da Mulher
  • A CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), em Assembleia, determina que a festa da Padroeira do Brasil passaria a ser celebrada no dia 12 de outubro (dia do aniversário da minha filha Mariana)
  • Morre Graciliano Ramos
  • Os EUA anunciam ter desenvolvido a Bomba de Hidrogênio
  • A Volkswagem inicia no Brasil a montagem de automóveis e utilitários, época na qual a Mercedes-Benz também implanta sua fábrica nacional
  • Começa-se a experimentar a programação automática em grandes computadores com memórias ampliadas
  • Introduz-se no país a capoeira como prática desportiva
  • Fundação do Teatro de Arena
  • O Relógio do Juízo Final chega o mais próximo da meia noite na história por causa dos testes de bombas de hidrogênio realizados pela Rússia e Estados Unidos (agora, com a eleição de Trump, o relógio foi adiantado mais um pouquinho)
  • Criação da sigla MEC (que perdura até hoje mesmo sem a pasta da Cultura)
  • Emancipado o município de Uiraúna, situado no Alto Sertão Paraibano (talvez a efeméride mais importante do ano em tela)
  • Os EUA intervêm na Guatemala por meio da CIA, abandonando assim a Política da Boa Vizinhança
  • A televisão, o teatro e o cinema ganham Renée de Vielmond, Fátima Freire, Vera Holtz, Wolf Maya, Zezé Polessa, Paulo Santoro, Aldine Müller, Maria Zilda, Claudete Troiano, Stepan Nercessian (bebezinhos talentosos)
  • Morre o escritor e poeta Jorge de Lima
  • Nasce Chico Pinheiro,  apresentador de televisão (entusiasta da música popular brasileira)
  • Nasce outro bom jornalista, Rodolpho Gamberini
  • Os cinéfilos são brindados com Era Uma Vez em Tóquio, de Yasujiro Ozu; Contos da Lua Vaga, de Kenji Mizoguchi, e Desejos Proibidos, de Max Ophüls
  • Nasce Lucinha Lins (Holywood fica ali bem perto, só não vê quem tem um olho aberto)
  • Execução de Julius e Ethel Rosenberg, nos EUA, acusados de espionagem a favor da então URSS
  • Nasce Zico (epa, tirem esse cara daqui; sou vascaíno)
  • Morre Eugene O'Neill
  • Nasce Guilherme Arantes (eu queria tanto estar no escuro do meu quarto)
  • O marechal Josip Broz Tito é escolhido presidente da Iugoslávia (república desmembrada, mas presente na Copa de 2018 com Sérvia e Croácia)
  • Nasce Daniel Passarella.
  • Nasce outro cracaço de futebol, Paulo Roberto Falcão (Que saudade da Redenção/Do Fogaça e do Falcão/Cobertor de orelha pro frio/E a galera no Beira Rio)
  • Fundado o Acadêmicos do Salgueiro (minha escola de samba preferida no Rio de Janeiro) 
  • Nasce a cantora Cyndi Lauper
  • O 6 de março caiu numa sexta-feira
  • Sir Winston Churchill é agraciado com o Prêmio Nobel de Literatura
  • Já o Nobel da Paz foi para George Catlett Marshall, autor do Plano que levou o seu nome e ajudou na reconstrução europeia depois da Segunda Guerra Mundial.
  • Mais Nobel:  Os cientistas James Watson e Francis Crick recebem o Nobel de Medicina de 1962, mas foram laureados porque revolucionaram a ciência ao propor, em 1953, o modelo dupla hélice do DNA.

http://biologo.com.br/bio/documentario-a-descoberta-do-dna/

#Ano de 1953     #Arnaldo Bloch      #Anos 60     #Ano de 1968     #Zuenir Ventura

07/07/2018

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mmsmarcos1953@hotmail.com

 

2018-07-18T22:03:14+00:007 de julho de 2018|1 Comment

One Comment

  1. Weber Souza 07/07/2018 at 23:10 - Reply

    Excelente meu amigo, verdadeira aula. Depois desse texto fiquei conhecendo um pouco mais de você. Parabéns, sausa e muito sucesso!!!

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