Anjinhas na Esplanada

Há anjos nas estradas.

Eles andam pra lá e pra cá de van com sirene e luz vermelha piscando no teto. Vestem uniformes brancos, laranjas ou verdes e não hesitam diante de qualquer situação de emergência médica; estão sempre a postos para socorrer vítimas de acidente de trânsito sofrido nas (ainda) sofridas estradas interestaduais deste país enorme, infelizmente com predominância de transporte rodoviário.

(Nos idos de 1969, viajei de Brasília pra São Paulo em trem de passageiros, com bilhete picotado, vagão restaurante e tudo mais. Que saudade).

Li uma vez que um dos serviços clínicos mais eficientes do Brasil é prestado pelas equipes médicas do Rio de Janeiro, nelas incluídos destacadamente os profissionais de Volta Redonda. E, com perdão pelo nepotismo, anoto que um dos meus sobrinhos (médico anestesista e pau pra toda obra) atua nas perimetrais da Cidade do Aço.

Há anjos na política.

Mente quem declara nunca ter visto um na Esplanada dos Ministérios. Pensando bem e sendo justo, não faltam com a verdade os que afirmaram isso, pois que na Praça dos Três Poderes não tem anjo mesmo.

Só anjas.

Me deparo com três delas. Entre surpreso e assustado, tomo conhecimento de que, sem embargo, as etéreas integrantes do trio estudaram, aplicadamente e em tempos idos, num teatro daqui de Brasília cuja sede fica na 707 Norte e se chama Mapati. Porém lhes confesso haver esquecido neste exato momento o nome das anjas-atrizes ou atrizes-anjas…

Lembrei, acabei de lembrar o nome de uma, Raquel, a que está na ponta direita da foto.

Minha memória continua a reagir… aflora outra centelha e diviso a névoa sumindo, se dissipando… a fisionomia da personagem esclarece… se vai desvelando… quanta nitidez agora. Epa, assoma a bela professorinha Helena, do Carrossel, programa da tv do Silvio Santos que se passa numa escolinha de crianças.

À felicidade da aparição, contrapõe-se formal queixa. A mestra da petizada, a que figura ao centro do instantâneo feito na Esplanada dos Ministérios, portanto à direita da Raquel, não acedera a convite meu, formulado nos primórdios deste blog. No remoto 14 de setembro de 2013, a postagem de número 007 clamava por um reencontro com a Rosanne Mulholland, nestes termos:

“(…) se um dia estiver circulando por Brasília e lhe sobrar algum tempo, dê uma passadinha em nosso teatro, onde certamente será muito bem recebida.”

Retratada mais distante da placa limitadora de velocidade, 60km/h, temos a terceira modelo angelical – de quem eu não me recordo, na medida em que voltei a ser traído por minha mente claudicante…

Eis que um vendedor de flores do cerrado na banquinha em frente à Catedral me sopra ao ouvido: senhor é a Mariana, a sua filha. A que em 12 de setembro deste 2016 lhe presenteou com verdadeira formosura, a Isabel, sua quarta netinha.

foto: Marcos Martins
foto: Marcos Martins

02/10/2016

(212)

mmsmarcos1953@hotmail.com

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