Histórias do teatro brasiliense (II)

Lido, não em sua inteireza, e transposto o prefácio feito pela Carminha, convidamos para entrar em cena o professor Fernando Villar, o chefão desta postagem que, com argúcia, esperança e lirismo, lavrara a parte introdutória do livro em referência, que foi organizado e editado à luz de dois seminários realizados para o fim de discutir o que foi (antes de 2004), o que é (então durante 2004) e o que, numa visão de futuro por parte daqueles contemporâneos e contemporâneas, será o teatro de Brasília a partir daquela época.

Para nós, leitores e leitoras de agora, a perspectiva torna-se numa retrospectiva na medida em que estamos olhando para trás, retroagindo e pulando o interregno que vai de 2004 a 2016, portanto doze anos, sobre os quais, entretanto, nada aduzirei, nada atualizarei.

Aluno que me posto do Fernando Villar, de igual modo não reproduzirei na íntegra sua introdução, o que a rigor nem é necessário tal a riqueza das palavras, adiante transcritas, do professor da Unb e grande especialista na matéria de que ora nos ocupamos.

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Instituto de Artes da Universidade de Brasília – fotos: Marcos Martins

INTRODUÇÃO
HISTÓRIAS DE TEATROS BRASILIENSES

“(…) Brasília é uma cidade esperta quando vê na análise, crítica e debate de seu passado e de seu dia à dia a construção do seu futuro. O teatro brasiliense que molda e é moldado por esta cidade também se pretende esperto.

“(…).Mas o que acontece quando nativos e nativas não refletem sobre seu lugar, sobre sua prática? O que acontece quando não nos apossamos de nossas memórias, heranças culturais e ações estéticas? Não é meio morte em vida? Contra a previsível estagnação de uma homogeinização inócua, a provocação da pergunta visava em parte o que conseguiu: a movimentação de pessoas entre artistas, pesquisadores(as), estudantes e aficionados(as) durante a semana de comunicações e debates sobre a cidade e seus teatros brasilienses (…).

“Resultado e coletânea dos dois Seminários, este livro (…) origina-se do mesmo interesse pelo teatro que se fez, que se faz e que se fará nesta cidade. Este livro e/ou os dois Seminários irmanam objetivos da classe teatral brasiliense com os objetivos  institucionais da UnB no tocante ao ensino, pesquisa e extensão (…).

“Sem nenhuma pretensão de ser conclusiva ou exaustiva sobre o assunto, a breve perspectiva histórica do teatro em Brasília do meu ex-orientando Eliezer Faleiros abre a primeira parte do livro. Impossibilitado de conter todo o teatro brasiliense, há um recorte necessário que privilegiou grupos com mais de cinco anos de existência e concentrou-se em situar o trabalho de diretores(as), por seu papel centralizador na criação cênica.

“(…) Concluindo o prazer de introduzir este livro, lembro-me agora da última noite do II Seminário. Depois das quatro comunicações sobre políticas públicas de cultura, Iara Pietricovsky iniciou a sua pedindo que todas as pessoas se levantassem e se mexessem um pouco. Logo depois incentivou a todos(as) que mudassem de lugar. Ao terminar, e antes de passar a palavra ao mediador que iniciaria o debate que caracterizou todos os dias dos dois Seminários, ela citou Fernando Pessoa, ‘tudo vale a pena, se a alma não é pequena’.

“Lembro-me da situação e imagino que maravilha se conseguíssemos fazer com que as pessoas se mexessem e saíssem do imobilismo negativo, que novos ângulos e pontos de vista aparecessem e que tudo pudesse valer a pena porque não haveria almas pequenas. Outra personagem das histórias do teatro brasiliense Sônia Paiva diz ‘minha arte quer ser útil e minha vingança é ser feliz’. Que o teatro brasiliense possa contar, com graciosidade, invenção, orgulho, dignidade, criatividade e ética, histórias úteis e felizes para sempre.”

 

11 de junho de 2016

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mmsmarcos1953@hotmail.com

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