Obsessões musicais (XIX)

A saudade destrói e seca o coração.
(A Noite da Espera, de Milton Hatoum)

Não é pelo Prêmio Camões per se que havemos de enaltecer a obra do Francisco Buarque de Holanda. A honraria é importante, chancela os mais de cinquenta anos em que o tricolor (ele deveria ser vascaíno) pontifica por aí, nos estádios da vida, cooptando a torcida empolgada por suas letras que falam dos surtos das paixões, da maldade humana com a Geni, dos descalabros da política…

O cronista Joaquim Ferreira dos Santos, numa quase paráfrase, alerta que “o Chico Buarque é a voz que nos resta, a veia que salta, aquele que torna suportável essa noite de mascarados e pigmeus de boulevard. Sempre que tira o violão da capa e pega o dicionário de rimas, o país melhora.”

Derramo essas referências ao filho (minha obsessão de número III, nº 226, encartada em 19/01/2017 neste blog,) do seu Sergio para repisar que, fosse o compositor um gringo do chamado Primeiro Mundo, e não um artista vindo à luz neste sofrido Brasil, o Nobel já teria sido abiscoitado há milênios, me perdoando o genial Bob Dylan.

Curiosamente, aqui, neste tópico obsessivo, o mais das vezes me preocupei em colacionar obras musicais fantásticas no meu sentir, sem todavia me deter nas letras, deslizando o manche orientado pela melodia.

Haja vista quando emanada da interpretação do Billy Preston, que não dá no cravo, nem na ferradura, dá somente no piano. Nos ilude e nos arrebata sem precisar fazer a Escolha de Sofia: vai mesmo com duas personagens – ora com a Syreeta Wright:

ora com a Marjolein Keuning:

Com você, eu nasço de novo

Venha me trazer sua suavidade
Conforte-me com toda essa loucura
Mulher, você não sabe
Com você eu nasço novamente

Venha, me dê sua doçura
Agora, lá está você, e não há fraqueza
Deitada a salvo em seus braços
Eu nasci de novo

Eu estava pela metade, e não inteiro
Vagando sem ninguém
Alcançando através deste mundo
Necessitando de alguém

Então venha me mostrar a sua bondade
Em seus braços, eu sei que vou encontrar
Mulher, você não sabe
Com você eu nasço novamente

#Milton Hatoum
#Billy Preston
#Syreeta Wright
#Marjolein Keuning
#With You I’m Born Again

02/06/2019

(298)

mmsmarcos1953@hotmail.com

1 comentário em “Obsessões musicais (XIX)”

  1. Os bons pensamentos são como varinhas de condão. Têm a força de nos impulsionar,
    realizar sonhos, desejos e almejar coisas bem melhores para nós e o mundo. São armaduras para embates duradouros, consistentes e vitoriosos. Definem nossas vidas. Eles não andam só, têm companhia, nossos sentimentos e podem se tornar maus. Por isso opto pelos bons e discordando da definição do autor de que “a saudade seca e destrói o coração”, encontro uma pérola de pensamento proferida por uma menina, criança de 10 anos, que faleceu de câncer: “saudade é o amor que fica”. Quem ensinou isso a ela?
    Todos nós, na calmaria de nossas almas temos esse sentimento chamado saudade e é com suas lembranças q irrigamos nossos corações.
    O que sobra de ruim e seca o coração é trauma, não é saudade.

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