Poemas de um piauiense desgarrado  (IX)

Poemas de um piauiense desgarrado  (IX)

Os poetas são inúteis, é o que se diz habitualmente.
Já ouvi, como conselho, que a poesia não dá camisa a ninguém.
Escrevi cinco livros e não ganhei camisa, é verdade.
Mas alguns versos ali prestaram, houve pessoas que se emocionaram com eles.
E, aqui e ali, louvei a vida. (…). A poesia serve também para isso:
lembrar infindavelmente.
É a memória do mundo e das vidas pequenas. Louva a vida.
Não deixa a vida se afogar na tristeza da desesperança. 

(Marcio Tavares  D’Amaral)

São tantos os versos dispostos neste blog à deriva que me flagro questionando se eu não estaria doente, a padecer de grave patologia.

Não integro o Conselho Federal de Poesia, amante que sou da prosa. Todavia, indagarei ao referido órgão se, sob o pálio de recente decisão judicial, é viável dar início ao tratamento denominado  cura poeta. Tanto que restabelecido, acumularei outra consulta, ao Conselho Federal de Psicologia, na ânsia (perturbação da mente?) de saber o porquê dessa fissura de controlar o tempo.

Na penúltima postagem, a poeta Dayse Hansa, que jamais se agarrou neste tópico desgarrado, nos revelara que “o menino… queria mesmo é ser relojoeiro e consertar os ponteiros, tomar de conta do tempo e, quem sabe, um dia voltar no exato momento em que nascera para mais uma vez ver a face de sua mãe, esticar seus frágeis e pequenos braços num abraço interminável, quando, aí sim, o tempo pararia.”

Já na postagem que logo deixará de ser a última, substituída por esta no prelo, um mineiro de Três Pontas, tal de Milton Nascimento, saiu cantando pela Fazenda: “Água de beber/Bica no quintal, sede de viver tudo/E o esquecer/Era tão normal que o tempo parava.”

Discorridas as dominações do passar dos dias, careceríamos  aprender com um certo poeta que, réu confesso, gostaria na mesma toada de dar uma sacudidela no tempo apenas para volver à época primeva e, ainda um aprendiz, fugir sempre da tentação e do desatino.

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A P R E N D A M O S

Quisera que o tempo parasse
E, assim, que eu o pudesse alterar;
Que eu, lá no passado, voltasse
E, assim, mudar meu eterno errar.

No entanto, sei que isso é impossível
Pois, quando eu planto uma semente,
Nasce, ali, uma árvore – e acessível
Será seu fruto… a mim somente!

Nos disse isso, o Mestre altaneiro:
Daquilo que um homem plantar,
Ele ceifará em seu terreiro.

Olhemos nossos próprios erros
E aprendamos, pois, cá na Terra,
A não sermos seu alvo certeiro!

Joromaso – DF, 20nov16 – S/8

#Marcio Tavares  D’Amaral    #Conselho Federal de Poesia    #tratamento cura poeta  
#
Conselho Federal de Psicologia    #controlar o tempo    #Mestre altaneiro

22/09/2017

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mmsmarcos1953@hotmail.com

2017-09-22T18:00:32+00:00 22 de setembro de 2017|1 Comment

One Comment

  1. Aristeu 25/09/2017 at 21:42 - Reply

    Poesia é amor a três. Alma, coração e sentimento. É a materialidade das palavras transformadas em gestos, saudades, lembranças e histórias épicas ou não. 

    É a forma que usamos para dar cor e sabor à nossas vidas. É o canto dos sábios sintéticos e muitas vezes proféticos. É a beleza inacabada dos amores que nos regam a alma. Ah! Poesia, vc é a mestra dos corações inquietos e quiça sofredores…

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