Servidor empolado

Não adianta nem me abandonar/
Porque mistério sempre há de pintar por aí/
Pessoas até muito mais vão lhe amar/
Até muito mais difíceis que eu pra você/
Que eu, que dois, que dez, que dez milhões,/
todos iguais…
 (Esotérico – Gilberto Gil)

Nada sei de poemas. Arrisco uma vez que outra e dou uma olhadinha arisca no que essa turma anda produzindo, inclusive os recados pela via da prosa.

Carioca, de São Paulo me vieram duas netas. Nunca trabalhei no Senado, falta de paixão pra todo lado. Sou Arlequim e sirvo a duas senhoras.

Uma delas já pisou distraída neste blog – “Empoderamento pela solidão”, o título, que acabou se desmembrando em três postagens. É poeta das raízes líricas e amorosas e passionais; possessa do bem e também não abre mão do mal, um bálsamo pra minha alma masoquista, que assim se esvazia e se torna plena (Pedro Drumond, você que é ator, cantor e escritor há pouco falou disso).  

“Amanhã devo deletar meus apps Tinder e  Happn. 100 homens não dão 1. O ultimo foi um coxinesco de Higienópolis, São Paulo, servidor empolado do Senado Federal me perguntando se faço terapia. ‘Que não é saudável projetar traumas/receios dos relacionamentos passados no atual’ (nem tenho ainda relacionamento contigo, sô), ‘que não posso sentir ansiedade assim’, ‘que ele não está atrás de paixões intensas, arroubos. Que quer essa tal de leveza, um tal encaixe gradual’. Eu devia ter bloqueado essa joça na segunda conversa. Ele é aquele poema do Manuel Bandeira falando dos poetas parnasianos: ‘estou farto do lirismo comedido, do lirismo comportado, livro de expediente debaixo do braço…’. Fiz um áudio no whatsapp declamando a primeira e a última estrófes. Ah, na hora que cheguei ao ‘lirismo dos loucos, dos clows de Shakeaspeare’, aí a bile pulou. Muito bom que ao menos dou um pouco de cultura para esses sapos desencantados do cardápio humano virtual. Uma grande merda, Manuel, só pra feder ainda mais meu coração. Todos trastes. Onde há meio homem no mundo que respeite a cor da minha alma, que me aceite na minha própria pele? Uma pele abrasada pelo visceral, humano e passional. Eu não estou errada em ME ser. Vcs é que são equivocados em não se permitirem. Vão mesmo se empanturrar de remédios, músicas zen, livros do Augusto Cury. Mas antes, deixo um big foda-se meu de souvenir. Pode levar. Vai no lugar da medida do Bonfim do Chico Buarque, meu único amor eterno.”
-Seira Beira-

foto: Facebook Seira Beira

foto: Facebook Seira Beira

23/04/2017
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mmsmarcos1953@hotmail.com

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