Sociologuês (II)

Atualmente, ser oposição é ser governo, é ser situação. Hoje, ser oposição é moleza, é bater, bater muito.

Não estou afirmando que o governo não mereça carga. Mas, décadas atrás, ser oposição era dureza, era apanhar, apanhar muito. Sob esse prisma, tudo ótimo, é claro que o ambiente melhorou. Felizmente, vivemos numa democracia que, mesmo aos trancos e barrancos, firma-se cada vez mais, deixando pouco espaço aos desatinados que por exemplo pedem a volta dos milicos ao poder. Com todo o respeito que as Forças Armadas, cada vez mais profissionais, merecem da minha parte, lugar de militares é no quartel. Para atuar na vida civil, no âmbito parlamentar, serão sempre bem vindos, desde que tirem a farda.

Atrasado, dou meu viva ao 8 de março.

No entanto, é desagradável ter de assistir na TV, em mais uma das milhares de reportagens sobre a Lava-jato, a uma mulher que, detida após se entregar, aparece na tela com ar debochado e mascando chicletes (quem consegue manter-se na linha com uma goma de mascar na boca?). Não se tratava apenas de má educação, senão que de arrogância, de desfaçatez, de menosprezo inclusive ao público na condição de telespectador.

http://br.freepik.com/vetores-gratis/live-report_788464.htm
http://br.freepik.com/vetores-gratis/live-report_788464.htm

Contive minha indignação, relaxei e percebi que, no caso, a atitude afrontosa resultou numa, digamos, baianada (expressão preconceituosa usada pelos cariocas), a qual, na eventualidade de a moça tornar-se ré, poderá influir negativamente (para ela) no convencimento dos futuros julgadores.

Longe de mim sustentar que Mônica Moura deveria ter aparecido no vídeo de cabeça baixa, contrita e clamando pela guilhotina. Também não erigiria óbices a que ela porventura se vangloriasse de ser uma mulher bonita, com destacada atuação funcional, participante ativa em vários setores empresariais, bem postada na escala social, além do fato de não ser casada com um joão ninguém. Só pediria que doravante ela se mantivesse à altura da delicada situação em que se encontra. Não preconizo que deva perder a dignidade mas que no mínimo respeite os agentes policiais e judiciários convocados para tais diligências de dar efetividade – por óbvio, sem excesso – a determinações emanadas do juízo competente.

Quanto à postura de determinados e determinantes órgãos de nossa imprensa, gostaria de tecer algumas observações.

E deverei fazê-las brevemente, talvez na próxima postagem, tão logo me abebere de mais ensinamentos do Alberto Dines, do Jânio de Freitas, do Mino Carta, do Elio Gaspari…

 

09 de março de 2016

(176)

mmsmarcos1953@hotmail.com

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *