Sociologuês (III)

Como é por demais sabido, o Banco Central do Brasil originou-se da Superintendência da Moeda e do Crédito a teor da reforma do sistema financeiro implantada em 1964 (Lei 4.595). Na sua fase embrionária, o Bacen constituiu sua equipe mediante absorção do quadro de pessoal da extinta Sumoc, valendo-se ainda, nessa área de recursos humanos, da colaboração do Banco da Amazônia e principalmente do Banco do Brasil, tendo realizado seu primeiro concurso público em 1966 (se não me engano) para a posse, em 1967, dos candidatos e candidatas aprovados no certame.

Tirante essa peculiaridade, o denominado banco dos bancos  nunca “importou”, ao que me conste, mão de obra que não fosse para a diretoria ou para os setores de assessoria parlamentar e de imprensa. Nos meus quarenta e dois anos e meio de casa, não me recordo de haver conhecido alguém advindo de outra entidade ou órgão público para integrar nossas, digamos, fileiras. E era nisso que a autarquia se diferenciava de boa parte das demais instituições não privadas.

Ao longo do tempo, cuidou ademais de formar profissionalmente sua corporação (na melhor acepção do termo) aprimorando o conhecimento e até estimulando a educação formal de seus procuradores, analistas e técnicos (as três carreiras hoje existentes). Fazia (e ainda faz certamente) parte de nossa vida funcional, intensa e frequentemente, a designação para cursos, seminários, simpósios, painéis, pós-graduações (lato  e stricto sensu), mestrados, doutorados, pós-doutorados no Brasil e no exterior. Dessa cultura, resultou a criação da Universidade Banco Central do Brasil, atualmente consolidada e cuja sigla é Unibacen.

De outro lado, o Bacen é tido por “exportador” do passe de seus servidores (e servidoras), sendo incontável o número dos que, em caráter de cessão, foram atuar em outros órgãos da administração pública nos três níveis, maiormente o federal. De fato, é impressionante o contingente da autarquia cedido desde sua criação há cinco décadas. E sempre com atuação eficiente e profícua, ocupando meus ex-colegas grande variedade de cargos e funções os mais destacados (ministros de Estado, ministros do STF, do STM, desembargadores, secretários estaduais, secretários municipais, diretores e presidentes de empresas públicas e de sociedades de economia mista). Citaria também os que, aprovados em outros concursos públicos, opcionalmente viraram juízes, promotores, procuradores e, num plano mais horizontal, delegados da polícia civil, delegados e peritos da polícia federal, auditores fiscais.

Essa minha exposição, que já vai longa, não se conecta em princípio com o fechamento da postagem anterior, na qual eu anunciara meu desejo de fazer algumas observações sobre a cobertura da imprensa ao momento político atual. Realmente, o vínculo não se perfaz diante do que escrito até agora.

Lá na frente, a coisa será devidamente amarrada. Isso poderá ser confirmado por quem se dispuser a prosseguir comigo após a leitura das palavras acima, que compõem não uma parte introdutória, mas uma digressão.

Portanto, façam-me companhia os que têm paciência e pouco siso.

 

12 de março de 2016

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mmsmarcos1953@hotmail.com

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