Tri-presidente

Dois meses atrás, hacker  tresloucado (algum é normal?) invadira o site do Teatro Mapati. Procedimento demorado, a reconstituição do conteúdo ofendido logrou razoável êxito, ensejando recuperação, entre diversos itens, de todas as minhas postagens no blog – agora sob título “Meu Velha” -, em sequência às quais outras e mais outras serão lançadas para leitura inapelável por incautos.

http://escoladeconselhosdf.ceag.unb.br/?page_id=341
http://escoladeconselhosdf.ceag.unb.br/?page_id=341

Como aqui já registrado, ingressei na UnB em abril de 1972, mediante aprovação no vestibular de Direito, tornando-me num lídimo integrante dos “Terninhos” (na inspirada expressão do meu genro Hermes), reaças em sua maioria, em contraponto à descolada (de quando é essa gíria?) turma da Comunicação – jornalismo,  publicidade, relações públicas – , nossos vizinhos no Minhocão, final da ala norte.

A ditadura comia solta, milicos espalhados pelo câmpus, inclusive reitoria, dedos-duros em profusão. O Medici havia ido embora (falam que não foi aceito no inferno), um outro ditador menos truculento e menos conivente o sucedera. “Na vida, tudo é passageiro, menos o almirante, o general e o brigadeiro.” É irresistível citar novamente o genial Ivan Lessa.

Era 1975, estávamos os muitos alunos (eu praticamente um menino apesar dos meus 23 anos) e as poucas alunas (as esmagadas mulheres da época compunham esmagadora minoria nas ciências jurídicas) assistindo a uma aula de Direito Civil. O professor interpretava com didatismo e erudição cada artigo do literário código esculpido por Clovis Bevilaqua e que viera à luz em 1916, diploma legal ainda vigoroso e eficaz sessenta anos transcorridos. Na bárbara e aterradora missão, soubemos depois, de capturar um colega nosso (terrorista ao ver da repressão), dois trogloditas (ou era um só?) tentam invadir a sala, sendo contudo obstados categoricamente pelo mestre: “Enquanto eu estiver à frente desse quadro negro, ninguém entra aqui, salvo se eu autorizar. Os senhores, por favor, aguardem lá fora.”

Os dois armários acataram o comando respeitando o término da aula e, se não estive e ou estou em delírio paranóico, consta que nosso colega saiu para passear e nunca mais foi visto.

Quem era esse professor?

 

31 de dezembro de 2015

(160)

mmsmarcos1953@hotmail.com

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *