Terninha angelical
O futuro, hoje tenho certeza, será tudo, menos o que eu esperava que fosse.
– Anderson França –
Não ligo muito pra carro novo. Ao me deparar com um, rápida olhada e pronto, nada almejo. Agora, carro antigo me tira do sério. A mera visão de um Karmann Guia, por exemplo, é capaz de me deixar embasbacado.
Pensei até em fazer uma proposta ao Paulinho da Viola: a de compra da preciosidade que, para inveja minha, ele guarda na garagem da casa dele há décadas. É vermelhinho, um rubi, em cima do qual o doce artista se debruçara centenas de vezes para restaurá-lo e torná-lo novamente num automóvel apto a desfilar por aí, ostentando a cobiçada placa preta (vide postagem 068, de 09 de junho de 2014). Como vai ser liminarmente desacolhido meu pleito, reformulo minhas pretensões e decido aguardar ocasião mais propícia para adquirir um… não vai dar, terá que ser um fusquinha mesmo, o qual passará a ser o quarto mosqueteiro da minha frota, pois já tive três deles – foi um trio que passou na minha vida.
Friamente, nervos de aço, o que esses comentários mal articulados têm a ver com a presente postagem?
Dazi, minha amiga, minha chefa, incumbida desde os primórdios da edição deste blog, me apresentou letra, que fizera, e música resultantes de parceria virtuosa com um cantor e com uma banda criados por inteligência artificial. Em tal obra, a compositora picardia pura conta a saga duma moça angelical, mas de temperamento forte (viva as mulheres), que renunciara ao título de doutora em Direito, abandonando a turma dos Terninhos e Terninhas (é como genro meu denomina os advogados e advogadas) para mergulhar de cabeça no forró.
A protagonista, nesse passo, encetou uma volta redonda na vida, revirou os olhinhos e se envolveu apaixonadamente com um bonitão. O namoro evoluiu para coisa mais séria e os já nubentes se apressaram em realizar a festa de casamento, acontecida no pátio de uma siderúrgica estabelecida no interior do estado do Rio de Janeiro. No término do evento matrimonial, que restou comentado em toda a cidade do aço e repercutido nos altos escalões de Brasília, os padrinhos, as madrinhas e as centenas de convidados e convidadas testemunharam a glamurosa partida do casal para viagem de lua de mel, não a bordo dum Bentley, dum Rolls Royce, tampouco da carruagem de Cinderela. Senhoras e senhores, na jornada romântica com destino final em Paris, a pombinha e o pombinho se aninharam num Karman Guia, branco gelo, a mesma cor do vestido da noiva e do terno do noivo forrozeiro ex-destruidor de corações. Consta que foram felizes para sempre.
https://www.youtube.com/watch?v=sRsiBqjtXi4
A devogada porreta
A devogada porreta
Toda certinha, alinhada
Arrumava mil treta
Mas era organizada
Cheia de prazo e petição
Normativo e decisão
CDF respeitada
Rainha da argumentação
Mas um dia caiu no forró
E conheceu um bonitão
e foi sentença na hora
Até perdeu a razão
Trocou audiência por arrasta-pé
Agora só vive na farra
Nem encontra mais as amiga
Só vem se for na marra
Mas um dia caiu no forró
E conheceu um bonitão
e foi sentença na hora
Até perdeu a razão
Falava em recurso e tese
Acórdão, jurisprudência
Agora desce até o chão
Esqueceu das audiência
Achou um boy e casou
Perdemos a Defensoria
No tribunal do forró
Vive à nossa revelia
Achou um boy e casou
Perdemos a Defensoria
No tribunal do forró
Vive à nossa revelia
Dazi Antunes
#Anderson França
#Karman Guia
#Bentley
#Rolls Royce
#Cinderela
31/03/2026
(387)
mmsmarcos1953@hotmail.com
Memórias/Memorialistas (LXXXVI)
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