{"id":1092,"date":"2015-12-26T14:41:14","date_gmt":"2015-12-26T14:41:14","guid":{"rendered":"http:\/\/mapati.com.br\/blog\/?p=1092"},"modified":"2015-12-26T14:41:14","modified_gmt":"2015-12-26T14:41:14","slug":"sociologues","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/sociologues\/","title":{"rendered":"Sociologu\u00eas"},"content":{"rendered":"<p>A depress\u00e3o pode ser curada com medicamentos e suporte ps\u00edquico, al\u00e9m de apoio familiar.<\/p>\n<p>E a melancolia? N\u00e3o tem rem\u00e9dio, integra nossa personalidade. Eu, por exemplo, carrego essa mochila desde que me entendo por gente.<\/p>\n<p>Numa outra indaga\u00e7\u00e3o, abrangendo-se per\u00edodo de mais de quarenta anos atr\u00e1s: que fam\u00edlia seria a minha, com meus av\u00f3s, meus pais e meus irm\u00e3os e irm\u00e3s? N\u00e3o \u00e9 t\u00e3o problem\u00e1tico classificar. Revele-se que era uma confraria pequeno-burguesa, de certo modo inculta, classe m\u00e9dia (carioca), sem muitas perspectivas, povoada de barnab\u00e9s, frustra\u00e7\u00f5es profissionais por todos os lados, fracassos amorosos, e por a\u00ed vai.<\/p>\n<p>Ano de 1972, uma d\u00e9cada de resid\u00eancia em Bras\u00edlia com algumas interrup\u00e7\u00f5es em temporadas no Rio de Janeiro, passei a ser um estudante de Direito da UnB perdido naquelas imensid\u00f5es arquitet\u00f4nicas do <em>campus<\/em>, f\u00e9rtil e desafiador, forjado por cabe\u00e7as iluminadas, de que destacaria An\u00edsio Teixeira e Darcy Ribeiro, mas espa\u00e7o sob permanente vigil\u00e2ncia da turma braba &#8211; os milicos e (o que \u00e9 pior) os entusiastas e colaboradores da chamada Revolu\u00e7\u00e3o, sem que eu tivesse plena no\u00e7\u00e3o de tudo aquilo. Impens\u00e1vel discordar da turma do poder. A ordem do dia, lida nas casernas em nome do progresso do Brasil e repercutida pelas \u00e1reas de comunica\u00e7\u00e3o social(?) das redes de imprensa, era acatada como se emitisse leg\u00edtimos ditames constitucionais.<\/p>\n<figure id=\"attachment_1093\" aria-describedby=\"caption-attachment-1093\" style=\"width: 566px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/2017.mapati.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/sociolog.png\" rel=\"attachment wp-att-1093\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-1093\" src=\"http:\/\/2017.mapati.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/sociolog.png\" alt=\"http:\/\/sinus.org.br\/2015\/universidade-de-brasilia\/#!prettyPhoto\" width=\"566\" height=\"413\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-1093\" class=\"wp-caption-text\"><span style=\"font-size: 8pt;\">http:\/\/sinus.org.br\/2015\/universidade-de-brasilia\/#!prettyPhoto<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Na esfera do trabalho, apresentava-me como um burocrinha assustadi\u00e7o e subjugado no bojo da Caixa-Preta Bacen, ent\u00e3o bra\u00e7o civil da ditadura, na busca do resgate e do alcance dos sucessos de toda esp\u00e9cie pela via de uma carreira &#8220;promissora&#8221; e festejada pelos chegados.<\/p>\n<p>Quanta ignor\u00e2ncia, aliada a ingenuidade e desorienta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Praticamente ainda um menino nessa \u00e9poca, dezenove anos rec\u00e9m completados, quantos percal\u00e7os vivi no barco em que eu navegava com jovens em situa\u00e7\u00f5es an\u00e1logas \u00e0 minha, alienados absolutamente, verdadeiros caipiras lan\u00e7ados nas reparti\u00e7\u00f5es oficiais permeadas pela cultura do Banco do Brasil.<\/p>\n<p>Vogavam nesses ambientes caga\u00e7o da luta armada, obedi\u00eancia e vassalagem aos chefes (conservadores e tamb\u00e9m medrosos), pobreza intelectual, bom mocismo. Havia que galgar postos funcionais, obter reconhecimento social e, talvez a meta mais importante, conseguir renda (sal\u00e1rio) para se sustentar e de ordin\u00e1rio carregar a fam\u00edlia, decentemente. Dedica\u00e7\u00e3o \u00e0 carreira, de par com alguma sorte, ensejava abandonar as quitinetes onde morava boa parte deles e rumar na dire\u00e7\u00e3o do pouco habitado Lago Sul (os mais velhos) e do menos habitado ainda Lago Norte (a &#8220;classe C&#8221;, formada pelos escritur\u00e1rios emergentes).<\/p>\n<p>Socialmente, missa aos domingos, conviv\u00eancia harmoniosa com a mulher, com quem os maridos cinquent\u00f5es e sessent\u00f5es passeavam amorosamente pela cidade (amantes sempre engatilhadas e escondidas) numa demonstra\u00e7\u00e3o de paz e felicidade conjugal. Na outra vertente, pululava o n\u00facleo dito transgressor &#8211; subversivos, artistas de todos os segmentos, maconheiros, viadinhos, l\u00e9sbicas, que eram malvadamente jogados \u00e0s feras nas arenas moralizadoras, bem assim exclu\u00eddos do conv\u00edvio &#8220;decente&#8221; e demarcado por quem mandava e oprimia, tudo para que os bons costumes n\u00e3o fossem abalados.<\/p>\n<p>Nesse caldo, eu me criei, estudando (aos trambolh\u00f5es), trabalhando e em 1974 me casei, certo que isso j\u00e1 \u00e9 outra hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">21 de maio de 2015<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">(134)<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"color: #0000ff;\"><a style=\"color: #0000ff;\" href=\"mailto:mmsmarcos1953@hotmail.com\">mmsmarcos1953@hotmail.com<\/a><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A depress\u00e3o pode ser curada com medicamentos e suporte ps\u00edquico, al\u00e9m de apoio familiar. E a melancolia? N\u00e3o tem rem\u00e9dio, integra nossa personalidade. Eu, por exemplo, carrego essa mochila desde que me entendo por gente. Numa outra indaga\u00e7\u00e3o, abrangendo-se per\u00edodo de mais de quarenta anos atr\u00e1s: que fam\u00edlia seria a minha, com meus av\u00f3s, meus pais e meus irm\u00e3os e irm\u00e3s? N\u00e3o \u00e9 t\u00e3o problem\u00e1tico classificar. Revele-se que era uma confraria pequeno-burguesa, de certo modo inculta, classe m\u00e9dia (carioca), sem muitas perspectivas, povoada de barnab\u00e9s, frustra\u00e7\u00f5es profissionais por todos os lados, fracassos amorosos, e por a\u00ed vai. Ano de 1972, uma d\u00e9cada de resid\u00eancia em Bras\u00edlia com algumas interrup\u00e7\u00f5es em temporadas no Rio de Janeiro, passei a ser um estudante de Direito da UnB perdido naquelas imensid\u00f5es arquitet\u00f4nicas do campus, f\u00e9rtil e desafiador, forjado por cabe\u00e7as iluminadas, de que destacaria An\u00edsio Teixeira e Darcy Ribeiro, mas espa\u00e7o sob permanente vigil\u00e2ncia da turma braba &#8211; os milicos e (o que \u00e9 pior) os entusiastas e colaboradores da chamada Revolu\u00e7\u00e3o, sem que eu tivesse plena no\u00e7\u00e3o de tudo aquilo. Impens\u00e1vel discordar da turma do poder. A ordem do dia, lida nas casernas em nome do progresso do Brasil e repercutida pelas \u00e1reas de comunica\u00e7\u00e3o social(?) das redes de imprensa, era acatada como se emitisse leg\u00edtimos ditames constitucionais. Na esfera do trabalho, apresentava-me como um burocrinha assustadi\u00e7o e subjugado no bojo da Caixa-Preta Bacen, ent\u00e3o bra\u00e7o civil da ditadura, na busca do resgate e do alcance dos sucessos de toda esp\u00e9cie pela via de uma carreira &#8220;promissora&#8221; e festejada pelos chegados. Quanta ignor\u00e2ncia, aliada a ingenuidade e desorienta\u00e7\u00e3o. Praticamente ainda um menino nessa \u00e9poca, dezenove anos rec\u00e9m completados, quantos percal\u00e7os vivi no barco em que eu navegava com jovens em situa\u00e7\u00f5es an\u00e1logas \u00e0 minha, alienados absolutamente, verdadeiros caipiras lan\u00e7ados nas reparti\u00e7\u00f5es oficiais permeadas pela cultura do Banco do Brasil. Vogavam nesses ambientes caga\u00e7o da luta armada, obedi\u00eancia e vassalagem aos chefes (conservadores e tamb\u00e9m medrosos), pobreza intelectual, bom mocismo. Havia que galgar postos funcionais, obter reconhecimento social e, talvez a meta mais importante, conseguir renda (sal\u00e1rio) para se sustentar e de ordin\u00e1rio carregar a fam\u00edlia, decentemente. Dedica\u00e7\u00e3o \u00e0 carreira, de par com alguma sorte, ensejava abandonar as quitinetes onde morava boa parte deles e rumar na dire\u00e7\u00e3o do pouco habitado Lago Sul (os mais velhos) e do menos habitado ainda Lago Norte (a &#8220;classe C&#8221;, formada pelos escritur\u00e1rios emergentes). Socialmente, missa aos domingos, conviv\u00eancia harmoniosa com a mulher, com quem os maridos cinquent\u00f5es e sessent\u00f5es passeavam amorosamente pela cidade (amantes sempre engatilhadas e escondidas) numa demonstra\u00e7\u00e3o de paz e felicidade conjugal. Na outra vertente, pululava o n\u00facleo dito transgressor &#8211; subversivos, artistas de todos os segmentos, maconheiros, viadinhos, l\u00e9sbicas, que eram malvadamente jogados \u00e0s feras nas arenas moralizadoras, bem assim exclu\u00eddos do conv\u00edvio &#8220;decente&#8221; e demarcado por quem mandava e oprimia, tudo para que os bons costumes n\u00e3o fossem abalados. Nesse caldo, eu me criei, estudando (aos trambolh\u00f5es), trabalhando e em 1974 me casei, certo que isso j\u00e1 \u00e9 outra hist\u00f3ria. &nbsp; 21 de maio de 2015 (134) mmsmarcos1953@hotmail.com<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-1092","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1092","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1092"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1092\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1092"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1092"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1092"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}