{"id":110,"date":"2015-12-18T16:57:08","date_gmt":"2015-12-18T16:57:08","guid":{"rendered":"http:\/\/mapati.com.br\/blog\/?p=110"},"modified":"2015-12-18T16:57:08","modified_gmt":"2015-12-18T16:57:08","slug":"meu-velha-iii","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/meu-velha-iii\/","title":{"rendered":"Meu Velha (III)"},"content":{"rendered":"<p>Tereza sempre quis um filho homem. O presente chegar\u00e1 depois<br \/>\ndas duas\u00a0meninas &#8211; para ir embora com dois anos e meio depois.<\/p>\n<p>A morte do Velha, \u00e9 \u00f3bvio, abalou-nos de forma profunda e dilacerante. Dir-se-ia que quase destru\u00edra a jovem fam\u00edlia da qual foi arrancado (obrigado pela ajuda po\u00e9tica, Chico Buarque) valioso pedacinho, reduzida portanto a quatro integrantes, sem rumo, sem dire\u00e7\u00e3o, malgrado os sinceros e iterativos esfor\u00e7os dos parentes e dos amigos<br \/>\nno sentido de dar consolo e apoio para que os pais enlutados n\u00e3o sucumbissem por for\u00e7a do passamento.<\/p>\n<p>Durante o in\u00edcio desse per\u00edodo de tristezas e abandono, Tereza apegou-se \u00e0 ideia de suic\u00eddio. \u00c9 natural. Mesmo as m\u00e3es pouco afei\u00e7oadas, irrespons\u00e1veis ou alvo de recentes influ\u00eancias do estado puerperal desatinam quando v\u00eam a se conscientizar da experi\u00eancia<br \/>\ndesse tipo de perda.<\/p>\n<p>Alan Kardec ensina n\u00e3o devamos atormentar nem agredir ningu\u00e9m<br \/>\ncom nossos dramas e trag\u00e9dias, sintoma de ego\u00edsmo e presun\u00e7\u00e3o. Seria deperfilhar a li\u00e7\u00e3o do grande doutrinador, de quem muito me vali ap\u00f3s o tenebroso novembro, mas respeitosamente vou deixar o Evangelho<br \/>\nem cima do criado-mudo e prosseguir nos meus desabafos. Ou melhor, espichar os meus registros em homenagem a uma crian\u00e7a<br \/>\nque foi a verdadeira inspiradora do Mapati, hist\u00f3ria conhecida,<br \/>\na qual um dia irei redundar.<\/p>\n<p>Cerrado o livro do espiritismo, nem por isso o que dele evola deixar\u00e1<br \/>\nde aqui merecer refer\u00eancias.<\/p>\n<p>Ao t\u00e9rmino de tudo aquilo ligado \u00e0s ex\u00e9quias, impunha-se grudar<br \/>\nna Tereza\u00a0para que n\u00e3o ficasse sozinha em nenhum momento. Resolvemos, ent\u00e3o, ir para a resid\u00eancia do Sergio Padilha, irm\u00e3o mais velho e padrinho dela. Na ampla sala daquele amplo apartamento<br \/>\nda Superquadra 113 Sul, amontoamo-nos de arte a espancar o desespero<br \/>\ne a melancolia, sabendo-se a priori tarefa\u00a0ingl\u00f3ria e inexitosa.<\/p>\n<p>Transcorria a comunh\u00e3o quando nosso sobrinho Rogerio Padilha, o filho de doze anos dos donos da casa (um menino doce e brincalh\u00e3o, tamb\u00e9m desaparecido t\u00e3o precocemente, aos trinta e sete anos), dormia num pufe.\u00a0S\u00fabito, dele se levantou, foi at\u00e9 um dos quartos, ficou l\u00e1 algum tempo, reapareceu, deitou-se no mesmo lugar e voltou a dormir, profundamente.<\/p>\n<p>Maria Cec\u00edlia, minha concunhada, percorreu o mesmo caminho do filho e tornou \u00e0 sala, com um papel na m\u00e3o:<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/2017.mapati.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/FIG14post26.jpg\"><br \/>\n<\/a> <a href=\"http:\/\/2017.mapati.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/FIG15post27.png\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-111\" src=\"http:\/\/2017.mapati.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/FIG15post27.png\" alt=\"FIG15post27\" width=\"383\" height=\"585\" srcset=\"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/FIG15post27.png 367w, https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/FIG15post27-196x300.png 196w, https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/FIG15post27-200x306.png 200w\" sizes=\"(max-width: 383px) 100vw, 383px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-family: 'trebuchet ms', geneva, sans-serif;\"><strong>O OUTRO LADO DA VIDA<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><span style=\"font-family: 'trebuchet ms', geneva, sans-serif;\">A escurid\u00e3o n\u00e3o me v\u00ea,<\/span><\/em><br \/>\n<em> <span style=\"font-family: 'trebuchet ms', geneva, sans-serif;\">o espa\u00e7o \u00e9 grande,<\/span><\/em><br \/>\n<em> <span style=\"font-family: 'trebuchet ms', geneva, sans-serif;\">ou\u00e7o gritos, choros, tristezas,<\/span><\/em><br \/>\n<em> <span style=\"font-family: 'trebuchet ms', geneva, sans-serif;\">e sinto que o tempo foi curto.<\/span><\/em><br \/>\n<em> <span style=\"font-family: 'trebuchet ms', geneva, sans-serif;\">N\u00e3o vi mais aquela luz azul,<\/span><\/em><br \/>\n<em> <span style=\"font-family: 'trebuchet ms', geneva, sans-serif;\">aquela luz que, combinando com o verde,<\/span><\/em><br \/>\n<em> <span style=\"font-family: 'trebuchet ms', geneva, sans-serif;\">firmava um bosque por onde vejo agora<\/span><\/em><br \/>\n<em> <span style=\"font-family: 'trebuchet ms', geneva, sans-serif;\">um Senhor alto, de olhos azuis, bem azuis&#8230;<\/span><\/em><br \/>\n<em> <span style=\"font-family: 'trebuchet ms', geneva, sans-serif;\">Estendi-lhe a m\u00e3o e ele me levou,<\/span><\/em><br \/>\n<em> <span style=\"font-family: 'trebuchet ms', geneva, sans-serif;\">levou-me para mostrar a vida.<\/span><\/em><br \/>\n<em> <span style=\"font-family: 'trebuchet ms', geneva, sans-serif;\">Minha sombra se foi,<\/span><\/em><br \/>\n<em> <span style=\"font-family: 'trebuchet ms', geneva, sans-serif;\">minha alma venceu!<\/span><\/em><br \/>\n<em> <span style=\"font-family: 'trebuchet ms', geneva, sans-serif;\">Senhor, diga a minha m\u00e3e<\/span><\/em><br \/>\n<em> <span style=\"font-family: 'trebuchet ms', geneva, sans-serif;\">que eu n\u00e3o morri,<\/span><\/em><br \/>\n<em> <span style=\"font-family: 'trebuchet ms', geneva, sans-serif;\">que eu estou vivo,<\/span><\/em><br \/>\n<em> <span style=\"font-family: 'trebuchet ms', geneva, sans-serif;\">que eu venci a morte,<\/span><\/em><br \/>\n<em> <span style=\"font-family: 'trebuchet ms', geneva, sans-serif;\">que o tempo passa, n\u00f3s morremos,<\/span><\/em><br \/>\n<em> <span style=\"font-family: 'trebuchet ms', geneva, sans-serif;\">mas o amor vive, est\u00e1 comigo,<\/span><\/em><br \/>\n<em> <span style=\"font-family: 'trebuchet ms', geneva, sans-serif;\">com o Senhor, com todo mundo.<\/span><\/em><br \/>\n<em> <span style=\"font-family: 'trebuchet ms', geneva, sans-serif;\">Senhor, diga apenas a ela,<\/span><\/em><br \/>\n<em> <span style=\"font-family: 'trebuchet ms', geneva, sans-serif;\">&#8220;Te amo, mam\u00e3e&#8221;.<\/span><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"padding-left: 60px; text-align: right;\">24 de novembro de 2013<\/p>\n<p style=\"padding-left: 60px; text-align: right;\">(027)<\/p>\n<p style=\"padding-left: 60px; text-align: right;\"><span style=\"color: #0000ff;\"><a style=\"color: #0000ff;\" href=\"mailto:mmsmarcos1953@hotmail.com\">mmsmarcos1953@hotmail.com<\/a><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tereza sempre quis um filho homem. O presente chegar\u00e1 depois das duas\u00a0meninas &#8211; para ir embora com dois anos e meio depois. A morte do Velha, \u00e9 \u00f3bvio, abalou-nos de forma profunda e dilacerante. Dir-se-ia que quase destru\u00edra a jovem fam\u00edlia da qual foi arrancado (obrigado pela ajuda po\u00e9tica, Chico Buarque) valioso pedacinho, reduzida portanto a quatro integrantes, sem rumo, sem dire\u00e7\u00e3o, malgrado os sinceros e iterativos esfor\u00e7os dos parentes e dos amigos no sentido de dar consolo e apoio para que os pais enlutados n\u00e3o sucumbissem por for\u00e7a do passamento. Durante o in\u00edcio desse per\u00edodo de tristezas e abandono, Tereza apegou-se \u00e0 ideia de suic\u00eddio. \u00c9 natural. Mesmo as m\u00e3es pouco afei\u00e7oadas, irrespons\u00e1veis ou alvo de recentes influ\u00eancias do estado puerperal desatinam quando v\u00eam a se conscientizar da experi\u00eancia desse tipo de perda. Alan Kardec ensina n\u00e3o devamos atormentar nem agredir ningu\u00e9m com nossos dramas e trag\u00e9dias, sintoma de ego\u00edsmo e presun\u00e7\u00e3o. Seria deperfilhar a li\u00e7\u00e3o do grande doutrinador, de quem muito me vali ap\u00f3s o tenebroso novembro, mas respeitosamente vou deixar o Evangelho em cima do criado-mudo e prosseguir nos meus desabafos. Ou melhor, espichar os meus registros em homenagem a uma crian\u00e7a que foi a verdadeira inspiradora do Mapati, hist\u00f3ria conhecida, a qual um dia irei redundar. Cerrado o livro do espiritismo, nem por isso o que dele evola deixar\u00e1 de aqui merecer refer\u00eancias. Ao t\u00e9rmino de tudo aquilo ligado \u00e0s ex\u00e9quias, impunha-se grudar na Tereza\u00a0para que n\u00e3o ficasse sozinha em nenhum momento. Resolvemos, ent\u00e3o, ir para a resid\u00eancia do Sergio Padilha, irm\u00e3o mais velho e padrinho dela. Na ampla sala daquele amplo apartamento da Superquadra 113 Sul, amontoamo-nos de arte a espancar o desespero e a melancolia, sabendo-se a priori tarefa\u00a0ingl\u00f3ria e inexitosa. Transcorria a comunh\u00e3o quando nosso sobrinho Rogerio Padilha, o filho de doze anos dos donos da casa (um menino doce e brincalh\u00e3o, tamb\u00e9m desaparecido t\u00e3o precocemente, aos trinta e sete anos), dormia num pufe.\u00a0S\u00fabito, dele se levantou, foi at\u00e9 um dos quartos, ficou l\u00e1 algum tempo, reapareceu, deitou-se no mesmo lugar e voltou a dormir, profundamente. Maria Cec\u00edlia, minha concunhada, percorreu o mesmo caminho do filho e tornou \u00e0 sala, com um papel na m\u00e3o: O OUTRO LADO DA VIDA A escurid\u00e3o n\u00e3o me v\u00ea, o espa\u00e7o \u00e9 grande, ou\u00e7o gritos, choros, tristezas, e sinto que o tempo foi curto. N\u00e3o vi mais aquela luz azul, aquela luz que, combinando com o verde, firmava um bosque por onde vejo agora um Senhor alto, de olhos azuis, bem azuis&#8230; Estendi-lhe a m\u00e3o e ele me levou, levou-me para mostrar a vida. Minha sombra se foi, minha alma venceu! Senhor, diga a minha m\u00e3e que eu n\u00e3o morri, que eu estou vivo, que eu venci a morte, que o tempo passa, n\u00f3s morremos, mas o amor vive, est\u00e1 comigo, com o Senhor, com todo mundo. Senhor, diga apenas a ela, &#8220;Te amo, mam\u00e3e&#8221;. &nbsp; 24 de novembro de 2013 (027) mmsmarcos1953@hotmail.com<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-110","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/110","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=110"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/110\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=110"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=110"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=110"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}