{"id":12873,"date":"2015-12-18T15:30:07","date_gmt":"2015-12-18T15:30:07","guid":{"rendered":"http:\/\/mapati.com.br\/blog\/?p=77"},"modified":"2015-12-18T15:30:07","modified_gmt":"2015-12-18T15:30:07","slug":"acordes-ressonantes-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/acordes-ressonantes-2\/","title":{"rendered":"Acordes ressonantes"},"content":{"rendered":"<p>O nome da cl\u00ednica radiol\u00f3gica n\u00e3o revelo nem sob tortura em uma sala de raio X (muita gente diz R\u00e1u X). Posso, no entanto, afirmar<br \/>\nque \u00e9 o mesmo do sobrenome dos irm\u00e3os indigenistas do Brasil, famosos no mundo inteiro, e de um grande amigo meu, hoje ministro do Superior Tribunal de Justi\u00e7a, merecidamente.<\/p>\n<p>Dirigi-me para os lados da LBV e do Campo da Esperan\u00e7a<br \/>\n(quem n\u00e3o conhece nem nunca ouviu falar de l\u00e1 se encanta<br \/>\ncom essa po\u00e9tica denomina\u00e7\u00e3o) com objetivo de atender expressa determina\u00e7\u00e3o de meu novo ortopedista. Novo porque o &#8220;velho&#8221;,<br \/>\nde quase 10 anos de &#8220;casamento&#8221;, ele Flamengo e eu Vasco, expulsou-me com sonoro chute no traseiro (como diriam os norteamericanos<br \/>\ne um franc\u00eas da Fifa) e passou a cuidar somente de ombros e joelhos &#8211; o meu problema \u00e9 coluna, bombardeada por drones nas regi\u00f5es<br \/>\nda cervical e lombar.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, atinentemente a minha fulgurante trajet\u00f3ria na malha m\u00e9dica (express\u00e3o do grande Jo\u00e3o Ubaldo Ribeiro), noticiemos essa recent\u00edssima resson\u00e2ncia magn\u00e9tica, de longa dura\u00e7\u00e3o e alcance por explorar o norte e o sul das costas numa s\u00f3 assentada, experi\u00eancia in\u00e9dita para mim.<\/p>\n<p>\u00c9 not\u00f3ria minha subservi\u00eancia \u00e0 turma de branco \u2013 mas com ressalvas. Encaro o aparelho, sim, desde que eu n\u00e3o tenha de entrar na &#8220;c\u00e2mara mortu\u00e1ria&#8221;, aquela que fica atr\u00e1s da cortininha e, uma vez transposta,<br \/>\njoga o claustrof\u00f3bico nas g\u00e9lidas profundezas,<br \/>\nsem brigadista para salv\u00e1-lo.<\/p>\n<p>Sou conduzido \u00e0 geringon\u00e7a modernosa pela enfermeira Marta. Deflagra-se a angustiante associa\u00e7\u00e3o: Marta, Marta Suplicy, supl\u00edcio.<br \/>\nA eficiente profissional \u00e9 mandona paca, como felizmente quase todas<br \/>\nas mulheres. Dou um grau no &#8220;c\u00e9u do simulador&#8221; e fico menos intranquilo: o t\u00fanel era relativamente alto e largo e, quem sabe,<br \/>\nn\u00e3o esmagaria meu peito nem me roubaria todo o ar rarefeito<br \/>\nno asc\u00e9tico ambiente.<\/p>\n<p>Deita aqui, seu Marcos&#8221;.<\/p>\n<p>Dif\u00edcil saber o que me desfibrou mais, se o &#8220;seu Marcos&#8221; (logo eu,<br \/>\num menino) ou a voz prussiana de comando da chefona de uniforme alvo e carranca cinzenta. Em seguida, delicadamente ordenou<br \/>\n(uma contradi\u00e7\u00e3o entre termos) que eu deitasse no iole,<br \/>\nrepousasse a cabe\u00e7a e escolhesse &#8220;imex\u00edvel&#8221; (obrigado, Magri) posi\u00e7\u00e3o do pesco\u00e7o para evitar preju\u00edzos no desenvolvimento do exame.<br \/>\nJ\u00e1 na posi\u00e7\u00e3o horizontal, barriga tanquinho (com pouca roupa)<br \/>\npara cima, iniciam-se os procedimentos de &#8220;imobiliza\u00e7\u00e3o&#8221;: nuca encaixada\u00a0no garrote vil; almofada debaixo das pernas pra mode<br \/>\nde grudar a coluna na superf\u00edcie; uma esp\u00e9cie de bolsa entelada<br \/>\nna barriga; um pratic\u00e1vel em cada ombro; por fim, e n\u00e3o menos importante, m\u00e3o na campainha para pedir socorro (se acionada,\u00a0uma vergonha. As mulheres t\u00eam medo de baratas<br \/>\nmas enfrentam com indiferen\u00e7a hospitais e cl\u00ednicas m\u00e9dicas);<\/p>\n<p>Caracterizado de motoboy paulistano, depois do acidente numa marginal, vejo a maca deslizar solertemente no rumo do t\u00fanel (\u00e9 agora que infarto). N\u00e3o, o neg\u00f3cio \u00e9 pensar em coisas boas,<br \/>\ncrer que tudo \u00e9 divino e maravilhoso, nada de brumas, s\u00f3 ventos refrescantes. Movido (sem trocadilho) por esse prop\u00f3sito, imagino<br \/>\nque aquela ab\u00f3boda logo ali em cima (quebomsefossel\u00e1encim\u00e3o) vai propiciar espet\u00e1culo digno de planet\u00e1rio (em funcionamento). Que surjam no infinito as estrelas, os planetas, &#8220;tu pisavas nos astros distra\u00edda&#8221;, os meteoros, os cometas, as luzes piscantes, a entorpecer aquele pobre homem pateticamente estirado. O inebrio durou pouquinho e cedeu lugar \u00e0 asfixia. Vem \u00e0 lembran\u00e7a a bela e brava personagem do filme do Tarantino que, ap\u00f3s se debater no interior<br \/>\nde indestrut\u00edvel sepultura, consegue a l\u00e1 James Bond escapar daquele tampo de concreto e aflorar \u00e0 superf\u00edcie.<\/p>\n<p>Decerto, eu n\u00e3o o conseguiria. Aquele sinalzinho, aquele bimbalhar<br \/>\nde claustrofobia come\u00e7ava a ser leve e trai\u00e7oeiramente ouvido por quem, sem embargo, estava com os ouvidos tampados pelo fones postos pela competente Marta. Vozes do al\u00e9m: &#8220;Seja corajoso, seja homem&#8221;, diziam, cada um a seu tempo, meu bisav\u00f4, meu av\u00f4, meu pai&#8230; Dominei o pavor, o medo f\u00f3bico, o p\u00e2nico e passei novamente<br \/>\na me ter em alta conta.<\/p>\n<p>Estava nessa seguran\u00e7a toda quando a Marta iniciou o tiroteio. O que<br \/>\nera aquilo? Bonnie and Clyde? O Poderoso Chef\u00e3o? Os Intoc\u00e1veis? Onomatopeias de enlouquecer (&#8220;chomp, chomp&#8221;, &#8220;brrrrrrrrrrr&#8221;, &#8220;clang, clang&#8221;, &#8220;vruuuuuum&#8221;), bate-estaca, lixadeira, serra el\u00e9trica, makita, alarme antia\u00e9reo, britadeira&#8230; Ser\u00e1 que, dentro da cabine de isolamento, a Marta se transmudara em percussionista infernal?<\/p>\n<p>Devo admitir que balancei e quase apertei a campainha dos covardes. Hora de invocar mais uma vez meus ancestrais. Fui bem sucedido<br \/>\nno intento, contornei a coisa, passando at\u00e9 a gostar do jogo (foi ele mesmo, o GB, quem inventou a express\u00e3o?). A guerra prosseguia. Tranquil\u00e3o, eu me mexia s\u00f3 para devolver a saliva e aliviar a respira\u00e7\u00e3o opressa. L\u00e1 de dentro, a Marta tonitroou: &#8220;Nada de engolir saliva sen\u00e3o vamos ter de repetir o exame&#8221;<\/p>\n<p>Pronto, esqueci o barulhamento e passei a brigar com o \u00f3leo de r\u00edcino que encharcava minha boca. &#8220;Tudo bem a\u00ed, seu Marcos?&#8221; Como responder? Esqueci o reiterado e ofensivo &#8220;seu&#8221;, levantei o dedo<br \/>\npra cima \u00e0 maneira agradecida dos motoristas nas tesourinhas<br \/>\nde Bras\u00edlia. Minha boca havia se transformado numa piscina de ondas (em funcionamento). Pensei em cuspir, babar, fazer que aquele mar revolto escorresse aliviadamente por meu pesco\u00e7o. Era optar por isso<br \/>\ne ser chamado de &#8220;velho bab\u00e3o&#8221;. Isso n\u00e3o. Numa licen\u00e7a po\u00e9tica, engoli em seco e nessa agonia passaram-se anos e anos at\u00e9 a enfermeira<br \/>\ndar o aviso de encerramento do round. Marta, \u00e0quela altura minha fada, desandou a me desapetrechar e me vendo l\u00edvido, com boca de siri<br \/>\ne boche\u00e7a de Fof\u00e3o, mandou (o estilo renasceu) que eu corresse ao banheiro para me livrar daquele l\u00edquido que encharcava l\u00edngua, palato, aftas, dentes permanentes, dentes nem tanto. N\u00e3o deu tempo, a lata<br \/>\nde lixo ali na porta fez as vezes de cuspideira dos tempos do imp\u00e9rio.<\/p>\n<p>Ressuscitei.<\/p>\n<p>Sobrou o indeclin\u00e1vel dever de enfrentar o laudo do radiologista<br \/>\ne a fatura, a ser paga a maior parte pelo meu conv\u00eanio; mas ainda assim o valor pendente vai corroer meu bolso.<\/p>\n<p>Todo esse palavr\u00f3rio, toda essa besteirada, tudo isso somente<br \/>\npara lan\u00e7ar a seguinte indaga\u00e7\u00e3o, abordando realmente o que interessa:<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>QUANDO \u00c9 QUE OS ATORES E AS ATRIZES DESTE PA\u00cdS PODER\u00c3O TER UM PLANO DE SA\u00daDE DECENTE E QUE BENEFICIE<br \/>\n<span style=\"text-decoration: underline; color: #000000;\">TODA<\/span><br \/>\nA CATEGORIA?<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"padding-left: 60px; text-align: right;\">29 de outubro de 2013<\/p>\n<p style=\"padding-left: 60px; text-align: right;\">(017)<\/p>\n<p style=\"padding-left: 60px; text-align: right;\"><span style=\"color: #0000ff;\"><a style=\"color: #0000ff;\" href=\"mailto:mmsmarcos1953@hotmail.com\">mmsmarcos1953@hotmail.com<\/a><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O nome da cl\u00ednica radiol\u00f3gica n\u00e3o revelo nem sob tortura em uma sala de raio X (muita gente diz R\u00e1u X). 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Ent\u00e3o, atinentemente a minha fulgurante trajet\u00f3ria na malha m\u00e9dica (express\u00e3o do grande Jo\u00e3o Ubaldo Ribeiro), noticiemos essa recent\u00edssima resson\u00e2ncia magn\u00e9tica, de longa dura\u00e7\u00e3o e alcance por explorar o norte e o sul das costas numa s\u00f3 assentada, experi\u00eancia in\u00e9dita para mim. \u00c9 not\u00f3ria minha subservi\u00eancia \u00e0 turma de branco \u2013 mas com ressalvas. Encaro o aparelho, sim, desde que eu n\u00e3o tenha de entrar na &#8220;c\u00e2mara mortu\u00e1ria&#8221;, aquela que fica atr\u00e1s da cortininha e, uma vez transposta, joga o claustrof\u00f3bico nas g\u00e9lidas profundezas, sem brigadista para salv\u00e1-lo. Sou conduzido \u00e0 geringon\u00e7a modernosa pela enfermeira Marta. Deflagra-se a angustiante associa\u00e7\u00e3o: Marta, Marta Suplicy, supl\u00edcio. A eficiente profissional \u00e9 mandona paca, como felizmente quase todas as mulheres. Dou um grau no &#8220;c\u00e9u do simulador&#8221; e fico menos intranquilo: o t\u00fanel era relativamente alto e largo e, quem sabe, n\u00e3o esmagaria meu peito nem me roubaria todo o ar rarefeito no asc\u00e9tico ambiente. Deita aqui, seu Marcos&#8221;. Dif\u00edcil saber o que me desfibrou mais, se o &#8220;seu Marcos&#8221; (logo eu, um menino) ou a voz prussiana de comando da chefona de uniforme alvo e carranca cinzenta. Em seguida, delicadamente ordenou (uma contradi\u00e7\u00e3o entre termos) que eu deitasse no iole, repousasse a cabe\u00e7a e escolhesse &#8220;imex\u00edvel&#8221; (obrigado, Magri) posi\u00e7\u00e3o do pesco\u00e7o para evitar preju\u00edzos no desenvolvimento do exame. J\u00e1 na posi\u00e7\u00e3o horizontal, barriga tanquinho (com pouca roupa) para cima, iniciam-se os procedimentos de &#8220;imobiliza\u00e7\u00e3o&#8221;: nuca encaixada\u00a0no garrote vil; almofada debaixo das pernas pra mode de grudar a coluna na superf\u00edcie; uma esp\u00e9cie de bolsa entelada na barriga; um pratic\u00e1vel em cada ombro; por fim, e n\u00e3o menos importante, m\u00e3o na campainha para pedir socorro (se acionada,\u00a0uma vergonha. As mulheres t\u00eam medo de baratas mas enfrentam com indiferen\u00e7a hospitais e cl\u00ednicas m\u00e9dicas); Caracterizado de motoboy paulistano, depois do acidente numa marginal, vejo a maca deslizar solertemente no rumo do t\u00fanel (\u00e9 agora que infarto). N\u00e3o, o neg\u00f3cio \u00e9 pensar em coisas boas, crer que tudo \u00e9 divino e maravilhoso, nada de brumas, s\u00f3 ventos refrescantes. Movido (sem trocadilho) por esse prop\u00f3sito, imagino que aquela ab\u00f3boda logo ali em cima (quebomsefossel\u00e1encim\u00e3o) vai propiciar espet\u00e1culo digno de planet\u00e1rio (em funcionamento). Que surjam no infinito as estrelas, os planetas, &#8220;tu pisavas nos astros distra\u00edda&#8221;, os meteoros, os cometas, as luzes piscantes, a entorpecer aquele pobre homem pateticamente estirado. O inebrio durou pouquinho e cedeu lugar \u00e0 asfixia. Vem \u00e0 lembran\u00e7a a bela e brava personagem do filme do Tarantino que, ap\u00f3s se debater no interior de indestrut\u00edvel sepultura, consegue a l\u00e1 James Bond escapar daquele tampo de concreto e aflorar \u00e0 superf\u00edcie. Decerto, eu n\u00e3o o conseguiria. Aquele sinalzinho, aquele bimbalhar de claustrofobia come\u00e7ava a ser leve e trai\u00e7oeiramente ouvido por quem, sem embargo, estava com os ouvidos tampados pelo fones postos pela competente Marta. Vozes do al\u00e9m: &#8220;Seja corajoso, seja homem&#8221;, diziam, cada um a seu tempo, meu bisav\u00f4, meu av\u00f4, meu pai&#8230; Dominei o pavor, o medo f\u00f3bico, o p\u00e2nico e passei novamente a me ter em alta conta. Estava nessa seguran\u00e7a toda quando a Marta iniciou o tiroteio. O que era aquilo? Bonnie and Clyde? O Poderoso Chef\u00e3o? Os Intoc\u00e1veis? Onomatopeias de enlouquecer (&#8220;chomp, chomp&#8221;, &#8220;brrrrrrrrrrr&#8221;, &#8220;clang, clang&#8221;, &#8220;vruuuuuum&#8221;), bate-estaca, lixadeira, serra el\u00e9trica, makita, alarme antia\u00e9reo, britadeira&#8230; Ser\u00e1 que, dentro da cabine de isolamento, a Marta se transmudara em percussionista infernal? Devo admitir que balancei e quase apertei a campainha dos covardes. Hora de invocar mais uma vez meus ancestrais. Fui bem sucedido no intento, contornei a coisa, passando at\u00e9 a gostar do jogo (foi ele mesmo, o GB, quem inventou a express\u00e3o?). A guerra prosseguia. Tranquil\u00e3o, eu me mexia s\u00f3 para devolver a saliva e aliviar a respira\u00e7\u00e3o opressa. L\u00e1 de dentro, a Marta tonitroou: &#8220;Nada de engolir saliva sen\u00e3o vamos ter de repetir o exame&#8221; Pronto, esqueci o barulhamento e passei a brigar com o \u00f3leo de r\u00edcino que encharcava minha boca. &#8220;Tudo bem a\u00ed, seu Marcos?&#8221; Como responder? Esqueci o reiterado e ofensivo &#8220;seu&#8221;, levantei o dedo pra cima \u00e0 maneira agradecida dos motoristas nas tesourinhas de Bras\u00edlia. Minha boca havia se transformado numa piscina de ondas (em funcionamento). Pensei em cuspir, babar, fazer que aquele mar revolto escorresse aliviadamente por meu pesco\u00e7o. Era optar por isso e ser chamado de &#8220;velho bab\u00e3o&#8221;. Isso n\u00e3o. Numa licen\u00e7a po\u00e9tica, engoli em seco e nessa agonia passaram-se anos e anos at\u00e9 a enfermeira dar o aviso de encerramento do round. Marta, \u00e0quela altura minha fada, desandou a me desapetrechar e me vendo l\u00edvido, com boca de siri e boche\u00e7a de Fof\u00e3o, mandou (o estilo renasceu) que eu corresse ao banheiro para me livrar daquele l\u00edquido que encharcava l\u00edngua, palato, aftas, dentes permanentes, dentes nem tanto. N\u00e3o deu tempo, a lata de lixo ali na porta fez as vezes de cuspideira dos tempos do imp\u00e9rio. Ressuscitei. Sobrou o indeclin\u00e1vel dever de enfrentar o laudo do radiologista e a fatura, a ser paga a maior parte pelo meu conv\u00eanio; mas ainda assim o valor pendente vai corroer meu bolso. Todo esse palavr\u00f3rio, toda essa besteirada, tudo isso somente para lan\u00e7ar a seguinte indaga\u00e7\u00e3o, abordando realmente o que interessa: QUANDO \u00c9 QUE OS ATORES E AS ATRIZES DESTE PA\u00cdS PODER\u00c3O TER UM PLANO DE SA\u00daDE DECENTE E QUE BENEFICIE TODA A CATEGORIA? &nbsp; 29 de outubro de 2013 (017) mmsmarcos1953@hotmail.com<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-12873","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12873","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12873"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12873\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12873"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12873"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12873"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}