{"id":12874,"date":"2015-12-18T15:42:33","date_gmt":"2015-12-18T15:42:33","guid":{"rendered":"http:\/\/mapati.com.br\/blog\/?p=81"},"modified":"2015-12-18T15:42:33","modified_gmt":"2015-12-18T15:42:33","slug":"ataque-do-pitbull","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/ataque-do-pitbull\/","title":{"rendered":"Ataque do pitbull"},"content":{"rendered":"<p>Dorido o epis\u00f3dio, vou sinceramente tentar descrev\u00ea-lo numa assentada, sem pesquisar coisa alguma, inclusive os jornais que reiteradamente abriram, \u00e0 \u00e9poca, amplos espa\u00e7os para as cenas de horror. Algumas facetas, portanto, imerecer\u00e3o refer\u00eancias e lembran\u00e7as,<br \/>\nn\u00e3o por desimportantes, mas, sim, por minhas falhas (deliberadas?)<br \/>\nde mem\u00f3ria em traz\u00ea-las a lume. Ainda que minha mente colabore, tudo no caso em abordagem \u00e9 irreversivelmente penumbroso,<br \/>\nal\u00e9m de atordoante e desolador.<\/p>\n<p>Fabricio, Leonardo e Aline, faz um ano que o destino lan\u00e7ou-os (e mais um monte de pessoas) no protagonismo de um filme macabro, anticineparadiso. Comecemos pela descri\u00e7\u00e3o do local. Situava-se<br \/>\nem imedia\u00e7\u00f5es do Lago Norte e se distribu\u00eda por dois (ou tr\u00eas) pavimentos &#8211; plat\u00f4, mezanino, camarotes e pistas de dan\u00e7a, nos quais burguesinhas e burguesinhos bebiam (os jovens de hoje fumam pouco, quase nada, mas s\u00e3o perigosamente chegados ao alc\u00f3ol), namoravam, ficavam, conversavam, gritavam, embalados pela t\u00edpica m\u00fasica,<br \/>\ncom muito deles, por escolha pr\u00f3pria, espalhados no lado de fora,<br \/>\nnas cal\u00e7adas, nos jardins e na rua em frente<br \/>\n\u00e0 casa cheia que bombava na noite.<\/p>\n<p>Entrementes, um massacre ultrajante acontecia.<\/p>\n<p>Leonardo, menino de 18 anos, p\u00f5e-se em defesa de um amigo que num gramado na parte externa apanhava do Fabricio e comparsas. Por essa atitude de coragem (de enfrentamento suicida) diante de marginais que n\u00e3o conhecia, Leo, sozinho (o amigo conseguira escapar), passou a ser agredido de forma selvagem e descontrolada, sem poder esbo\u00e7ar rea\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Provocavam choque, nos poucos assistentes da barb\u00e1rie, a covardia<br \/>\ne a perversidade dos fac\u00ednoras (3, 4, 5, sabe-se l\u00e1 quantos). Mesmo<br \/>\ncom o dito salvador ca\u00eddo e praticamente desacordado, continuaram os socos e pontap\u00e9s, interrompidos pela sirene da viatura policial que se aproximava depois de algu\u00e9m ter ligado pedindo socorro.<\/p>\n<p>Interna\u00e7\u00e3o imediata na emerg\u00eancia, semanas no hospital, dolorosos procedimentos cir\u00fargicos, boca, dentes, nariz e ossos da face destro\u00e7ados (os marginais focaram a cabe\u00e7a), toda a dif\u00edcil recupera\u00e7\u00e3o (?) acompanhada pelo pai do Leo, m\u00e9dico (o sofrimento se agrava pelo conhecimento t\u00e9cnico do estado cl\u00ednico do filho), pela m\u00e3e, pelas irm\u00e3s, pelas amigas, pelos amigos e&#8230; pela Aline (minha neta tamb\u00e9m estava nessa malfadada festa), que, ap\u00f3s tantas penosas visitas, apegou-se afetivamente ao garoto (para ela at\u00e9 ent\u00e3o mero desconhecido),<br \/>\ncom quem passou a namorar, num relacionamento vigorante at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p>Tribunal de Justi\u00e7a, vara criminal, o atento servidor p\u00fablico, tanto<br \/>\nque recebia a devida ordem de convoca\u00e7\u00e3o, apressava-se em chamar<br \/>\nl\u00e1 no corredor as depoentes e os depoentes para, de forma sequenciada, adentrar o recinto e responder ao que era perguntado naquela primeira audi\u00eancia. De posse das quesita\u00e7\u00f5es feitas por defesa e acusa\u00e7\u00e3o,<br \/>\na magistrada ia interrogando, com as advert\u00eancias de rigor (&#8220;declaro dizer a verdade&#8230;&#8221;), toda aquela gente predominantemente na faixa et\u00e1ria de 16 a 25 anos.<\/p>\n<p>R\u00e1pido intervalo para men\u00e7\u00e3o a esses integrantes do trip\u00e9 da Justi\u00e7a.<br \/>\nA ju\u00edza, sete meses de gravidez provavelmente, desincumbia-se nos moldes profissionais. O advogado, 35\/40 anos, com os pneus down, dava impress\u00e3o de estar ali em atendimento a algum irrecus\u00e1vel pedido atravessado por parente ou amigo dele, &#8220;\u00f4 causa perdida&#8221;, devia estar se dizendo\u00a0o caus\u00eddico. Sou advogado, h\u00e1 o C\u00f3digo de \u00c9tica da OAB,<br \/>\nmas, por favor, n\u00e3o me censurem, porquanto, acima j\u00e1 anunciei, sou av\u00f4<br \/>\nda personagem feminina que integra aquele trio de in\u00edcio referido.<br \/>\nPor fim, a promotora, brava mulher que, reencarnando a saudosa deputada pernambucana Cristina Tavares, esgrimia arsenal acusador fulminante, decerto antecipat\u00f3rio do veredicto de condena\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>(Na segunda audi\u00eancia, \u00e0 qual n\u00e3o pude comparecer, presidida por juiz &#8211; a ju\u00edza em licen\u00e7a-maternidade -, nossa representante do Minist\u00e9rio P\u00fablico manteve a galhardia, conforme me reportou minha filha Patricia, advogada de igual modo, sogra do Leo. Adequadamente ir\u00f4nica, perguntara \u00e0quele grupo de fort\u00f5es na sala do TJ, caras de santinho, sujeitos contritos, se eles porventura faziam academia para, sob a forma de arm\u00e1rios, percorrer as noites de Bras\u00edlia com a nobre miss\u00e3o<br \/>\nde separar briguentos que fossem encontrando por a\u00ed.).<\/p>\n<p>Do que me foi admitido perceber na primeira oitiva, e n\u00e3o necessariamente em sequ\u00eancia de import\u00e2ncia, ressalto os depoimentos: da Aline, seguro, preciso e articulado; do L\u00e9o, sereno mas sofrido;<br \/>\nda m\u00e3e dele, pungente e dilacerante; do morador do apartamento em frente ao local da barb\u00e1rie, testemunha ocular: corajoso e arrasador para as pretens\u00f5es do acusado.<\/p>\n<p>Fabricio, feita a esperada justi\u00e7a, oxal\u00e1 voc\u00ea, que j\u00e1 se vangloriou de sua proeza nas redes sociais, possa em algum momento se ressocializar depois dos muitos anos passados na penitenci\u00e1ria e, quem sabe, liderar campanhas contra a viol\u00eancia, contra qualquer esp\u00e9cie de viol\u00eancia.<\/p>\n<p>O presente registro serve tamb\u00e9m de homenagem ao meu dileto amigo de perdas prematuras Andr\u00e9 Leal, pai do anjo de 20 anos Jo\u00e3o Claudio, espancado at\u00e9 a morte por trogloditas do mesmo naipe na porta de uma boate da Asa Sul.<\/p>\n<p>Meu forte abra\u00e7o para o Andr\u00e9, outro para seu irm\u00e3o Ricardo,<br \/>\ntamb\u00e9m meu ex-colega de peladas de futebol so\u00e7aite<br \/>\nna Asbac e um craca\u00e7o como voc\u00ea.<\/p>\n<p>Saudades do doce pai de voc\u00eas dois, Newton Peixoto Leal, querid\u00edssima pessoa, um dos meus mestres no Bacen.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"padding-left: 60px; text-align: right;\">01 de novembro de 2013<\/p>\n<p style=\"padding-left: 60px; text-align: right;\">(018)<\/p>\n<p style=\"padding-left: 60px; text-align: right;\"><span style=\"color: #0000ff;\"><a style=\"color: #0000ff;\" href=\"mailto:mmsmarcos1953@hotmail.com\">mmsmarcos1953@hotmail.com<\/a><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dorido o epis\u00f3dio, vou sinceramente tentar descrev\u00ea-lo numa assentada, sem pesquisar coisa alguma, inclusive os jornais que reiteradamente abriram, \u00e0 \u00e9poca, amplos espa\u00e7os para as cenas de horror. Algumas facetas, portanto, imerecer\u00e3o refer\u00eancias e lembran\u00e7as, n\u00e3o por desimportantes, mas, sim, por minhas falhas (deliberadas?) de mem\u00f3ria em traz\u00ea-las a lume. Ainda que minha mente colabore, tudo no caso em abordagem \u00e9 irreversivelmente penumbroso, al\u00e9m de atordoante e desolador. Fabricio, Leonardo e Aline, faz um ano que o destino lan\u00e7ou-os (e mais um monte de pessoas) no protagonismo de um filme macabro, anticineparadiso. Comecemos pela descri\u00e7\u00e3o do local. Situava-se em imedia\u00e7\u00f5es do Lago Norte e se distribu\u00eda por dois (ou tr\u00eas) pavimentos &#8211; plat\u00f4, mezanino, camarotes e pistas de dan\u00e7a, nos quais burguesinhas e burguesinhos bebiam (os jovens de hoje fumam pouco, quase nada, mas s\u00e3o perigosamente chegados ao alc\u00f3ol), namoravam, ficavam, conversavam, gritavam, embalados pela t\u00edpica m\u00fasica, com muito deles, por escolha pr\u00f3pria, espalhados no lado de fora, nas cal\u00e7adas, nos jardins e na rua em frente \u00e0 casa cheia que bombava na noite. Entrementes, um massacre ultrajante acontecia. Leonardo, menino de 18 anos, p\u00f5e-se em defesa de um amigo que num gramado na parte externa apanhava do Fabricio e comparsas. Por essa atitude de coragem (de enfrentamento suicida) diante de marginais que n\u00e3o conhecia, Leo, sozinho (o amigo conseguira escapar), passou a ser agredido de forma selvagem e descontrolada, sem poder esbo\u00e7ar rea\u00e7\u00e3o. Provocavam choque, nos poucos assistentes da barb\u00e1rie, a covardia e a perversidade dos fac\u00ednoras (3, 4, 5, sabe-se l\u00e1 quantos). Mesmo com o dito salvador ca\u00eddo e praticamente desacordado, continuaram os socos e pontap\u00e9s, interrompidos pela sirene da viatura policial que se aproximava depois de algu\u00e9m ter ligado pedindo socorro. Interna\u00e7\u00e3o imediata na emerg\u00eancia, semanas no hospital, dolorosos procedimentos cir\u00fargicos, boca, dentes, nariz e ossos da face destro\u00e7ados (os marginais focaram a cabe\u00e7a), toda a dif\u00edcil recupera\u00e7\u00e3o (?) acompanhada pelo pai do Leo, m\u00e9dico (o sofrimento se agrava pelo conhecimento t\u00e9cnico do estado cl\u00ednico do filho), pela m\u00e3e, pelas irm\u00e3s, pelas amigas, pelos amigos e&#8230; pela Aline (minha neta tamb\u00e9m estava nessa malfadada festa), que, ap\u00f3s tantas penosas visitas, apegou-se afetivamente ao garoto (para ela at\u00e9 ent\u00e3o mero desconhecido), com quem passou a namorar, num relacionamento vigorante at\u00e9 hoje. Tribunal de Justi\u00e7a, vara criminal, o atento servidor p\u00fablico, tanto que recebia a devida ordem de convoca\u00e7\u00e3o, apressava-se em chamar l\u00e1 no corredor as depoentes e os depoentes para, de forma sequenciada, adentrar o recinto e responder ao que era perguntado naquela primeira audi\u00eancia. De posse das quesita\u00e7\u00f5es feitas por defesa e acusa\u00e7\u00e3o, a magistrada ia interrogando, com as advert\u00eancias de rigor (&#8220;declaro dizer a verdade&#8230;&#8221;), toda aquela gente predominantemente na faixa et\u00e1ria de 16 a 25 anos. R\u00e1pido intervalo para men\u00e7\u00e3o a esses integrantes do trip\u00e9 da Justi\u00e7a. A ju\u00edza, sete meses de gravidez provavelmente, desincumbia-se nos moldes profissionais. O advogado, 35\/40 anos, com os pneus down, dava impress\u00e3o de estar ali em atendimento a algum irrecus\u00e1vel pedido atravessado por parente ou amigo dele, &#8220;\u00f4 causa perdida&#8221;, devia estar se dizendo\u00a0o caus\u00eddico. Sou advogado, h\u00e1 o C\u00f3digo de \u00c9tica da OAB, mas, por favor, n\u00e3o me censurem, porquanto, acima j\u00e1 anunciei, sou av\u00f4 da personagem feminina que integra aquele trio de in\u00edcio referido. Por fim, a promotora, brava mulher que, reencarnando a saudosa deputada pernambucana Cristina Tavares, esgrimia arsenal acusador fulminante, decerto antecipat\u00f3rio do veredicto de condena\u00e7\u00e3o. (Na segunda audi\u00eancia, \u00e0 qual n\u00e3o pude comparecer, presidida por juiz &#8211; a ju\u00edza em licen\u00e7a-maternidade -, nossa representante do Minist\u00e9rio P\u00fablico manteve a galhardia, conforme me reportou minha filha Patricia, advogada de igual modo, sogra do Leo. Adequadamente ir\u00f4nica, perguntara \u00e0quele grupo de fort\u00f5es na sala do TJ, caras de santinho, sujeitos contritos, se eles porventura faziam academia para, sob a forma de arm\u00e1rios, percorrer as noites de Bras\u00edlia com a nobre miss\u00e3o de separar briguentos que fossem encontrando por a\u00ed.). Do que me foi admitido perceber na primeira oitiva, e n\u00e3o necessariamente em sequ\u00eancia de import\u00e2ncia, ressalto os depoimentos: da Aline, seguro, preciso e articulado; do L\u00e9o, sereno mas sofrido; da m\u00e3e dele, pungente e dilacerante; do morador do apartamento em frente ao local da barb\u00e1rie, testemunha ocular: corajoso e arrasador para as pretens\u00f5es do acusado. Fabricio, feita a esperada justi\u00e7a, oxal\u00e1 voc\u00ea, que j\u00e1 se vangloriou de sua proeza nas redes sociais, possa em algum momento se ressocializar depois dos muitos anos passados na penitenci\u00e1ria e, quem sabe, liderar campanhas contra a viol\u00eancia, contra qualquer esp\u00e9cie de viol\u00eancia. O presente registro serve tamb\u00e9m de homenagem ao meu dileto amigo de perdas prematuras Andr\u00e9 Leal, pai do anjo de 20 anos Jo\u00e3o Claudio, espancado at\u00e9 a morte por trogloditas do mesmo naipe na porta de uma boate da Asa Sul. Meu forte abra\u00e7o para o Andr\u00e9, outro para seu irm\u00e3o Ricardo, tamb\u00e9m meu ex-colega de peladas de futebol so\u00e7aite na Asbac e um craca\u00e7o como voc\u00ea. Saudades do doce pai de voc\u00eas dois, Newton Peixoto Leal, querid\u00edssima pessoa, um dos meus mestres no Bacen. &nbsp; 01 de novembro de 2013 (018) mmsmarcos1953@hotmail.com<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-12874","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12874","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12874"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12874\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12874"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12874"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12874"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}