{"id":12879,"date":"2015-12-18T16:46:37","date_gmt":"2015-12-18T16:46:37","guid":{"rendered":"http:\/\/mapati.com.br\/blog\/?p=107"},"modified":"2015-12-18T16:46:37","modified_gmt":"2015-12-18T16:46:37","slug":"meu-velha-ii","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/meu-velha-ii\/","title":{"rendered":"Meu Velha (II)"},"content":{"rendered":"<p>&#8230; em 1983, retomamos nossa vidinha na HCGN 715.<\/p>\n<p>A casa, adquirida no ano anterior mediante financiamento imobili\u00e1rio de curto prazo (trinta anos), fora reformada por n\u00f3s dois \u00e0 custa<br \/>\nda venda de licen\u00e7a-pr\u00eamio e f\u00e9rias. Era toda de piso de pedra, paredes de tijolinho, janelas e portas de ferro estilizadas e vivia sempre cheia<br \/>\nde gente, aumentando a popula\u00e7\u00e3o fixa de cinco moradores, dois adultos e tr\u00eas crian\u00e7as. Para nossa alegria de assumidos anfitri\u00f5es, n\u00e3o existia descanso para ningu\u00e9m, vizinhos apareciam a qualquer hora do dia,<br \/>\na numerosa parentada se largava para l\u00e1 nos fins de semana, fam\u00e9licos todos e todas, papo-cabe\u00e7a, papo-brabo, fofocas a rodo, tudo em volta<br \/>\nda c\u00e9lebre churrasqueira.<\/p>\n<p>Naquela \u00e9poca, parentes se visitavam.<\/p>\n<p>Um pouquinho de tempo depois, surgia no lar do final da Asa Norte<br \/>\no povo do teatro, que desandou a frequentar nossas animadas festas.<br \/>\n\u00c9 que a Tereza j\u00e1 cursava o Dulcina, muitas vezes acompanhada por mim, papagaio de pirata que se sentia um aut\u00eantico aluno da faculdade, cujos corredores e salas de aula, coalhados de estudantes de c\u00eanicas, de artes pl\u00e1sticas, de dan\u00e7a, eu os percorria com algum desembara\u00e7o e satisfa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>N\u00e3o era sempre que minha m\u00e3e ia a nossa casa, meu pai a absorvia muito, afinal de contas se casaram e, juntos, passaram d\u00e9cadas de voga do absoluto machismo, no qual a esposa era uma esp\u00e9cie de assessora, de ajudante de ordens do marido. Mas, quando dava o ar da gra\u00e7a, ela sempre brigava comigo por eu chamar meu filho de &#8220;Velha&#8221;, dizendo ser aquilo um absurdo pois n\u00e3o havia justificativa para aceitar que fosse omitido um nome t\u00e3o bonito como Tiago, menino que parecia<br \/>\nse comprazer, decerto pela sonoridade, com o apelido carinhosamente dado pela m\u00e3e dele logo ap\u00f3s receber o filho das m\u00e3os da enfermeira na maternidade. N\u00e3o adiantaram as reprimendas da m\u00e3e\/sogra\/av\u00f3:<br \/>\nn\u00f3s quatro s\u00f3 o cham\u00e1vamos assim. Era &#8220;Velha&#8221; e pronto.<\/p>\n<p>Embora m\u00e3e de tr\u00eas filhos pequenos, Tereza permanecia bonita, 28 anos, corpo de &#8220;menina do Rio&#8221;. Tinha ao seu lado, desde o namoro iniciado em 1973, o parceiro que se apresentava com a for\u00e7a dos seus trinta anos de idade.<\/p>\n<p>Meados de novembro de 1983, sob recomenda\u00e7\u00e3o de minha cunhada pediatra, Norma Padilha (tamb\u00e9m tenho uma irm\u00e3 chamada Norma), levamos o Tiago \u00e0s pressas para o hospital pois ele vomitava muito e padecia de forte diarreia. Atendido pelo mesmo pediatra (j\u00e1 falecido) que o ajudara a vir ao mundo, dono da cl\u00ednica (Centro M\u00e9dico Sul &#8211; Quadra 716 &#8211; bloco E) em sociedade com o gineco-obstreta que fizera os tr\u00eas partos de ces\u00e1rea da Tereza, meu filho foi internado na mesma cl\u00ednica, no mesmo quarto para onde foi logo que viera \u00e0 luz, em 20<br \/>\nde maio de 1981.<\/p>\n<p>Ficamos eu e Tereza, em revezamento, para l\u00e1 e para c\u00e1, casa\/cl\u00ednica, cl\u00ednica\/casa, no insuport\u00e1vel mart\u00edrio de qualquer pai e de qualquer m\u00e3e para acompanhar filho gravemente enfermo. Dia 20 de novembro de 1983, recebo na 715 Norte um telefonema da minha cunhada m\u00e9dica, voz forte e resoluta, ela e Tereza ao lado do corpo do anjinho.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/2017.mapati.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/FIG14post26.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-108\" src=\"http:\/\/2017.mapati.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/FIG14post26.jpg\" alt=\"FIG14post26\" width=\"398\" height=\"580\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"padding-left: 60px; text-align: right;\">21 de novembro de 2013<\/p>\n<p style=\"padding-left: 60px; text-align: right;\">(026)<\/p>\n<p style=\"padding-left: 60px; text-align: right;\"><span style=\"color: #0000ff;\"><a style=\"color: #0000ff;\" href=\"mailto:mmsmarcos1953@hotmail.com\">mmsmarcos1953@hotmail.com<\/a><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8230; em 1983, retomamos nossa vidinha na HCGN 715. A casa, adquirida no ano anterior mediante financiamento imobili\u00e1rio de curto prazo (trinta anos), fora reformada por n\u00f3s dois \u00e0 custa da venda de licen\u00e7a-pr\u00eamio e f\u00e9rias. Era toda de piso de pedra, paredes de tijolinho, janelas e portas de ferro estilizadas e vivia sempre cheia de gente, aumentando a popula\u00e7\u00e3o fixa de cinco moradores, dois adultos e tr\u00eas crian\u00e7as. Para nossa alegria de assumidos anfitri\u00f5es, n\u00e3o existia descanso para ningu\u00e9m, vizinhos apareciam a qualquer hora do dia, a numerosa parentada se largava para l\u00e1 nos fins de semana, fam\u00e9licos todos e todas, papo-cabe\u00e7a, papo-brabo, fofocas a rodo, tudo em volta da c\u00e9lebre churrasqueira. Naquela \u00e9poca, parentes se visitavam. Um pouquinho de tempo depois, surgia no lar do final da Asa Norte o povo do teatro, que desandou a frequentar nossas animadas festas. \u00c9 que a Tereza j\u00e1 cursava o Dulcina, muitas vezes acompanhada por mim, papagaio de pirata que se sentia um aut\u00eantico aluno da faculdade, cujos corredores e salas de aula, coalhados de estudantes de c\u00eanicas, de artes pl\u00e1sticas, de dan\u00e7a, eu os percorria com algum desembara\u00e7o e satisfa\u00e7\u00e3o. N\u00e3o era sempre que minha m\u00e3e ia a nossa casa, meu pai a absorvia muito, afinal de contas se casaram e, juntos, passaram d\u00e9cadas de voga do absoluto machismo, no qual a esposa era uma esp\u00e9cie de assessora, de ajudante de ordens do marido. Mas, quando dava o ar da gra\u00e7a, ela sempre brigava comigo por eu chamar meu filho de &#8220;Velha&#8221;, dizendo ser aquilo um absurdo pois n\u00e3o havia justificativa para aceitar que fosse omitido um nome t\u00e3o bonito como Tiago, menino que parecia se comprazer, decerto pela sonoridade, com o apelido carinhosamente dado pela m\u00e3e dele logo ap\u00f3s receber o filho das m\u00e3os da enfermeira na maternidade. N\u00e3o adiantaram as reprimendas da m\u00e3e\/sogra\/av\u00f3: n\u00f3s quatro s\u00f3 o cham\u00e1vamos assim. Era &#8220;Velha&#8221; e pronto. Embora m\u00e3e de tr\u00eas filhos pequenos, Tereza permanecia bonita, 28 anos, corpo de &#8220;menina do Rio&#8221;. Tinha ao seu lado, desde o namoro iniciado em 1973, o parceiro que se apresentava com a for\u00e7a dos seus trinta anos de idade. Meados de novembro de 1983, sob recomenda\u00e7\u00e3o de minha cunhada pediatra, Norma Padilha (tamb\u00e9m tenho uma irm\u00e3 chamada Norma), levamos o Tiago \u00e0s pressas para o hospital pois ele vomitava muito e padecia de forte diarreia. Atendido pelo mesmo pediatra (j\u00e1 falecido) que o ajudara a vir ao mundo, dono da cl\u00ednica (Centro M\u00e9dico Sul &#8211; Quadra 716 &#8211; bloco E) em sociedade com o gineco-obstreta que fizera os tr\u00eas partos de ces\u00e1rea da Tereza, meu filho foi internado na mesma cl\u00ednica, no mesmo quarto para onde foi logo que viera \u00e0 luz, em 20 de maio de 1981. Ficamos eu e Tereza, em revezamento, para l\u00e1 e para c\u00e1, casa\/cl\u00ednica, cl\u00ednica\/casa, no insuport\u00e1vel mart\u00edrio de qualquer pai e de qualquer m\u00e3e para acompanhar filho gravemente enfermo. Dia 20 de novembro de 1983, recebo na 715 Norte um telefonema da minha cunhada m\u00e9dica, voz forte e resoluta, ela e Tereza ao lado do corpo do anjinho. &nbsp; &nbsp; 21 de novembro de 2013 (026) mmsmarcos1953@hotmail.com<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-12879","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12879","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12879"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12879\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12879"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12879"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12879"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}