{"id":12884,"date":"2015-12-21T20:09:00","date_gmt":"2015-12-21T20:09:00","guid":{"rendered":"http:\/\/mapati.com.br\/blog\/?p=507"},"modified":"2015-12-21T20:09:00","modified_gmt":"2015-12-21T20:09:00","slug":"memoriasmemorialistas-v-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/memoriasmemorialistas-v-2\/","title":{"rendered":"Mem\u00f3rias\/Memorialistas (V)"},"content":{"rendered":"<p>Voc\u00ea vira pra c\u00e1, vira pra l\u00e1. Rodopia. Dobra as pernas, estica os bra\u00e7os, retesa todos os m\u00fasculos sem no\u00e7\u00e3o de que podem vir c\u00e2imbras\u00a0ou estiramento. Nesse instante, come\u00e7a a esquentar progressivamente<br \/>\no local da cama onde voc\u00ea est\u00e1 deitado, sozinho ou n\u00e3o, dif\u00edcil saber nessas circunst\u00e2ncias o que \u00e9 pior, e o travesseiro j\u00e1 est\u00e1 praticamente pegando fogo. De pouco adianta ventilador ou ar condicionado a toda. No Rio de Janeiro da minha inf\u00e2ncia at\u00e9 os quase dez anos de idade<br \/>\ne mesmo no meu retorno para a Cidade Maravilhosa aos quinze anos, tinha-se s\u00f3 o primeiro, o DC-3, o C-47, e olhe l\u00e1, Bangu calor\u00e3o dos infernos. O jato turbinado era para poucos; ter ar refrigerado, gradil<br \/>\nque subia e descia direcionando o vento\u2026 s\u00f3 a elite (ela j\u00e1 havia;<br \/>\nela sempre houve). Mesmo em Ipanema (Copacabana despenhava<br \/>\ne o Leblon, fora ainda da telinha da Globo), dava para contar nos dedos dos p\u00e9s e das m\u00e3os o n\u00famero de aparelhos pendurados nas janelas,<br \/>\no pre\u00e7o era proibitivo.<\/p>\n<figure id=\"attachment_360\" aria-describedby=\"caption-attachment-360\" style=\"width: 425px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/2017.mapati.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/FIG21xpost33.jpg\" rel=\"attachment wp-att-360\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-360\" src=\"http:\/\/2017.mapati.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/FIG21xpost33.jpg\" alt=\"http:\/\/www.deviantart.com\/art\/Insomnia-89504270 - by ashsivils\" width=\"425\" height=\"635\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-360\" class=\"wp-caption-text\"><span style=\"font-size: 8pt;\">http:\/\/www.deviantart.com\/art\/Insomnia-89504270 &#8211; by ashsivils<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Esse calor de abras\u00e3o vai ser deflagrado \u00e0s duas, tr\u00eas horas da matina, quando a bruxa Alc\u00e9ia ou a mais malvada sobrinha Mem\u00e9ia (todas duas com acento agudo no nome, uma banana para o acordo ling\u00fc\u00edstico,<br \/>\ncom trema, revisor) d\u00e1 in\u00edcio aos horrendos trabalhos de domina\u00e7\u00e3o<br \/>\ne passa a tomar conta (muita gente fala \u201ctomar de conta\u201d) de voc\u00ea<br \/>\nat\u00e9 o iniciozinho da manh\u00e3, passarinhada j\u00e1 cantando. A apavorante criatura domina-lhe o corpo e a mente \u00e0 semelhan\u00e7a do que as entidades fazem com os cavalos no processo de incorpora\u00e7\u00e3o \u2013 e quase nada restar\u00e1 da sua pessoa, da sua personalidade, da sua vontade. Malograr\u00e3o portanto todas as suas tentativas de exercer livre-arb\u00edtrio, de relaxar,<br \/>\nde prometer sinceramente que, se o sono chegar, vai ser bonzinho com todo mundo e n\u00e3o invejar\u00e1 mais ningu\u00e9m, nem seu vizinho que est\u00e1 namorando um mulher\u00e3o.<\/p>\n<p>Ao sair para o trabalho (muitos falam \u201cservi\u00e7o\u201d), j\u00e1 no metr\u00f4, no trem, na bicicleta, na moto, no ba\u00fa, no t\u00e1xi, ou no helic\u00f3ptero (essa patota sempre teve ar condicionado), voc\u00ea estar\u00e1 um baga\u00e7o, esfrangalhado, olhos vermelhos de pingu\u00e7o, num mau-humor de assustar qualquer um. \u00c9, meu amigo, a ins\u00f4nia faz isso com a gente, ela \u00e9 impiedosa, solerte, exclusivista, possessiva, n\u00e3o nos poupa em nada, suga nossas energias, oblitera nossos pensamentos. S\u00f3 nos larga \u00e0 luz do dia chamando carinhosamente o sono \u2013 quando n\u00e3o mais podemos desfrut\u00e1-lo.<\/p>\n<p>Se duvidam disso, atentem para o que diz o inesquec\u00edvel Pedro Nava,<br \/>\nno volume 3 de suas Mem\u00f3rias, Ch\u00e3o de Ferro, preservada a express\u00e3o em franc\u00eas, a segunda l\u00edngua da elite (ela de novo), n\u00e3o existia Miami<br \/>\n\u00e0 \u00e9poca, a gente era mais ou menos feliz e sabia mais ou menos:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 90px;\"><span style=\"font-family: 'trebuchet ms', geneva, sans-serif;\"><em>\u201c(\u2026) Al\u00e9m dos colegas dormindo, das avantesmas dos pesadelos \u2013 outra companhia come\u00e7ou a andar comigo no dormit\u00f3rio<\/em><\/span><br \/>\n<span style=\"font-family: 'trebuchet ms', geneva, sans-serif;\"><em> da Primeira Divis\u00e3o. (\u2026) Je lui dis Madame! e curvo-me ao seu poderio. Seu nome \u00e9 Ins\u00f4nia. Ela \u00e9 rainha, imperatriz, papisajoana. S\u00f3 os rudimentares podem considerar essa besta fera sem garras, toda teia de aranha, no seu sentido etmol\u00f3gico in, enna, non, car\u00eancia, priva\u00e7\u00e3o, falta de sono. Nada disto. Sono \u00e9 um estado. Vig\u00edlia, outro. Ins\u00f4nia, o terceiro. N\u00e3o \u00e9 n\u00e3o dormir, n\u00e3o! \u00e9 um horror! outra coisa, uma brusca regress\u00e3o<\/em><\/span><br \/>\n<span style=\"font-family: 'trebuchet ms', geneva, sans-serif;\"><em> no tempo, queda nas indefesas de menino nos seus terrores, na presen\u00e7a dos gatunos debaixo das camas, dos assassinos atr\u00e1s das portas e do Zorelha Gorda se materializando sem parar no lado do quarto para que nos viramos. O trem \u00e9 diferente;<\/em><\/span><br \/>\n<span style=\"font-family: 'trebuchet ms', geneva, sans-serif;\"><em> \u00e9 uma solid\u00e3o de chorar das solid\u00f5es, uma tomadalmacorpo, um envultamento, uma prenhez gelada, um encosto, um abra\u00e7o podre de Chicharro. \u00c9 o que \u2013 se Mario de Andrade estivesse escrevendo isto \u2013 \u00e9 o que chamar-se-ia o Bicho Ins\u00f4nia. Ele \u00e9 ralo, il\u00f3gico, regressivo, catinguento, obssessivo que nem o Pesadelo. Isto! a ins\u00f4nia \u00e9 um pesadelo acordado com lesmas e minhocas enconstando, subindo \u2013 onda a mando da dana\u00e7\u00e3o.Vaderretravemariacheiadegra\u00e7ossenhor\u00e9convosco\u2026 Adianta n\u00e3o! N\u00e3o h\u00e1 reza, esconjuro poss\u00edvel, exorcismo, nem \u00c1gua Benta, nem \u00c1gua de Lourdes, nem \u00c1gua de Lagoa Santa. Vem um pin\u00e7amento no peito feito angina e a gente j\u00e1 sabe que n\u00e3o vai dormir. Vezes, t\u00e3o exaustos, o sono quase molha, vai descendo em cachoeiras, mas evapora antes de bater no ch\u00e3o nosso do nosso corpo como aquelas chuvaradas do sert\u00e3o descritas por Euclides da Cunha que n\u00e3o chegam \u00e0 terra gretada bocaberta \u2013 repelidas pelo ar h\u00e1lito em brasa\u2026 Antes, n\u00e3o! Hoje, eu tenho para essas covas, essas valas o recurso de fech\u00e1-las com carro\u00e7as de diazepina, como caminh\u00f5es de secobutabarbital. Se a ins\u00f4nia for, como suspeito. defesa do consciente contra o remorso-mor mostrado no pesadelo, fica tudo atendido. Sob o aterro do carus medicamentoso<\/em><\/span><br \/>\n<span style=\"font-family: 'trebuchet ms', geneva, sans-serif;\"><em> os cad\u00e1veres n\u00e3o fedem. Nem sonhos h\u00e1. Pedro, tu \u00e9s pedra (\u2026).\u201d<\/em><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">17 de dezembro de 2013<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">(033)<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"text-decoration: underline; color: #0000ff;\">mmsmarcos1953@hotmail.com<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Voc\u00ea vira pra c\u00e1, vira pra l\u00e1. Rodopia. Dobra as pernas, estica os bra\u00e7os, retesa todos os m\u00fasculos sem no\u00e7\u00e3o de que podem vir c\u00e2imbras\u00a0ou estiramento. Nesse instante, come\u00e7a a esquentar progressivamente o local da cama onde voc\u00ea est\u00e1 deitado, sozinho ou n\u00e3o, dif\u00edcil saber nessas circunst\u00e2ncias o que \u00e9 pior, e o travesseiro j\u00e1 est\u00e1 praticamente pegando fogo. De pouco adianta ventilador ou ar condicionado a toda. No Rio de Janeiro da minha inf\u00e2ncia at\u00e9 os quase dez anos de idade e mesmo no meu retorno para a Cidade Maravilhosa aos quinze anos, tinha-se s\u00f3 o primeiro, o DC-3, o C-47, e olhe l\u00e1, Bangu calor\u00e3o dos infernos. O jato turbinado era para poucos; ter ar refrigerado, gradil que subia e descia direcionando o vento\u2026 s\u00f3 a elite (ela j\u00e1 havia; ela sempre houve). Mesmo em Ipanema (Copacabana despenhava e o Leblon, fora ainda da telinha da Globo), dava para contar nos dedos dos p\u00e9s e das m\u00e3os o n\u00famero de aparelhos pendurados nas janelas, o pre\u00e7o era proibitivo. Esse calor de abras\u00e3o vai ser deflagrado \u00e0s duas, tr\u00eas horas da matina, quando a bruxa Alc\u00e9ia ou a mais malvada sobrinha Mem\u00e9ia (todas duas com acento agudo no nome, uma banana para o acordo ling\u00fc\u00edstico, com trema, revisor) d\u00e1 in\u00edcio aos horrendos trabalhos de domina\u00e7\u00e3o e passa a tomar conta (muita gente fala \u201ctomar de conta\u201d) de voc\u00ea at\u00e9 o iniciozinho da manh\u00e3, passarinhada j\u00e1 cantando. A apavorante criatura domina-lhe o corpo e a mente \u00e0 semelhan\u00e7a do que as entidades fazem com os cavalos no processo de incorpora\u00e7\u00e3o \u2013 e quase nada restar\u00e1 da sua pessoa, da sua personalidade, da sua vontade. Malograr\u00e3o portanto todas as suas tentativas de exercer livre-arb\u00edtrio, de relaxar, de prometer sinceramente que, se o sono chegar, vai ser bonzinho com todo mundo e n\u00e3o invejar\u00e1 mais ningu\u00e9m, nem seu vizinho que est\u00e1 namorando um mulher\u00e3o. Ao sair para o trabalho (muitos falam \u201cservi\u00e7o\u201d), j\u00e1 no metr\u00f4, no trem, na bicicleta, na moto, no ba\u00fa, no t\u00e1xi, ou no helic\u00f3ptero (essa patota sempre teve ar condicionado), voc\u00ea estar\u00e1 um baga\u00e7o, esfrangalhado, olhos vermelhos de pingu\u00e7o, num mau-humor de assustar qualquer um. \u00c9, meu amigo, a ins\u00f4nia faz isso com a gente, ela \u00e9 impiedosa, solerte, exclusivista, possessiva, n\u00e3o nos poupa em nada, suga nossas energias, oblitera nossos pensamentos. S\u00f3 nos larga \u00e0 luz do dia chamando carinhosamente o sono \u2013 quando n\u00e3o mais podemos desfrut\u00e1-lo. Se duvidam disso, atentem para o que diz o inesquec\u00edvel Pedro Nava, no volume 3 de suas Mem\u00f3rias, Ch\u00e3o de Ferro, preservada a express\u00e3o em franc\u00eas, a segunda l\u00edngua da elite (ela de novo), n\u00e3o existia Miami \u00e0 \u00e9poca, a gente era mais ou menos feliz e sabia mais ou menos: \u201c(\u2026) Al\u00e9m dos colegas dormindo, das avantesmas dos pesadelos \u2013 outra companhia come\u00e7ou a andar comigo no dormit\u00f3rio da Primeira Divis\u00e3o. (\u2026) Je lui dis Madame! e curvo-me ao seu poderio. Seu nome \u00e9 Ins\u00f4nia. Ela \u00e9 rainha, imperatriz, papisajoana. S\u00f3 os rudimentares podem considerar essa besta fera sem garras, toda teia de aranha, no seu sentido etmol\u00f3gico in, enna, non, car\u00eancia, priva\u00e7\u00e3o, falta de sono. Nada disto. Sono \u00e9 um estado. Vig\u00edlia, outro. Ins\u00f4nia, o terceiro. N\u00e3o \u00e9 n\u00e3o dormir, n\u00e3o! \u00e9 um horror! outra coisa, uma brusca regress\u00e3o no tempo, queda nas indefesas de menino nos seus terrores, na presen\u00e7a dos gatunos debaixo das camas, dos assassinos atr\u00e1s das portas e do Zorelha Gorda se materializando sem parar no lado do quarto para que nos viramos. O trem \u00e9 diferente; \u00e9 uma solid\u00e3o de chorar das solid\u00f5es, uma tomadalmacorpo, um envultamento, uma prenhez gelada, um encosto, um abra\u00e7o podre de Chicharro. \u00c9 o que \u2013 se Mario de Andrade estivesse escrevendo isto \u2013 \u00e9 o que chamar-se-ia o Bicho Ins\u00f4nia. Ele \u00e9 ralo, il\u00f3gico, regressivo, catinguento, obssessivo que nem o Pesadelo. Isto! a ins\u00f4nia \u00e9 um pesadelo acordado com lesmas e minhocas enconstando, subindo \u2013 onda a mando da dana\u00e7\u00e3o.Vaderretravemariacheiadegra\u00e7ossenhor\u00e9convosco\u2026 Adianta n\u00e3o! N\u00e3o h\u00e1 reza, esconjuro poss\u00edvel, exorcismo, nem \u00c1gua Benta, nem \u00c1gua de Lourdes, nem \u00c1gua de Lagoa Santa. Vem um pin\u00e7amento no peito feito angina e a gente j\u00e1 sabe que n\u00e3o vai dormir. Vezes, t\u00e3o exaustos, o sono quase molha, vai descendo em cachoeiras, mas evapora antes de bater no ch\u00e3o nosso do nosso corpo como aquelas chuvaradas do sert\u00e3o descritas por Euclides da Cunha que n\u00e3o chegam \u00e0 terra gretada bocaberta \u2013 repelidas pelo ar h\u00e1lito em brasa\u2026 Antes, n\u00e3o! Hoje, eu tenho para essas covas, essas valas o recurso de fech\u00e1-las com carro\u00e7as de diazepina, como caminh\u00f5es de secobutabarbital. Se a ins\u00f4nia for, como suspeito. defesa do consciente contra o remorso-mor mostrado no pesadelo, fica tudo atendido. Sob o aterro do carus medicamentoso os cad\u00e1veres n\u00e3o fedem. Nem sonhos h\u00e1. 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