{"id":12896,"date":"2015-12-21T23:12:03","date_gmt":"2015-12-21T23:12:03","guid":{"rendered":"http:\/\/mapati.com.br\/blog\/?p=648"},"modified":"2015-12-21T23:12:03","modified_gmt":"2015-12-21T23:12:03","slug":"aviso-de-agradecimento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/aviso-de-agradecimento\/","title":{"rendered":"Aviso de agradecimento"},"content":{"rendered":"<p>Em meados da d\u00e9cada de 1960, os pr\u00e9-adolescentes de Bras\u00edlia v\u00edamos o Parano\u00e1 como um lugar distante, inacess\u00edvel.<\/p>\n<p>L\u00e1 se chegava pelo Setor de Mans\u00f5es Norte, como \u00e9 at\u00e9 hoje, ou pelo Lago Sul, com um pequeno detalhe: n\u00e3o havia ponte alguma, obrigat\u00f3rio era ir pelo Bal\u00e3o da Sarah, jardim redondo agora destru\u00eddo, em favor dos carros, por novos tra\u00e7ados modernosos.<\/p>\n<p>Acamp\u00e1vamos no semin\u00e1rio (para os meninos &#8211; meninas n\u00e3o acampavam &#8211; &#8220;uma aventura na mata&#8221;), que tamb\u00e9m era longe \u00e0 \u00e9poca. Era longe, mas estava situado muito antes do local onde existia quase nada &#8211; uma feira de n\u00e3o muitas variedades, casas poucas espalhadas, popula\u00e7\u00e3o reduzida. Uma atra\u00e7\u00e3o, ou melhor, duas atra\u00e7\u00f5es faziam boa parte dos pioneiros (vamos admitir que pioneiros s\u00e3o aqueles que vieram dar no cerrado antes de 1965) passear por aquelas bandas: uma imponente barragem diante de nossos olhos ainda de caipiras e um restaurante, \u00e0 \u00e9poca muito frequentado, menos pela excel\u00eancia da comida, menos pela outra excel\u00eancia (JK) que almo\u00e7ava l\u00e1, e mais pela vista do Lago Parano\u00e1 que proporcionava aos comensais.<\/p>\n<figure id=\"attachment_649\" aria-describedby=\"caption-attachment-649\" style=\"width: 550px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/2017.mapati.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/churras.jpg\" rel=\"attachment wp-att-649\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-649\" src=\"http:\/\/2017.mapati.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/churras.jpg\" alt=\"http:\/\/coletivo.maiscomunidade.com\/conteudo\/2010-04-01\/cidades\/1876\/GOSTINHO+DE+HISTORIA.pnhtml\" width=\"550\" height=\"365\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-649\" class=\"wp-caption-text\"><span style=\"font-size: 8pt;\">http:\/\/coletivo.maiscomunidade.com\/conteudo\/2010-04-01\/cidades\/1876\/GOSTINHO+DE+HISTORIA.pnhtml<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Sempre morador do Plano-Piloto, ora Asa Sul, ora Asa Norte &#8211; um pequeno burgu\u00eas portanto -, retornava ao Parano\u00e1 vez que outra, uma delas por causa de uma das primeiras apresenta\u00e7\u00f5es do caminh\u00e3o-palco do Mapati. No s\u00e1bado retrasado, v\u00e9spera do anivers\u00e1rio de 90 anos de meu pai (se vivo fosse), minha incurs\u00e3o foi dolorosa, foi sofrida.<\/p>\n<p>Impunha-se chegar sem tardan\u00e7a ao hospital para visita a um menino de 27 anos, que sucumbia na emerg\u00eancia, lugar inadequado diante da gravidade do quadro cl\u00ednico. N\u00e3o existia vaga na Unidade de Terapia Intensiva dali nem de outro hospital da rede p\u00fablica. A orienta\u00e7\u00e3o nesses casos &#8211; ao que percebi, virou uma praxe &#8211; \u00e9 a de procurar o Minist\u00e9rio P\u00fablico, conseguir do \u00f3rg\u00e3o de defesa dos direitos difusos um requerimento com vista \u00e0 obten\u00e7\u00e3o de uma vaga em UTI de hospital privado, a qual se pode lograr acaso o ju\u00edzo competente assim o defira e o oficial de Justi\u00e7a efetive o cumprimento do mandado. Todavia, esses procedimentos, quando c\u00e9leres, costumam levar 48 horas, 72 horas ou at\u00e9 mais.<\/p>\n<p>Tempo em demasia, nosso paciente talvez n\u00e3o suportasse. Com efeito, era de desconsolo a impress\u00e3o que tive do estado do garoto na parte da manh\u00e3: entubado, inconsciente pela seda\u00e7\u00e3o, olhos semiabertos fixados no nada (obrigado, Guimar\u00e3es Rosa), drenos, sondas, pernas inchadas, intumescimento.<\/p>\n<p>A visita matinal, compulsoriamente curta, poderia ser retomada no per\u00edodo da tarde, no hor\u00e1rio previsto de 14h\/16h. Com fome e sem vontade de comer, sa\u00ed para almo\u00e7ar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">02 de abril de 2014<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">(055)<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"color: #0000ff;\"><a style=\"color: #0000ff;\" href=\"mailto:mmsmarcos1953@hotmail.com\">mmsmarcos1953@hotmail.com<\/a><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em meados da d\u00e9cada de 1960, os pr\u00e9-adolescentes de Bras\u00edlia v\u00edamos o Parano\u00e1 como um lugar distante, inacess\u00edvel. L\u00e1 se chegava pelo Setor de Mans\u00f5es Norte, como \u00e9 at\u00e9 hoje, ou pelo Lago Sul, com um pequeno detalhe: n\u00e3o havia ponte alguma, obrigat\u00f3rio era ir pelo Bal\u00e3o da Sarah, jardim redondo agora destru\u00eddo, em favor dos carros, por novos tra\u00e7ados modernosos. 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Sempre morador do Plano-Piloto, ora Asa Sul, ora Asa Norte &#8211; um pequeno burgu\u00eas portanto -, retornava ao Parano\u00e1 vez que outra, uma delas por causa de uma das primeiras apresenta\u00e7\u00f5es do caminh\u00e3o-palco do Mapati. No s\u00e1bado retrasado, v\u00e9spera do anivers\u00e1rio de 90 anos de meu pai (se vivo fosse), minha incurs\u00e3o foi dolorosa, foi sofrida. Impunha-se chegar sem tardan\u00e7a ao hospital para visita a um menino de 27 anos, que sucumbia na emerg\u00eancia, lugar inadequado diante da gravidade do quadro cl\u00ednico. N\u00e3o existia vaga na Unidade de Terapia Intensiva dali nem de outro hospital da rede p\u00fablica. A orienta\u00e7\u00e3o nesses casos &#8211; ao que percebi, virou uma praxe &#8211; \u00e9 a de procurar o Minist\u00e9rio P\u00fablico, conseguir do \u00f3rg\u00e3o de defesa dos direitos difusos um requerimento com vista \u00e0 obten\u00e7\u00e3o de uma vaga em UTI de hospital privado, a qual se pode lograr acaso o ju\u00edzo competente assim o defira e o oficial de Justi\u00e7a efetive o cumprimento do mandado. Todavia, esses procedimentos, quando c\u00e9leres, costumam levar 48 horas, 72 horas ou at\u00e9 mais. Tempo em demasia, nosso paciente talvez n\u00e3o suportasse. Com efeito, era de desconsolo a impress\u00e3o que tive do estado do garoto na parte da manh\u00e3: entubado, inconsciente pela seda\u00e7\u00e3o, olhos semiabertos fixados no nada (obrigado, Guimar\u00e3es Rosa), drenos, sondas, pernas inchadas, intumescimento. A visita matinal, compulsoriamente curta, poderia ser retomada no per\u00edodo da tarde, no hor\u00e1rio previsto de 14h\/16h. 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