{"id":12914,"date":"2015-12-23T00:05:16","date_gmt":"2015-12-23T00:05:16","guid":{"rendered":"http:\/\/mapati.com.br\/blog\/?p=853"},"modified":"2015-12-23T00:05:16","modified_gmt":"2015-12-23T00:05:16","slug":"memoriasmemorialistas-xv","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/memoriasmemorialistas-xv\/","title":{"rendered":"Mem\u00f3rias\/Memorialistas (XV)"},"content":{"rendered":"<p>Estabele\u00e7o conex\u00e3o com o final da postagem anterior e prossigo minha viagem no tempo, quatro d\u00e9cadas e caqueirada atr\u00e1s, para salientar peda\u00e7o da orelha (epa) do primeiro tomo das mem\u00f3rias de Pedro Nava, <em>Ba\u00fa de Ossos,<\/em>. &#8220;&#8230; o livro mais importante publicado no Brasil em 1972.&#8221;<\/p>\n<figure id=\"attachment_854\" aria-describedby=\"caption-attachment-854\" style=\"width: 293px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/2017.mapati.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/MM15.jpg\" rel=\"attachment wp-att-854\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-854\" src=\"http:\/\/2017.mapati.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/MM15.jpg\" alt=\"http:\/\/bassani.wordpress.com\/2013\/08\/07\/licoes-sobre-a-vida-o-universo-e-tudo-mais\/\" width=\"293\" height=\"306\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-854\" class=\"wp-caption-text\"><span style=\"font-size: 8pt;\">http:\/\/bassani.wordpress.com\/2013\/08\/07\/licoes-sobre-a-vida-o-universo-e-tudo-mais\/<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Francisco de Assis Barbosa, o autor de tal declara\u00e7\u00e3o categ\u00f3rica e abalizada, entremostra todavia as dificuldades a ser vividas pelos leitores da obra introdut\u00f3ria. Um emaranhado de nomes distribu\u00eddos pelos milhares de galhos da \u00e1rvore geneal\u00f3gica do tamanho de toda a floresta amaz\u00f4nica, certamente j\u00e1 objeto de estudos por meu amigo Pedro Carrano, mineirinho tamb\u00e9m e uma das maiores autoridades em genealogia do pa\u00eds, al\u00e9m de ficcionista de saborosas, verdadeiras (?) hist\u00f3rias de amor.<\/p>\n<figure id=\"attachment_855\" aria-describedby=\"caption-attachment-855\" style=\"width: 538px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/2017.mapati.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/MM15a.jpg\" rel=\"attachment wp-att-855\"><img decoding=\"async\" class=\" wp-image-855\" src=\"http:\/\/2017.mapati.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/MM15a.jpg\" alt=\"http:\/\/dacadeirinhadearruar.blogspot.com.br\/2011\/06\/ladeira-do-suspiro.html\" width=\"538\" height=\"356\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-855\" class=\"wp-caption-text\"><span style=\"font-size: 8pt;\">http:\/\/dacadeirinhadearruar.blogspot.com.br\/2011\/06\/ladeira-do-suspiro.html<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>O t\u00edtulo d\u00e1 impress\u00e3o de que a coisa seria dura de roer, malgrado o encantamento com a leitura depois do esfor\u00e7o no sentido de se contextualizar. \u00c0 medida que vai referenciando a fam\u00edlia enorme, o Nava disseca (o termo n\u00e3o \u00e9 gratuito) um por um dos parentes e aparentados, retratando a personalidade e o car\u00e1ter (bom e mau) de todos, para o que alia a for\u00e7a de leg\u00edtimo senhor das palavras e dos neologismos com a expertise de m\u00e9dico que, sem ser legista, houvera assistido centenas de necropsias..<\/p>\n<p>Aguardo ensejo para chamar \u00e0 cola\u00e7\u00e3o o segundo volume, que o nosso resenhista acima nominado propagandeara no mesmo espa\u00e7o de capa\/contracapa &#8220;&#8230; Ba\u00fa de Ossos veio dar uma nova dimens\u00e3o \u00e0 memorial\u00edstica brasileira. E a sua continua\u00e7\u00e3o, com <em>Bal\u00e3o cativo<\/em>, vir\u00e1 confirmar o progn\u00f3stico de que estamos diante de um verdadeiro monumento liter\u00e1rio, desses raros monumentos que se levantam de cem em cem anos.&#8221;<\/p>\n<p>Enquanto isso, evisceramento&#8230;.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 90px;\"><span style=\"font-family: 'trebuchet ms', geneva, sans-serif;\"><em>&#8220;Minha tia desabafava \u00e0 hora do caf\u00e9, em casa da Inh\u00e1 Lu\u00edsa, com as irm\u00e3s. O Constantino me traz num tipiti. O Constantino tem me posto num verdadeiro torniquete. O Constantino vive me fustigando. Claro que a fustiga\u00e7\u00e3o n\u00e3o era f\u00edsica e n\u00e3o passava da velha e conhecida crueldade mental. Quando ele se casou, as cunhadas tinham uma dez, a outra cinco anos e a terceira estava por nascer. pois n\u00e3o \u00e9 que o homem \u00a0<\/em>fustigou-as<em> a vida toda com sua cerim\u00f4nia e dando-lhes \u00a0<\/em>senhora dona<em>? \u00a0Dona Hort\u00eansia, Dona Diva e Dona Risoleta. Elas lhe mandavam de volta, pela frente, Doutor Paletta e pelas costas, o cl\u00e1ssico Bicanca. N\u00e3o sei o que me passou pela cabe\u00e7a e num 14 de outubro expedi-lhe, de Belo Horizonte, um telegrama de parab\u00e9ns. <\/em>Fustigou-me<em> \u00a0com a resposta distante e glacial.<\/em><\/span><\/p>\n<p style=\"padding-left: 90px;\"><span style=\"font-family: 'trebuchet ms', geneva, sans-serif;\"><em>&#8220;Ao distinto sobrinho Doutor Pedro Nava, o Constantino agradece as felicita\u00e7\u00f5es enviadas.<\/em><\/span><\/p>\n<p style=\"padding-left: 90px;\"><span style=\"font-family: 'trebuchet ms', geneva, sans-serif;\"><em>Foi o primeiro e \u00faltimo telegrama que ele recebeu de mim. \u00c0 merda&#8230; O torniquete, o tipiti, a fustiga\u00e7\u00e3o de minha tia era tudo por causa do ci\u00fame. O homem era um Otelo, s\u00f3 que em vez de matar, chateava. Passava dias aporrinhando a mulher e rosnando de manh\u00e3 \u00e0 noite que havia de <\/em>aniquilar o Barba\u00e7as<em>. O \u00a0<\/em>Barba\u00e7as<em> era meu av\u00f4, seu sogro torto e que a mulher queria como a um pai. Esse cozinhar em \u00e1gua fria durou a vida toda. Nasceram filhas, casaram filhas, vieram as bodas de prata, nasceram netos, chegaram as bodas de ouro, enfim os bisnetos e era o mesmo inferno dos primeiros dias. Industriada por minha av\u00f3, tia Berta , que era bem sua filha (&#8230;), resistiu sempre como uma cidadela, palmo a palmo, pirra\u00e7a por pirra\u00e7a, desaforo por desaforo, dureza por dureza, tipiti por tipiti e torniquete por torniquete. At\u00e9 que a velhice e o enfisema do c\u00f4njuge permitiram que ela contra-atacasse e pudesse, por sua vez, <\/em>fustigar <em>o Constantino. Claro que a fustiga\u00e7\u00e3o nunca foi f\u00edsica e ficou para sempre nas fronteiras da crueldade mental. Mas exercida com t\u00e9cnica de Pinto Coelho e os requintes da desforra.&#8221;<\/em><\/span><\/p>\n<p>Sabe-se, s\u00e3o muitos os personagens na cena dirigidos por nosso diretor de Juiz de Fora. Mas o Constantino vai estrelar tamb\u00e9m o pr\u00f3ximo t\u00f3pico de recorda\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">27 de agosto de 2014<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">(086)<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"color: #0000ff;\"><a style=\"color: #0000ff;\" href=\"mailto:mmsmarcos1953@hotmail.com\">mmsmarcos1953@hotmail.com<\/a><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estabele\u00e7o conex\u00e3o com o final da postagem anterior e prossigo minha viagem no tempo, quatro d\u00e9cadas e caqueirada atr\u00e1s, para salientar peda\u00e7o da orelha (epa) do primeiro tomo das mem\u00f3rias de Pedro Nava, Ba\u00fa de Ossos,. &#8220;&#8230; o livro mais importante publicado no Brasil em 1972.&#8221; Francisco de Assis Barbosa, o autor de tal declara\u00e7\u00e3o categ\u00f3rica e abalizada, entremostra todavia as dificuldades a ser vividas pelos leitores da obra introdut\u00f3ria. Um emaranhado de nomes distribu\u00eddos pelos milhares de galhos da \u00e1rvore geneal\u00f3gica do tamanho de toda a floresta amaz\u00f4nica, certamente j\u00e1 objeto de estudos por meu amigo Pedro Carrano, mineirinho tamb\u00e9m e uma das maiores autoridades em genealogia do pa\u00eds, al\u00e9m de ficcionista de saborosas, verdadeiras (?) hist\u00f3rias de amor. O t\u00edtulo d\u00e1 impress\u00e3o de que a coisa seria dura de roer, malgrado o encantamento com a leitura depois do esfor\u00e7o no sentido de se contextualizar. \u00c0 medida que vai referenciando a fam\u00edlia enorme, o Nava disseca (o termo n\u00e3o \u00e9 gratuito) um por um dos parentes e aparentados, retratando a personalidade e o car\u00e1ter (bom e mau) de todos, para o que alia a for\u00e7a de leg\u00edtimo senhor das palavras e dos neologismos com a expertise de m\u00e9dico que, sem ser legista, houvera assistido centenas de necropsias.. Aguardo ensejo para chamar \u00e0 cola\u00e7\u00e3o o segundo volume, que o nosso resenhista acima nominado propagandeara no mesmo espa\u00e7o de capa\/contracapa &#8220;&#8230; Ba\u00fa de Ossos veio dar uma nova dimens\u00e3o \u00e0 memorial\u00edstica brasileira. E a sua continua\u00e7\u00e3o, com Bal\u00e3o cativo, vir\u00e1 confirmar o progn\u00f3stico de que estamos diante de um verdadeiro monumento liter\u00e1rio, desses raros monumentos que se levantam de cem em cem anos.&#8221; Enquanto isso, evisceramento&#8230;. &#8220;Minha tia desabafava \u00e0 hora do caf\u00e9, em casa da Inh\u00e1 Lu\u00edsa, com as irm\u00e3s. O Constantino me traz num tipiti. O Constantino tem me posto num verdadeiro torniquete. O Constantino vive me fustigando. Claro que a fustiga\u00e7\u00e3o n\u00e3o era f\u00edsica e n\u00e3o passava da velha e conhecida crueldade mental. Quando ele se casou, as cunhadas tinham uma dez, a outra cinco anos e a terceira estava por nascer. pois n\u00e3o \u00e9 que o homem \u00a0fustigou-as a vida toda com sua cerim\u00f4nia e dando-lhes \u00a0senhora dona? \u00a0Dona Hort\u00eansia, Dona Diva e Dona Risoleta. Elas lhe mandavam de volta, pela frente, Doutor Paletta e pelas costas, o cl\u00e1ssico Bicanca. N\u00e3o sei o que me passou pela cabe\u00e7a e num 14 de outubro expedi-lhe, de Belo Horizonte, um telegrama de parab\u00e9ns. Fustigou-me \u00a0com a resposta distante e glacial. &#8220;Ao distinto sobrinho Doutor Pedro Nava, o Constantino agradece as felicita\u00e7\u00f5es enviadas. Foi o primeiro e \u00faltimo telegrama que ele recebeu de mim. \u00c0 merda&#8230; O torniquete, o tipiti, a fustiga\u00e7\u00e3o de minha tia era tudo por causa do ci\u00fame. O homem era um Otelo, s\u00f3 que em vez de matar, chateava. Passava dias aporrinhando a mulher e rosnando de manh\u00e3 \u00e0 noite que havia de aniquilar o Barba\u00e7as. O \u00a0Barba\u00e7as era meu av\u00f4, seu sogro torto e que a mulher queria como a um pai. Esse cozinhar em \u00e1gua fria durou a vida toda. Nasceram filhas, casaram filhas, vieram as bodas de prata, nasceram netos, chegaram as bodas de ouro, enfim os bisnetos e era o mesmo inferno dos primeiros dias. Industriada por minha av\u00f3, tia Berta , que era bem sua filha (&#8230;), resistiu sempre como uma cidadela, palmo a palmo, pirra\u00e7a por pirra\u00e7a, desaforo por desaforo, dureza por dureza, tipiti por tipiti e torniquete por torniquete. At\u00e9 que a velhice e o enfisema do c\u00f4njuge permitiram que ela contra-atacasse e pudesse, por sua vez, fustigar o Constantino. Claro que a fustiga\u00e7\u00e3o nunca foi f\u00edsica e ficou para sempre nas fronteiras da crueldade mental. Mas exercida com t\u00e9cnica de Pinto Coelho e os requintes da desforra.&#8221; Sabe-se, s\u00e3o muitos os personagens na cena dirigidos por nosso diretor de Juiz de Fora. Mas o Constantino vai estrelar tamb\u00e9m o pr\u00f3ximo t\u00f3pico de recorda\u00e7\u00f5es. &nbsp; 27 de agosto de 2014 (086) mmsmarcos1953@hotmail.com<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-12914","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12914","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12914"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12914\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12914"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12914"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12914"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}