{"id":12919,"date":"2015-12-25T04:28:41","date_gmt":"2015-12-25T04:28:41","guid":{"rendered":"http:\/\/mapati.com.br\/blog\/?p=914"},"modified":"2015-12-25T04:28:41","modified_gmt":"2015-12-25T04:28:41","slug":"memoriasmemorialistas-xviii","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/memoriasmemorialistas-xviii\/","title":{"rendered":"Mem\u00f3rias\/Memorialistas (XVIII)"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_917\" aria-describedby=\"caption-attachment-917\" style=\"width: 459px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/2017.mapati.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/MM18.jpg\" rel=\"attachment wp-att-917\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-917\" src=\"http:\/\/2017.mapati.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/MM18.jpg\" alt=\"http:\/\/kdfrases.com\/frase\/137765\" width=\"459\" height=\"216\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-917\" class=\"wp-caption-text\"><span style=\"font-size: 8pt;\">http:\/\/kdfrases.com\/frase\/137765<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Em prosseguimento a nossa viagem ao passado, cumpre assinalar, sem embargo, que n\u00e3o s\u00e3o poucos os cr\u00edticos liter\u00e1rios a desabonar o g\u00eanero mem\u00f3rias. Alegam que os autores desse naipe est\u00e3o mais pr\u00f3ximos da fic\u00e7\u00e3o, tendem a edulcorar a narrativa, distorcendo fatos de arte a torn\u00e1-los proezas dos escritores, que aparecem na fita (a prop\u00f3sito, literatura no cinema nem sempre d\u00e1 certo) como paladinos da justi\u00e7a, do bem querer, da desambi\u00e7\u00e3o, do despojamento.<\/p>\n<p>Declaro-me suspeito para abordar o assunto. Aprecio biografias (as n\u00e3o autorizadas costumam ser as melhores), os memorialistas me fascinam &#8211; at\u00e9 mesmo quando ocasionalmente aumentam um ponto. N\u00e3o \u00e9 o caso, obviamente, do trio brasileiro da minha prefer\u00eancia, ao qual, se n\u00e3o tiver sido expulso do <em>blog<\/em>, \u00a0pretendo um dia ajuntar o Ver\u00edssimo (o pai). Dos bel\u00edssimos solos de clarineta (I e II), extrairei passagens para inser\u00e7\u00e3o de igual sorte neste t\u00f3pico de assumidas reminisc\u00eancias sumidas h\u00e1 muito no tempo e no espa\u00e7o.<\/p>\n<p>Por ora, mais <em>Ba\u00fa de ossos<\/em> do Pedro Nava:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 90px;\"><span style=\"font-family: 'trebuchet ms', geneva, sans-serif;\"><em>\u201c(&#8230;) Umas imagens puxam as outras e cada sucesso entregue assim devolve tempo e espa\u00e7o comprimidos e expande, em quem evoca essas dimens\u00f5es, revivisc\u00eancias povoadas do esquecido pronto para renascer. Porque \u00a0<\/em>esquecer<strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><em> \u00e9 fen\u00f4meno ativo e intencional &#8211; esquecer \u00a0\u00e9 cap\u00edtulo da mem\u00f3ria (assim como que o seu tombo) e n\u00e3o sua fun\u00e7\u00e3o antag\u00f4nica. Na recorda\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria n\u00e3o podemos for\u00e7ar a mec\u00e2nica com que as lembran\u00e7as nos s\u00e3o dosadas. Os fatos sumidos nos repentes, em vez de todos, em cadeia, voltam de um em um. \u00c0s vezes, um s\u00f3. Esse se oferece para suprir e vicariar os que as defesas do psiquismo acham que n\u00e3o \u00e9 a hora de dar e ele \u00e9 uma esp\u00e9cie de \u2018em vez de\u2019 &#8211; acontecimento, imagem que tem de ser coagida pelo consciente, para soltar outros, outros e nos dar apar\u00eancia do integral n\u00e3o achado, mas constru\u00eddo (tiririca, de que \u00e9 preciso for\u00e7ar o min\u00fasculo p\u00e9, para fazer sair da terra os metros de ra\u00edzes ocultas que ligavam moitas emergentes e distantes). \u00c0s vezes n\u00e3o adianta violentar e <\/em>querer\u00a0<em> lembrar. N\u00e3o vem. A associa\u00e7\u00e3o de id\u00e9ias parece livre, solta, mas h\u00e1 uma coa\u00e7\u00e3o que a compele e que tamb\u00e9m nos defende. (&#8230;) Somos conduzidos pela prefer\u00eancia do esp\u00edrito que \u00e9 a fuga, distra\u00e7\u00e3o, descanso l\u00fadico&#8230; Ave solta&#8230; Sua altera\u00e7\u00e3o, como que sua doen\u00e7a: o martelamento obsessivo que sucede no remorso, na saudade dos mortos, na dor-de-corno &#8211; em que tudo \u00e9 pretexto de volta \u00e0 imagem iterativa, dolorosa e adesiva, que nos tem &#8211; ai! na gosma do seu c\u00edrculo conc\u00eantrico. P\u00e1ssaro no visgo&#8230; No que se precisa esquecer, nisto, a \u00a0<\/em>mem\u00f3ria<strong><em> \u00a0<\/em><\/strong><em>\u00e9 ex\u00edmia. (&#8230;) Duas coisas sucedem ou s\u00e3o feitas no mesmo dia. Entretanto o tempo igual passa desigual sobre cada. Ao fim de anos, uma parece remota e a outra lateja presente e quando o acaso de nota tomada, de di\u00e1rio escrito, mostra-as do mesmo dia &#8211; ficamos varados de pasmo. \u00c9 por isso que Proust dizia que nossa mem\u00f3ria habitualmente n\u00e3o d\u00e1 lembran\u00e7as cronol\u00f3gicas (&#8230;).<\/em><\/span><\/p>\n<p style=\"padding-left: 90px;\"><span style=\"font-family: 'trebuchet ms', geneva, sans-serif;\"><em>&#8220;(&#8230;) H\u00e1 assim uma mem\u00f3ria involunt\u00e1ria que \u00e9 total e simult\u00e2nea. Para recuperar o que ela d\u00e1, basta ter passado, sentindo a vida; basta ter, como dizia Machado, &#8216;padecido no tempo&#8217;. A recorda\u00e7\u00e3o provocada \u00e9 antes gradual, constru\u00edda, pode vir na sua verdade ou falsificada pelas substitui\u00e7\u00f5es cominadas, pela nossa censura (&#8230;).\u201d<\/em><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">08 de outubro de 2014<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">(097)<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"color: #0000ff;\"><a style=\"color: #0000ff;\" href=\"mailto:mmsmarcos1953@hotmail.com\">mmsmarcos1953@hotmail.com<\/a><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em prosseguimento a nossa viagem ao passado, cumpre assinalar, sem embargo, que n\u00e3o s\u00e3o poucos os cr\u00edticos liter\u00e1rios a desabonar o g\u00eanero mem\u00f3rias. Alegam que os autores desse naipe est\u00e3o mais pr\u00f3ximos da fic\u00e7\u00e3o, tendem a edulcorar a narrativa, distorcendo fatos de arte a torn\u00e1-los proezas dos escritores, que aparecem na fita (a prop\u00f3sito, literatura no cinema nem sempre d\u00e1 certo) como paladinos da justi\u00e7a, do bem querer, da desambi\u00e7\u00e3o, do despojamento. Declaro-me suspeito para abordar o assunto. Aprecio biografias (as n\u00e3o autorizadas costumam ser as melhores), os memorialistas me fascinam &#8211; at\u00e9 mesmo quando ocasionalmente aumentam um ponto. N\u00e3o \u00e9 o caso, obviamente, do trio brasileiro da minha prefer\u00eancia, ao qual, se n\u00e3o tiver sido expulso do blog, \u00a0pretendo um dia ajuntar o Ver\u00edssimo (o pai). Dos bel\u00edssimos solos de clarineta (I e II), extrairei passagens para inser\u00e7\u00e3o de igual sorte neste t\u00f3pico de assumidas reminisc\u00eancias sumidas h\u00e1 muito no tempo e no espa\u00e7o. Por ora, mais Ba\u00fa de ossos do Pedro Nava: \u201c(&#8230;) Umas imagens puxam as outras e cada sucesso entregue assim devolve tempo e espa\u00e7o comprimidos e expande, em quem evoca essas dimens\u00f5es, revivisc\u00eancias povoadas do esquecido pronto para renascer. Porque \u00a0esquecer\u00a0 \u00e9 fen\u00f4meno ativo e intencional &#8211; esquecer \u00a0\u00e9 cap\u00edtulo da mem\u00f3ria (assim como que o seu tombo) e n\u00e3o sua fun\u00e7\u00e3o antag\u00f4nica. Na recorda\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria n\u00e3o podemos for\u00e7ar a mec\u00e2nica com que as lembran\u00e7as nos s\u00e3o dosadas. Os fatos sumidos nos repentes, em vez de todos, em cadeia, voltam de um em um. \u00c0s vezes, um s\u00f3. Esse se oferece para suprir e vicariar os que as defesas do psiquismo acham que n\u00e3o \u00e9 a hora de dar e ele \u00e9 uma esp\u00e9cie de \u2018em vez de\u2019 &#8211; acontecimento, imagem que tem de ser coagida pelo consciente, para soltar outros, outros e nos dar apar\u00eancia do integral n\u00e3o achado, mas constru\u00eddo (tiririca, de que \u00e9 preciso for\u00e7ar o min\u00fasculo p\u00e9, para fazer sair da terra os metros de ra\u00edzes ocultas que ligavam moitas emergentes e distantes). \u00c0s vezes n\u00e3o adianta violentar e querer\u00a0 lembrar. N\u00e3o vem. A associa\u00e7\u00e3o de id\u00e9ias parece livre, solta, mas h\u00e1 uma coa\u00e7\u00e3o que a compele e que tamb\u00e9m nos defende. 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