{"id":12925,"date":"2015-12-25T19:34:22","date_gmt":"2015-12-25T19:34:22","guid":{"rendered":"http:\/\/mapati.com.br\/blog\/?p=1000"},"modified":"2015-12-25T19:34:22","modified_gmt":"2015-12-25T19:34:22","slug":"meu-oito-de-dezembro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/meu-oito-de-dezembro\/","title":{"rendered":"Meu oito de dezembro"},"content":{"rendered":"<p>O dezembro \u00faltimo se iniciava. Minha irm\u00e3 e afilhada, Mariza, como faz sempre que viaja, deixou o carr\u00e3o dela com o padrinho. J\u00e1 no papel de piloto, entro na garagem do meu bloco, Edif\u00edcio Renato Russo, e a\u00ed o quadro fica russo: no momento em que eu fazia a manobra para estacionar na minha vaga, a pilastra matreiramente se desloca e bate na porta traseira da m\u00e1quina.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/2017.mapati.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/8dez.jpg\" rel=\"attachment wp-att-1001\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-1001 aligncenter\" src=\"http:\/\/2017.mapati.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/8dez.jpg\" alt=\"8dez\" width=\"567\" height=\"319\" srcset=\"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/8dez.jpg 567w, https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/8dez-300x169.jpg 300w, https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/8dez-200x113.jpg 200w, https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/8dez-400x225.jpg 400w\" sizes=\"(max-width: 567px) 100vw, 567px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Que estrago. Apresso-me em lev\u00e1-lo para o conserto. Obtenho do Cassiano, dono da oficina no Guar\u00e1 II e um artista da lanternagem, o compromisso de me entregar o ve\u00edculo no dia 8 de dezembro, data em que se completaria dez anos do embarque do meu pai para o plano que dizem (mas n\u00e3o provam) ser muito melhor do que este daqui.<\/p>\n<p>Chega o dia aprazado. Comecei-o no zebrinha. Des\u00e7o na W3 Norte, altura da Rede Globo, primeira etapa do meu p\u00e9riplo. Protegido pelo guarda-chuva (eu dizia desde pequeno \u201cmorro molhado mas n\u00e3o ando de guarda-chuva.\u201d T\u00e1 bom!), voo debaixo do aguaceiro para o Liberty Mall.<\/p>\n<p>Na visita ao dentista, fico sabendo que, ap\u00f3s a mordida de um caro\u00e7o de fruta tempos atr\u00e1s, o que se desprendera de minha gengiva era dente, inteir\u00e3o, n\u00e3o era coroa, jaqueta. Como assim? Para a minha modesta pessoa, o que caia era dente de leite. Ser\u00e1 que estou prestes a usar Corega?<\/p>\n<p>Almo\u00e7o na pra\u00e7a da alimenta\u00e7\u00e3o do <em>shopping<\/em>. Em seguida, adentro a ag\u00eancia banc\u00e1ria para sacar a grana destinada \u00e0 lista de Natal dos porteiros do meu pr\u00e9dio. Um gordalh\u00e3o de uns cento e vinte quilos, com uma porrada de contas e boletos para pagar, empolgava o \u00fanico caixa eletr\u00f4nico que permitia saques (por que n\u00e3o foi para os exclusivos de pagamentos e dep\u00f3sitos, vazios quase todos?). Cara de polaco, suarento, bermud\u00e3o, chinelo de frade uma lancha torpedeira, n\u00e3o estava nem a\u00ed pra fila. Entre duas meninas contrafeitas, o galante aqui. Hora de fazer gracinha e buscar cumplicidade. Para a da frente, a primeira da fila, eu portanto o segundo, soltei a l\u00edngua preconceituosa e vingativa: \u201c<em>Podia ser pior &#8211; j\u00e1 pensou se ele fosse seu marido<\/em>?\u201d Ela riu muito e at\u00e9 se aliviou um pouco da longa espera. Como castigo (para mim e sobretudo para os porteiros), n\u00e3o consegui sacar porque o sistema era de leitura \u00f3tica do dedo indicador e eu n\u00e3o havia feito os procedimentos necess\u00e1rios a tal modalidade de acesso \u00e0 conta corrente.<\/p>\n<p>De posse do or\u00e7amento do dentista, decido ir \u201cde a-p\u00e9\u201d at\u00e9 o Banco Central para protocolar o laudo com vista ao reembolso (parcial) a cargo do meu plano de sa\u00fade; senti que iria voltar \u00e0quele pr\u00e9dio em formato de dobr\u00e3o (a moeda) ainda nesse dia. Pr\u00f3ximo \u00e0 Galeria dos Estados, ou\u00e7o um repetido, \u00e0 la maritaca, \u201ccapaqui, capaqui, capaqui\u201d. Fiquei em d\u00favida se o homem (idade entre 45 anos e 75 anos) vendia capas de chuva ou era um castrador. Ele conseguia de fato chamar a aten\u00e7\u00e3o dos passantes.<\/p>\n<p>Na recep\u00e7\u00e3o da Caixa-Preta, a simp\u00e1tica mocinha atendente ricocheteia: \u201dSenhor, a identidade\u201d. Sa\u00eddo havia menos de tr\u00eas meses do Bacen por aposentadoria ap\u00f3s quarenta e dois anos e tijolada de casa, virei um estranho. Cumpridos os tr\u00e2mites burocr\u00e1ticos no setor assistencial, transponho a porta girat\u00f3ria e entrevejo a sede da Caixa ali em frente, do outro lado da rua, belos vitr\u00f4s encharcados pela torrente que n\u00e3o diminu\u00eda.<\/p>\n<p>Termino a caminhada de duzentos metros, atinjo a regi\u00e3o em frente \u00e0 sede regional verde-azul\/azul-verde do BB e subo no ba\u00fa de Sobradinho. Tomo assento e no ponto (parada) seguinte entra um galalau de seus metro e noventa (pobre tamb\u00e9m cresce), mochil\u00e3o nas costas. \u201cTava tardando\u201d (diria meu pai): aquela bolsa viajou um bom trecho a dez cent\u00edmetros do meu rosto, o girafa (foi l\u00e1, no restaurante de mesmo nome, um \u201cf\u201d a mais, onde almocei) de costas pra mim. Se esse treco relar (obrigado, paulistas) meu superc\u00edlio, vai ser uma puta sangreira. Eixinho 211N, salto, inc\u00f3lume.<\/p>\n<p>Mais chuva, meu apartamento \u00e9 o abrigo. H\u00e1 que tirar a roupa da m\u00e1quina de lavar, pendur\u00e1-la, ler um pouco, fazer uma horinha at\u00e9 a viagem ao Guar\u00e1 2 para o resgate do Corolla, \u00e0quela altura quase pronto o servi\u00e7o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">16 de janeiro de 2015<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">(113)<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"color: #0000ff;\"><a style=\"color: #0000ff;\" href=\"mailto:mmsmarcos1953@hotmail.com\">mmsmarcos1953@hotmail.com<\/a><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O dezembro \u00faltimo se iniciava. Minha irm\u00e3 e afilhada, Mariza, como faz sempre que viaja, deixou o carr\u00e3o dela com o padrinho. J\u00e1 no papel de piloto, entro na garagem do meu bloco, Edif\u00edcio Renato Russo, e a\u00ed o quadro fica russo: no momento em que eu fazia a manobra para estacionar na minha vaga, a pilastra matreiramente se desloca e bate na porta traseira da m\u00e1quina. Que estrago. Apresso-me em lev\u00e1-lo para o conserto. Obtenho do Cassiano, dono da oficina no Guar\u00e1 II e um artista da lanternagem, o compromisso de me entregar o ve\u00edculo no dia 8 de dezembro, data em que se completaria dez anos do embarque do meu pai para o plano que dizem (mas n\u00e3o provam) ser muito melhor do que este daqui. Chega o dia aprazado. Comecei-o no zebrinha. Des\u00e7o na W3 Norte, altura da Rede Globo, primeira etapa do meu p\u00e9riplo. Protegido pelo guarda-chuva (eu dizia desde pequeno \u201cmorro molhado mas n\u00e3o ando de guarda-chuva.\u201d T\u00e1 bom!), voo debaixo do aguaceiro para o Liberty Mall. Na visita ao dentista, fico sabendo que, ap\u00f3s a mordida de um caro\u00e7o de fruta tempos atr\u00e1s, o que se desprendera de minha gengiva era dente, inteir\u00e3o, n\u00e3o era coroa, jaqueta. Como assim? Para a minha modesta pessoa, o que caia era dente de leite. Ser\u00e1 que estou prestes a usar Corega? Almo\u00e7o na pra\u00e7a da alimenta\u00e7\u00e3o do shopping. Em seguida, adentro a ag\u00eancia banc\u00e1ria para sacar a grana destinada \u00e0 lista de Natal dos porteiros do meu pr\u00e9dio. Um gordalh\u00e3o de uns cento e vinte quilos, com uma porrada de contas e boletos para pagar, empolgava o \u00fanico caixa eletr\u00f4nico que permitia saques (por que n\u00e3o foi para os exclusivos de pagamentos e dep\u00f3sitos, vazios quase todos?). Cara de polaco, suarento, bermud\u00e3o, chinelo de frade uma lancha torpedeira, n\u00e3o estava nem a\u00ed pra fila. Entre duas meninas contrafeitas, o galante aqui. Hora de fazer gracinha e buscar cumplicidade. Para a da frente, a primeira da fila, eu portanto o segundo, soltei a l\u00edngua preconceituosa e vingativa: \u201cPodia ser pior &#8211; j\u00e1 pensou se ele fosse seu marido?\u201d Ela riu muito e at\u00e9 se aliviou um pouco da longa espera. Como castigo (para mim e sobretudo para os porteiros), n\u00e3o consegui sacar porque o sistema era de leitura \u00f3tica do dedo indicador e eu n\u00e3o havia feito os procedimentos necess\u00e1rios a tal modalidade de acesso \u00e0 conta corrente. De posse do or\u00e7amento do dentista, decido ir \u201cde a-p\u00e9\u201d at\u00e9 o Banco Central para protocolar o laudo com vista ao reembolso (parcial) a cargo do meu plano de sa\u00fade; senti que iria voltar \u00e0quele pr\u00e9dio em formato de dobr\u00e3o (a moeda) ainda nesse dia. Pr\u00f3ximo \u00e0 Galeria dos Estados, ou\u00e7o um repetido, \u00e0 la maritaca, \u201ccapaqui, capaqui, capaqui\u201d. Fiquei em d\u00favida se o homem (idade entre 45 anos e 75 anos) vendia capas de chuva ou era um castrador. Ele conseguia de fato chamar a aten\u00e7\u00e3o dos passantes. Na recep\u00e7\u00e3o da Caixa-Preta, a simp\u00e1tica mocinha atendente ricocheteia: \u201dSenhor, a identidade\u201d. Sa\u00eddo havia menos de tr\u00eas meses do Bacen por aposentadoria ap\u00f3s quarenta e dois anos e tijolada de casa, virei um estranho. Cumpridos os tr\u00e2mites burocr\u00e1ticos no setor assistencial, transponho a porta girat\u00f3ria e entrevejo a sede da Caixa ali em frente, do outro lado da rua, belos vitr\u00f4s encharcados pela torrente que n\u00e3o diminu\u00eda. Termino a caminhada de duzentos metros, atinjo a regi\u00e3o em frente \u00e0 sede regional verde-azul\/azul-verde do BB e subo no ba\u00fa de Sobradinho. Tomo assento e no ponto (parada) seguinte entra um galalau de seus metro e noventa (pobre tamb\u00e9m cresce), mochil\u00e3o nas costas. \u201cTava tardando\u201d (diria meu pai): aquela bolsa viajou um bom trecho a dez cent\u00edmetros do meu rosto, o girafa (foi l\u00e1, no restaurante de mesmo nome, um \u201cf\u201d a mais, onde almocei) de costas pra mim. Se esse treco relar (obrigado, paulistas) meu superc\u00edlio, vai ser uma puta sangreira. Eixinho 211N, salto, inc\u00f3lume. Mais chuva, meu apartamento \u00e9 o abrigo. H\u00e1 que tirar a roupa da m\u00e1quina de lavar, pendur\u00e1-la, ler um pouco, fazer uma horinha at\u00e9 a viagem ao Guar\u00e1 2 para o resgate do Corolla, \u00e0quela altura quase pronto o servi\u00e7o. &nbsp; 16 de janeiro de 2015 (113) mmsmarcos1953@hotmail.com<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-12925","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12925","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12925"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12925\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12925"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12925"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12925"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}