{"id":12932,"date":"2015-12-25T22:09:18","date_gmt":"2015-12-25T22:09:18","guid":{"rendered":"http:\/\/mapati.com.br\/blog\/?p=1046"},"modified":"2015-12-25T22:09:18","modified_gmt":"2015-12-25T22:09:18","slug":"o-seu-futuro-esta-em-voce-iv","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/o-seu-futuro-esta-em-voce-iv\/","title":{"rendered":"O seu futuro est\u00e1 em voc\u00ea (IV)"},"content":{"rendered":"<p style=\"padding-left: 90px;\"><span style=\"font-family: 'trebuchet ms', geneva, sans-serif;\"><em>\u201cCada pessoa \u00e9 um mapa. Uma ruga pode fazer parte dos diversos afluentes de um corpo. Basta um sorriso para encontrarmos manancial. Cada curva relata um caminho. Olhamos e logo delineamos quem \u00e9. A impress\u00e3o da primeira vista que fica, \u00e9 justamente esse tra\u00e7ado. Esbo\u00e7amos um palpite e logo vem a forma que guardamos, na tentativa de compreender aquele territ\u00f3rio desconhecido, embora visto. Existem muitas maneiras de territorializar o outro, assim como desterritorializ\u00e1-lo, a partir de nossa pr\u00f3pria condi\u00e7\u00e3o de estrangeiro, estranho \u00e0quele .\u201d\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em>(Bruno Azevedo, ensaio &#8211; T5102776 &#8211; em Recanto das Letras)<\/span><\/p>\n<p>Pelo vidro da janela da divis\u00f3ria, um pouco parecido, s\u00f3 que bem maior, com o daqueles biombos de cl\u00ednica radiol\u00f3gica, avistavam-se homens pateticamente dispostos uns ao lado dos outros para o reconhecimento de praxe. N\u00f3s os v\u00edamos mas eles n\u00e3o nos viam. Algumas vezes e \u00e0 falta de detentos em n\u00famero suficiente, policiais e servidores da delegacia s\u00e3o deslocados para compor o sinistro pelot\u00e3o como se fossem fac\u00ednoras, diminuindo-se pretensamente a margem de erro na identifica\u00e7\u00e3o a ser feita pela v\u00edtima que formalizou a ocorr\u00eancia e ou pelas eventuais testemunhas.<\/p>\n<figure id=\"attachment_1047\" aria-describedby=\"caption-attachment-1047\" style=\"width: 386px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/2017.mapati.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/oseufuturo4.jpg\" rel=\"attachment wp-att-1047\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-1047\" src=\"http:\/\/2017.mapati.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/oseufuturo4.jpg\" alt=\"http:\/\/www.grx.com.br\/MaisProduto.asp?Produto=959\" width=\"386\" height=\"715\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-1047\" class=\"wp-caption-text\"><span style=\"font-size: 8pt;\">http:\/\/www.grx.com.br\/MaisProduto.asp?Produto=959<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Com certeza, n\u00e3o se tratava da famosa S\u00edndrome de Estocolmo. No vertente epis\u00f3dio, o tempo de conviv\u00eancia entre agressor e agredida n\u00e3o dera azo \u00e0 vassalagem e admira\u00e7\u00e3o que muita vez se formam e se desenvolvem nesse estado psicol\u00f3gico delet\u00e9rio. Ainda suando frio, Mariana olhou, olhou, fraquejou, titubeou e disse para o agente que dois daqueles infelizes espalhados no arremedo de palco, um mais do que o outro, lembravam-lhe o assaltante. Por tal m\u00e9todo de mirada e igualmente aflito, perscrutei a dupla apontada, revelando-se-me fisionomias sem nenhum tra\u00e7o comum de pessoas assemelhadas.<\/p>\n<p>Inferi que, dominada pelo pavor, vivendo o p\u00f3s-trauma, falida de mem\u00f3ria fotogr\u00e1fica (ou de coragem), minha filha cuidava de concluir logo o procedimento e dar os tr\u00e2mites por findos. Dessa maneira, livraria o \u201cmeliante\u201d &#8211; o que mais chances tinha de ser o ativo personagem do roubo &#8211; espancando (sem trocadilho) com isso as agruras de uma noite de interrogat\u00f3rios e poss\u00edvel justi\u00e7amento.<\/p>\n<p>Pedi ao delegado de plant\u00e3o me autorizasse levar uma palavrinha ao quase liberto, no que fui atendido, n\u00e3o sei se por minha condi\u00e7\u00e3o de pai ou de advogado. N\u00e3o bastasse minha porralouquice com os cachorros, fui ao rapaz detido e lhe disse: \u201cOlhe bem pra minha cara, que \u00e9 pra voc\u00ea n\u00e3o esquecer dela. Porque eu vou fazer o mesmo com voc\u00ea e guardar bem a sua. E, se eu tomar conhecimento de que voc\u00ea andou rondando a 707Norte e redondezas, vou chamar a pol\u00edcia e a\u00ed n\u00e3o vamos mais precisar nem de identifica\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>Se era mesmo ele o assaltante, nunca o saberei. S\u00f3 sei que, ap\u00f3s esse meu desvario, a coragem que prov\u00e9m do medo, nunca mais fomos importunados.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">28 de mar\u00e7o de 2015<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">(123)<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"color: #0000ff;\"><a style=\"color: #0000ff;\" href=\"mailto:mmsmarcos1953@hotmail.com\">mmsmarcos1953@hotmail.com<\/a><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cCada pessoa \u00e9 um mapa. Uma ruga pode fazer parte dos diversos afluentes de um corpo. Basta um sorriso para encontrarmos manancial. Cada curva relata um caminho. Olhamos e logo delineamos quem \u00e9. A impress\u00e3o da primeira vista que fica, \u00e9 justamente esse tra\u00e7ado. Esbo\u00e7amos um palpite e logo vem a forma que guardamos, na tentativa de compreender aquele territ\u00f3rio desconhecido, embora visto. Existem muitas maneiras de territorializar o outro, assim como desterritorializ\u00e1-lo, a partir de nossa pr\u00f3pria condi\u00e7\u00e3o de estrangeiro, estranho \u00e0quele .\u201d\u00a0\u00a0\u00a0 (Bruno Azevedo, ensaio &#8211; T5102776 &#8211; em Recanto das Letras) Pelo vidro da janela da divis\u00f3ria, um pouco parecido, s\u00f3 que bem maior, com o daqueles biombos de cl\u00ednica radiol\u00f3gica, avistavam-se homens pateticamente dispostos uns ao lado dos outros para o reconhecimento de praxe. N\u00f3s os v\u00edamos mas eles n\u00e3o nos viam. Algumas vezes e \u00e0 falta de detentos em n\u00famero suficiente, policiais e servidores da delegacia s\u00e3o deslocados para compor o sinistro pelot\u00e3o como se fossem fac\u00ednoras, diminuindo-se pretensamente a margem de erro na identifica\u00e7\u00e3o a ser feita pela v\u00edtima que formalizou a ocorr\u00eancia e ou pelas eventuais testemunhas. Com certeza, n\u00e3o se tratava da famosa S\u00edndrome de Estocolmo. No vertente epis\u00f3dio, o tempo de conviv\u00eancia entre agressor e agredida n\u00e3o dera azo \u00e0 vassalagem e admira\u00e7\u00e3o que muita vez se formam e se desenvolvem nesse estado psicol\u00f3gico delet\u00e9rio. Ainda suando frio, Mariana olhou, olhou, fraquejou, titubeou e disse para o agente que dois daqueles infelizes espalhados no arremedo de palco, um mais do que o outro, lembravam-lhe o assaltante. Por tal m\u00e9todo de mirada e igualmente aflito, perscrutei a dupla apontada, revelando-se-me fisionomias sem nenhum tra\u00e7o comum de pessoas assemelhadas. Inferi que, dominada pelo pavor, vivendo o p\u00f3s-trauma, falida de mem\u00f3ria fotogr\u00e1fica (ou de coragem), minha filha cuidava de concluir logo o procedimento e dar os tr\u00e2mites por findos. Dessa maneira, livraria o \u201cmeliante\u201d &#8211; o que mais chances tinha de ser o ativo personagem do roubo &#8211; espancando (sem trocadilho) com isso as agruras de uma noite de interrogat\u00f3rios e poss\u00edvel justi\u00e7amento. Pedi ao delegado de plant\u00e3o me autorizasse levar uma palavrinha ao quase liberto, no que fui atendido, n\u00e3o sei se por minha condi\u00e7\u00e3o de pai ou de advogado. N\u00e3o bastasse minha porralouquice com os cachorros, fui ao rapaz detido e lhe disse: \u201cOlhe bem pra minha cara, que \u00e9 pra voc\u00ea n\u00e3o esquecer dela. Porque eu vou fazer o mesmo com voc\u00ea e guardar bem a sua. E, se eu tomar conhecimento de que voc\u00ea andou rondando a 707Norte e redondezas, vou chamar a pol\u00edcia e a\u00ed n\u00e3o vamos mais precisar nem de identifica\u00e7\u00e3o.\u201d Se era mesmo ele o assaltante, nunca o saberei. S\u00f3 sei que, ap\u00f3s esse meu desvario, a coragem que prov\u00e9m do medo, nunca mais fomos importunados. &nbsp; 28 de mar\u00e7o de 2015 (123) mmsmarcos1953@hotmail.com<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-12932","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12932","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12932"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12932\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12932"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12932"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12932"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}