{"id":12940,"date":"2015-12-28T14:32:44","date_gmt":"2015-12-28T14:32:44","guid":{"rendered":"http:\/\/mapati.com.br\/blog\/?p=1107"},"modified":"2015-12-28T14:32:44","modified_gmt":"2015-12-28T14:32:44","slug":"fe-amolada-faca-cega-ii","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/fe-amolada-faca-cega-ii\/","title":{"rendered":"F\u00e9 amolada, faca cega (II)"},"content":{"rendered":"<p>Nesta \u00e9poca t\u00e3o dif\u00edcil, de tanta viol\u00eancia pelo Brasil (e pelo mundo), n\u00e3o \u00e9 de bom-tom chamar algu\u00e9m para ler assuntos relacionados com faca. Agora mesmo, quando rabisco letras med\u00edocres, o notici\u00e1rio nos d\u00e1 conta de que um bandido, acobertado por outro meliante com granada no bolso, assaltava \u00f4nibus urbano na minha Cidade Maravilhosa, tendo sido baleado por um policial, com seu sangue tingindo a roupa de uma passageira do roubo interrompido, m\u00e9dica. Ironia do destino como diziam nossos antepassados.<\/p>\n<p>Reingresso dolosamente na esfera do direito penal, atualizando impress\u00f5es versadas na obra de ficcionista que entende do riscado (sem trocadilho).<\/p>\n<p>Mais uma travessia (valeu, Fernando Brant), mais um trecho do nosso Rubem Fonseca, meu e de voc\u00eas todos e todas. O personagem que passeava por <em>A grande arte<\/em>, havemos n\u00f3s de recordar, queria dormir e dormir. Despertado por virtude da pena encantadora do escritor, o protagonista partiu em busca de quem poderia ajud\u00e1-lo na vingan\u00e7a. A maldade que fizeram com ele, bem depois da maldade que fizeram com a quase namorada dele, mulher insinuante, tragicamente apresentada \u00e0 l\u00edngua do \u201cp\u201d, <strong>ros<\/strong>&#8211;<em>pos<\/em>&#8211;<strong>to<\/strong>&#8211;<em>po<\/em> \u00a0<strong>mar<\/strong>-par-<strong>car<\/strong>&#8211;<em>par<\/em>&#8211;<strong>do-<\/strong><em>po<\/em> \u00a0<strong>pe<\/strong>&#8211;<em>pe<\/em>&#8211;<strong>la<\/strong>&#8211;<em>pa<\/em> \u00a0<strong>fa<\/strong>&#8211;<em>pa<\/em>&#8211;<strong>ca<\/strong>&#8211;<em>pa<\/em>, vai ser reparada, n\u00e3o tenham d\u00favida disso.<\/p>\n<figure id=\"attachment_1110\" aria-describedby=\"caption-attachment-1110\" style=\"width: 355px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/2017.mapati.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/Facaamolada.jpg\" rel=\"attachment wp-att-1110\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-1110\" src=\"http:\/\/2017.mapati.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/Facaamolada.jpg\" alt=\"http:\/\/saomiguelemalta.blogspot.com.br\/2014\/11\/\" width=\"355\" height=\"254\" srcset=\"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/Facaamolada.jpg 693w, https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/Facaamolada-300x214.jpg 300w, https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/Facaamolada-200x143.jpg 200w, https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/Facaamolada-400x286.jpg 400w, https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/Facaamolada-600x429.jpg 600w\" sizes=\"(max-width: 355px) 100vw, 355px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-1110\" class=\"wp-caption-text\"><span style=\"font-size: 8pt;\">http:\/\/saomiguelemalta.blogspot.com.br\/2014\/11\/<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"padding-left: 90px;\"><span style=\"font-family: 'trebuchet ms', geneva, sans-serif;\"><em>\u201c(&#8230;) \u2018Um especialista busca as art\u00e9rias\u2019, Hermes passou o dedo de leve na minha car\u00f3tida arrepiada. A car\u00f3tida, ele explicou, era sempre f\u00e1cil de atingir, um corte de tr\u00eas cent\u00edmetros de profundidade fazia o indiv\u00edduo perder a consci\u00eancia em alguns segundos. A veia favorita de Hermes era a subcl\u00e1via. A perfura\u00e7\u00e3o tinha que ser de seis cent\u00edmetros, era uma art\u00e9ria que n\u00e3o devia ser procurada numa luta com um advers\u00e1rio dif\u00edcil, pois, para atingi-la usava-se necessariamente uma empunhadura de maneabilidade reduzida. Mas quando alcan\u00e7ada o sangue irrompia num jato inestanc\u00e1vel, forte como uma mangueira de bombeiro, a consci\u00eancia era perdida em dois segundos e a morte sobrevinha no terceiro. (&#8230;) O alvo ideal era o cora\u00e7\u00e3o. A perda de consci\u00eancia era instant\u00e2nea e, se o a\u00e7o penetrasse os oito cent\u00edmetros apropriados, a morte ocorreria em dois segundos. O sujeito que me havia ferido sabia empunhar a arma corretamente, mas n\u00e3o devia ter conhecimentos adequados de anatomia. O intestino n\u00e3o era um ponto vital. \u2018Voc\u00ea podia ter morrido, ou n\u00e3o\u2019. Entre os alvos secund\u00e1rios o est\u00f4mago seria melhor, conquanto a penetra\u00e7\u00e3o tivesse que ser de doze ou treze cent\u00edmetros. \u00a0\u2018Ele poderia ter cortado sua art\u00e9ria braquial, aqui na parte de dentro do bra\u00e7o, na altura do cotovelo, ou a radial, no pulso. Voc\u00ea morreria em dois\u00a0 minutos\u2019.\u201d<\/em><\/span><\/p>\n<p>Sequencialmente, citarei o livro\/filme em causa provavelmente pela \u00faltima vez; do contr\u00e1rio, a gente n\u00e3o sair\u00e1 daqui nunca mais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">03 de julho de 2015<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">(137)<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"color: #0000ff;\"><a style=\"color: #0000ff;\" href=\"mailto:mmsmarcos1953@hotmail.com\">mmsmarcos1953@hotmail.com<\/a><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nesta \u00e9poca t\u00e3o dif\u00edcil, de tanta viol\u00eancia pelo Brasil (e pelo mundo), n\u00e3o \u00e9 de bom-tom chamar algu\u00e9m para ler assuntos relacionados com faca. Agora mesmo, quando rabisco letras med\u00edocres, o notici\u00e1rio nos d\u00e1 conta de que um bandido, acobertado por outro meliante com granada no bolso, assaltava \u00f4nibus urbano na minha Cidade Maravilhosa, tendo sido baleado por um policial, com seu sangue tingindo a roupa de uma passageira do roubo interrompido, m\u00e9dica. Ironia do destino como diziam nossos antepassados. Reingresso dolosamente na esfera do direito penal, atualizando impress\u00f5es versadas na obra de ficcionista que entende do riscado (sem trocadilho). Mais uma travessia (valeu, Fernando Brant), mais um trecho do nosso Rubem Fonseca, meu e de voc\u00eas todos e todas. O personagem que passeava por A grande arte, havemos n\u00f3s de recordar, queria dormir e dormir. Despertado por virtude da pena encantadora do escritor, o protagonista partiu em busca de quem poderia ajud\u00e1-lo na vingan\u00e7a. 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Mas quando alcan\u00e7ada o sangue irrompia num jato inestanc\u00e1vel, forte como uma mangueira de bombeiro, a consci\u00eancia era perdida em dois segundos e a morte sobrevinha no terceiro. (&#8230;) O alvo ideal era o cora\u00e7\u00e3o. A perda de consci\u00eancia era instant\u00e2nea e, se o a\u00e7o penetrasse os oito cent\u00edmetros apropriados, a morte ocorreria em dois segundos. O sujeito que me havia ferido sabia empunhar a arma corretamente, mas n\u00e3o devia ter conhecimentos adequados de anatomia. O intestino n\u00e3o era um ponto vital. \u2018Voc\u00ea podia ter morrido, ou n\u00e3o\u2019. Entre os alvos secund\u00e1rios o est\u00f4mago seria melhor, conquanto a penetra\u00e7\u00e3o tivesse que ser de doze ou treze cent\u00edmetros. \u00a0\u2018Ele poderia ter cortado sua art\u00e9ria braquial, aqui na parte de dentro do bra\u00e7o, na altura do cotovelo, ou a radial, no pulso. 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