{"id":12941,"date":"2015-12-28T14:35:32","date_gmt":"2015-12-28T14:35:32","guid":{"rendered":"http:\/\/mapati.com.br\/blog\/?p=1118"},"modified":"2015-12-28T14:35:32","modified_gmt":"2015-12-28T14:35:32","slug":"memoriasmemorialistas-xxi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/memoriasmemorialistas-xxi\/","title":{"rendered":"Mem\u00f3rias\/Memorialistas (XXI)"},"content":{"rendered":"<p>Mesmo para quem n\u00e3o sabe escrever, n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o dif\u00edcil tocar um <em>blog<\/em>: \u00e9 s\u00f3 transcrever.<\/p>\n<p>H\u00e1 muito que emprego aqui tal \u201cestilo de literatura\u201d (vide postagem <em>Riquix\u00e1<\/em>). Que, por outro lado, tem suas regras, inclusive a de obedi\u00eancia ao direito autoral (coisa sagrada). N\u00e3o sem algum crit\u00e9rio, insta garimpar (ou melhor, abeberar) textos dos grandes mestres das letras provocando entusiasmo nos desapercebidos, eventuais leitores e leitoras daqui, docemente conduzidos \u00e0 mat\u00e9ria evocada por este blogueiro pretensioso.<\/p>\n<figure id=\"attachment_1119\" aria-describedby=\"caption-attachment-1119\" style=\"width: 370px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/2017.mapati.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/MM22.jpg\" rel=\"attachment wp-att-1119\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-1119\" src=\"http:\/\/2017.mapati.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/MM22.jpg\" alt=\"http:\/\/www.fotos.cim.br\/page_img\/10427\/chafariz_jorrando_agua\" width=\"370\" height=\"494\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-1119\" class=\"wp-caption-text\"><span style=\"font-size: 8pt;\">http:\/\/www.fotos.cim.br\/page_img\/10427\/chafariz_jorrando_agua<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>E a fonte que vem jorrando da obra dos meus memorialistas n\u00e3o seca nunca.<\/p>\n<p>Retomemos o Pedro Nava. Irresist\u00edvel \u00e9 prosseguir com a cabe\u00e7a enfiada no <em>Ba\u00fa de Ossos<\/em>, n\u00e3o deixando isso, entretanto, de ser uma afli\u00e7\u00e3o porque ainda restam cinco livros completos das lembran\u00e7as do fant\u00e1stico escritor mineiro. Se \u00e9 obrigat\u00f3rio terminar esse primeiro tomo, vou preterir as descri\u00e7\u00f5es primorosas do meu Rio de Janeiro da primeira metade do s\u00e9culo passado e pin\u00e7ar aleatoriamente retratos (a seguir, o primeiro deles) que, no duplo papel de m\u00e9dico e literato (n\u00e3o se sabe onde come\u00e7a um e termina o outro), o Nava faz dos\u00a0seus personagens &#8211; membros da fam\u00edlia e amigos; inimigos, amigos dos inimigos, inimigos dos amigos <em>et caterva<\/em> -, espalhados pelo fim desse primeiro volume. Reenfatize-se, s\u00e3o verdadeiras disseca\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 90px;\"><span style=\"font-family: 'trebuchet ms', geneva, sans-serif;\"><em>\u201c&#8230; a figura mais impressionante era a do agigantado Dr. Belis\u00e1rio Fernandes Tavora. (&#8230;). As ma\u00e7\u00e3s do seu rosto eram ma\u00e7\u00e3s mesmo. Tinham o aspecto, a cor luxuosa e o lustro da casca daquelas frutas quando polidas de encontro \u00e0 roupa. Por cima o bogalho de dois olhos enormes guarnecidos pela mata das sobrancelhas. Ali\u00e1s todos os seus tra\u00e7os eram enormes e como que magnificados por lente poderosa. Os bigodes festivos e a boca repuxada davam-lhe um ar h\u00edlare que, somado \u00e0 bondade do olhar, tornavam-no extremamente simp\u00e1tico. Tinha orelhas insignes, zigomas memor\u00e1veis, arcadas orbit\u00e1rias de front\u00e3o barroco e era de uma feialdade grandiosa e atraente. Apesar do cavanhaque e da triangula\u00e7\u00e3o de sua cara e cabe\u00e7a, n\u00e3o tinha nada de mefistof\u00e9lico. (&#8230;). Falava vagarosamente e em voz de baixo-profundo; era de uma cortesia meticulosa, de uma cerim\u00f4nia vigilante e nada se comparava ao prod\u00edgio de seu andar. Trocava lentamente os passos de sete l\u00e9guas; colocava cuidadosamente o salto no ch\u00e3o e seu p\u00e9 avantajado e sens\u00edvel descrevia um movimento de cadeira de balan\u00e7o, elevando o calcanhar, depois a sola e apoiando finalmente o joanete, o metatarso varo e o resto dos podod\u00e1ctilos. Pronto, para um lado. Come\u00e7ava a tortura do outro e o Dr. Belis\u00e1rio ia marchando, como aquela sereia de Andersen que trocou a cauda de peixe por p\u00e9s &#8211; sobre cacos de vidro, fios de navalha, brasas vivas.\u201d<\/em><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">29 de julho de 2015<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">(140)<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"color: #0000ff;\"><a style=\"color: #0000ff;\" href=\"mailto:mmsmarcos1953@hotmail.com\">mmsmarcos1953@hotmail.com<\/a><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mesmo para quem n\u00e3o sabe escrever, n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o dif\u00edcil tocar um blog: \u00e9 s\u00f3 transcrever. H\u00e1 muito que emprego aqui tal \u201cestilo de literatura\u201d (vide postagem Riquix\u00e1). Que, por outro lado, tem suas regras, inclusive a de obedi\u00eancia ao direito autoral (coisa sagrada). N\u00e3o sem algum crit\u00e9rio, insta garimpar (ou melhor, abeberar) textos dos grandes mestres das letras provocando entusiasmo nos desapercebidos, eventuais leitores e leitoras daqui, docemente conduzidos \u00e0 mat\u00e9ria evocada por este blogueiro pretensioso. E a fonte que vem jorrando da obra dos meus memorialistas n\u00e3o seca nunca. Retomemos o Pedro Nava. Irresist\u00edvel \u00e9 prosseguir com a cabe\u00e7a enfiada no Ba\u00fa de Ossos, n\u00e3o deixando isso, entretanto, de ser uma afli\u00e7\u00e3o porque ainda restam cinco livros completos das lembran\u00e7as do fant\u00e1stico escritor mineiro. Se \u00e9 obrigat\u00f3rio terminar esse primeiro tomo, vou preterir as descri\u00e7\u00f5es primorosas do meu Rio de Janeiro da primeira metade do s\u00e9culo passado e pin\u00e7ar aleatoriamente retratos (a seguir, o primeiro deles) que, no duplo papel de m\u00e9dico e literato (n\u00e3o se sabe onde come\u00e7a um e termina o outro), o Nava faz dos\u00a0seus personagens &#8211; membros da fam\u00edlia e amigos; inimigos, amigos dos inimigos, inimigos dos amigos et caterva -, espalhados pelo fim desse primeiro volume. Reenfatize-se, s\u00e3o verdadeiras disseca\u00e7\u00f5es. \u201c&#8230; a figura mais impressionante era a do agigantado Dr. Belis\u00e1rio Fernandes Tavora. (&#8230;). As ma\u00e7\u00e3s do seu rosto eram ma\u00e7\u00e3s mesmo. Tinham o aspecto, a cor luxuosa e o lustro da casca daquelas frutas quando polidas de encontro \u00e0 roupa. Por cima o bogalho de dois olhos enormes guarnecidos pela mata das sobrancelhas. Ali\u00e1s todos os seus tra\u00e7os eram enormes e como que magnificados por lente poderosa. Os bigodes festivos e a boca repuxada davam-lhe um ar h\u00edlare que, somado \u00e0 bondade do olhar, tornavam-no extremamente simp\u00e1tico. Tinha orelhas insignes, zigomas memor\u00e1veis, arcadas orbit\u00e1rias de front\u00e3o barroco e era de uma feialdade grandiosa e atraente. Apesar do cavanhaque e da triangula\u00e7\u00e3o de sua cara e cabe\u00e7a, n\u00e3o tinha nada de mefistof\u00e9lico. (&#8230;). Falava vagarosamente e em voz de baixo-profundo; era de uma cortesia meticulosa, de uma cerim\u00f4nia vigilante e nada se comparava ao prod\u00edgio de seu andar. Trocava lentamente os passos de sete l\u00e9guas; colocava cuidadosamente o salto no ch\u00e3o e seu p\u00e9 avantajado e sens\u00edvel descrevia um movimento de cadeira de balan\u00e7o, elevando o calcanhar, depois a sola e apoiando finalmente o joanete, o metatarso varo e o resto dos podod\u00e1ctilos. Pronto, para um lado. Come\u00e7ava a tortura do outro e o Dr. Belis\u00e1rio ia marchando, como aquela sereia de Andersen que trocou a cauda de peixe por p\u00e9s &#8211; sobre cacos de vidro, fios de navalha, brasas vivas.\u201d &nbsp; 29 de julho de 2015 (140) mmsmarcos1953@hotmail.com<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-12941","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12941","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12941"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12941\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12941"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12941"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12941"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}