{"id":12946,"date":"2015-12-29T23:08:40","date_gmt":"2015-12-29T23:08:40","guid":{"rendered":"http:\/\/mapati.com.br\/blog\/?p=1156"},"modified":"2015-12-29T23:08:40","modified_gmt":"2015-12-29T23:08:40","slug":"memoriasmemorialistas-xxv","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/memoriasmemorialistas-xxv\/","title":{"rendered":"Mem\u00f3rias\/Memorialistas (XXV)"},"content":{"rendered":"<p>Morei no meu Rio de Janeiro &#8211; relembro &#8211; durante todo o segundo semestre de 1982. A estada me permitiu acompanhar de perto as hist\u00f3ricas elei\u00e7\u00f5es daquele ano, inclusive a de governador, vencida por Leonel Brizola, autor de frase (entre outras tantas) que se tornou c\u00e9lebre: \u201cO PT \u00e9 a UDN de macac\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9, contudo, sobre pol\u00edtica propriamente o assunto a ser referido. Apesar de eu ter vivenciado os anos de 1960 e de 1970 &#8211; o ingresso nessa d\u00e9cada j\u00e1 em despedida de minha adolesc\u00eancia -, este <em>blog<\/em> \u00a0no que me concerne tem procurado enveredar por outros temas, sobretudo a memorial\u00edstica.<\/p>\n<p>Atravesso a ponte deixando do lado de c\u00e1 o Pedro Nava para me encontrar, no lado de l\u00e1, com o Afonso Arinos de Melo Franco, um dos luminares da Uni\u00e3o Democr\u00e1tica Nacional. Partido extinto h\u00e1 d\u00e9cadas, a UDN era tida por elitista, curr\u00edculo de fomentadora do golpismo, filhotes espalhados por agremia\u00e7\u00f5es de hoje e nenhum deles com a cultura e o descortino vistos antigamente.<\/p>\n<p>Reponho na estante o \u201cAlma do tempo\u201d, muito evocado no in\u00edcio deste t\u00f3pico a caminho das tr\u00eas dezenas de lembran\u00e7as. Ato cont\u00ednuo, agarro \u201cA Escalada\u201d, o segundo tomo das mem\u00f3rias do brilhante chanceler oriundo das Minas Gerais como o Nava.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 90px;\"><span style=\"font-family: 'trebuchet ms', geneva, sans-serif;\"><em>\u201c(&#8230;) Torna-se para mim cada vez mais dificultoso falar desprevenidamente do solit\u00e1rio de Apipucos. Em geral, os escritores profissionais &#8211; e a ningu\u00e9m, como a Gilberto e Jorge Amado, cabe \u00easte t\u00edtulo, hoje, no Brasil &#8211; s\u00e3o mais tolerantes, diria mesmo mais compreensivos, para as refer\u00eancias que lhes sejam feitas, de boa f\u00e9 e sem \u00f3dio, do que o comum dos mortais. Com Gilberto, no entanto, isto n\u00e3o se d\u00e1. \u00c0 propor\u00e7\u00e3o que lhe chega a velhice e lhe cresce a gl\u00f3ria, torna-se cada vez mais perscrutador de inten\u00e7\u00f5es mal\u00e9volas, mais sensitivamente mago\u00e1vel (v\u00e1 l\u00e1 o barbarismo, na falta de palavra mais adequada), com qualquer reparo que se fa\u00e7a ao que escreve.<\/em><\/span><\/p>\n<p style=\"padding-left: 90px;\"><span style=\"font-family: 'trebuchet ms', geneva, sans-serif;\"><em>\u201cEm tudo o que n\u00e3o \u00e9 louva\u00e7\u00e3o sem ja\u00e7a, Gilberto v\u00ea m\u00e1 vontade contra \u00eale, concorr\u00eancia, perf\u00eddia. Chego a supor que \u00easte \u00e9 um g\u00eanero que se comp\u00f5e por ignotos motivos de arranjo liter\u00e1rio, pois dif\u00edcil \u00e9 acreditar que uma intelig\u00eancia t\u00e3o aguda na observa\u00e7\u00e3o dos fatos e das personalidades se mostre a tal ponto incerta quando se refere a assuntos que lhe digam diretamente respeito.\u201d<\/em><\/span><\/p>\n<p>A alus\u00e3o\u00a0 ao Jorge Amado \u00e9 expl\u00edcita. Mas quem \u00e9 o \u201csolit\u00e1rio de Apipucos\u201d, cujo sobrenome \u00e9 omitido at\u00e9 onde me foi dado transcrever? N\u00e3o carece muito engenho para descobrir pois o in\u00edcio da pr\u00f3xima postagem nos dir\u00e1.<\/p>\n<figure id=\"attachment_1158\" aria-describedby=\"caption-attachment-1158\" style=\"width: 1165px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/2017.mapati.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/MM26.jpg\" rel=\"attachment wp-att-1158\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-1158\" src=\"http:\/\/2017.mapati.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/MM26.jpg\" alt=\"http:\/\/1.bp.blogspot.com\/_-m0LeTE5UtI\/Rg1EVo_rI3I\/AAAAAAAAAAk\/RY0lJlA2flE\/s1600-h\/FO+-+O+mestre+de+Apipuco+(RJA).jpg\" width=\"1165\" height=\"835\" srcset=\"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/MM26.jpg 1165w, https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/MM26-300x214.jpg 300w, https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/MM26-768x550.jpg 768w, https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/MM26-1024x734.jpg 1024w, https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/MM26-200x143.jpg 200w, https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/MM26-400x287.jpg 400w, https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/MM26-600x430.jpg 600w, https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/MM26-800x573.jpg 800w\" sizes=\"(max-width: 1165px) 100vw, 1165px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-1158\" class=\"wp-caption-text\"><span style=\"font-size: 8pt;\">http:\/\/1.bp.blogspot.com\/_-m0LeTE5UtI\/Rg1EVo_rI3I\/AAAAAAAAAAk\/RY0lJlA2flE\/s1600-h\/FO+-+O+mestre+de+Apipuco+(RJA).jpg<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">01 de setembro de 2015<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">(145)<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"color: #0000ff;\"><a style=\"color: #0000ff;\" href=\"mailto:mmsmarcos1953@hotmail.com\">mmsmarcos1953@hotmail.com<\/a><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Morei no meu Rio de Janeiro &#8211; relembro &#8211; durante todo o segundo semestre de 1982. A estada me permitiu acompanhar de perto as hist\u00f3ricas elei\u00e7\u00f5es daquele ano, inclusive a de governador, vencida por Leonel Brizola, autor de frase (entre outras tantas) que se tornou c\u00e9lebre: \u201cO PT \u00e9 a UDN de macac\u00e3o.\u201d N\u00e3o \u00e9, contudo, sobre pol\u00edtica propriamente o assunto a ser referido. Apesar de eu ter vivenciado os anos de 1960 e de 1970 &#8211; o ingresso nessa d\u00e9cada j\u00e1 em despedida de minha adolesc\u00eancia -, este blog \u00a0no que me concerne tem procurado enveredar por outros temas, sobretudo a memorial\u00edstica. Atravesso a ponte deixando do lado de c\u00e1 o Pedro Nava para me encontrar, no lado de l\u00e1, com o Afonso Arinos de Melo Franco, um dos luminares da Uni\u00e3o Democr\u00e1tica Nacional. Partido extinto h\u00e1 d\u00e9cadas, a UDN era tida por elitista, curr\u00edculo de fomentadora do golpismo, filhotes espalhados por agremia\u00e7\u00f5es de hoje e nenhum deles com a cultura e o descortino vistos antigamente. Reponho na estante o \u201cAlma do tempo\u201d, muito evocado no in\u00edcio deste t\u00f3pico a caminho das tr\u00eas dezenas de lembran\u00e7as. Ato cont\u00ednuo, agarro \u201cA Escalada\u201d, o segundo tomo das mem\u00f3rias do brilhante chanceler oriundo das Minas Gerais como o Nava. \u201c(&#8230;) Torna-se para mim cada vez mais dificultoso falar desprevenidamente do solit\u00e1rio de Apipucos. Em geral, os escritores profissionais &#8211; e a ningu\u00e9m, como a Gilberto e Jorge Amado, cabe \u00easte t\u00edtulo, hoje, no Brasil &#8211; s\u00e3o mais tolerantes, diria mesmo mais compreensivos, para as refer\u00eancias que lhes sejam feitas, de boa f\u00e9 e sem \u00f3dio, do que o comum dos mortais. Com Gilberto, no entanto, isto n\u00e3o se d\u00e1. \u00c0 propor\u00e7\u00e3o que lhe chega a velhice e lhe cresce a gl\u00f3ria, torna-se cada vez mais perscrutador de inten\u00e7\u00f5es mal\u00e9volas, mais sensitivamente mago\u00e1vel (v\u00e1 l\u00e1 o barbarismo, na falta de palavra mais adequada), com qualquer reparo que se fa\u00e7a ao que escreve. \u201cEm tudo o que n\u00e3o \u00e9 louva\u00e7\u00e3o sem ja\u00e7a, Gilberto v\u00ea m\u00e1 vontade contra \u00eale, concorr\u00eancia, perf\u00eddia. Chego a supor que \u00easte \u00e9 um g\u00eanero que se comp\u00f5e por ignotos motivos de arranjo liter\u00e1rio, pois dif\u00edcil \u00e9 acreditar que uma intelig\u00eancia t\u00e3o aguda na observa\u00e7\u00e3o dos fatos e das personalidades se mostre a tal ponto incerta quando se refere a assuntos que lhe digam diretamente respeito.\u201d A alus\u00e3o\u00a0 ao Jorge Amado \u00e9 expl\u00edcita. 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