{"id":12953,"date":"2015-12-30T17:33:16","date_gmt":"2015-12-30T17:33:16","guid":{"rendered":"http:\/\/mapati.com.br\/blog\/?p=1212"},"modified":"2015-12-30T17:33:16","modified_gmt":"2015-12-30T17:33:16","slug":"memoriasmemorialistas-xxxi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/memoriasmemorialistas-xxxi\/","title":{"rendered":"Mem\u00f3rias\/Memorialistas (XXXI)"},"content":{"rendered":"<p>J\u00e1 havia me despedido do Pedro Nava. O reencontro estava previsto para dali a algumas semanas ou meses mesmo. N\u00e3o foi poss\u00edvel, admito. Irresist\u00edvel largar do p\u00e9 do memorialista sem primeiramente vermos o Major no elenco de nossas estrelas e cujo nome completo n\u00e3o iria pesquisar. Pensando bem, resultou necess\u00e1rio. Conclu\u00ed a pesquisa. Declinarei mais adiante como esse \u201cmilico\u201d esperto saiu da pia batismal e cujas aventuras (e desventuras) abordadas pela pena do escritor aconteceram em 1907, 1908. Estamos, pois, na m\u00e1quina do tempo que nos lan\u00e7a nos prim\u00f3rdios do s\u00e9culo XX, vale novamente frisar.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 90px;\"><span style=\"font-family: 'trebuchet ms', geneva, sans-serif;\"><em>\u201cConstruindo pontes sobre todos os rios. Esticando fios telegr\u00e1ficos <\/em>(nenhum dos meus pouqu\u00edssimos leitores e leitoras sabe o que \u00e9 C\u00f3digo Morse)<em> em todas as montanhas e em todos os vales daquele norte. Ligando seus distritos, comarcas, munic\u00edpios; trabalhando como ningu\u00e9m; colhendo amostras de rochas, sonhando com Eldorados e Golcondas, com minas e roteiros, diamantes do Abaet\u00e9, m\u00e3os cheias de turmalinas, pepitas, min\u00e9rios, sementes; com ferrovias, culturas, navios, frotas no S\u00e3o Francisco; com a recupera\u00e7\u00e3o das sesmarias do Halfeld. Providenciando, contando casos, conversando infatig\u00e1vel (de fatigar!); conhecido nas C\u00e2maras, nas fazendas, nas farm\u00e1cias, nos pousos; amigo dos ju\u00edzes, dos coron\u00e9is, dos chefes pol\u00edticos; estimado, querendo bem a toda gente, amando, dizem que povoando, fazendo suas quadrinhas, musa em f\u00e9rias, marido em f\u00e9rias, solto, solteiro em comiss\u00e3o, vi\u00favo interino.\u201d<\/em><\/span><\/p>\n<p>O Major Joaquim Jos\u00e9 Nogueira Jaguaribe, al\u00e9m de av\u00f4 do Nava, seria parente do Jaguar, um dos fundadores do <em>Pasquim<\/em> e atualmente um abst\u00eamio juramentado? Pouco importaria. O que nos vai prender a aten\u00e7\u00e3o \u00e9 uma outra curiosa faceta da personalidade do pe\u00e7a rara (ou n\u00e3o).<\/p>\n<p style=\"padding-left: 90px;\"><span style=\"font-family: 'trebuchet ms', geneva, sans-serif;\"><em>\u201cO Major nessa \u00e9poca era uma espl\u00eandida figura de macho. Peludo, magro, alto, desempenado, sempre de fraque escuro, bem cal\u00e7ado, meia cartola, escarolado, roupa branca esmaltada de goma, barba grisalha aberta ao meio, bigodarras de jaguar<\/em>(do felino mesmo, n\u00e3o as do cartunista acima referido, que n\u00e3o as tinha nem as tem)<em>, m\u00e3os tratadas, olhos largos e sorridentes, muita papa &#8211; n\u00e3o admirava sua extra\u00e7\u00e3o com as mulheres e a facilidade com que ele as cubultava <\/em>(eis a sensualidade, melhor dizendo, a sexualidade da l\u00edngua francesa) \u00a0<em>e comia por quanto lugar onde passasse. Tinha principalmente a habilidade prodigiosa de inspirar confian\u00e7a aos maridos e ficava logo \u00edntimo, comensal, h\u00f3spede dos cornos. Tendo tudo ali, a m\u00e3o, a tempo e a hora. Enquanto ele cantava em outras freguesias, minha av\u00f3 envelhecendo de raiva e despeito, levava vida her\u00f3ica em Juiz de Fora. Dotada de faro incomum para os neg\u00f3cios, econ\u00f4mica at\u00e9 \u00e0 avareza, com o pouco que recebia do marido&#8230;\u201d<\/em><\/span><\/p>\n<p>Paremos nesse trecho, a cena \u00e9 do Ricard\u00e3o. A av\u00f3 fica talvez para uma outra oportunidade.<\/p>\n<figure id=\"attachment_1213\" aria-describedby=\"caption-attachment-1213\" style=\"width: 364px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/2017.mapati.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/MM31.jpg\" rel=\"attachment wp-att-1213\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-1213\" src=\"http:\/\/2017.mapati.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/MM31.jpg\" alt=\"http:\/\/luminaria.blogs.sapo.pt\/tag\/bce\" width=\"364\" height=\"187\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-1213\" class=\"wp-caption-text\"><span style=\"font-size: 8pt;\">http:\/\/luminaria.blogs.sapo.pt\/tag\/bce<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">22 de outubro de 2015<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">(156)<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"color: #0000ff;\"><a style=\"color: #0000ff;\" href=\"mailto:mmsmarcos1953@hotmail.com\">mmsmarcos1953@hotmail.com<\/a><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>J\u00e1 havia me despedido do Pedro Nava. O reencontro estava previsto para dali a algumas semanas ou meses mesmo. N\u00e3o foi poss\u00edvel, admito. Irresist\u00edvel largar do p\u00e9 do memorialista sem primeiramente vermos o Major no elenco de nossas estrelas e cujo nome completo n\u00e3o iria pesquisar. Pensando bem, resultou necess\u00e1rio. Conclu\u00ed a pesquisa. Declinarei mais adiante como esse \u201cmilico\u201d esperto saiu da pia batismal e cujas aventuras (e desventuras) abordadas pela pena do escritor aconteceram em 1907, 1908. Estamos, pois, na m\u00e1quina do tempo que nos lan\u00e7a nos prim\u00f3rdios do s\u00e9culo XX, vale novamente frisar. \u201cConstruindo pontes sobre todos os rios. Esticando fios telegr\u00e1ficos (nenhum dos meus pouqu\u00edssimos leitores e leitoras sabe o que \u00e9 C\u00f3digo Morse) em todas as montanhas e em todos os vales daquele norte. Ligando seus distritos, comarcas, munic\u00edpios; trabalhando como ningu\u00e9m; colhendo amostras de rochas, sonhando com Eldorados e Golcondas, com minas e roteiros, diamantes do Abaet\u00e9, m\u00e3os cheias de turmalinas, pepitas, min\u00e9rios, sementes; com ferrovias, culturas, navios, frotas no S\u00e3o Francisco; com a recupera\u00e7\u00e3o das sesmarias do Halfeld. Providenciando, contando casos, conversando infatig\u00e1vel (de fatigar!); conhecido nas C\u00e2maras, nas fazendas, nas farm\u00e1cias, nos pousos; amigo dos ju\u00edzes, dos coron\u00e9is, dos chefes pol\u00edticos; estimado, querendo bem a toda gente, amando, dizem que povoando, fazendo suas quadrinhas, musa em f\u00e9rias, marido em f\u00e9rias, solto, solteiro em comiss\u00e3o, vi\u00favo interino.\u201d O Major Joaquim Jos\u00e9 Nogueira Jaguaribe, al\u00e9m de av\u00f4 do Nava, seria parente do Jaguar, um dos fundadores do Pasquim e atualmente um abst\u00eamio juramentado? Pouco importaria. O que nos vai prender a aten\u00e7\u00e3o \u00e9 uma outra curiosa faceta da personalidade do pe\u00e7a rara (ou n\u00e3o). \u201cO Major nessa \u00e9poca era uma espl\u00eandida figura de macho. Peludo, magro, alto, desempenado, sempre de fraque escuro, bem cal\u00e7ado, meia cartola, escarolado, roupa branca esmaltada de goma, barba grisalha aberta ao meio, bigodarras de jaguar(do felino mesmo, n\u00e3o as do cartunista acima referido, que n\u00e3o as tinha nem as tem), m\u00e3os tratadas, olhos largos e sorridentes, muita papa &#8211; n\u00e3o admirava sua extra\u00e7\u00e3o com as mulheres e a facilidade com que ele as cubultava (eis a sensualidade, melhor dizendo, a sexualidade da l\u00edngua francesa) \u00a0e comia por quanto lugar onde passasse. Tinha principalmente a habilidade prodigiosa de inspirar confian\u00e7a aos maridos e ficava logo \u00edntimo, comensal, h\u00f3spede dos cornos. Tendo tudo ali, a m\u00e3o, a tempo e a hora. Enquanto ele cantava em outras freguesias, minha av\u00f3 envelhecendo de raiva e despeito, levava vida her\u00f3ica em Juiz de Fora. Dotada de faro incomum para os neg\u00f3cios, econ\u00f4mica at\u00e9 \u00e0 avareza, com o pouco que recebia do marido&#8230;\u201d Paremos nesse trecho, a cena \u00e9 do Ricard\u00e3o. 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