{"id":12961,"date":"2016-01-28T23:06:22","date_gmt":"2016-01-28T23:06:22","guid":{"rendered":"http:\/\/mapati.com.br\/blog\/?p=1314"},"modified":"2016-01-28T23:06:22","modified_gmt":"2016-01-28T23:06:22","slug":"memoriasmemorialistas-xxxiv","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/memoriasmemorialistas-xxxiv\/","title":{"rendered":"Mem\u00f3rias\/Memorialistas (XXXIV)"},"content":{"rendered":"<p style=\"padding-left: 90px;\"><span style=\"font-family: 'trebuchet ms', geneva, sans-serif;\"><em>\u201c&#8230; Voc\u00ea diz as coisas pelos nomes exatos, n\u00e3o por cincunl\u00f3quios. N\u00e3o enfeita a realidade. Tanto o homem perseguido de 1932 como o garoto da Fran\u00e7a se manifestam com uma for\u00e7a existencial e uma dimens\u00e3o humana que seduzem a gente. Que bela, sofrida, generosa e criativa par\u00e1bola se desenvolve ao longo de sua vida, de que estas p\u00e1ginas nos d\u00e3o um come\u00e7o de painel! Pouco importa que a incompreens\u00e3o e os interesses mesquinhos de grupos lhe barrem o\u00a0 caminho. Voc\u00ea \u00e9 uma das riquezas maiores do nosso pa\u00eds, pela dignidade, pelo esp\u00edrito p\u00fablico&#8230;\u201d<br \/>\n(Carlos Durmmond de Andrade)<\/em><\/span><\/p>\n<p>Deixei o Paulo Duarte um pouco exilado nesses \u00faltimos meses. Uma heresia abandonar intelectual desse quilate, cujas mem\u00f3rias foram lavradas quando ele ultrapassara em muito a casa dos 70 anos de idade.<\/p>\n<p>Voltei ao segundo volume, sa\u00eddo do prelo h\u00e1 mais de quatro d\u00e9cadas e j\u00e1 reportado aqui com casos pitorescos: \u201cA Intelig\u00eancia da fome\u201d, aberto por via da mensagem em ep\u00edgrafe.<\/p>\n<p>O memorialista saudado pelo poeta narra, no in\u00edcio desse livro, epis\u00f3dios de sua vida como residente em Paris a partir do come\u00e7o dos anos de 1930, portanto mais de oito d\u00e9cadas atr\u00e1s. E o que lemos nos diminui &#8211; a n\u00f3s, os brasileiros &#8211; como povo, como na\u00e7\u00e3o, mesmo n\u00e3o sendo esse porventura o intuito do homem travestido de analista pol\u00edtico arguto. Desestimulante saber-se que a crise de nossas institui\u00e7\u00f5es atualmente, no que tem de similitude com a dos franceses na \u00e9poca remota, era por eles enfrentada n\u00e3o com bonomia, evidentemente, sen\u00e3o que com sabedoria e descortino.<\/p>\n<p>Prestemos aten\u00e7\u00e3o no que articulado pelo professor Paulo Duarte no contexto hist\u00f3rico determinado:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 90px;\"><span style=\"font-family: 'trebuchet ms', geneva, sans-serif;\"><em>\u201c&#8230; agita\u00e7\u00e3o pol\u00edtica em Paris n\u00e3o era a mesma coisa que no Brasil ou mesmo em S\u00e3o Paulo e no Rio de Janeiro. N\u00e3o interessa os quart\u00e9is&#8230;;\u201d<\/em><\/span><\/p>\n<p>Aqui, uma pausa para frisar que cerca de trinta anos depois, em 1964, interessou. Mas isso em nada empana o brilho da abordagem sociol\u00f3gica feita pelo arque\u00f3logo.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 90px;\"><span style=\"font-family: 'trebuchet ms', geneva, sans-serif;\"><em>\u201c&#8230;a inquieta\u00e7\u00e3o p\u00fablica \u00e9 toda diferente; as fam\u00edlias n\u00e3o se desassossegam receosas de uma perturba\u00e7\u00e3o da ordem, ao pren\u00fancio de uma revolu\u00e7\u00e3o prestes a estalar. A agita\u00e7\u00e3o pol\u00edtica em Paris \u00e9 o interesse que merecem ao povo os debates parlamentares de qualquer projeto, cuja aplica\u00e7\u00e3o em lei toque diretamente a popula\u00e7\u00e3o. Por isso, aqui, em lugar das for\u00e7as federais, \u00e9 apenas a guarda civil que fica de prontid\u00e3o para evitar qualquer dist\u00farbio, garantir o direito de reuni\u00e3o ou a palavra a qualquer orador, que teime discursar mesmo com toda assist\u00eancia contra. (&#8230;) aquelas agita\u00e7\u00f5es aqui em vez de cavalaria nas ruas ou ondas de sangue nos campos de luta, provoca apenas o derrame de discursos ou de rios de tinta pelas colunas dos diversos \u00f3rg\u00e3os da opini\u00e3o p\u00fablica. Palavras e opini\u00f5es sempre ouvidas e lidas com respeito pelos orientadores do poder.\u201d<\/em><\/span><\/p>\n<p>De igual sorte, abstraiamos o maio de 1968, bem assim o pavoroso e recidivo terrorismo com seus atentados fatais, virtualmente de origem externa, distante das fronteiras francesas, apesar de muitos nacionais envolvidos: \u00e9 dif\u00edcil imaginar que, em S\u00e3o Paulo e no Rio de janeiro, conjuntamente ou n\u00e3o, eventuais grupos de manifestantes brasileiros organizados em com\u00edcios ou passeatas possam ser monitorados e contidos nos seus excessos pela guarda municipal das duas metr\u00f3poles brasileiras? Obviamente que n\u00e3o. Sobra-nos a indefect\u00edvel brutalidade com que n\u00e3o raro as duas pol\u00edcias militares conduzem suas a\u00e7\u00f5es preventivas e repressivas.<\/p>\n<figure id=\"attachment_1317\" aria-describedby=\"caption-attachment-1317\" style=\"width: 345px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/2017.mapati.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/Paulo-Duarte_168.jpg\" rel=\"attachment wp-att-1317\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-1317\" src=\"http:\/\/2017.mapati.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/Paulo-Duarte_168.jpg\" alt=\"http:\/\/www.lapvirtual.org\/paulo-duarte.html\" width=\"345\" height=\"464\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-1317\" class=\"wp-caption-text\">http:\/\/www.lapvirtual.org\/paulo-duarte.html<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">28 de janeiro de 2016<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">(168)<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"color: #0000ff;\"><a style=\"color: #0000ff;\" href=\"mailto:mmsmarcos1953@hotmail.com\">mmsmarcos1953@hotmail.com<\/a><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201c&#8230; Voc\u00ea diz as coisas pelos nomes exatos, n\u00e3o por cincunl\u00f3quios. N\u00e3o enfeita a realidade. Tanto o homem perseguido de 1932 como o garoto da Fran\u00e7a se manifestam com uma for\u00e7a existencial e uma dimens\u00e3o humana que seduzem a gente. Que bela, sofrida, generosa e criativa par\u00e1bola se desenvolve ao longo de sua vida, de que estas p\u00e1ginas nos d\u00e3o um come\u00e7o de painel! Pouco importa que a incompreens\u00e3o e os interesses mesquinhos de grupos lhe barrem o\u00a0 caminho. Voc\u00ea \u00e9 uma das riquezas maiores do nosso pa\u00eds, pela dignidade, pelo esp\u00edrito p\u00fablico&#8230;\u201d (Carlos Durmmond de Andrade) Deixei o Paulo Duarte um pouco exilado nesses \u00faltimos meses. Uma heresia abandonar intelectual desse quilate, cujas mem\u00f3rias foram lavradas quando ele ultrapassara em muito a casa dos 70 anos de idade. Voltei ao segundo volume, sa\u00eddo do prelo h\u00e1 mais de quatro d\u00e9cadas e j\u00e1 reportado aqui com casos pitorescos: \u201cA Intelig\u00eancia da fome\u201d, aberto por via da mensagem em ep\u00edgrafe. O memorialista saudado pelo poeta narra, no in\u00edcio desse livro, epis\u00f3dios de sua vida como residente em Paris a partir do come\u00e7o dos anos de 1930, portanto mais de oito d\u00e9cadas atr\u00e1s. E o que lemos nos diminui &#8211; a n\u00f3s, os brasileiros &#8211; como povo, como na\u00e7\u00e3o, mesmo n\u00e3o sendo esse porventura o intuito do homem travestido de analista pol\u00edtico arguto. Desestimulante saber-se que a crise de nossas institui\u00e7\u00f5es atualmente, no que tem de similitude com a dos franceses na \u00e9poca remota, era por eles enfrentada n\u00e3o com bonomia, evidentemente, sen\u00e3o que com sabedoria e descortino. Prestemos aten\u00e7\u00e3o no que articulado pelo professor Paulo Duarte no contexto hist\u00f3rico determinado: \u201c&#8230; agita\u00e7\u00e3o pol\u00edtica em Paris n\u00e3o era a mesma coisa que no Brasil ou mesmo em S\u00e3o Paulo e no Rio de Janeiro. N\u00e3o interessa os quart\u00e9is&#8230;;\u201d Aqui, uma pausa para frisar que cerca de trinta anos depois, em 1964, interessou. Mas isso em nada empana o brilho da abordagem sociol\u00f3gica feita pelo arque\u00f3logo. \u201c&#8230;a inquieta\u00e7\u00e3o p\u00fablica \u00e9 toda diferente; as fam\u00edlias n\u00e3o se desassossegam receosas de uma perturba\u00e7\u00e3o da ordem, ao pren\u00fancio de uma revolu\u00e7\u00e3o prestes a estalar. A agita\u00e7\u00e3o pol\u00edtica em Paris \u00e9 o interesse que merecem ao povo os debates parlamentares de qualquer projeto, cuja aplica\u00e7\u00e3o em lei toque diretamente a popula\u00e7\u00e3o. Por isso, aqui, em lugar das for\u00e7as federais, \u00e9 apenas a guarda civil que fica de prontid\u00e3o para evitar qualquer dist\u00farbio, garantir o direito de reuni\u00e3o ou a palavra a qualquer orador, que teime discursar mesmo com toda assist\u00eancia contra. (&#8230;) aquelas agita\u00e7\u00f5es aqui em vez de cavalaria nas ruas ou ondas de sangue nos campos de luta, provoca apenas o derrame de discursos ou de rios de tinta pelas colunas dos diversos \u00f3rg\u00e3os da opini\u00e3o p\u00fablica. Palavras e opini\u00f5es sempre ouvidas e lidas com respeito pelos orientadores do poder.\u201d De igual sorte, abstraiamos o maio de 1968, bem assim o pavoroso e recidivo terrorismo com seus atentados fatais, virtualmente de origem externa, distante das fronteiras francesas, apesar de muitos nacionais envolvidos: \u00e9 dif\u00edcil imaginar que, em S\u00e3o Paulo e no Rio de janeiro, conjuntamente ou n\u00e3o, eventuais grupos de manifestantes brasileiros organizados em com\u00edcios ou passeatas possam ser monitorados e contidos nos seus excessos pela guarda municipal das duas metr\u00f3poles brasileiras? Obviamente que n\u00e3o. Sobra-nos a indefect\u00edvel brutalidade com que n\u00e3o raro as duas pol\u00edcias militares conduzem suas a\u00e7\u00f5es preventivas e repressivas. &nbsp; 28 de janeiro de 2016 (168) mmsmarcos1953@hotmail.com<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-12961","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12961","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12961"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12961\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12961"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12961"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12961"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}