{"id":12964,"date":"2016-02-28T23:59:07","date_gmt":"2016-02-28T23:59:07","guid":{"rendered":"http:\/\/mapati.com.br\/blog\/?p=1355"},"modified":"2016-02-28T23:59:07","modified_gmt":"2016-02-28T23:59:07","slug":"memoriasmemorialistas-xxxvii","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/memoriasmemorialistas-xxxvii\/","title":{"rendered":"Mem\u00f3rias\/Memorialistas (XXXVII)"},"content":{"rendered":"<p style=\"padding-left: 90px;\"><span style=\"font-family: 'trebuchet ms', geneva, sans-serif;\"><em>Thomas Mann, que se tornou meu amigo, julgando-me um compatriota por ser descendente de m\u00e3i brasileira. Conheci-o em Paris, em 1933. Encontramo-nos novamente em Denver, Estados Unidos, em 1940. Foi ass\u00edduo colaborador de\u00a0<\/em>Anhembi<em>, sendo os seus\u00a0 artigos traduzidos do alem\u00e3o por Henrique da Rocha Lima, o grande biologista brasileiro, descobridor do agente transmissor do tifo exantem\u00e1tico. Essas tradu\u00e7\u00f5es fizeram amigos o grande bi\u00f3logo e o grande escritor.<\/em> (Paulo Duarte)<\/span><\/p>\n<p>Desconsideremos minha inveja do Paulo Duarte e do Henrique da Rocha Lima, amigos nada mais, nada menos do Thomas Mann, a quem invejo tamb\u00e9m pela mesma raz\u00e3o, ser amigo daqueles dois. Ali\u00e1s, vivo fosse o bi\u00f3logo, j\u00e1 teria descoberto uma f\u00f3rmula de exterminar o mosquito da dengue que atazana o pa\u00eds inteiro, mormente as regi\u00f5es mais desfavorecidas de saneamento.<\/p>\n<p>\u00c9 comum,\u00a0 muito comum a fic\u00e7\u00e3o lidar com viagens no tempo. As ondas gravitacionais (o cara chamado Einstein fez a descoberta h\u00e1 cem anos!) perpassam obras da literatura, do cinema, do teatro e at\u00e9 das artes pl\u00e1sticas. Na s\u00e9tima arte, divisamos pessoas do aqui e agora lan\u00e7adas no passado remot\u00edssimo ou em ambientes do futuro inimagin\u00e1vel, onde de in\u00edcio sofrem um certo e previs\u00edvel estranhamento.<\/p>\n<p>O que aconteceria com o nosso memorialista estivesse ele ainda entre n\u00f3s? Qual seria a opini\u00e3o dele quanto ao sexo escancarado bombando (sem trocadilho) nos lugares os mais improv\u00e1veis? Se continuarmos na trilha do volume 2, \u201cA intelig\u00eancia da fome\u201d, iremos saber.<\/p>\n<figure id=\"attachment_1356\" aria-describedby=\"caption-attachment-1356\" style=\"width: 428px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/2017.mapati.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/174_mulher.jpg\" rel=\"attachment wp-att-1356\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-1356\" src=\"http:\/\/2017.mapati.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/174_mulher.jpg\" alt=\"http:\/\/www.visipix.com\/cgi-bin\/view?s=5&amp;userid=1009871801&amp;q=mulher&amp;u=2&amp;k=0&amp;l=pr&amp;n=29\" width=\"428\" height=\"567\" srcset=\"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/174_mulher.jpg 379w, https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/174_mulher-226x300.jpg 226w, https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/174_mulher-200x265.jpg 200w\" sizes=\"(max-width: 428px) 100vw, 428px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-1356\" class=\"wp-caption-text\"><span style=\"font-size: 8pt;\">http:\/\/www.visipix.com\/cgi-bin\/view?s=5&amp;userid=1009871801&amp;q=mulher&amp;u=2&amp;k=0&amp;l=pr&amp;n=29<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"padding-left: 90px;\"><span style=\"font-family: 'trebuchet ms', geneva, sans-serif;\"><em>\u201c(&#8230;) \u00c9 que sempre tive uma certa repugn\u00e2ncia em falar de quest\u00f5es sexuais. Eram, para mim, assuntos discretos que n\u00e3o deviam ser tratados em p\u00fablico. Jamais aprendi a xingar direito com palavr\u00e3o e, quando meus colegas se juntavam para cochichar sobre certos segredinhos, dos quais se iam inteirando, eu me conservava discretamente, ouvia-os, embora nunca me manifestasse. No fundo o sexo era uma coisa indecente e era melhor deix\u00e1-lo de lado. Havia tido na Fran\u00e7a diversas namoradas, mas um sentimento gostoso, completamente alheio ao sexo, pelo menos pensava eu. S\u00f3 uma vez me aproximei mais, de uma delas, aquela pequena e linda italianinha que, por cima de um muro, conversou comigo, agarrada a uma das minhas m\u00e3os. Depois que ela foi embora para a It\u00e1lia, algumas outras meninas corresponderam \u00e0 minha admira\u00e7\u00e3o sempre afastadas, mas tudo plat\u00f4nico, sem mal\u00edcia, embora eu sonhasse viver ao lado de cada uma delas. Senti, entretanto, ao saber, tempos depois, da morte de Laureta, em N\u00e1poles. Como fiquei triste!\u201d<\/em><\/span><\/p>\n<p>J\u00e1 \u00e9 fact\u00edvel deduzir o que pensaria o Paulo Duarte do poliamor, das assumidas rela\u00e7\u00f5es homoafetivas. Pode-se asseverar que o homem n\u00e3o ouviria com naturalidade os palavr\u00f5es ditos pelos personagens at\u00e9 das novelas das 6. (A prop\u00f3sito, um dos meus traumas da pr\u00e9-adolesc\u00eancia se materializou quando, final dos anos de 1960, fui severamente censurado pelos meus pais ao ter empregado, de forma inocente, o termo \u201cbabaca\u201d para me referir a um colega meu).<\/p>\n<p>Ao admitir seu retraimento comportamental, o autor deixa escapar observa\u00e7\u00e3o sobre o racismo do pai, atitude sem embargo corriqueira no seio de quase todas as fam\u00edlias da classe m\u00e9dia e da classe alta durante as primeiras d\u00e9cadas do s\u00e9culo XX.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 90px;\"><span style=\"font-family: 'trebuchet ms', geneva, sans-serif;\"><em>\u201c(&#8230;) Contribu\u00eda para essa timidez, o fato de raramente chamar aten\u00e7\u00e3o de uma menina. N\u00e3o sei se pelo meu desleixo no vestir (n\u00e3o era \u00e0-toa que meu Pai me repreendia dizendo ser pior do que um negrinho de fazenda e me humilhava comparando com o filho do Marconi, dono do hotel ao lado do S. Rafael que vivia sempre direitinho e limpo) ou por causa de minha magreza exagerada, ou mesmo pela minha cara, o fato \u00e9 que, em geral, as meninas mais bonitas n\u00e3o me davam confian\u00e7a. Isso me tornou arredio, porque o medo do rid\u00edculo inato em mim, me tornava, na apar\u00eancia, indiferente e at\u00e9 agressivo com elas. E o pior, \u00e9 que, pela vida afora, eu nunca me tornei agressivo com as mulheres. Todas as minhas aventuras custaram-me um esfor\u00e7o tremendo para vencer o meu acanhamento.\u201d<\/em><\/span><\/p>\n<p>No tocante a idiossincrasias outras do arque\u00f3logo exilado em Paris, relativas a cheiros, fedentinas, odores do corpo humano, cuido que eu as devia ter inserido nos t\u00f3picos \u201cO perfume\u201d, alinhavados neste <em>blog<\/em>\u00a0 h\u00e1 mais de ano e meio.<\/p>\n<p>De todo modo, sigam mais um pouco comigo e voc\u00eas haver\u00e3o de concordar em que n\u00e3o se perdeu o momento de traz\u00ea-las \u00e0 luz.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">28 de fevereiro de 2016<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">(174)<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"color: #0000ff;\"><a style=\"color: #0000ff;\" href=\"mailto:mmsmarcos1953@hotmail.com\">mmsmarcos1953@hotmail.com<\/a><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Thomas Mann, que se tornou meu amigo, julgando-me um compatriota por ser descendente de m\u00e3i brasileira. Conheci-o em Paris, em 1933. Encontramo-nos novamente em Denver, Estados Unidos, em 1940. Foi ass\u00edduo colaborador de\u00a0Anhembi, sendo os seus\u00a0 artigos traduzidos do alem\u00e3o por Henrique da Rocha Lima, o grande biologista brasileiro, descobridor do agente transmissor do tifo exantem\u00e1tico. Essas tradu\u00e7\u00f5es fizeram amigos o grande bi\u00f3logo e o grande escritor. (Paulo Duarte) Desconsideremos minha inveja do Paulo Duarte e do Henrique da Rocha Lima, amigos nada mais, nada menos do Thomas Mann, a quem invejo tamb\u00e9m pela mesma raz\u00e3o, ser amigo daqueles dois. Ali\u00e1s, vivo fosse o bi\u00f3logo, j\u00e1 teria descoberto uma f\u00f3rmula de exterminar o mosquito da dengue que atazana o pa\u00eds inteiro, mormente as regi\u00f5es mais desfavorecidas de saneamento. \u00c9 comum,\u00a0 muito comum a fic\u00e7\u00e3o lidar com viagens no tempo. As ondas gravitacionais (o cara chamado Einstein fez a descoberta h\u00e1 cem anos!) perpassam obras da literatura, do cinema, do teatro e at\u00e9 das artes pl\u00e1sticas. Na s\u00e9tima arte, divisamos pessoas do aqui e agora lan\u00e7adas no passado remot\u00edssimo ou em ambientes do futuro inimagin\u00e1vel, onde de in\u00edcio sofrem um certo e previs\u00edvel estranhamento. O que aconteceria com o nosso memorialista estivesse ele ainda entre n\u00f3s? Qual seria a opini\u00e3o dele quanto ao sexo escancarado bombando (sem trocadilho) nos lugares os mais improv\u00e1veis? Se continuarmos na trilha do volume 2, \u201cA intelig\u00eancia da fome\u201d, iremos saber. \u201c(&#8230;) \u00c9 que sempre tive uma certa repugn\u00e2ncia em falar de quest\u00f5es sexuais. Eram, para mim, assuntos discretos que n\u00e3o deviam ser tratados em p\u00fablico. Jamais aprendi a xingar direito com palavr\u00e3o e, quando meus colegas se juntavam para cochichar sobre certos segredinhos, dos quais se iam inteirando, eu me conservava discretamente, ouvia-os, embora nunca me manifestasse. No fundo o sexo era uma coisa indecente e era melhor deix\u00e1-lo de lado. Havia tido na Fran\u00e7a diversas namoradas, mas um sentimento gostoso, completamente alheio ao sexo, pelo menos pensava eu. S\u00f3 uma vez me aproximei mais, de uma delas, aquela pequena e linda italianinha que, por cima de um muro, conversou comigo, agarrada a uma das minhas m\u00e3os. Depois que ela foi embora para a It\u00e1lia, algumas outras meninas corresponderam \u00e0 minha admira\u00e7\u00e3o sempre afastadas, mas tudo plat\u00f4nico, sem mal\u00edcia, embora eu sonhasse viver ao lado de cada uma delas. Senti, entretanto, ao saber, tempos depois, da morte de Laureta, em N\u00e1poles. Como fiquei triste!\u201d J\u00e1 \u00e9 fact\u00edvel deduzir o que pensaria o Paulo Duarte do poliamor, das assumidas rela\u00e7\u00f5es homoafetivas. Pode-se asseverar que o homem n\u00e3o ouviria com naturalidade os palavr\u00f5es ditos pelos personagens at\u00e9 das novelas das 6. (A prop\u00f3sito, um dos meus traumas da pr\u00e9-adolesc\u00eancia se materializou quando, final dos anos de 1960, fui severamente censurado pelos meus pais ao ter empregado, de forma inocente, o termo \u201cbabaca\u201d para me referir a um colega meu). Ao admitir seu retraimento comportamental, o autor deixa escapar observa\u00e7\u00e3o sobre o racismo do pai, atitude sem embargo corriqueira no seio de quase todas as fam\u00edlias da classe m\u00e9dia e da classe alta durante as primeiras d\u00e9cadas do s\u00e9culo XX. \u201c(&#8230;) Contribu\u00eda para essa timidez, o fato de raramente chamar aten\u00e7\u00e3o de uma menina. N\u00e3o sei se pelo meu desleixo no vestir (n\u00e3o era \u00e0-toa que meu Pai me repreendia dizendo ser pior do que um negrinho de fazenda e me humilhava comparando com o filho do Marconi, dono do hotel ao lado do S. Rafael que vivia sempre direitinho e limpo) ou por causa de minha magreza exagerada, ou mesmo pela minha cara, o fato \u00e9 que, em geral, as meninas mais bonitas n\u00e3o me davam confian\u00e7a. Isso me tornou arredio, porque o medo do rid\u00edculo inato em mim, me tornava, na apar\u00eancia, indiferente e at\u00e9 agressivo com elas. E o pior, \u00e9 que, pela vida afora, eu nunca me tornei agressivo com as mulheres. Todas as minhas aventuras custaram-me um esfor\u00e7o tremendo para vencer o meu acanhamento.\u201d No tocante a idiossincrasias outras do arque\u00f3logo exilado em Paris, relativas a cheiros, fedentinas, odores do corpo humano, cuido que eu as devia ter inserido nos t\u00f3picos \u201cO perfume\u201d, alinhavados neste blog\u00a0 h\u00e1 mais de ano e meio. De todo modo, sigam mais um pouco comigo e voc\u00eas haver\u00e3o de concordar em que n\u00e3o se perdeu o momento de traz\u00ea-las \u00e0 luz. &nbsp; 28 de fevereiro de 2016 (174) mmsmarcos1953@hotmail.com<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-12964","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12964","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12964"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12964\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12964"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12964"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12964"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}