{"id":12966,"date":"2016-04-26T11:27:55","date_gmt":"2016-04-26T11:27:55","guid":{"rendered":"http:\/\/mapati.com.br\/blog\/?p=1448"},"modified":"2016-04-26T11:27:55","modified_gmt":"2016-04-26T11:27:55","slug":"memoriasmemorialistas-xliv","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/memoriasmemorialistas-xliv\/","title":{"rendered":"Mem\u00f3rias\/Memorialistas (XLIV)\u00a0\u00a0\u00a0"},"content":{"rendered":"<p>O m\u00eas de abril est\u00e1 indo embora e com ele o anivers\u00e1rio dos 56 anos de funda\u00e7\u00e3o da cidade ligada \u00e0 est\u00e9tica.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 90px;\"><span style=\"font-family: 'trebuchet ms', geneva, sans-serif;\"><em>\u201cO modernismo da escola Pampulha-Bras\u00edlia tem ra\u00edzes alien\u00edgenas, sobretudo as que buscam<\/em><\/span><span style=\"font-family: 'trebuchet ms', geneva, sans-serif;\"><em> e a arquitetura alem\u00e3 posterior \u00e0 Primeira Grande Guerra. Sem d\u00favida os mestres brasileiros, como L\u00facio Costa ou Niemeyer, introduziram-lhe forte conte\u00fado original, embora n\u00e3o pr\u00f2priamente nacional. Podemos, mesmo, admitir que aquela gera\u00e7\u00e3o, ou aqu\u00eale grupo de arquitetos patr\u00edcios, pelos dois nomes consagrados, afirmou um estilo pr\u00f3prio, at\u00e9 certo ponto liberto das origens, ao extrair e desenvolver, dos modelos europeus, novas possibilidades de leveza pl\u00e1stica e aplica\u00e7\u00e3o de materiais. Percorrendo o caminho que vai da Pampulha a Bras\u00edlia sentimos, na transpar\u00eancia dos vidros, na esbelteza solene dos planos verticais (Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o, Pal\u00e1cio de Arte Moderna, Pal\u00e1cio do Planalto), a afirma\u00e7\u00e3o progressiva de um estilo criado por uma equipe superior. Mas sentimos, tamb\u00e9m, que \u00easse estilo era mais d\u00eale, do grupo, do que nosso, do Brasil. Ou seja, era mais a conquista internacional de uma pl\u00eaiade de arquitetos brasileiros, do que a interpreta\u00e7\u00e3o atual, feita por ela, dos val\u00f4res nacionais.\u201d<\/em><\/span><\/p>\n<p>Feitas pelo Afonso Arinos no long\u00ednquo Natal de 1965, essas observa\u00e7\u00f5es nos remetem \u00e0 ideia de uma Bras\u00edlia de forma estrangeirada mas paradoxalmente genu\u00edna. Sa\u00edmos convencidos de que a dupla infernalmente sedutora se valeu das fontes externas, num patente decalcar que entretanto n\u00e3o nos deixou recalcados. At\u00e9 pelo contr\u00e1rio.<\/p>\n<p>Portanto, pelo que se l\u00ea em <em>Planalto<\/em> &#8211; obra que, em aditamento \u00e0 postagem anterior, principiamos a explorar \u2013, os dois arquitetos formid\u00e1veis \u00a0como que repisaram o manifesto antropof\u00e1gico.<\/p>\n<p>Fala o memorialista de nosso banzo ao reportar as fei\u00e7\u00f5es da moradia presidencial, um templo a demarcar a neo arquitetura, revisitada por n\u00f3s agora, transcorridos mais de cinquenta anos.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 90px;\"><span style=\"font-family: 'trebuchet ms', geneva, sans-serif;\"><em>\u201cA partir do Pal\u00e1cio da Alvorada, cria\u00e7\u00e3o gentil de Niemeyer, revela\u00e7\u00e3o e reencontro, surpr\u00easa e costume, provoca\u00e7\u00e3o de sonho e saudade da casa-grande, ardendo em tons verdes como esmeraldas noturnas, come\u00e7ou a fus\u00e3o das formas tradicionais brasileiras \u2013 que correspondem tamb\u00e9m ao sentido da nossa evolu\u00e7\u00e3o \u2013 com as possibilidades expressionistas da nova arquitetura.\u201d<\/em><\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_1457\" aria-describedby=\"caption-attachment-1457\" style=\"width: 987px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-1457\" src=\"http:\/\/2017.mapati.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/184_alvorada_luizneto.png\" alt=\"http:\/\/www.brasil.gov.br\/governo\/2010\/03\/copy_of_palacio-da-alvorada\/ArPDF_As_Iaras_Palacio_da_Alvorada_Brasilia_DF_23_6_09_Foto_Luiz_Neto--15-_AMPLIADA.jpg\" width=\"987\" height=\"649\" srcset=\"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/184_alvorada_luizneto.png 987w, https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/184_alvorada_luizneto-300x197.png 300w, https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/184_alvorada_luizneto-768x505.png 768w, https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/184_alvorada_luizneto-200x132.png 200w, https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/184_alvorada_luizneto-400x263.png 400w, https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/184_alvorada_luizneto-600x395.png 600w, https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/184_alvorada_luizneto-800x526.png 800w\" sizes=\"(max-width: 987px) 100vw, 987px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1457\" class=\"wp-caption-text\"><span style=\"font-size: 8pt;\">http:\/\/www.brasil.gov.br\/governo\/2010\/03\/copy_of_palacio-da-alvorada\/ArPDF_As_Iaras_Palacio_da_Alvorada_Brasilia_DF_23_6_09_Foto_Luiz_Neto&#8211;15-_AMPLIADA.jpg<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>H\u00e1 a macroeconomia e a microeconomia; eu me permito dizer que existem tamb\u00e9m a macroarquitetura e a microarquitetura. Na travessia do geral para o particular, o escritor das Minas Gerais fecha seus coment\u00e1rios atacando a macaquice das imita\u00e7\u00f5es e ressaltando, em linguagem po\u00e9tica, o papel do vidro na composi\u00e7\u00e3o arquitet\u00f4nica do lar ideal da classe m\u00e9dia.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 90px;\"><span style=\"font-family: 'trebuchet ms', geneva, sans-serif;\"><em>\u201cNo plano modesto das habita\u00e7\u00f5es familiares de custo m\u00e9dio, a casa que Niemeyer f\u00eaz para si mesmo, em Bras\u00edlia, e esta que S\u00e9rgio P\u00f4rto planejou para mim, nas encostas da Vestf\u00e1lia, representam bem o que acabo de sugerir.<\/em><\/span><\/p>\n<p style=\"padding-left: 90px;\"><span style=\"font-family: 'trebuchet ms', geneva, sans-serif;\"><em>\u201cPara come\u00e7ar, o jeit\u00e3o luso-brasileiro delas n\u00e3o tem nada a ver com a mistifica\u00e7\u00e3o do chamado \u2018estilo colonial\u2019, que foi a horrenda moda de h\u00e1 alguns lustros, moda que se revelava principalmente nos pormenores posti\u00e7os, nos falsos muxarabi\u00eas, nas telas arrebitadas \u00e0 chinesa, nas janelas-postigos, nos nichos, colunatas e outras moedas falsas do g\u00f4sto. O jeit\u00e3o a que me refiro prov\u00e9m de outras afinidades, mais das massas que dos pormenores, mais sentidas que vistas. Um ambiente em que se equilibram as entradas de luz e prote\u00e7\u00f5es de sombra; uma cad\u00eancia fluente e l\u00edmpida das formas e espa\u00e7os, com a restitui\u00e7\u00e3o do vidro \u00e0s suas fun\u00e7\u00f5es, e a chamada das paredes opacas para ocupar as que lhes cabem, de maneira a gerar familiaridade recatada e hospitalidade desimpedida, mas n\u00e3o promiscuidade exibida; uma lembran\u00e7a leve, terna, mas n\u00e3o chorosa, do que foi a vida da fam\u00edlia brasileira, dentro das imposi\u00e7\u00f5es e necessidades do que \u00e9 hoje.\u201d<\/em><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">26 de abril de 2016<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">(184)<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"color: #0000ff;\"><a style=\"color: #0000ff;\" href=\"mailto:mmsmarcos1953@hotmail.com\">mmsmarcos1953@hotmail.com<\/a><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O m\u00eas de abril est\u00e1 indo embora e com ele o anivers\u00e1rio dos 56 anos de funda\u00e7\u00e3o da cidade ligada \u00e0 est\u00e9tica. \u201cO modernismo da escola Pampulha-Bras\u00edlia tem ra\u00edzes alien\u00edgenas, sobretudo as que buscam e a arquitetura alem\u00e3 posterior \u00e0 Primeira Grande Guerra. Sem d\u00favida os mestres brasileiros, como L\u00facio Costa ou Niemeyer, introduziram-lhe forte conte\u00fado original, embora n\u00e3o pr\u00f2priamente nacional. Podemos, mesmo, admitir que aquela gera\u00e7\u00e3o, ou aqu\u00eale grupo de arquitetos patr\u00edcios, pelos dois nomes consagrados, afirmou um estilo pr\u00f3prio, at\u00e9 certo ponto liberto das origens, ao extrair e desenvolver, dos modelos europeus, novas possibilidades de leveza pl\u00e1stica e aplica\u00e7\u00e3o de materiais. Percorrendo o caminho que vai da Pampulha a Bras\u00edlia sentimos, na transpar\u00eancia dos vidros, na esbelteza solene dos planos verticais (Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o, Pal\u00e1cio de Arte Moderna, Pal\u00e1cio do Planalto), a afirma\u00e7\u00e3o progressiva de um estilo criado por uma equipe superior. Mas sentimos, tamb\u00e9m, que \u00easse estilo era mais d\u00eale, do grupo, do que nosso, do Brasil. Ou seja, era mais a conquista internacional de uma pl\u00eaiade de arquitetos brasileiros, do que a interpreta\u00e7\u00e3o atual, feita por ela, dos val\u00f4res nacionais.\u201d Feitas pelo Afonso Arinos no long\u00ednquo Natal de 1965, essas observa\u00e7\u00f5es nos remetem \u00e0 ideia de uma Bras\u00edlia de forma estrangeirada mas paradoxalmente genu\u00edna. Sa\u00edmos convencidos de que a dupla infernalmente sedutora se valeu das fontes externas, num patente decalcar que entretanto n\u00e3o nos deixou recalcados. At\u00e9 pelo contr\u00e1rio. Portanto, pelo que se l\u00ea em Planalto &#8211; obra que, em aditamento \u00e0 postagem anterior, principiamos a explorar \u2013, os dois arquitetos formid\u00e1veis \u00a0como que repisaram o manifesto antropof\u00e1gico. Fala o memorialista de nosso banzo ao reportar as fei\u00e7\u00f5es da moradia presidencial, um templo a demarcar a neo arquitetura, revisitada por n\u00f3s agora, transcorridos mais de cinquenta anos. \u201cA partir do Pal\u00e1cio da Alvorada, cria\u00e7\u00e3o gentil de Niemeyer, revela\u00e7\u00e3o e reencontro, surpr\u00easa e costume, provoca\u00e7\u00e3o de sonho e saudade da casa-grande, ardendo em tons verdes como esmeraldas noturnas, come\u00e7ou a fus\u00e3o das formas tradicionais brasileiras \u2013 que correspondem tamb\u00e9m ao sentido da nossa evolu\u00e7\u00e3o \u2013 com as possibilidades expressionistas da nova arquitetura.\u201d H\u00e1 a macroeconomia e a microeconomia; eu me permito dizer que existem tamb\u00e9m a macroarquitetura e a microarquitetura. Na travessia do geral para o particular, o escritor das Minas Gerais fecha seus coment\u00e1rios atacando a macaquice das imita\u00e7\u00f5es e ressaltando, em linguagem po\u00e9tica, o papel do vidro na composi\u00e7\u00e3o arquitet\u00f4nica do lar ideal da classe m\u00e9dia. \u201cNo plano modesto das habita\u00e7\u00f5es familiares de custo m\u00e9dio, a casa que Niemeyer f\u00eaz para si mesmo, em Bras\u00edlia, e esta que S\u00e9rgio P\u00f4rto planejou para mim, nas encostas da Vestf\u00e1lia, representam bem o que acabo de sugerir. \u201cPara come\u00e7ar, o jeit\u00e3o luso-brasileiro delas n\u00e3o tem nada a ver com a mistifica\u00e7\u00e3o do chamado \u2018estilo colonial\u2019, que foi a horrenda moda de h\u00e1 alguns lustros, moda que se revelava principalmente nos pormenores posti\u00e7os, nos falsos muxarabi\u00eas, nas telas arrebitadas \u00e0 chinesa, nas janelas-postigos, nos nichos, colunatas e outras moedas falsas do g\u00f4sto. O jeit\u00e3o a que me refiro prov\u00e9m de outras afinidades, mais das massas que dos pormenores, mais sentidas que vistas. Um ambiente em que se equilibram as entradas de luz e prote\u00e7\u00f5es de sombra; uma cad\u00eancia fluente e l\u00edmpida das formas e espa\u00e7os, com a restitui\u00e7\u00e3o do vidro \u00e0s suas fun\u00e7\u00f5es, e a chamada das paredes opacas para ocupar as que lhes cabem, de maneira a gerar familiaridade recatada e hospitalidade desimpedida, mas n\u00e3o promiscuidade exibida; uma lembran\u00e7a leve, terna, mas n\u00e3o chorosa, do que foi a vida da fam\u00edlia brasileira, dentro das imposi\u00e7\u00f5es e necessidades do que \u00e9 hoje.\u201d &nbsp; 26 de abril de 2016 (184) mmsmarcos1953@hotmail.com<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-12966","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12966","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12966"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12966\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12966"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12966"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12966"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}