{"id":13334,"date":"2017-11-17T18:50:34","date_gmt":"2017-11-17T21:50:34","guid":{"rendered":"http:\/\/mapati.com.br\/?p=13334"},"modified":"2017-11-18T12:03:43","modified_gmt":"2017-11-18T15:03:43","slug":"memoriasmemorialistas-liii-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/memoriasmemorialistas-liii-2\/","title":{"rendered":"Mem\u00f3rias\/Memorialistas (LIII)"},"content":{"rendered":"<p>Continuemos nosso p\u00e9riplo atrav\u00e9s das p\u00e1ginas do\u00a0<em>Ch\u00e3o de ferro<\/em>, volume 3 das mem\u00f3rias do Pedro Nava. O epis\u00f3dio em tela, visto na coligada postagem anterior, fora escrito nos anos de 1970, em reportagem de epis\u00f3dio ocorrido por volta de 1918.<\/p>\n<figure id=\"attachment_13341\" aria-describedby=\"caption-attachment-13341\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/mapati.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/268.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-13341\" src=\"http:\/\/mapati.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/268.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"602\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-13341\" class=\"wp-caption-text\">Paul Gauguin<\/figcaption><\/figure>\n<p>No consenso atual, cuidar-se-ia (Fora\u2026) tecnicamente de ass\u00e9dio sexual, malgrado a condescend\u00eancia da v\u00edtima diante de rec\u00f4nditos atributos do primo do formid\u00e1vel escritor mineiro. Quebro o suspense.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>\u201cFoi quando o Zeg\u00e3o ouviu um estalo como de junta de gente andando devagar. Tapou a cabe\u00e7a tremendo todo e pensando na prima. Ia aparecer. Ele tiritava sentindo<\/em><em><br \/>\nseu caminhado. Parou ao p\u00e9 do div\u00e3 de palhinha em que ele dormia. Tocou-lhe o ombro. Ele pulou, ia gritar quando reconheceu a forma de Maria (\u2026).\u201d.<\/em><\/p>\n<p>Clicando o trecho adiante, o que se v\u00ea \u00e9 jun\u00e7\u00e3o amorosa e sensual, dissecada ao depois por Gilberto Freyre no\u00a0<em>Casa Grande &amp; Senzala<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>\u201cEla ajoelhou e sussurou no seu ouvido que tamb\u00e9m n\u00e3o podia mais de medo. Como foi? que eles deitaram juntos no sof\u00e1. Im\u00f3veis e quentes. E quanto tempo levou? para a m\u00e3o do Zeg\u00e3o fingindo sem querer encostar, parar, tirar, voltar, demorar, levantar a camisa, sentir a pele duma perna, subir, sentir a moita crespa, descer at\u00e9 descobrir o bot\u00e3o duro duro duro e por baixo tudo molhado e gosma quiabo clara de ovo. No escuro e no sil\u00eancio as pernas se abriram e ele cravou. Naquele tempo de escr\u00fapulo e de inoc\u00eancia s\u00f3 se comia coxa. Mas ele n\u00e3o podia mais e virgem ou n\u00e3o, tinha de ir\u2026 Era estreito e fundo. Rodopiava como o funil de vazio rodando na \u00e1gua quando se destapa um banheiro. Era quente e chupava como um rodamoinho maelstrom num melado quase no ponto. Depois que estava dentro procurou a boca que procurava a sua. Sentiu primeiro os l\u00e1bios como entrefechado cravo um pouco \u00e1spero cheio de pel\u00edculas, logo a aberta rosa \u00famida e fresca. Mas \u00e0 flor dava lugar a fruta e foi o carpo cru duma longa l\u00edngua que ele sugou. De deslumbrado nem se mexia. Ela sim, como um escorpi\u00e3o machucado como lacraia mal pisada \u00e9 que se retorc\u00edasse. Dera duas sem tirar. Depois da terceira, todo o por\u00e3o cheirou a bananeira cortada, frutafolhamachucamassada suor lua no mar maresia (\u2026).\u201d<\/em><\/p>\n<p>Aqui, a linguagem do Nava se externa em conluio com os estilos do Dalton Trevisan e do Rubem Fonseca. Salienta-se o constraste entre as duas peles, atavicamente, adensando a carga sexual disposta na cena.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>\u201cA pouca vergonha do Zeg\u00e3o era mais te\u00f3rica do que outra coisa. Por enquanto. A menina era s\u00f3 instinto, parece que era mesmo virgem e que o primo \u00e9 que lhe metera os tampos pra dentro. Ele pr\u00f3prio me disse que ficou besta como em poucos dias eles tinham passado daquele b\u00ea-a-b\u00e1 de trepada, subido todas as escalas (\u2026). Pena a escurid\u00e3o. S\u00f3 rapidamente \u00e9 que ousavam \u00e0s vezes acender uma vela para verem um instante a propria nudez e as duas cores dos seus abismos &#8211; nele, certo r\u00f3seo, nela certo roxo (\u2026).\u201d<\/em><\/p>\n<p>Cai o pano,\u00a0<em>voyeurs\u00a0<\/em>\u00a0degredados pela for\u00e7a do virus mortal.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>\u201cAssim fui acompanhando aquele romance que eu seguia como paix\u00e3o que fosse minha. Terminou com a\u00a0<\/em>influenza<em>\u00a0na mulatinha. Forma fulminante que cortou aquele flor em tr\u00eas dias. O pobre Zeg\u00e3o como um vi\u00favo menino, seguiu para Belo Horizonte (\u2026).\u201d<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">#Ch\u00e3o de ferro\u00a0 \u00a0#Pedro Nava\u00a0 \u00a0#Ass\u00e9dio sexual\u00a0 \u00a0#Zeg\u00e3o\u00a0 \u00a0#Gilberto Freyre<br \/>\n#Casa Grande &amp; Senzala\u00a0 \u00a0#Dalton Trevisan\u00a0 \u00a0#Rubem Fonseca\u00a0 \u00a0#Influenza<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>\u00a0<\/em>17\/11\/2017<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">(268)<\/p>\n<p style=\"font-style: inherit; font-weight: inherit; text-align: right;\"><a href=\"mailto:mmsmarcos1953@hotmail.com\">mmsmarcos1953@hotmail.com<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Continuemos nosso p\u00e9riplo atrav\u00e9s das p\u00e1ginas do\u00a0Ch\u00e3o de ferro, volume 3 das mem\u00f3rias do Pedro Nava. O epis\u00f3dio em tela, visto na coligada postagem anterior, fora escrito nos anos de 1970, em reportagem de epis\u00f3dio ocorrido por volta de 1918. No consenso atual, cuidar-se-ia (Fora\u2026) tecnicamente de ass\u00e9dio sexual, malgrado a condescend\u00eancia da v\u00edtima diante de rec\u00f4nditos atributos do primo do formid\u00e1vel escritor mineiro. Quebro o suspense. \u201cFoi quando o Zeg\u00e3o ouviu um estalo como de junta de gente andando devagar. Tapou a cabe\u00e7a tremendo todo e pensando na prima. Ia aparecer. Ele tiritava sentindo seu caminhado. Parou ao p\u00e9 do div\u00e3 de palhinha em que ele dormia. Tocou-lhe o ombro. Ele pulou, ia gritar quando reconheceu a forma de Maria (\u2026).\u201d. Clicando o trecho adiante, o que se v\u00ea \u00e9 jun\u00e7\u00e3o amorosa e sensual, dissecada ao depois por Gilberto Freyre no\u00a0Casa Grande &amp; Senzala. \u201cEla ajoelhou e sussurou no seu ouvido que tamb\u00e9m n\u00e3o podia mais de medo. Como foi? que eles deitaram juntos no sof\u00e1. Im\u00f3veis e quentes. E quanto tempo levou? para a m\u00e3o do Zeg\u00e3o fingindo sem querer encostar, parar, tirar, voltar, demorar, levantar a camisa, sentir a pele duma perna, subir, sentir a moita crespa, descer at\u00e9 descobrir o bot\u00e3o duro duro duro e por baixo tudo molhado e gosma quiabo clara de ovo. No escuro e no sil\u00eancio as pernas se abriram e ele cravou. Naquele tempo de escr\u00fapulo e de inoc\u00eancia s\u00f3 se comia coxa. Mas ele n\u00e3o podia mais e virgem ou n\u00e3o, tinha de ir\u2026 Era estreito e fundo. Rodopiava como o funil de vazio rodando na \u00e1gua quando se destapa um banheiro. Era quente e chupava como um rodamoinho maelstrom num melado quase no ponto. Depois que estava dentro procurou a boca que procurava a sua. Sentiu primeiro os l\u00e1bios como entrefechado cravo um pouco \u00e1spero cheio de pel\u00edculas, logo a aberta rosa \u00famida e fresca. Mas \u00e0 flor dava lugar a fruta e foi o carpo cru duma longa l\u00edngua que ele sugou. De deslumbrado nem se mexia. Ela sim, como um escorpi\u00e3o machucado como lacraia mal pisada \u00e9 que se retorc\u00edasse. Dera duas sem tirar. Depois da terceira, todo o por\u00e3o cheirou a bananeira cortada, frutafolhamachucamassada suor lua no mar maresia (\u2026).\u201d Aqui, a linguagem do Nava se externa em conluio com os estilos do Dalton Trevisan e do Rubem Fonseca. Salienta-se o constraste entre as duas peles, atavicamente, adensando a carga sexual disposta na cena. \u201cA pouca vergonha do Zeg\u00e3o era mais te\u00f3rica do que outra coisa. Por enquanto. A menina era s\u00f3 instinto, parece que era mesmo virgem e que o primo \u00e9 que lhe metera os tampos pra dentro. Ele pr\u00f3prio me disse que ficou besta como em poucos dias eles tinham passado daquele b\u00ea-a-b\u00e1 de trepada, subido todas as escalas (\u2026). Pena a escurid\u00e3o. S\u00f3 rapidamente \u00e9 que ousavam \u00e0s vezes acender uma vela para verem um instante a propria nudez e as duas cores dos seus abismos &#8211; nele, certo r\u00f3seo, nela certo roxo (\u2026).\u201d Cai o pano,\u00a0voyeurs\u00a0\u00a0degredados pela for\u00e7a do virus mortal. \u201cAssim fui acompanhando aquele romance que eu seguia como paix\u00e3o que fosse minha. Terminou com a\u00a0influenza\u00a0na mulatinha. Forma fulminante que cortou aquele flor em tr\u00eas dias. 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