{"id":1405,"date":"2016-03-23T19:36:13","date_gmt":"2016-03-23T19:36:13","guid":{"rendered":"http:\/\/mapati.com.br\/blog\/?p=1405"},"modified":"2016-03-23T19:36:13","modified_gmt":"2016-03-23T19:36:13","slug":"memoriasmemorialistas-xxxix","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/memoriasmemorialistas-xxxix\/","title":{"rendered":"Mem\u00f3rias\/Memorialistas (XXXIX)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left; padding-left: 90px;\"><span style=\"font-family: 'trebuchet ms', geneva, sans-serif;\"><em>Seguindo-te, seguimo-nos&#8230; E o que \u00e9 morte\/subitamente sobe do mais fundo\/das coisas como vida que suporte\/qualquer rude desgaste, e do desgosto\/de ser um sonho s\u00f3 no \u00e1spero mundo\/- como uma\u00a0 cicatriz no nosso rosto,\/que oculta outra invis\u00edvel cicatriz -, extrai\u00a0 uma certeza comovida,\/uma ess\u00eancia mais funda de raiz,\/qualquer coisa que irrompe\/que nos lava\/de claridade&#8230; Ao sonho, \u00e0 dor, \u00e0 vida,\/leva-nos tu na tua nave, Nava.<\/em><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left; padding-left: 90px;\"><span style=\"font-family: 'trebuchet ms', geneva, sans-serif;\">(trechos de \u201cUm poema para Pedro Nava\u201d, de Alphonsus de Guimar\u00e3es Filho)<\/span><\/p>\n<p>Acabei de receber um <em>zap<\/em>.<\/p>\n<p>Vejo que \u00e9 uma mensagem do Paulo Duarte pedindo folga, muitas folgas. Analisei o pleito e resolvi que \u00e9 justa a concess\u00e3o de f\u00e9rias, s\u00f3 que parceladamente, em tr\u00eas vezes, nos moldes adotados no servi\u00e7o p\u00fablico para os burocras que n\u00e3o s\u00e3o celetistas.<\/p>\n<p>O deferimento me lan\u00e7a num dilema massacrante: qual escritor devo imediatamente reconvocar? Afonso Arinos ou Pedro Nava? N\u00e3o h\u00e1 como escalar um e ficar sem o outro. A solu\u00e7\u00e3o \u00e9 tirar par ou \u00edmpar. Pausa. Vamos l\u00e1&#8230; Deu o m\u00e9dico. Nosso pol\u00edtico n\u00e3o se considere perdedor, porquanto brevemente voltar\u00e1 \u00e0 cena. Hora portanto de agarrar o volume 2 das mem\u00f3rias. In\u00edcio das refer\u00eancias, engendramento das costumeiras apropria\u00e7\u00f5es de obra alheia&#8230;<\/p>\n<p>P\u00e2nico.<\/p>\n<p>Numa das incont\u00e1veis mudan\u00e7as e arruma\u00e7\u00f5es feitas no Teatro Mapati, a operosa turma de nosso espa\u00e7o cultural, fiquei sabendo e virei uma arara, guardara tralhas in\u00fameras no s\u00f3t\u00e3o, tendo ido de cambulhada (heresia? crime?) o <em>Bal\u00e3o Cativo<\/em> \u00a0em alguma das dezenas de caixas que para l\u00e1 foram transportadas. Derrota, sensa\u00e7\u00e3o de des\u00e2nimo, orfandade. Cedi ao conformismo, fazer o qu\u00ea?, a busca era ingl\u00f3ria, o segundo filhote se desgarrara da ninhada outrora t\u00e3o organizada numa das estantes de nossa razo\u00e1vel biblioteca.<\/p>\n<p>De que maneira deixar de margem uma obra prima dessas?<\/p>\n<p>Agarrando-me a outra maravilha da literatura brasileira. Alcan\u00e7o o volume 3, <em>Ch\u00e3o de ferro<\/em>.<\/p>\n<figure id=\"attachment_1407\" aria-describedby=\"caption-attachment-1407\" style=\"width: 252px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-1407\" src=\"http:\/\/2017.mapati.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/171_chaodeferro.png\" alt=\"http:\/\/mlb-s1-p.mlstatic.com\/cho-de-ferro-pedro-nava-1-edico-22894-MLB20237822502_022015-F.jpg\" width=\"252\" height=\"568\" srcset=\"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/171_chaodeferro.png 461w, https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/171_chaodeferro-133x300.png 133w, https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/171_chaodeferro-454x1024.png 454w, https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/171_chaodeferro-200x451.png 200w, https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/171_chaodeferro-400x902.png 400w\" sizes=\"(max-width: 252px) 100vw, 252px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1407\" class=\"wp-caption-text\"><span style=\"font-size: 8pt;\">http:\/\/mlb-s1-p.mlstatic.com\/cho-de-ferro-pedro-nava-1-edico-22894-MLB20237822502_022015-F.jpg<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Sempre que se fala do Nava, das coisas que ele escreve, a compuls\u00e3o \u00e9 a de buscarmos saber desde logo o que acontece com os personagens capturados pela caneta, pela m\u00e1quina de datilografar (\u00e0 epoca, computadores eram miragens) do fenomenal memorialista. Uma coceira renitente, uma psor\u00edase nos ataca devido \u00e0 ansiedade de conhecer em min\u00facias quem, para o bem e para o mal, cruzara com o m\u00e9dico neste vale de l\u00e1grimas. E o esquadrinhamento do car\u00e1ter daqueles indiv\u00edduos (notadamente a parentada) arrolados no livro se entremostra na descri\u00e7\u00e3o implac\u00e1vel das fisionomias, das roupas, dos trejeitos e, sobretudo, das atitudes que cada um e cada uma tomaram nas situa\u00e7\u00f5es conflituadas ou de amizade e companheirismo.<\/p>\n<p>Enquanto o Paulo Duarte curte seu merecido recolhimento, o Pedro Nava encontra-se em pleno per\u00edodo letivo.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 90px;\"><span style=\"font-family: 'trebuchet ms', geneva, sans-serif;\"><em>\u201cEntre aula e outra, t\u00ednhamos \u00e0s vezes o que se chamava \u00a0<\/em>hora vaga<em>. Era quando se aproveitava para uma revis\u00e3o da mat\u00e9ria, um retoque nas colas, leitura de romances ou de livrinhos de safadeza para banzar, sonhar, olhar as caras uns dos outros ou tomar conta do terreno (como cachorro com a mijadinha que \u00e9 sua marca), gravando a canivete nas carteiras &#8211; estrelas de Davi, de Salom\u00e3o, grelhas, c\u00edrculos, cruzes, tri\u00e2ngulos; hex\u00e1gonos necleados, como c\u00e9lulas; nossas iniciais ou nome inteiro. Foi depois de uma destas vagas que travamos conhecimento com o nosso professor de Geografia. Era o ga\u00facho Luis C\u00e2ndido Paranhos de Macedo &#8211; figura mitol\u00f3gica do col\u00e9gio. Fora aluno na Ch\u00e1cara da Mata e tinha orgulho de dizer que nunca sa\u00edra do Pedro II.\u201d<\/em><\/span><\/p>\n<p>N\u00e3o vamos largar o professor, que continuar\u00e1 sendo dissecado.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">23 de mar\u00e7o de 2016<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">(179)<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"color: #0000ff;\"><a style=\"color: #0000ff;\" href=\"mailto:mmsmarcos1953@hotmail.com\">mmsmarcos1953@hotmail.com<\/a><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Seguindo-te, seguimo-nos&#8230; E o que \u00e9 morte\/subitamente sobe do mais fundo\/das coisas como vida que suporte\/qualquer rude desgaste, e do desgosto\/de ser um sonho s\u00f3 no \u00e1spero mundo\/- como uma\u00a0 cicatriz no nosso rosto,\/que oculta outra invis\u00edvel cicatriz -, extrai\u00a0 uma certeza comovida,\/uma ess\u00eancia mais funda de raiz,\/qualquer coisa que irrompe\/que nos lava\/de claridade&#8230; Ao sonho, \u00e0 dor, \u00e0 vida,\/leva-nos tu na tua nave, Nava. (trechos de \u201cUm poema para Pedro Nava\u201d, de Alphonsus de Guimar\u00e3es Filho) Acabei de receber um zap. Vejo que \u00e9 uma mensagem do Paulo Duarte pedindo folga, muitas folgas. Analisei o pleito e resolvi que \u00e9 justa a concess\u00e3o de f\u00e9rias, s\u00f3 que parceladamente, em tr\u00eas vezes, nos moldes adotados no servi\u00e7o p\u00fablico para os burocras que n\u00e3o s\u00e3o celetistas. O deferimento me lan\u00e7a num dilema massacrante: qual escritor devo imediatamente reconvocar? Afonso Arinos ou Pedro Nava? N\u00e3o h\u00e1 como escalar um e ficar sem o outro. A solu\u00e7\u00e3o \u00e9 tirar par ou \u00edmpar. Pausa. Vamos l\u00e1&#8230; Deu o m\u00e9dico. Nosso pol\u00edtico n\u00e3o se considere perdedor, porquanto brevemente voltar\u00e1 \u00e0 cena. Hora portanto de agarrar o volume 2 das mem\u00f3rias. In\u00edcio das refer\u00eancias, engendramento das costumeiras apropria\u00e7\u00f5es de obra alheia&#8230; P\u00e2nico. Numa das incont\u00e1veis mudan\u00e7as e arruma\u00e7\u00f5es feitas no Teatro Mapati, a operosa turma de nosso espa\u00e7o cultural, fiquei sabendo e virei uma arara, guardara tralhas in\u00fameras no s\u00f3t\u00e3o, tendo ido de cambulhada (heresia? crime?) o Bal\u00e3o Cativo \u00a0em alguma das dezenas de caixas que para l\u00e1 foram transportadas. Derrota, sensa\u00e7\u00e3o de des\u00e2nimo, orfandade. Cedi ao conformismo, fazer o qu\u00ea?, a busca era ingl\u00f3ria, o segundo filhote se desgarrara da ninhada outrora t\u00e3o organizada numa das estantes de nossa razo\u00e1vel biblioteca. De que maneira deixar de margem uma obra prima dessas? Agarrando-me a outra maravilha da literatura brasileira. Alcan\u00e7o o volume 3, Ch\u00e3o de ferro. Sempre que se fala do Nava, das coisas que ele escreve, a compuls\u00e3o \u00e9 a de buscarmos saber desde logo o que acontece com os personagens capturados pela caneta, pela m\u00e1quina de datilografar (\u00e0 epoca, computadores eram miragens) do fenomenal memorialista. Uma coceira renitente, uma psor\u00edase nos ataca devido \u00e0 ansiedade de conhecer em min\u00facias quem, para o bem e para o mal, cruzara com o m\u00e9dico neste vale de l\u00e1grimas. E o esquadrinhamento do car\u00e1ter daqueles indiv\u00edduos (notadamente a parentada) arrolados no livro se entremostra na descri\u00e7\u00e3o implac\u00e1vel das fisionomias, das roupas, dos trejeitos e, sobretudo, das atitudes que cada um e cada uma tomaram nas situa\u00e7\u00f5es conflituadas ou de amizade e companheirismo. Enquanto o Paulo Duarte curte seu merecido recolhimento, o Pedro Nava encontra-se em pleno per\u00edodo letivo. \u201cEntre aula e outra, t\u00ednhamos \u00e0s vezes o que se chamava \u00a0hora vaga. 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Fora aluno na Ch\u00e1cara da Mata e tinha orgulho de dizer que nunca sa\u00edra do Pedro II.\u201d N\u00e3o vamos largar o professor, que continuar\u00e1 sendo dissecado. \u00a0 23 de mar\u00e7o de 2016 (179) mmsmarcos1953@hotmail.com<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-1405","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1405","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1405"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1405\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1405"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1405"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1405"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}