{"id":14327,"date":"2018-11-24T16:42:32","date_gmt":"2018-11-24T19:42:32","guid":{"rendered":"http:\/\/mapati.com.br\/?p=14327"},"modified":"2018-12-26T10:58:20","modified_gmt":"2018-12-26T13:58:20","slug":"memorias-memorialistas-lviii","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/memorias-memorialistas-lviii\/","title":{"rendered":"Mem\u00f3rias\/Memorialistas (LVIII)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:center\">\n\t<img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"360\" height=\"514\" alt=\"\" class=\"aligncenter size-full wp-image-14336\" src=\"http:\/\/mapati.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/288_memor_mem.jpg\" style=\"height:514px; width:360px\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/288_memor_mem.jpg 360w, https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/288_memor_mem-210x300.jpg 210w, https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/288_memor_mem-200x286.jpg 200w\" sizes=\"(max-width: 360px) 100vw, 360px\" \/>\n<\/p>\n<p style=\"text-align:center\">\n\t<span style=\"font-size:12px\">http:\/\/obviousmag.org\/archives\/2007\/06\/o_corpo_humano.html<\/span>\n<\/p>\n<p style=\"text-align:right\">\n\t<em>A morte, na sua indiferen&ccedil;a absoluta, &eacute; o limite da sedu&ccedil;&atilde;o<br \/>\n\tdos engajamentos sociais. Por isso, ela tem o poder de fechar feridas,<br \/>\n\tenterrar ternuras e inaugurar saudades.<br \/>\n\t(<\/em>Roberto Damatta<em>)<\/em>\n<\/p>\n<p>\n\tArrematei a postagem anterior, que com esta se coliga em todo o seu enredo, com a declara&ccedil;&atilde;o de que n&atilde;o uso luvas, nem as de&nbsp;<em>Chaput<\/em>. Evitando destoar do habitat natural dos colegas do Nava, cal&ccedil;arei luvas, mas de pelica.\n<\/p>\n<p>\n\tN&atilde;o sendo m&eacute;dico, fui ter com a necropsia apenas por virtude dos meus estudos de Direito na Universidade de Bras&iacute;lia, iniciados em 1972, quando o curso de ci&ecirc;ncias jur&iacute;dicas ainda estava albergado em departamento, e n&atilde;o em faculdade, como viera a acontecer tempos depois, eu j&aacute; detentor do canudo.\n<\/p>\n<p>\n\tAli&aacute;s, em dupla jornada (eu j&aacute; era servidor do Banco Central), venci no Minhoc&atilde;o todas as mat&eacute;rias &#8211; pois na UnB ainda n&atilde;o existia pr&eacute;dio pr&oacute;prio para a turma do terninho e do cafon&eacute;rrimo anel de rubi.\n<\/p>\n<p>\n\tE o meu mestre da Medicina Legal, professor Hermes, t&atilde;o decantado merecidamente neste&nbsp;<em>blog<\/em>, honrou a tradi&ccedil;&atilde;o do Carleto.\n<\/p>\n<p style=\"margin-left:70.8pt\">\n\t<em>&ldquo;Ele eviscerava com t&eacute;cnica, puxando a l&iacute;ngua, os &oacute;rg&atilde;os profundos do pesco&ccedil;o, traqu&eacute;ia es&ocirc;fago a massa pulm&otilde;es cora&ccedil;&atilde;o. Ligava o cardia e come&ccedil;ava a desenrolar a naja gastrintestinal desde seu alargamento superior, seguindo suas dobras nacaradas no delgado, cinzentas no colo e armando o bote na sigmoide. A&iacute; ligava junto ao &acirc;nus e aquela sucuri ia para uma pia, e para as m&atilde;os de Seu Domingos que abria-a de fora a fora sob o jorro de torneira. Um cheiro de merda mais forte atroava os ares misturando-se ao enjoativo da decomposi&ccedil;&atilde;o come&ccedil;ada das carnes frescas e dos mi&uacute;dos. Enquanto isso o Carleto continha um cora&ccedil;&atilde;o que parecia querer pular ainda depois de morto, abria-o, ventr&iacute;culos, aur&iacute;culas, mostrava a seda das v&aacute;lvulas, as cordoalhas, raspava a aorta e apontava o esbranqui&ccedil;ado de cera da ateromatose que tirava a elasticidade daquele macarr&atilde;o.&rdquo;<\/em>\n<\/p>\n<p>\n\tEstaciono no trecho supracitado. Sintomaticamente, passo a desconfiar do compromisso de literalidade do Pedro Nava por me parecer que o maior memorialista brasileiro abandonara os lindes dos ensinamentos cl&iacute;nicos em aula para adornar com met&aacute;foras a condi&ccedil;&atilde;o de pessoas que padeceram por amor n&atilde;o correspondido. Quantos de n&oacute;s podem negar a pretens&atilde;o em manter o relacionamento conjugal j&aacute; nos estertores? Pulemos essa fraquejada.&nbsp;\n<\/p>\n<p>\n\tO Carleto continuava a fun&ccedil;&atilde;o (macabra?), durante a qual, perante a maca, o aluno cdf promovido a monitor se entristecia com os &ldquo;do bem&rdquo; que passaram desta para melhor, sem no entanto esconder o regozijo com os &ldquo;do mal&rdquo; na medida em que passageiros desafortunados do mesmo trem.\n<\/p>\n<p style=\"margin-left:70.8pt\">\n\t<em>&ldquo;Passava para a l&iacute;ngua, abria es&ocirc;fago e depois a traqu&eacute;ia-art&eacute;ria, br&ocirc;nquios e era uma Ni&aacute;gara de catarro. Cortava maciamente cada pulm&atilde;o que recalcitrava sob a faca, chiando de leve e de fatia em fatia, fazia surgir o v&aacute;cuo das espeluncas ou a renit&ecirc;ncia das pneumonias e dos c&acirc;nceres. Sob as pleuras corriam os desenhos japoneses da pneumoconiose tra&ccedil;ados a bicos de pena pelo fumo, pelas poeiras, pelos res&iacute;duos das oficinas. De v&iacute;scera em v&iacute;scera o nosso mestre passava seu exame, ditando com voz fria e igual os termos padronizados do relat&oacute;rio. Pesava &oacute;rg&atilde;o por &oacute;rg&atilde;o. Descascava-os (ru&iacute;do de seda da c&aacute;psula renal arrancada), descorticava-os, fazia-os lascas e mostrava a les&atilde;o que t&iacute;nhamos ontem palpado, percutido, auscultado. Esse encontrar do doente no cad&aacute;ver foi minha melhor escola cl&iacute;nica e tal conhecimento, nova fonte do mart&iacute;rio que me acompanha &ndash; diagnosticar sem querer na cara dos amigos e parentes queridos o que lhes r&oacute;i e ver atrav&eacute;s de seu corpo para mim transl&uacute;cido, aquelas les&otilde;es hediondas que nos mostrava o professor de Anatomia Patol&oacute;gica. &Eacute; verdade que tamb&eacute;m compensa ver certos sinais nas caras e nas orelhas transparentes dos desafetos&#8230;&rdquo;<\/em>\n<\/p>\n<p>\n\tDesde o come&ccedil;o desses t&oacute;picos da saudade &#8211; j&aacute; s&atilde;o cinquenta e oito Mem&oacute;rias\/Memorialistas, acusam os algarismos romanos l&aacute; do t&iacute;tulo -, venho intercalando presun&ccedil;osas observa&ccedil;&otilde;es, por isso que sempre com a leve impress&atilde;o de que maculo os escritos lavrados pelo ora legista e pelos outros dois memorialistas abduzidos ilicitamente por este&nbsp;<em>blog<\/em>, o Paulo Duarte e o Afonso Arinos. Que petul&acirc;ncia entrecortar as fertil&iacute;ssimas hist&oacute;rias de vida desse trio. Munam-se voc&ecirc;s (tem algu&eacute;m a&iacute;?) de ousadia e enfrentem o fecho desta postagem, em que, no ambiente contagioso mas n&atilde;o contagiante, o Nava nos d&aacute; conta de nossa vil e apalermada exist&ecirc;ncia. Niilismo na veia\n<\/p>\n<p style=\"margin-left:70.8pt\">\n\t<em>&ldquo;Terminada a eviscera&ccedil;&atilde;o eu sempre me espantava com o pouco, o nada que ficava. Afinal &eacute; s&oacute; isto? Onde estamos n&oacute;s? n&oacute;s, mesmos? a chama de n&oacute;s mesmos? Para qu&ecirc;? para qu&ecirc;? afinal tanto dano, tal celeuma&#8230; Estava tudo ali, o zero, &agrave; minha frente nas cores luxuosas, cintilantes e decorativas daquelas v&iacute;sceras molhadas de sangue r&uacute;tilo, pus dourado e monco sinopla. Tudo sangue como um Nilo fecundo fazendo nascer calor, vida, pensamento do c&eacute;rebro e nutri&ccedil;&atilde;o dos pulm&otilde;es que separam o oxig&ecirc;nio para d&aacute;-lo ao mesmo sangue. Tudo para o movimento dos m&uacute;sculos, a fome, a for&ccedil;a, o sexo. Olhava-os. Os das mulheres como pelancas &agrave;s vezes deixando escapar corrimentos, os dos homens com a incongru&ecirc;ncia de trombas moles pendendo. Tudo aquilo &ndash; ent&atilde;o turgente &ndash; se encontrava em vida, para a fabrica&ccedil;&atilde;o incessante das putinhas rosadas e dos bandidozinhos tenros que no futuro continuariam putas e bandidos s&oacute; que n&atilde;o tenros que n&atilde;o mais rosados. &Aacute;speros. Agora estava ali o sexo para sempre in&uacute;til e seus donos reduzidos ao fim (&#8230;). Prontos e despidos para a grande gala da putrefa&ccedil;&atilde;o. Esse triunfo de vida na morte. Est&aacute; come&ccedil;ando. Dentro em pouco a multid&atilde;o de vermes ainda presa na forma &ndash; como popula&ccedil;&atilde;o de uma Babil&ocirc;nia cercada de muros. Mas logo sua derrocada, o estouro e o fogo de artif&iacute;cio de mir&iacute;ades de vidas saindo da morte individual de cada um de n&oacute;s. Arco-&iacute;ris versicolor das cores da podrid&atilde;o &ndash; cor de molho de carne estragada e cor de vinho virando vinagre.&rdquo;<\/em>\n<\/p>\n<p>\n\tImaginem que tudo isso consta do&nbsp;<em>Beira Mar<\/em>, nome po&eacute;tico do quarto volume das mem&oacute;rias do Nava, que deixava as Minas Gerais para se fincar no Rio de Janeiro.\n<\/p>\n<p style=\"text-align:center\">\n\t#Roberto Damatta &nbsp; &nbsp; #Luvas de Chaput &nbsp; &nbsp; #Luvas de pelica &nbsp; &nbsp; #Universidade de Bras&iacute;lia-UnB<br \/>\n\t#Minhoc&atilde;o &nbsp; &nbsp; #Direito &nbsp; &nbsp; #Medicina Legal &nbsp; &nbsp; #Professor Hermes &nbsp; &nbsp; #Anel de rubi &nbsp; &nbsp; #Banco Central &nbsp; &nbsp; #Carleto &nbsp; &nbsp; #Pedro Nava &nbsp; &nbsp; #Fraquejada &nbsp; &nbsp; #Beira Mar\n<\/p>\n<p style=\"text-align:right\">\n\t24\/11\/2018<br \/>\n\t(288)<br \/>\n\t<a href=\"mailto:mmsmarcos1953@hotmail.com\" target=\"_blank\">mmsmarcos1953@hotmail.com<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>http:\/\/obviousmag.org\/archives\/2007\/06\/o_corpo_humano.html A morte, na sua indiferen&ccedil;a absoluta, &eacute; o limite da sedu&ccedil;&atilde;o dos engajamentos sociais. Por isso, ela tem o poder de fechar feridas, enterrar ternuras e inaugurar saudades. (Roberto Damatta) Arrematei a postagem anterior, que com esta se coliga em todo o seu enredo, com a declara&ccedil;&atilde;o de que n&atilde;o uso luvas, nem as de&nbsp;Chaput. Evitando destoar do habitat natural dos colegas do Nava, cal&ccedil;arei luvas, mas de pelica. N&atilde;o sendo m&eacute;dico, fui ter com a necropsia apenas por virtude dos meus estudos de Direito na Universidade de Bras&iacute;lia, iniciados em 1972, quando o curso de ci&ecirc;ncias jur&iacute;dicas ainda estava albergado em departamento, e n&atilde;o em faculdade, como viera a acontecer tempos depois, eu j&aacute; detentor do canudo. Ali&aacute;s, em dupla jornada (eu j&aacute; era servidor do Banco Central), venci no Minhoc&atilde;o todas as mat&eacute;rias &#8211; pois na UnB ainda n&atilde;o existia pr&eacute;dio pr&oacute;prio para a turma do terninho e do cafon&eacute;rrimo anel de rubi. E o meu mestre da Medicina Legal, professor Hermes, t&atilde;o decantado merecidamente neste&nbsp;blog, honrou a tradi&ccedil;&atilde;o do Carleto. &ldquo;Ele eviscerava com t&eacute;cnica, puxando a l&iacute;ngua, os &oacute;rg&atilde;os profundos do pesco&ccedil;o, traqu&eacute;ia es&ocirc;fago a massa pulm&otilde;es cora&ccedil;&atilde;o. Ligava o cardia e come&ccedil;ava a desenrolar a naja gastrintestinal desde seu alargamento superior, seguindo suas dobras nacaradas no delgado, cinzentas no colo e armando o bote na sigmoide. A&iacute; ligava junto ao &acirc;nus e aquela sucuri ia para uma pia, e para as m&atilde;os de Seu Domingos que abria-a de fora a fora sob o jorro de torneira. Um cheiro de merda mais forte atroava os ares misturando-se ao enjoativo da decomposi&ccedil;&atilde;o come&ccedil;ada das carnes frescas e dos mi&uacute;dos. Enquanto isso o Carleto continha um cora&ccedil;&atilde;o que parecia querer pular ainda depois de morto, abria-o, ventr&iacute;culos, aur&iacute;culas, mostrava a seda das v&aacute;lvulas, as cordoalhas, raspava a aorta e apontava o esbranqui&ccedil;ado de cera da ateromatose que tirava a elasticidade daquele macarr&atilde;o.&rdquo; Estaciono no trecho supracitado. Sintomaticamente, passo a desconfiar do compromisso de literalidade do Pedro Nava por me parecer que o maior memorialista brasileiro abandonara os lindes dos ensinamentos cl&iacute;nicos em aula para adornar com met&aacute;foras a condi&ccedil;&atilde;o de pessoas que padeceram por amor n&atilde;o correspondido. Quantos de n&oacute;s podem negar a pretens&atilde;o em manter o relacionamento conjugal j&aacute; nos estertores? Pulemos essa fraquejada.&nbsp; O Carleto continuava a fun&ccedil;&atilde;o (macabra?), durante a qual, perante a maca, o aluno cdf promovido a monitor se entristecia com os &ldquo;do bem&rdquo; que passaram desta para melhor, sem no entanto esconder o regozijo com os &ldquo;do mal&rdquo; na medida em que passageiros desafortunados do mesmo trem. &ldquo;Passava para a l&iacute;ngua, abria es&ocirc;fago e depois a traqu&eacute;ia-art&eacute;ria, br&ocirc;nquios e era uma Ni&aacute;gara de catarro. Cortava maciamente cada pulm&atilde;o que recalcitrava sob a faca, chiando de leve e de fatia em fatia, fazia surgir o v&aacute;cuo das espeluncas ou a renit&ecirc;ncia das pneumonias e dos c&acirc;nceres. Sob as pleuras corriam os desenhos japoneses da pneumoconiose tra&ccedil;ados a bicos de pena pelo fumo, pelas poeiras, pelos res&iacute;duos das oficinas. De v&iacute;scera em v&iacute;scera o nosso mestre passava seu exame, ditando com voz fria e igual os termos padronizados do relat&oacute;rio. Pesava &oacute;rg&atilde;o por &oacute;rg&atilde;o. Descascava-os (ru&iacute;do de seda da c&aacute;psula renal arrancada), descorticava-os, fazia-os lascas e mostrava a les&atilde;o que t&iacute;nhamos ontem palpado, percutido, auscultado. Esse encontrar do doente no cad&aacute;ver foi minha melhor escola cl&iacute;nica e tal conhecimento, nova fonte do mart&iacute;rio que me acompanha &ndash; diagnosticar sem querer na cara dos amigos e parentes queridos o que lhes r&oacute;i e ver atrav&eacute;s de seu corpo para mim transl&uacute;cido, aquelas les&otilde;es hediondas que nos mostrava o professor de Anatomia Patol&oacute;gica. &Eacute; verdade que tamb&eacute;m compensa ver certos sinais nas caras e nas orelhas transparentes dos desafetos&#8230;&rdquo; Desde o come&ccedil;o desses t&oacute;picos da saudade &#8211; j&aacute; s&atilde;o cinquenta e oito Mem&oacute;rias\/Memorialistas, acusam os algarismos romanos l&aacute; do t&iacute;tulo -, venho intercalando presun&ccedil;osas observa&ccedil;&otilde;es, por isso que sempre com a leve impress&atilde;o de que maculo os escritos lavrados pelo ora legista e pelos outros dois memorialistas abduzidos ilicitamente por este&nbsp;blog, o Paulo Duarte e o Afonso Arinos. Que petul&acirc;ncia entrecortar as fertil&iacute;ssimas hist&oacute;rias de vida desse trio. Munam-se voc&ecirc;s (tem algu&eacute;m a&iacute;?) de ousadia e enfrentem o fecho desta postagem, em que, no ambiente contagioso mas n&atilde;o contagiante, o Nava nos d&aacute; conta de nossa vil e apalermada exist&ecirc;ncia. Niilismo na veia &ldquo;Terminada a eviscera&ccedil;&atilde;o eu sempre me espantava com o pouco, o nada que ficava. Afinal &eacute; s&oacute; isto? Onde estamos n&oacute;s? n&oacute;s, mesmos? a chama de n&oacute;s mesmos? Para qu&ecirc;? para qu&ecirc;? afinal tanto dano, tal celeuma&#8230; Estava tudo ali, o zero, &agrave; minha frente nas cores luxuosas, cintilantes e decorativas daquelas v&iacute;sceras molhadas de sangue r&uacute;tilo, pus dourado e monco sinopla. Tudo sangue como um Nilo fecundo fazendo nascer calor, vida, pensamento do c&eacute;rebro e nutri&ccedil;&atilde;o dos pulm&otilde;es que separam o oxig&ecirc;nio para d&aacute;-lo ao mesmo sangue. Tudo para o movimento dos m&uacute;sculos, a fome, a for&ccedil;a, o sexo. Olhava-os. Os das mulheres como pelancas &agrave;s vezes deixando escapar corrimentos, os dos homens com a incongru&ecirc;ncia de trombas moles pendendo. Tudo aquilo &ndash; ent&atilde;o turgente &ndash; se encontrava em vida, para a fabrica&ccedil;&atilde;o incessante das putinhas rosadas e dos bandidozinhos tenros que no futuro continuariam putas e bandidos s&oacute; que n&atilde;o tenros que n&atilde;o mais rosados. &Aacute;speros. Agora estava ali o sexo para sempre in&uacute;til e seus donos reduzidos ao fim (&#8230;). Prontos e despidos para a grande gala da putrefa&ccedil;&atilde;o. Esse triunfo de vida na morte. Est&aacute; come&ccedil;ando. Dentro em pouco a multid&atilde;o de vermes ainda presa na forma &ndash; como popula&ccedil;&atilde;o de uma Babil&ocirc;nia cercada de muros. Mas logo sua derrocada, o estouro e o fogo de artif&iacute;cio de mir&iacute;ades de vidas saindo da morte individual de cada um de n&oacute;s. Arco-&iacute;ris versicolor das cores da podrid&atilde;o &ndash; cor de molho de carne estragada e cor de vinho virando vinagre.&rdquo; Imaginem que tudo isso consta do&nbsp;Beira Mar, nome po&eacute;tico do quarto volume das mem&oacute;rias do Nava, que deixava as Minas Gerais para se fincar no Rio de Janeiro. #Roberto Damatta &nbsp; &nbsp; #Luvas de Chaput &nbsp; &nbsp; #Luvas de pelica &nbsp; &nbsp; #Universidade de Bras&iacute;lia-UnB #Minhoc&atilde;o &nbsp; &nbsp; #Direito &nbsp; &nbsp; #Medicina Legal &nbsp; &nbsp; #Professor Hermes &nbsp; &nbsp; #Anel de rubi &nbsp; &nbsp; #Banco Central &nbsp; &nbsp; #Carleto &nbsp; &nbsp; #Pedro Nava &nbsp; &nbsp; #Fraquejada &nbsp; &nbsp; #Beira Mar 24\/11\/2018 (288) mmsmarcos1953@hotmail.com<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-14327","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14327","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14327"}],"version-history":[{"count":9,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14327\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":14335,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14327\/revisions\/14335"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14327"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14327"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14327"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}