{"id":14704,"date":"2019-03-24T13:03:22","date_gmt":"2019-03-24T16:03:22","guid":{"rendered":"http:\/\/mapati.com.br\/?p=14704"},"modified":"2019-05-19T15:40:17","modified_gmt":"2019-05-19T18:40:17","slug":"obsessoes-musicais-xvii","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/obsessoes-musicais-xvii\/","title":{"rendered":"Obsess\u00f5es musicais (XVII)"},"content":{"rendered":"\n<p style=\"text-align:right\"><em>A beleza e a cultura melhoram as pessoas, acendem<\/em><br><em>uma luz nos olhos. E os pr\u00e9dios que acolhem essa cultura fazem<\/em><br><em>da cidade um lugar melhor. \u00c9 o oposto do bombardeiro. Um edif\u00edcio p\u00fablico, se bem feito, \u00e9 uma m\u00e1quina, n\u00e3o de guerra, mas de paz. Construir \u00e9 um gesto de paz.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:right\"><em>Renzo Piano<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Pernambuco \u00e9 fort\u00edssimo culturalmente. Mas n\u00f3s, do Teatro Mapati, nunca colhemos oportunidade de nos apresentar em algum de seus cento e oitenta e cinco mun\u00edcipios. Logo n\u00f3s, que, sobretudo no projeto <em>Arte sobre Rodas<\/em>&nbsp;(executado em nosso caminh\u00e3o-palco), j\u00e1 percorremos desde 1991 mais de cento e cinquenta cidades do Brasilz\u00e3o (pensei em n\u00e3o usar o aumentativo, patriotada caracter\u00edstica destes penosos tempos). Passou da hora de o Mapati mergulhar no estado (Olinda, inevit\u00e1vel na futura jornada) e tamb\u00e9m em Roraima, Amap\u00e1, Alagoas,&nbsp;Santa Catarina&nbsp;e Rio Grande do Sul, enfeixando assim todo o pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Assinado o compromisso, proponho minorar os efeitos delet\u00e9rios dessa omiss\u00e3o: vou trazer a lume um luminar da terra onde os holandeses sentaram pra\u00e7a e se deleitaram. O homem com pinta de motoqueiro libert\u00e1rio da <em>Rota 66<\/em>&nbsp;do sert\u00e3o nordestino se descobriu cineasta recentemente, mas meu cora\u00e7\u00e3o bobo n\u00e3o se lhe admite tais veleidades, deseja ver o artista mantido por toda a eternidade preso na trama da m\u00fasica.<\/p>\n\n\n\n<p>Nestas duas alvoradas sombrias, o nosso artista desembainha versos agoniantes. Num deles, por exemplo, nos remete, assim como quem n\u00e3o quer nada, a uma conversa de um industrial com uma, digamos, pequena ave.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/mapati.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/293-1024x640.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-14724\" width=\"779\" height=\"486\" srcset=\"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/293-1024x640.jpg 1024w, https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/293-300x187.jpg 300w, https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/293-768x480.jpg 768w, https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/293.jpg 1300w\" sizes=\"(max-width: 779px) 100vw, 779px\" \/><figcaption>wallup.net<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p style=\"text-align:right\"><em>\u201c(&#8230;) entre um Conde e um passarinho, prefiro<\/em><br><em>um passarinho. Tor\u00e7o pelo passarinho. N\u00e3o \u00e9 por nada. Nem<\/em><br><em>sei mesmo explicar essa prefer\u00eancia. Afinal de contas, um passarinho canta e voa. O Conde n\u00e3o sabe gorjear nem voar. O Conde gorjeia com apitos de usinas, barulheiras enormes, de f\u00e1bricas espalhadas pelo Brasil, vozes dos oper\u00e1rios, dos teares, das m\u00e1quinas de a\u00e7o<\/em><br><em>e de carne que trabalham para o Conde. O Conde gorjeia<\/em><br><em>com o dinheiro que entra e sai de seus cofres, o Conde<\/em><br><em>\u00e9 um industrial, e o Conde \u00e9 Conde porque \u00e9 industrial. O passarinho n\u00e3o \u00e9 industrial, n\u00e3o \u00e9 Conde, n\u00e3o tem f\u00e1bricas. Tem um ninho, sabe cantar, sabe voar, \u00e9 apenas um passarinho e isso \u00e9 gentil, ser um passarinho.\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Pouco importa que eventualmente Alceu Valen\u00e7a n\u00e3o haja explicitado, na refer\u00eancia \u00e0 cr\u00f4nica do Rubem Braga constante do livro de mesmo t\u00edtulo, a preval\u00eancia da natureza em face do poder da alta burguesia industrial de antanho representada pelo Conde Matarazzo. O duo de poetas \u2013 o primeiro, pernambucano; o segundo, capixaba -, na mistura de duas obras ent\u00e3o separadas no tempo (1936\/1983) e no espa\u00e7o (S\u00e3o Bento do Una-PE\/Cachoeiro do Itapemirim-ES), emulou dupla afinad\u00edssima, aquela do tima\u00e7o do Santos dos anos de 1960, Pel\u00e9 e Coutinho, centroavante que dias atr\u00e1s foi marcar seus gols no firmamento voando junto aos passarinhos, empobrecendo o mundo dos gramados e deixando mais \u00f3rf\u00e3o ainda o Rei do Futebol.<\/p>\n\n\n\n<p>Numa clicada, depara-se o aux\u00edlio luxuoso da Zizi :<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed-youtube wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe title=\"Zizi Possi e Alceu Valen\u00e7a - Na Primeira Manh\u00e3 | Cantos &amp; Contos I\" width=\"960\" height=\"540\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/UGjEj-mc5tg?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>Noutra, voc\u00eas porventura sobreviventes (eu morri), o enlevo \u00e9 com a M\u00f4nica e as xilogravuras caviar no mel.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed-youtube wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe title=\"M\u00f4nica Salmaso - Na Primeira Manh\u00e3 (Lyric Video)\" width=\"960\" height=\"540\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/k7fT5JMXMrs?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p style=\"text-align:center\"><em><strong>Na primeira manh\u00e3<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:center\"><em>Na primeira manh\u00e3 que te perdi<br>Acordei mais cansado que sozinho<br>Como um conde falando aos passarinhos<br>Como uma bumba-meu-boi sem capit\u00e3o<br>E gemi como geme o arvoredo<br>Como a brisa descendo das colinas<br>Como quem perde o prumo e desatina<br>Como um boi no meio da multid\u00e3o<\/em><\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:center\"><em>Na segunda manh\u00e3 que te perdi<br>Era tarde demais pra ser sozinho<br>Cruzei ruas, estradas e caminhos<br>Como um carro correndo em contram\u00e3o<br>Pelo canto da boca num sussurro<br>Fiz um canto demente, absurdo<br>O lamento noturno dos vi\u00favos<br>Como um gato gemendo no por\u00e3o<br>Solid\u00e3o.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:center\"><strong>&#8211; Alceu Valen\u00e7a &#8211;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:center\">#Renzo Piano     #Teatro Mapati<code> #<\/code>Arte sobre Rodas      # Caminh\u00e3o-palco <br># Rota 66      # O Conde e o passarinho <br># Conde Matarazzo <br># Cachoeiro do Itapemirim-ES      # Alceu Valen\u00e7a      # S\u00e3o Bento do Una-PE      # Pel\u00e9 e Coutinho<br>#Rei do Futebol<code>     #<\/code>Zizi Possi      # M\u00f4nica Salmaso     #Na primeira manh\u00e3 &#8211;<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:right\">24\/03\/2019<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:right\">(293)<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:right\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"mailto:mmsmarcos1953@hotmail.com\" target=\"_blank\">\ufeffmmsmarcos1953@hotmail.com<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A beleza e a cultura melhoram as pessoas, acendemuma luz nos olhos. E os pr\u00e9dios que acolhem essa cultura fazemda cidade um lugar melhor. \u00c9 o oposto do bombardeiro. Um edif\u00edcio p\u00fablico, se bem feito, \u00e9 uma m\u00e1quina, n\u00e3o de guerra, mas de paz. Construir \u00e9 um gesto de paz. Renzo Piano Pernambuco \u00e9 fort\u00edssimo culturalmente. Mas n\u00f3s, do Teatro Mapati, nunca colhemos oportunidade de nos apresentar em algum de seus cento e oitenta e cinco mun\u00edcipios. Logo n\u00f3s, que, sobretudo no projeto Arte sobre Rodas&nbsp;(executado em nosso caminh\u00e3o-palco), j\u00e1 percorremos desde 1991 mais de cento e cinquenta cidades do Brasilz\u00e3o (pensei em n\u00e3o usar o aumentativo, patriotada caracter\u00edstica destes penosos tempos). Passou da hora de o Mapati mergulhar no estado (Olinda, inevit\u00e1vel na futura jornada) e tamb\u00e9m em Roraima, Amap\u00e1, Alagoas,&nbsp;Santa Catarina&nbsp;e Rio Grande do Sul, enfeixando assim todo o pa\u00eds. Assinado o compromisso, proponho minorar os efeitos delet\u00e9rios dessa omiss\u00e3o: vou trazer a lume um luminar da terra onde os holandeses sentaram pra\u00e7a e se deleitaram. O homem com pinta de motoqueiro libert\u00e1rio da Rota 66&nbsp;do sert\u00e3o nordestino se descobriu cineasta recentemente, mas meu cora\u00e7\u00e3o bobo n\u00e3o se lhe admite tais veleidades, deseja ver o artista mantido por toda a eternidade preso na trama da m\u00fasica. Nestas duas alvoradas sombrias, o nosso artista desembainha versos agoniantes. Num deles, por exemplo, nos remete, assim como quem n\u00e3o quer nada, a uma conversa de um industrial com uma, digamos, pequena ave. \u201c(&#8230;) entre um Conde e um passarinho, prefiroum passarinho. Tor\u00e7o pelo passarinho. N\u00e3o \u00e9 por nada. Nemsei mesmo explicar essa prefer\u00eancia. Afinal de contas, um passarinho canta e voa. O Conde n\u00e3o sabe gorjear nem voar. O Conde gorjeia com apitos de usinas, barulheiras enormes, de f\u00e1bricas espalhadas pelo Brasil, vozes dos oper\u00e1rios, dos teares, das m\u00e1quinas de a\u00e7oe de carne que trabalham para o Conde. O Conde gorjeiacom o dinheiro que entra e sai de seus cofres, o Conde\u00e9 um industrial, e o Conde \u00e9 Conde porque \u00e9 industrial. O passarinho n\u00e3o \u00e9 industrial, n\u00e3o \u00e9 Conde, n\u00e3o tem f\u00e1bricas. Tem um ninho, sabe cantar, sabe voar, \u00e9 apenas um passarinho e isso \u00e9 gentil, ser um passarinho.\u201d Pouco importa que eventualmente Alceu Valen\u00e7a n\u00e3o haja explicitado, na refer\u00eancia \u00e0 cr\u00f4nica do Rubem Braga constante do livro de mesmo t\u00edtulo, a preval\u00eancia da natureza em face do poder da alta burguesia industrial de antanho representada pelo Conde Matarazzo. O duo de poetas \u2013 o primeiro, pernambucano; o segundo, capixaba -, na mistura de duas obras ent\u00e3o separadas no tempo (1936\/1983) e no espa\u00e7o (S\u00e3o Bento do Una-PE\/Cachoeiro do Itapemirim-ES), emulou dupla afinad\u00edssima, aquela do tima\u00e7o do Santos dos anos de 1960, Pel\u00e9 e Coutinho, centroavante que dias atr\u00e1s foi marcar seus gols no firmamento voando junto aos passarinhos, empobrecendo o mundo dos gramados e deixando mais \u00f3rf\u00e3o ainda o Rei do Futebol. Numa clicada, depara-se o aux\u00edlio luxuoso da Zizi : Noutra, voc\u00eas porventura sobreviventes (eu morri), o enlevo \u00e9 com a M\u00f4nica e as xilogravuras caviar no mel. 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