{"id":15383,"date":"2020-06-08T21:39:26","date_gmt":"2020-06-09T00:39:26","guid":{"rendered":"http:\/\/mapati.com.br\/?p=15383"},"modified":"2020-06-09T15:07:36","modified_gmt":"2020-06-09T18:07:36","slug":"poemas-de-uma-carioca-desgarrada-xxiii","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/poemas-de-uma-carioca-desgarrada-xxiii\/","title":{"rendered":"Poemas de uma carioca desgarrada (XXIII)"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-right\"><em>(&#8230;) Ainda tem o seu perfume pela casa\/Ainda tem voc\u00ea na sala\/Porque meu cora\u00e7\u00e3o dispara\/Quando tem o seu cheiro\/Dentro de um livro\/Na cinza das horas<\/em><br>&#8211; Adriana Calcanhotto &#8211;<em><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=HtIXSn22AsE\" target=\"_blank\"><\/a><\/em><\/p>\n\n\n<p><iframe title=\"Adriana Calcanhotto - Vambora\" width=\"960\" height=\"540\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/HtIXSn22AsE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n\n\n<p>Atinjo neste blog a postagem 314, n\u00famero da superquadra sul do Banco Central destinada no final da d\u00e9cada de 80 aos seus servidores e servidoras aqui chegados do Rio de Janeiro e S\u00e3o Paulo. Para mim, sua marca de nobreza n\u00e3o se deve a isso, mas por ser vizinha \u00e0 114, esplendorosa superquadra sul desta Bras\u00edlia em in\u00edcio de seca onde mora meu irm\u00e3o ca\u00e7ula, e isso me d\u00e1 uma inveja louca dele, inveja daquelas ruins. Um dia, vingan\u00e7a odienta, me mudo pra superquadra 308 Sul, Burle Mark nos jardins, Athos Bulc\u00e3o nos azulejos e Niemeyer logo ali do lado, na igrejinha com seu chap\u00e9u de freira. A\u00ed eu vou ver a cara de bobo dele.<\/p>\n\n\n\n<p>Gente, o que est\u00e1 a acontecer comigo? Inexplic\u00e1vel minha atitude nada fraternal. At\u00e9 porque h\u00e1 um temp\u00e3o \u2013 deixa eu calcular aqui, botem no m\u00ednimo dois anos -, n\u00e3o uso verde e amarelo nem apare\u00e7o aos domingos na Pra\u00e7a dos Tr\u00eas Poderes dirigindo camionete de luxo, apopl\u00e9tico, furibundo; por outra parte, fumo neste instante um charuto cubano que ganhei de presente. Saudades de outrora.<\/p>\n\n\n\n<p>Num demonstrativo de lucros e perdas, mais de perdas, minha presun\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria consistira num percurso algumas vezes nep\u00f3tico, err\u00e1tico, errante, quase sete anos b\u00edblicos por\u00e9m de pouca f\u00e9, numa prosa compartilhada por quase ningu\u00e9m (impressionante como almeja ser lido quem malbarata as letras). Este blogueiro, para compensar sua escrita sofr\u00edvel, expropriou poemas ao longo dessa trajet\u00f3ria, recalcitrou, subtraiu p\u00e9rolas dos acervos l\u00edricos da poeta &nbsp;paulista desgarrada, do poeta piauiense desgarrado, e torna agora \u00e0 poeta carioca desgarrada, minha irm\u00e3, adensando o armist\u00edcio familiar.<\/p>\n\n\n\n<p>Evoco a linguagem do mundo das artes c\u00eanicas. Repriso que nesta pe\u00e7a teatral n\u00e3o protagonizo ato algum, na medida em que o diretor me mandou desde logo sair da cena ficta para me juntar \u00e0 plateia virtual e l\u00e1 permanecer, contrito, quietinho, abeberando versos injustamente considerados despiciendos pela autora.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong><em>OUTRORA<br><\/em><\/strong><em>&nbsp;<br>De que me adiantam belos versos<br>Palavras doces, notas de menestr\u00e9is?<br>Se esta dor \u00e9 a mesma&nbsp;que sinto<br>De muitos ontens,<br>De tantos hojes,<br>De outrora e t\u00e3o moderna&#8230;<br>&nbsp;<br>Se insiste tanto em me querer,<br>E se n\u00e3o mais me deixar?<br>&nbsp;<br>De que me valhem estrofes,<br>O que eu ganho em ser ou n\u00e3o ser&#8230;<br>Poeta?<br><br>As minhas l\u00e1grimas adubam a minha poesia.<br>&nbsp;<br>Me diga, me conta,<br>N\u00e3o minta, me beije.<br>Se cale, n\u00e3o me desmonte,<br>&nbsp;<br>Desmente e me sonha!<\/em><br><br><strong> nORMA mARtINS<br>&nbsp;&nbsp;gYN, 19\/aBR\/2010<\/strong> <\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Adriana_Calcanhotto\">#Adriana Calcanhotto<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=Hsmp8yR-AK8\">#Vambora<\/a><br><a href=\"https:\/\/minhacapital.com.br\/quadra\/sqs-308-cls-308-309-asa-sul\/8054-2\/\">#Superquadra 308 Sul<\/a><br><a href=\"https:\/\/bityli.com\/dH5zL\">#Superquadra 114 Sul<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Pra%C3%A7a_dos_Tr%C3%AAs_Poderes\">#Pra\u00e7a dos Tr\u00eas Poderes<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/norminha.martins\">#Norma Martins<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\">08\/06\/2020<br>(314)<br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"mailto:mmsmarcos1953@hotmail.com\" target=\"_blank\">mmsmarcos1953@hotmail.com<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(&#8230;) Ainda tem o seu perfume pela casa\/Ainda tem voc\u00ea na sala\/Porque meu cora\u00e7\u00e3o dispara\/Quando tem o seu cheiro\/Dentro de um livro\/Na cinza das horas&#8211; Adriana Calcanhotto &#8211; Atinjo neste blog a postagem 314, n\u00famero da superquadra sul do Banco Central destinada no final da d\u00e9cada de 80 aos seus servidores e servidoras aqui chegados do Rio de Janeiro e S\u00e3o Paulo. Para mim, sua marca de nobreza n\u00e3o se deve a isso, mas por ser vizinha \u00e0 114, esplendorosa superquadra sul desta Bras\u00edlia em in\u00edcio de seca onde mora meu irm\u00e3o ca\u00e7ula, e isso me d\u00e1 uma inveja louca dele, inveja daquelas ruins. Um dia, vingan\u00e7a odienta, me mudo pra superquadra 308 Sul, Burle Mark nos jardins, Athos Bulc\u00e3o nos azulejos e Niemeyer logo ali do lado, na igrejinha com seu chap\u00e9u de freira. A\u00ed eu vou ver a cara de bobo dele. Gente, o que est\u00e1 a acontecer comigo? Inexplic\u00e1vel minha atitude nada fraternal. At\u00e9 porque h\u00e1 um temp\u00e3o \u2013 deixa eu calcular aqui, botem no m\u00ednimo dois anos -, n\u00e3o uso verde e amarelo nem apare\u00e7o aos domingos na Pra\u00e7a dos Tr\u00eas Poderes dirigindo camionete de luxo, apopl\u00e9tico, furibundo; por outra parte, fumo neste instante um charuto cubano que ganhei de presente. Saudades de outrora. Num demonstrativo de lucros e perdas, mais de perdas, minha presun\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria consistira num percurso algumas vezes nep\u00f3tico, err\u00e1tico, errante, quase sete anos b\u00edblicos por\u00e9m de pouca f\u00e9, numa prosa compartilhada por quase ningu\u00e9m (impressionante como almeja ser lido quem malbarata as letras). Este blogueiro, para compensar sua escrita sofr\u00edvel, expropriou poemas ao longo dessa trajet\u00f3ria, recalcitrou, subtraiu p\u00e9rolas dos acervos l\u00edricos da poeta &nbsp;paulista desgarrada, do poeta piauiense desgarrado, e torna agora \u00e0 poeta carioca desgarrada, minha irm\u00e3, adensando o armist\u00edcio familiar. Evoco a linguagem do mundo das artes c\u00eanicas. Repriso que nesta pe\u00e7a teatral n\u00e3o protagonizo ato algum, na medida em que o diretor me mandou desde logo sair da cena ficta para me juntar \u00e0 plateia virtual e l\u00e1 permanecer, contrito, quietinho, abeberando versos injustamente considerados despiciendos pela autora. OUTRORA&nbsp;De que me adiantam belos versosPalavras doces, notas de menestr\u00e9is?Se esta dor \u00e9 a mesma&nbsp;que sintoDe muitos ontens,De tantos hojes,De outrora e t\u00e3o moderna&#8230;&nbsp;Se insiste tanto em me querer,E se n\u00e3o mais me deixar?&nbsp;De que me valhem estrofes,O que eu ganho em ser ou n\u00e3o ser&#8230;Poeta? 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