{"id":15516,"date":"2021-03-02T13:31:00","date_gmt":"2021-03-02T16:31:00","guid":{"rendered":"http:\/\/mapati.com.br\/?p=15516"},"modified":"2021-04-06T14:23:58","modified_gmt":"2021-04-06T17:23:58","slug":"folha-centenaria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/folha-centenaria\/","title":{"rendered":"Folha Centen\u00e1ria"},"content":{"rendered":"\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Al\u00e9m das fontes &nbsp;<em>Movimento<\/em>,&nbsp;<em>O Pasquim<\/em>&nbsp;e&nbsp;<em>Lampi\u00e3o da Esquina,&nbsp;<\/em>pelot\u00f5es da imprensa alternativa que devolviam traulitadas nos milicos e na imp\u00e1vida turma da ajuda civil (que saudade dos escritos do Otto Maria Carpeaux), minha busca de forma\u00e7\u00e3o\/informa\u00e7\u00e3o no in\u00edcio e meados dos anos setenta era efetuada nas p\u00e1ginas do&nbsp;<em>Jornal do Brasil<\/em>&nbsp;(o famoso JB, n\u00e3o confundir com o whisky J&amp;B), da&nbsp;<em>Tribuna da Imprensa<\/em>&nbsp;e de&nbsp;<em>O Globo<\/em>. Quanto a revistas, erigiam-se a semanal&nbsp;<em>VEJA<\/em>&nbsp;e a ent\u00e3o mensal&nbsp;<em>ISTO\u00c9<\/em>, ambas comandadas sucessivamente pelo Mino Carta.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Por outra parte, meu enrosco com a&nbsp;<em>Folha de S\u00e3o Paulo<\/em>&nbsp;(era conhecida assim) se operou exatamente a partir de 1975 em virtude das diatribes do Paulo Francis e das an\u00e1lises e coment\u00e1rios do Alberto Dines. (Duma feita, hospedado no morto\/ressuscitado\/ressuscitado morto\/ Hotel Gloria do Rio de Janeiro, avistei o judeu erudito na recep\u00e7\u00e3o; provavelmente, tamb\u00e9m h\u00f3spede. Desempenhei meu papel de tiete: emocionad\u00edssimo, implorei, e recebi, sincero e afetuoso abra\u00e7o do titular da \u201cJornal dos Jornais\u201d, destemida e admir\u00e1vel coluna que desancava os pr\u00f3ceres da imprensa e os deuses jornalistas (sim, eles se consideravam muito mais do que semideuses.)<\/p>\n\n\n\n<p> \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0  Neste torr\u00e3o &#8211; eterno pa\u00eds do futuro -, o Dines descortinou o caminho para os <em>ombudsmans<\/em>, hoje o termo correto seria, digamos,\u00a0<em>ombudswomans<\/em>, tal o n\u00famero de mulheres encartadas nessa fun\u00e7\u00e3o, quase todas elas empoderadas e competentes no exerc\u00edcio de seus mandatos.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Um jornal fazer cem anos de exist\u00eancia aqui, no Brasil, n\u00e3o \u00e9 bolinho (para usar um termo caro a meu pai). De conseguinte, nada mais justific\u00e1vel seus colaboradores e colaboradoras prestarem suas homenagens ao empregador centen\u00e1rio; da\u00ed eu haver separado dois times de futebol de campo , 11 + 11 = 22, que n\u00e3o jogam um contra o outro, mas no tapete verde se misturam na louva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Homessa, s\u00e3o 23, esqueci um, logo o que acumula as fun\u00e7\u00f5es de \u00e1rbitro do gramado e \u00e1rbitro de v\u00eddeo (esse funciona, n\u00e3o sendo pois aquele do jogo do Inter que condenou meu Vasc\u00e3o a descer injustamente para a S\u00e9rie B).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em suma, conhe\u00e7amos agora o primeiro time, respeitada a ordem alfab\u00e9tica. Os outros 11, bem assim o chefe do VAR com sua manifesta\u00e7\u00e3o, apenas na pr\u00f3xima postagem.<\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Ana Cristina Rosa \u2013<\/strong> \u2026 sequer imaginava que um dia faria parte do time de colunistas de opini\u00e3o do jornal que este m\u00eas completa 100 anos. Gostaria de poder dizer ao seu Frias o prazer que sinto em publicar neste espa\u00e7o.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Cida Bento &#8211;<\/strong> Na semana em que esta Folha <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-100-anos\/\">completa 100 anos<\/a>, que ela possa continuar a sua pr\u00f3pria mudan\u00e7a em quest\u00f5es centrais como a abordagem \u00e0s a\u00e7\u00f5es afirmativas. Anteriormente, seu posicionamento era contr\u00e1rio, por\u00e9m na atualidade ela pr\u00f3pria vem <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/poder\/2019\/04\/folha-cria-editoria-com-missao-de-estimular-diversidade-em-reportagens.shtml\">desenvolvendo a\u00e7\u00f5es<\/a> no sentido de ampliar a multiplicidade de vozes dentre seus articulistas, bem como de pautas e conte\u00fados, que trazem diferentes perspectivas para os desafios enfrentados pelo pa\u00eds.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Daniel de Mesquita Benevides <\/strong>&#8211; Escrever e procrastinar s\u00e3o os verbos contr\u00e1rios que formam o jornalista. Um n\u00e3o existe sem o outro, pois \u00e9 na tens\u00e3o do tempo afunilado que o texto se faz. (Em cr\u00f4nica famosa, <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ilustrada\/2020\/12\/rubem-braga-morto-ha-30-anos-levou-para-o-tumulo-a-cronica-classica-brasileira.shtml\">Rubem Braga<\/a> dizia que o cafezinho serve at\u00e9 para adiar o destino.) \u2026 Nesses momentos, em que a preciosa rubi\u00e1cea une as pessoas, o que inclui colaboradores e entrevistados, conversas podem virar not\u00edcia. E not\u00edcias s\u00e3o os rascunhos da hist\u00f3ria, como diz a personagem de Meryl Streep em &#8220;<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ilustrada\/2020\/12\/rubem-braga-morto-ha-30-anos-levou-para-o-tumulo-a-cronica-classica-brasileira.shtml\">The Post<\/a>&#8220;. Um brinde, pois, a todos os que fizeram e fazem &#8220;rascunhos da Hist\u00f3ria&#8221; na Folha. Um brinde, tamb\u00e9m, a todos seus leitores. Cent&#8217;anni!<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Delfim Neto &#8211;<\/strong> Ao longo desses \u00faltimos 35 anos, pude participar junto com a Folha de sua extraordin\u00e1ria progress\u00e3o, que atingiu uma an\u00e1lise dura, mas isenta. O pa\u00eds evoluiu de maneira formid\u00e1vel neste per\u00edodo, com a incorpora\u00e7\u00e3o das For\u00e7as Armadas na democracia, a promulga\u00e7\u00e3o da Constitui\u00e7\u00e3o de 88, com seus erros e acertos, e a consagra\u00e7\u00e3o do per\u00edodo democr\u00e1tico, com elei\u00e7\u00f5es livres, avan\u00e7os econ\u00f4micos, sociais e institucionais que por vezes perdemos de vista frente aos ru\u00eddos da realidade instant\u00e2nea. Um viva para a Folha de S.Paulo, que tanto contribuiu e tanto h\u00e1 de contribuir com o Brasil ao cumprir com distin\u00e7\u00e3o todos os pap\u00e9is que cabem \u00e0 imprensa.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Djamila Ribeiro &#8211;<\/strong> Pensei durante a semana no que escreveria \u2014de uma certa forma elogiar a hist\u00f3ria do jornal me pareceria um tanto quanto artificial, uma vez que fa\u00e7o parte de um povo apartado das p\u00e1ginas da imprensa brasileira a n\u00e3o ser em <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/colunas\/flavia-lima-ombudsman\/2020\/05\/a-cobertura-da-violencia-contra-os-negros.shtml\">p\u00e1ginas policiais, nas tiras de humor para manifesta\u00e7\u00e3o do racismo e nas p\u00e1ginas de Carnaval (\u2026)<\/a>. Ao lado de companheiros e companheiras, como <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/colunas\/cida-bento\/\">Cida Bento<\/a>, <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/colunas\/marilene-felinto\/\">Marilene Felinto<\/a>, <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/colunas\/thiago-amparo\/\">Thiago Amparo<\/a>, <a href=\"https:\/\/quadronegro.blogfolha.uol.com.br\/\">Dod\u00f4 Azevedo<\/a>, <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/colunas\/silvio-almeida\/\">Silvio Almeida<\/a>, a ombudsman <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/colunas\/flavia-lima-ombudsman\/\">Flavia Lima<\/a>, entre outras e outros, fazemos nossa parte em colunas de opini\u00e3o nessa luta hist\u00f3rica (\u2026). Somos poucas e poucos nesse espa\u00e7o e na imprensa em geral. Na televis\u00e3o, sobretudo. Contudo, este jornal tem ocupado um lugar de destaque entre seus pares na publica\u00e7\u00e3o de vozes negras que se servem e dizem o que querem e n\u00e3o apenas o que o poder colonial quer ouvir.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Dod\u00f4 Azevedo &#8211; <\/strong>27 anos atr\u00e1s, no dia 11 de julho de 1994, eu publicava meu primeiro texto em um jornal. Este jornal era a Folha. Na \u00e9poca, eram poucos os jornalistas e colaboradores negros na reda\u00e7\u00e3o. Hoje, aos 100 anos, h\u00e1 mais. Ganha o jornal. Ganha o leitor (\u2026). Dizem que uma das grandes trag\u00e9dias humanas \u00e9 o fato de nosso intelecto chegar no auge da maturidade quando nosso corpo envelhecido j\u00e1 n\u00e3o pode mais desfrutar dela. Diversa, fora do arm\u00e1rio, polif\u00f4nica, a Folha resista, aos 100 anos de idade, \u00e0 plastifica\u00e7\u00e3o do mundo. Essa dicotomia. A folha de papel. E o papel da Folha.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Elio Gaspari &#8211;<\/strong> A Folha de S.Paulo comemorou seu primeiro centen\u00e1rio e, num pequeno e delicado artigo, a jornalista Ana Cristina Rosa retratou a alma de Octavio Frias de Oliveira, seu dono de 1962 a 2007. Quando Frias morreu a empreitada ficou com seus filhos. A hist\u00f3ria contada por Ana Cristina diz tudo. H\u00e1 20 anos, ela era uma jovem jornalista e, ansiosa e insegura, foi entrevistar o Frias (ele tinha horror a que o chamassem de \u201csenhor\u201d). Na sa\u00edda, presenteou a mo\u00e7a com um livro e, na dedicat\u00f3ria, chamou-a de \u201cterr\u00edvel inquisidora\u201d. Ela agradeceu: \u201cEsse seu \u2018terr\u00edvel\u2019 tem duplo sentido, mas vou tomar como elogio. Obrigada. Ah, e vou guardar bem esse livro para apresentar aqui na Folha quando eu precisar de emprego\u201d. Frias respondeu: \u201cO sentido \u00e9 \u00fanico e est\u00e1 bem claro. Quanto ao emprego, \u00e9 seu quando quiser. E n\u00e3o precisa trazer o livro\u201d. Esse era Frias. Gentil, abertamente afetuoso e, acima de tudo, atento. Sua alma ficou no jornal.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Fl\u00e1via Boggio &#8211;<\/strong> \u2026 sobreviveu a todo tipo de concorr\u00eancia, como a era digital, as redes sociais e a polariza\u00e7\u00e3o, com a direita dizendo que o jornal \u00e9 de esquerda, e a esquerda dizendo que o jornal \u00e9 de direita. Coisas que seus fundadores n\u00e3o imaginariam nem nos seus sonhos mais malucos.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>H\u00e9lio Schwartsman &#8211;<\/strong> Mesmo com tantos anos de vida e com toda essa experi\u00eancia, assim como ocorre com toda mulher que envelhece, as pessoas insistem em dizer o que ela deve ou n\u00e3o fazer. Entre o dogmatismo com tons religiosos e o cinismo niilista, sobra bastante espa\u00e7o para relatos que, sem a pretens\u00e3o de verdade acabada, procuram honestamente estar t\u00e3o perto dos fatos quanto poss\u00edvel. Errando e acertando, \u00e9 o que chamamos de jornalismo, e \u00e9 o que a Folha procura fazer. Ao menos foi isso o que testemunhei ao longo de 1\/3 dos 100 anos desta Folha.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Juliana de Albuquerque &#8211;<\/strong> Nesta semana em que a Folha comemora o seu <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-100-anos\/\">primeiro centen\u00e1rio<\/a>, pergunto-me, portanto, quantas lembran\u00e7as podem advir da leitura de um jornal? Ora, h\u00e1 quem tenha um relacionamento pragm\u00e1tico com as informa\u00e7\u00f5es e estude o notici\u00e1rio como quem consulta a previs\u00e3o do tempo. Eu, no entanto, festejo na leitura de cada manchete as oportunidades que ainda tenho de acompanhar os meus pais na leitura da Folha aos domingos, a compartilhar causos da minha \u00e9poca de escola e de um Recife que, hoje, talvez, s\u00f3 exista mesmo nas nossas recorda\u00e7\u00f5es.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>L\u00facia Guimar\u00e3es &#8211; <\/strong>A Folha inicia seu segundo s\u00e9culo sob o desafio constante de desmentir as palavras ouvidas pelo rep\u00f3rter Ron Suskind (\u201cO mundo n\u00e3o funciona mais assim. Quando agimos, criamos a nossa pr\u00f3pria realidade\u201d). Mas, talvez, com a vantagem dos anticorpos da mem\u00f3ria do que j\u00e1 enfrentou.<\/em><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/mapati.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/329_Folha.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-15520\" width=\"442\" height=\"630\" srcset=\"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/329_Folha.jpg 600w, https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/329_Folha-211x300.jpg 211w\" sizes=\"(max-width: 442px) 100vw, 442px\" \/><figcaption>Acesse: <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-100-anos\/2021\/02\/o-que-dizia-a-primeira-pagina-da-folha-de-100-anos-atras.shtml\">https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-100-anos\/2021\/02\/o-que-dizia-a-primeira-pagina-da-folha-de-100-anos-atras.shtml<\/a><\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-normal-font-size\"><a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Folha_de_S.Paulo\"> #Folha de S\u00e3o Paulo<\/a><br><a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-100-anos\/\">#Centen\u00e1rio<\/a><br><a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/M%C3%ADdia_alternativa#:~:text=A%20imprensa%20alternativa%20faz%20parte,comunica%C3%A7%C3%A3o%20que%20vem%20se%20constituindo.\">#Imprensa alternativa<\/a><br><a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Alberto_Dines\">#Alberto Dines <\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\">02\/03\/2021<br>(329)<br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"mailto:mmsmarcos1953@hotmail.com\" target=\"_blank\">mmsmarcos1953@hotmail.com<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Al\u00e9m das fontes &nbsp;Movimento,&nbsp;O Pasquim&nbsp;e&nbsp;Lampi\u00e3o da Esquina,&nbsp;pelot\u00f5es da imprensa alternativa que devolviam traulitadas nos milicos e na imp\u00e1vida turma da ajuda civil (que saudade dos escritos do Otto Maria Carpeaux), minha busca de forma\u00e7\u00e3o\/informa\u00e7\u00e3o no in\u00edcio e meados dos anos setenta era efetuada nas p\u00e1ginas do&nbsp;Jornal do Brasil&nbsp;(o famoso JB, n\u00e3o confundir com o whisky J&amp;B), da&nbsp;Tribuna da Imprensa&nbsp;e de&nbsp;O Globo. Quanto a revistas, erigiam-se a semanal&nbsp;VEJA&nbsp;e a ent\u00e3o mensal&nbsp;ISTO\u00c9, ambas comandadas sucessivamente pelo Mino Carta. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Por outra parte, meu enrosco com a&nbsp;Folha de S\u00e3o Paulo&nbsp;(era conhecida assim) se operou exatamente a partir de 1975 em virtude das diatribes do Paulo Francis e das an\u00e1lises e coment\u00e1rios do Alberto Dines. (Duma feita, hospedado no morto\/ressuscitado\/ressuscitado morto\/ Hotel Gloria do Rio de Janeiro, avistei o judeu erudito na recep\u00e7\u00e3o; provavelmente, tamb\u00e9m h\u00f3spede. Desempenhei meu papel de tiete: emocionad\u00edssimo, implorei, e recebi, sincero e afetuoso abra\u00e7o do titular da \u201cJornal dos Jornais\u201d, destemida e admir\u00e1vel coluna que desancava os pr\u00f3ceres da imprensa e os deuses jornalistas (sim, eles se consideravam muito mais do que semideuses.) \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Neste torr\u00e3o &#8211; eterno pa\u00eds do futuro -, o Dines descortinou o caminho para os ombudsmans, hoje o termo correto seria, digamos,\u00a0ombudswomans, tal o n\u00famero de mulheres encartadas nessa fun\u00e7\u00e3o, quase todas elas empoderadas e competentes no exerc\u00edcio de seus mandatos. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Um jornal fazer cem anos de exist\u00eancia aqui, no Brasil, n\u00e3o \u00e9 bolinho (para usar um termo caro a meu pai). De conseguinte, nada mais justific\u00e1vel seus colaboradores e colaboradoras prestarem suas homenagens ao empregador centen\u00e1rio; da\u00ed eu haver separado dois times de futebol de campo , 11 + 11 = 22, que n\u00e3o jogam um contra o outro, mas no tapete verde se misturam na louva\u00e7\u00e3o. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Homessa, s\u00e3o 23, esqueci um, logo o que acumula as fun\u00e7\u00f5es de \u00e1rbitro do gramado e \u00e1rbitro de v\u00eddeo (esse funciona, n\u00e3o sendo pois aquele do jogo do Inter que condenou meu Vasc\u00e3o a descer injustamente para a S\u00e9rie B). &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em suma, conhe\u00e7amos agora o primeiro time, respeitada a ordem alfab\u00e9tica. Os outros 11, bem assim o chefe do VAR com sua manifesta\u00e7\u00e3o, apenas na pr\u00f3xima postagem. Ana Cristina Rosa \u2013 \u2026 sequer imaginava que um dia faria parte do time de colunistas de opini\u00e3o do jornal que este m\u00eas completa 100 anos. Gostaria de poder dizer ao seu Frias o prazer que sinto em publicar neste espa\u00e7o. Cida Bento &#8211; Na semana em que esta Folha completa 100 anos, que ela possa continuar a sua pr\u00f3pria mudan\u00e7a em quest\u00f5es centrais como a abordagem \u00e0s a\u00e7\u00f5es afirmativas. Anteriormente, seu posicionamento era contr\u00e1rio, por\u00e9m na atualidade ela pr\u00f3pria vem desenvolvendo a\u00e7\u00f5es no sentido de ampliar a multiplicidade de vozes dentre seus articulistas, bem como de pautas e conte\u00fados, que trazem diferentes perspectivas para os desafios enfrentados pelo pa\u00eds. Daniel de Mesquita Benevides &#8211; Escrever e procrastinar s\u00e3o os verbos contr\u00e1rios que formam o jornalista. Um n\u00e3o existe sem o outro, pois \u00e9 na tens\u00e3o do tempo afunilado que o texto se faz. (Em cr\u00f4nica famosa, Rubem Braga dizia que o cafezinho serve at\u00e9 para adiar o destino.) \u2026 Nesses momentos, em que a preciosa rubi\u00e1cea une as pessoas, o que inclui colaboradores e entrevistados, conversas podem virar not\u00edcia. E not\u00edcias s\u00e3o os rascunhos da hist\u00f3ria, como diz a personagem de Meryl Streep em &#8220;The Post&#8220;. Um brinde, pois, a todos os que fizeram e fazem &#8220;rascunhos da Hist\u00f3ria&#8221; na Folha. Um brinde, tamb\u00e9m, a todos seus leitores. Cent&#8217;anni! Delfim Neto &#8211; Ao longo desses \u00faltimos 35 anos, pude participar junto com a Folha de sua extraordin\u00e1ria progress\u00e3o, que atingiu uma an\u00e1lise dura, mas isenta. O pa\u00eds evoluiu de maneira formid\u00e1vel neste per\u00edodo, com a incorpora\u00e7\u00e3o das For\u00e7as Armadas na democracia, a promulga\u00e7\u00e3o da Constitui\u00e7\u00e3o de 88, com seus erros e acertos, e a consagra\u00e7\u00e3o do per\u00edodo democr\u00e1tico, com elei\u00e7\u00f5es livres, avan\u00e7os econ\u00f4micos, sociais e institucionais que por vezes perdemos de vista frente aos ru\u00eddos da realidade instant\u00e2nea. Um viva para a Folha de S.Paulo, que tanto contribuiu e tanto h\u00e1 de contribuir com o Brasil ao cumprir com distin\u00e7\u00e3o todos os pap\u00e9is que cabem \u00e0 imprensa. Djamila Ribeiro &#8211; Pensei durante a semana no que escreveria \u2014de uma certa forma elogiar a hist\u00f3ria do jornal me pareceria um tanto quanto artificial, uma vez que fa\u00e7o parte de um povo apartado das p\u00e1ginas da imprensa brasileira a n\u00e3o ser em p\u00e1ginas policiais, nas tiras de humor para manifesta\u00e7\u00e3o do racismo e nas p\u00e1ginas de Carnaval (\u2026). Ao lado de companheiros e companheiras, como Cida Bento, Marilene Felinto, Thiago Amparo, Dod\u00f4 Azevedo, Silvio Almeida, a ombudsman Flavia Lima, entre outras e outros, fazemos nossa parte em colunas de opini\u00e3o nessa luta hist\u00f3rica (\u2026). Somos poucas e poucos nesse espa\u00e7o e na imprensa em geral. Na televis\u00e3o, sobretudo. Contudo, este jornal tem ocupado um lugar de destaque entre seus pares na publica\u00e7\u00e3o de vozes negras que se servem e dizem o que querem e n\u00e3o apenas o que o poder colonial quer ouvir. Dod\u00f4 Azevedo &#8211; 27 anos atr\u00e1s, no dia 11 de julho de 1994, eu publicava meu primeiro texto em um jornal. Este jornal era a Folha. Na \u00e9poca, eram poucos os jornalistas e colaboradores negros na reda\u00e7\u00e3o. Hoje, aos 100 anos, h\u00e1 mais. Ganha o jornal. Ganha o leitor (\u2026). Dizem que uma das grandes trag\u00e9dias humanas \u00e9 o fato de nosso intelecto chegar no auge da maturidade quando nosso corpo envelhecido j\u00e1 n\u00e3o pode mais desfrutar dela. Diversa, fora do arm\u00e1rio, polif\u00f4nica, a Folha resista, aos 100 anos de idade, \u00e0 plastifica\u00e7\u00e3o do mundo. Essa dicotomia. A folha de papel. E o papel da Folha. Elio Gaspari &#8211; A Folha de S.Paulo comemorou seu primeiro centen\u00e1rio e, num pequeno e delicado artigo, a jornalista Ana Cristina Rosa retratou a alma de Octavio Frias de Oliveira, seu dono de 1962 a 2007. Quando Frias morreu a empreitada ficou com seus filhos. A hist\u00f3ria contada por Ana Cristina diz tudo. H\u00e1 20 anos, ela era uma jovem jornalista e, ansiosa e insegura, foi entrevistar o Frias (ele tinha horror a que o chamassem de \u201csenhor\u201d). Na sa\u00edda, presenteou a mo\u00e7a com um livro e, na dedicat\u00f3ria, chamou-a de \u201cterr\u00edvel inquisidora\u201d. Ela agradeceu: \u201cEsse seu \u2018terr\u00edvel\u2019 tem duplo sentido, mas vou tomar como elogio. Obrigada. Ah, e vou guardar bem esse livro para apresentar aqui na Folha quando eu precisar de emprego\u201d. Frias respondeu: \u201cO sentido \u00e9 \u00fanico e est\u00e1 bem claro. Quanto ao emprego, \u00e9 seu quando quiser. E n\u00e3o precisa trazer o livro\u201d. Esse era Frias. Gentil, abertamente afetuoso e, acima de tudo, atento. Sua alma ficou no jornal. Fl\u00e1via Boggio &#8211; \u2026 sobreviveu a todo tipo de concorr\u00eancia, como a era digital, as redes sociais e a polariza\u00e7\u00e3o, com a direita dizendo que o jornal \u00e9 de esquerda, e a esquerda dizendo que o jornal \u00e9 de direita. Coisas que seus fundadores n\u00e3o imaginariam nem nos seus sonhos mais malucos. H\u00e9lio Schwartsman &#8211; Mesmo com tantos anos de vida e com toda essa experi\u00eancia, assim como ocorre com toda mulher que envelhece, as pessoas insistem em dizer o que ela deve ou n\u00e3o fazer. Entre o dogmatismo com tons religiosos e o cinismo niilista, sobra bastante espa\u00e7o para relatos que, sem a pretens\u00e3o de verdade acabada, procuram honestamente estar t\u00e3o perto dos fatos quanto poss\u00edvel. Errando e acertando, \u00e9 o que chamamos de jornalismo, e \u00e9 o que a Folha procura fazer. Ao menos foi isso o que testemunhei ao longo de 1\/3 dos 100 anos desta Folha. Juliana de Albuquerque &#8211; Nesta semana em que a Folha comemora o seu primeiro centen\u00e1rio, pergunto-me, portanto, quantas lembran\u00e7as podem advir da leitura de um jornal? Ora, h\u00e1 quem tenha um relacionamento pragm\u00e1tico com as informa\u00e7\u00f5es e estude o notici\u00e1rio como quem consulta a previs\u00e3o do tempo. Eu, no entanto, festejo na leitura de cada manchete as oportunidades que ainda tenho de acompanhar os meus pais na leitura da Folha aos domingos, a compartilhar causos da minha \u00e9poca de escola e de um Recife que, hoje, talvez, s\u00f3 exista mesmo nas nossas recorda\u00e7\u00f5es. L\u00facia Guimar\u00e3es &#8211; A Folha inicia seu segundo s\u00e9culo sob o desafio constante de desmentir as palavras ouvidas pelo rep\u00f3rter Ron Suskind (\u201cO mundo n\u00e3o funciona mais assim. Quando agimos, criamos a nossa pr\u00f3pria realidade\u201d). Mas, talvez, com a vantagem dos anticorpos da mem\u00f3ria do que j\u00e1 enfrentou. #Folha de S\u00e3o Paulo#Centen\u00e1rio#Imprensa alternativa#Alberto Dines 02\/03\/2021(329)mmsmarcos1953@hotmail.com<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":15521,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-15516","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15516","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15516"}],"version-history":[{"count":10,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15516\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15553,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15516\/revisions\/15553"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/media\/15521"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15516"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15516"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15516"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}