{"id":15547,"date":"2021-04-06T11:29:43","date_gmt":"2021-04-06T14:29:43","guid":{"rendered":"http:\/\/mapati.com.br\/?p=15547"},"modified":"2021-04-06T14:33:59","modified_gmt":"2021-04-06T17:33:59","slug":"folha-centenaria-iv","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/folha-centenaria-iv\/","title":{"rendered":"Folha Centen\u00e1ria (IV)"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\"><em>A vaidade \u00e9 uma das caracter\u00edsticas do ser humano. \u00c0s vezes discreta, como a minha. Somos todos vaidosos, uns mais que os outros. Gostamos<\/em><br><em>e precisamos do reconhecimento e do aplauso do outro. \u00c9 uma fraqueza dos seres humanos.<\/em><br> <em>&#8211; Tost\u00e3o &#8211;<\/em> <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 consabido que lista de melhores \u00e9 coisa aleat\u00f3ria, lacunosa, arbitr\u00e1ria. Pode ser pior se marcada pela presun\u00e7\u00e3o de quem a elabora, v\u00edtima duma comich\u00e3o, duma vontade de se autoinserir no rol dos(as) not\u00e1veis. Disso n\u00e3o vou padecer aqui, n\u00e3o milito na imprensa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Se me indagam quais os(as) profissionais dignos de integrar a rela\u00e7\u00e3o dos(as) maiores jornalistas tupiniquins da atualidade, vou logo arrolando, por ordem alfab\u00e9tica: Dorrit Harazim, Elio Gaspari, Jos\u00e9 N\u00eaumanne, Jos\u00e9 Roberto Guzzo, Mino Carta e Zuenir Ventura. Tirando o N\u00eaumanne, prestes a comemorar setentinha, o restante anda (com sa\u00fade e vigor, assim desejo) pr\u00f3ximo dos oitenta e at\u00e9 dos noventa anos de idade. N\u00e3o h\u00e1 mais algu\u00e9m do ramo, abaixo das tr\u00eas faixas et\u00e1rias, que mere\u00e7a figurar nessa sele\u00e7\u00e3o? Decerto que sim \u2013 por\u00e9m, com o cabedal dessa turma, nutro l\u00e1 minhas d\u00favidas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Depois de redigir e ler com deten\u00e7a o par\u00e1grafo imediatamente acima, notei que a listagem cont\u00e9m seis indiv\u00edduos, e n\u00e3o sete, n\u00famero que relampejava na minha mente para quantificar a forma\u00e7\u00e3o original do time de futebol so\u00e7aite do clube da imprensa. Pelejei, pelejei, e n\u00e3o consegui saber quem era o indiv\u00edduo evadido, as imagens do campo mostradas pela TV n\u00e3o estavam n\u00edtidas, n\u00e3o permitiam identifica\u00e7\u00e3o. Atinei que, nas postagens anteriores (Folha Centen\u00e1ria I, II e III), as quais s\u00e3o coligadas a esta, eu prenunciara o uso do VAR, e dele ent\u00e3o fa\u00e7o uso agora.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Incr\u00edvel, a consulta foi r\u00e1pida e eficiente: o recurso tecnol\u00f3gico t\u00e3o criticado ultimamente nos meios esportivos evidenciou que o s\u00e9timo craca\u00e7o era&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8230; era o J\u00e2nio de Freitas, destoante um pouco da coorte de colaboradores e colaboradoras da Folha de S\u00e3o Paulo que derramou elogios ao jornal empregador alusivamente aos seus cem anos de exist\u00eancia. O formid\u00e1vel, quase nonagen\u00e1rio articulista, possivelmente tomado por justa m\u00e1goa, contrap\u00f4s restri\u00e7\u00f5es, mormente a atitudes do Oct\u00e1vio filho, sucessor do Octavio&nbsp;pai na dire\u00e7\u00e3o do jornal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\"><em><a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-100-anos\/2021\/02\/veja-a-programacao-do-centenario-da-folha.shtml\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Nos 100 anos da&nbsp;<strong>Folha<\/strong><\/a>, estendi por 40 anos, completados em novembro de 2020, um equ\u00edvoco que se desdobrou em incont\u00e1veis outros. Um telefonema de&nbsp;<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-100-anos\/2020\/11\/boris-assumiu-folha-na-fase-mais-tensa-e-conduziu-travessia-do-jornal-para-o-pos-ditadura.shtml\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Boris Casoy, ent\u00e3o diretor de Reda\u00e7\u00e3o<\/a>, com um convite para minha colabora\u00e7\u00e3o no jornal, dava seguimento a uma sugest\u00e3o de Fl\u00e1vio Rangel a&nbsp;<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-100-anos\/2021\/02\/folha-e-usp-lancam-catedra-otavio-frias-filho.shtml\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Otavio Frias Filho<\/a>, que procurava novo ocupante para a coluna fina da p\u00e1gina 2.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\"><em>N\u00e3o ia durar mesmo, ent\u00e3o comecei, n\u00e3o com os esperados seis textos por semana, tr\u00eas cabiam. N\u00e3o se conversou sobre o g\u00eanero de coluna. Meu antecessor viera de d\u00e9cadas como editorialista de pol\u00edtica, com estilo e tem\u00e1tica dessa linhagem. Esperavam de mim, supus, a continua\u00e7\u00e3o assim. Nem tentei: em S\u00e3o Paulo com o nome de Janio, jornalista do abomin\u00e1vel balne\u00e1rio do Rio e incapaz de fazer o que n\u00e3o sabia, na certa seria o horror dos leitores experimentais. Corri para uma cr\u00f4nica de fundo pol\u00edtico, com temperos improv\u00e1veis e card\u00e1pio variado.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nosso Janio s\u00f3brio na vida e no jornalismo, lado oposto ao do Janio presidente renunciante e renunciado, pontifica na costura de seu artigo at\u00e9 abrir uma fenda para elogios ao Octavio pai.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\"><em>Frias pai \u00e9 merecedor de um reconhecimento ainda n\u00e3o feito pelo jornalismo. Nem mesmo na&nbsp;<strong>Folha<\/strong>. A extens\u00e3o peculiar da liberdade informativa, base da identidade que o jornal veio a formar, s\u00f3 foi possibilitada por um fator contr\u00e1rio \u00e0 press\u00e3o tradicional do poder econ\u00f4mico&nbsp;<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/paineldoleitor\/2021\/02\/me-da-uma-folha-100-medo-de-governo-fascista-e-o-que-pede-josiane.shtml\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">para conter o jornalismo entre limites estreitos<\/a>. Tem um nome: \u00e9 o fator Octavio Frias de Oliveira.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\"><em>O jornal j\u00e1 se tornara o&nbsp;<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-100-anos\/2021\/02\/prioridade-e-a-redacao-com-independencia-editorial-e-financeira-diz-publisher-da-folha.shtml\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">polo da rejei\u00e7\u00e3o p\u00fablica \u00e0 ditadura<\/a>, com a campanha das Diretas J\u00e1 induzida por Otavio. No regime civil, manteve a posi\u00e7\u00e3o privilegiada com o jornalismo cr\u00edtico aos problemas governamentais da abertura. E \u201cesse movimento [do jornal] veio acompanhado do exerc\u00edcio do jornalismo investigativo\u201d, como disse a O Globo, sobre o centen\u00e1rio da<strong>&nbsp;Folha<\/strong>, o presidente da Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Jornais, Marcelo Rech. \u201cA&nbsp;<strong>Folha<\/strong>&nbsp;n\u00e3o inventou o jornalismo investigativo, mas a den\u00fancia da fraude na licita\u00e7\u00e3o da ferrovia Norte-Sul (&#8230;), em 1987, foi um divisor de \u00e1guas.\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\"><em>Deu-se uma corrida obcecada \u00e0s revela\u00e7\u00f5es do jornalismo investigativo. O que s\u00f3 foi poss\u00edvel porque Frias acionou uma capacidade extraordin\u00e1ria de reduzir ressentimentos e obter o convencimento dos atingidos, nos interesses e no prest\u00edgio, pelas revela\u00e7\u00f5es da&nbsp;<strong>Folha<\/strong>. Aos atos traum\u00e1ticos do jornalismo, foi comum seguir-se imediata opera\u00e7\u00e3o de Frias, regada a simpatia natural e completada com a oferta de espa\u00e7o \u00e0 resposta do atingido \u2014argumento definitivo da inexist\u00eancia de qualquer prop\u00f3sito que n\u00e3o o jornalismo democr\u00e1tico. A&nbsp;<strong>Folha<\/strong>&nbsp;compunha uma identidade \u00fanica.<\/em><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/mapati.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/332Reda\u00e7\u00e3o_Folha_1940-1024x729.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-15548\" width=\"770\" height=\"548\" srcset=\"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/332Reda\u00e7\u00e3o_Folha_1940-1024x729.jpeg 1024w, https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/332Reda\u00e7\u00e3o_Folha_1940-300x214.jpeg 300w, https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/332Reda\u00e7\u00e3o_Folha_1940-768x547.jpeg 768w, https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/332Reda\u00e7\u00e3o_Folha_1940-1536x1093.jpeg 1536w, https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/332Reda\u00e7\u00e3o_Folha_1940.jpeg 1548w\" sizes=\"(max-width: 770px) 100vw, 770px\" \/><figcaption>Profissionais trabalham na reda\u00e7\u00e3o da \u2018Folha da Manh\u00e3\u2019\/ \u2018Folha da Noite\u2019, em pr\u00e9dio na Rua do Carmo, regi\u00e3o central de S\u00e3o Paulo, nos anos 1940 (Foto: Folhapress)<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Autor dessa mat\u00e9ria sobre a ferrovia, \u00e0 \u00e9poca uma verdadeira bomba, um esc\u00e2ndalo (se bem me recordo, o resultado da licita\u00e7\u00e3o saiu, dissimuladamente, nos Classificados muito antes de acontecer a sess\u00e3o de proclama\u00e7\u00e3o do nome das empresas vencedoras), nosso Janio de Freitas chega ao trecho mais contundente, o registro mais cr\u00edtico da atua\u00e7\u00e3o do jornal que o tinha no seu quadro de pessoal, antes portanto de terceiriz\u00e1-lo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\"><em>Os olhares de m\u00fatuo entendimento entre mim e a&nbsp;<strong>Folha<\/strong>&nbsp;macularam-se no governo Fernando Henrique. Desde a campanha eleitoral, toda a \u201cm\u00eddia\u201d serviu a ele, n\u00e3o s\u00f3 ao Plano Real e sua efic\u00e1cia anti-inflacion\u00e1ria. O senso cr\u00edtico e a responsabilidade social e institucional reprimiram-se. Houve muita ilegalidade e muita imoralidade, mas o comprometimento pol\u00edtico e partid\u00e1rio contrap\u00f4s-se, com mais for\u00e7a, \u00e0 cr\u00edtica necess\u00e1ria e ao jornalismo investigativo.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\"><em>O governo Fernando Henrique foi um per\u00edodo t\u00e3o nefasto para a \u201cm\u00eddia\u201d \u2014n\u00e3o considerado o aspecto financeiro, de grandes benef\u00edcios\u2014 que essa influ\u00eancia vigora at\u00e9 hoje. Mostrou-se em todas as campanhas eleitorais desde aqueles anos 1990. Fez o grande espet\u00e1culo da barragem protetora \u00e0s&nbsp;<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/colunas\/janiodefreitas\/2021\/02\/habituados-as-delacoes-traidoras-integrantes-da-lava-jato-se-delataram-em-gravacoes.shtml\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">viol\u00eancias judiciais e pol\u00edticas da Lava Jato<\/a>&nbsp;de Sergio Moro e Deltan Dallagnol. Mostra-se na complac\u00eancia com a corrup\u00e7\u00e3o dos A\u00e9cios do PSDB. J\u00e1 se entorta para a elei\u00e7\u00e3o presidencial de 2022.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E os estilha\u00e7os do tiro da miseric\u00f3rdia, disparado de espingarda calibre 12, atingem n\u00e3o apenas o tucanato e a chamada Rep\u00fablica de Curitiba, sen\u00e3o que timbram em questionar a postura da empregadora Folha por haver relegado Janio de Freitas a uma, me expresso desta maneira, discreta e isolada mesinha da reda\u00e7\u00e3o, assediando um dos mais capacitados e \u00e9ticos jornalistas do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\"><em>Das cr\u00f4nicas de fundo pol\u00edtico, o anteparo da<strong>&nbsp;Folha<\/strong>&nbsp;me levou a uma coluna de informa\u00e7\u00f5es quentes e buriladas. Da\u00ed, isolado, passei \u00e0 rea\u00e7\u00e3o ao delet\u00e9rio fernandismo-peessedebismo. Por fim, terceirizado, a expor percep\u00e7\u00f5es perdidas ou relegadas no afundamento do pa\u00eds em crise total e mortal.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\"><em>Quarenta anos que sinto sem divis\u00f5es anuais, volume uniforme de tempo, nada que desejasse reviver. Os meus 40 carregam a satisfa\u00e7\u00e3o de tr\u00eas contribui\u00e7\u00f5es aos 100 da&nbsp;<strong>Folha<\/strong>: logo aos primeiros textos, tratar o assunto militares como qualquer outro, contra o velho tabu; aproveitar os desequil\u00edbrios de Gilmar Mendes e invadir a intocabilidade do Supremo, com mais um tabu que ca\u00eda; e revelar, com&nbsp;<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/poder\/2017\/05\/1883699-escandalo-da-concorrencia-na-ferrovia-norte-sul-completa-30-anos.shtml\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">a Norte-Sul<\/a>&nbsp;e muitas outra fraudes desvendadas e anuladas, a corrup\u00e7\u00e3o que \u00e9 a alma do \u201cdesenvolvimento\u201d no Brasil.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\"><em>A imprensa est\u00e1 em crise, mundo afora. A&nbsp;<strong>Folha<\/strong>&nbsp;merece corrigir seu caminho para vencer mais essa press\u00e3o.\u200b\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A quinta postagem sobre o tema, eu a providenciarei em 2121, j\u00e1 ent\u00e3o durante os festejos dos 200 anos de exist\u00eancia da Folha.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; At\u00e9 l\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\"> <a href=\"https:\/\/www.folha.uol.com.br\/\">#Folha de S\u00e3o Paulo<\/a><br><a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-100-anos\/\">#Centen\u00e1rio<\/a><br><a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/colunas\/janiodefreitas\/\">#J\u00e2nio de Freitas<\/a><br><a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/colunas\/tostao\/\">#Tost\u00e3o <\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\">05\/04\/2021<br>(332)<br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"mailto:mmsmarcos1953@hotmail.com\" target=\"_blank\">mmsmarcos1953@hotmail.com<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A vaidade \u00e9 uma das caracter\u00edsticas do ser humano. \u00c0s vezes discreta, como a minha. Somos todos vaidosos, uns mais que os outros. Gostamose precisamos do reconhecimento e do aplauso do outro. \u00c9 uma fraqueza dos seres humanos. &#8211; Tost\u00e3o &#8211; \u00c9 consabido que lista de melhores \u00e9 coisa aleat\u00f3ria, lacunosa, arbitr\u00e1ria. Pode ser pior se marcada pela presun\u00e7\u00e3o de quem a elabora, v\u00edtima duma comich\u00e3o, duma vontade de se autoinserir no rol dos(as) not\u00e1veis. Disso n\u00e3o vou padecer aqui, n\u00e3o milito na imprensa. Se me indagam quais os(as) profissionais dignos de integrar a rela\u00e7\u00e3o dos(as) maiores jornalistas tupiniquins da atualidade, vou logo arrolando, por ordem alfab\u00e9tica: Dorrit Harazim, Elio Gaspari, Jos\u00e9 N\u00eaumanne, Jos\u00e9 Roberto Guzzo, Mino Carta e Zuenir Ventura. Tirando o N\u00eaumanne, prestes a comemorar setentinha, o restante anda (com sa\u00fade e vigor, assim desejo) pr\u00f3ximo dos oitenta e at\u00e9 dos noventa anos de idade. N\u00e3o h\u00e1 mais algu\u00e9m do ramo, abaixo das tr\u00eas faixas et\u00e1rias, que mere\u00e7a figurar nessa sele\u00e7\u00e3o? Decerto que sim \u2013 por\u00e9m, com o cabedal dessa turma, nutro l\u00e1 minhas d\u00favidas. Depois de redigir e ler com deten\u00e7a o par\u00e1grafo imediatamente acima, notei que a listagem cont\u00e9m seis indiv\u00edduos, e n\u00e3o sete, n\u00famero que relampejava na minha mente para quantificar a forma\u00e7\u00e3o original do time de futebol so\u00e7aite do clube da imprensa. Pelejei, pelejei, e n\u00e3o consegui saber quem era o indiv\u00edduo evadido, as imagens do campo mostradas pela TV n\u00e3o estavam n\u00edtidas, n\u00e3o permitiam identifica\u00e7\u00e3o. Atinei que, nas postagens anteriores (Folha Centen\u00e1ria I, II e III), as quais s\u00e3o coligadas a esta, eu prenunciara o uso do VAR, e dele ent\u00e3o fa\u00e7o uso agora. Incr\u00edvel, a consulta foi r\u00e1pida e eficiente: o recurso tecnol\u00f3gico t\u00e3o criticado ultimamente nos meios esportivos evidenciou que o s\u00e9timo craca\u00e7o era&#8230; &#8230; era o J\u00e2nio de Freitas, destoante um pouco da coorte de colaboradores e colaboradoras da Folha de S\u00e3o Paulo que derramou elogios ao jornal empregador alusivamente aos seus cem anos de exist\u00eancia. O formid\u00e1vel, quase nonagen\u00e1rio articulista, possivelmente tomado por justa m\u00e1goa, contrap\u00f4s restri\u00e7\u00f5es, mormente a atitudes do Oct\u00e1vio filho, sucessor do Octavio&nbsp;pai na dire\u00e7\u00e3o do jornal. Nos 100 anos da&nbsp;Folha, estendi por 40 anos, completados em novembro de 2020, um equ\u00edvoco que se desdobrou em incont\u00e1veis outros. Um telefonema de&nbsp;Boris Casoy, ent\u00e3o diretor de Reda\u00e7\u00e3o, com um convite para minha colabora\u00e7\u00e3o no jornal, dava seguimento a uma sugest\u00e3o de Fl\u00e1vio Rangel a&nbsp;Otavio Frias Filho, que procurava novo ocupante para a coluna fina da p\u00e1gina 2. N\u00e3o ia durar mesmo, ent\u00e3o comecei, n\u00e3o com os esperados seis textos por semana, tr\u00eas cabiam. N\u00e3o se conversou sobre o g\u00eanero de coluna. Meu antecessor viera de d\u00e9cadas como editorialista de pol\u00edtica, com estilo e tem\u00e1tica dessa linhagem. Esperavam de mim, supus, a continua\u00e7\u00e3o assim. Nem tentei: em S\u00e3o Paulo com o nome de Janio, jornalista do abomin\u00e1vel balne\u00e1rio do Rio e incapaz de fazer o que n\u00e3o sabia, na certa seria o horror dos leitores experimentais. Corri para uma cr\u00f4nica de fundo pol\u00edtico, com temperos improv\u00e1veis e card\u00e1pio variado. Nosso Janio s\u00f3brio na vida e no jornalismo, lado oposto ao do Janio presidente renunciante e renunciado, pontifica na costura de seu artigo at\u00e9 abrir uma fenda para elogios ao Octavio pai. Frias pai \u00e9 merecedor de um reconhecimento ainda n\u00e3o feito pelo jornalismo. Nem mesmo na&nbsp;Folha. A extens\u00e3o peculiar da liberdade informativa, base da identidade que o jornal veio a formar, s\u00f3 foi possibilitada por um fator contr\u00e1rio \u00e0 press\u00e3o tradicional do poder econ\u00f4mico&nbsp;para conter o jornalismo entre limites estreitos. Tem um nome: \u00e9 o fator Octavio Frias de Oliveira. O jornal j\u00e1 se tornara o&nbsp;polo da rejei\u00e7\u00e3o p\u00fablica \u00e0 ditadura, com a campanha das Diretas J\u00e1 induzida por Otavio. No regime civil, manteve a posi\u00e7\u00e3o privilegiada com o jornalismo cr\u00edtico aos problemas governamentais da abertura. E \u201cesse movimento [do jornal] veio acompanhado do exerc\u00edcio do jornalismo investigativo\u201d, como disse a O Globo, sobre o centen\u00e1rio da&nbsp;Folha, o presidente da Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Jornais, Marcelo Rech. \u201cA&nbsp;Folha&nbsp;n\u00e3o inventou o jornalismo investigativo, mas a den\u00fancia da fraude na licita\u00e7\u00e3o da ferrovia Norte-Sul (&#8230;), em 1987, foi um divisor de \u00e1guas.\u201d Deu-se uma corrida obcecada \u00e0s revela\u00e7\u00f5es do jornalismo investigativo. O que s\u00f3 foi poss\u00edvel porque Frias acionou uma capacidade extraordin\u00e1ria de reduzir ressentimentos e obter o convencimento dos atingidos, nos interesses e no prest\u00edgio, pelas revela\u00e7\u00f5es da&nbsp;Folha. Aos atos traum\u00e1ticos do jornalismo, foi comum seguir-se imediata opera\u00e7\u00e3o de Frias, regada a simpatia natural e completada com a oferta de espa\u00e7o \u00e0 resposta do atingido \u2014argumento definitivo da inexist\u00eancia de qualquer prop\u00f3sito que n\u00e3o o jornalismo democr\u00e1tico. A&nbsp;Folha&nbsp;compunha uma identidade \u00fanica. Autor dessa mat\u00e9ria sobre a ferrovia, \u00e0 \u00e9poca uma verdadeira bomba, um esc\u00e2ndalo (se bem me recordo, o resultado da licita\u00e7\u00e3o saiu, dissimuladamente, nos Classificados muito antes de acontecer a sess\u00e3o de proclama\u00e7\u00e3o do nome das empresas vencedoras), nosso Janio de Freitas chega ao trecho mais contundente, o registro mais cr\u00edtico da atua\u00e7\u00e3o do jornal que o tinha no seu quadro de pessoal, antes portanto de terceiriz\u00e1-lo. Os olhares de m\u00fatuo entendimento entre mim e a&nbsp;Folha&nbsp;macularam-se no governo Fernando Henrique. Desde a campanha eleitoral, toda a \u201cm\u00eddia\u201d serviu a ele, n\u00e3o s\u00f3 ao Plano Real e sua efic\u00e1cia anti-inflacion\u00e1ria. O senso cr\u00edtico e a responsabilidade social e institucional reprimiram-se. Houve muita ilegalidade e muita imoralidade, mas o comprometimento pol\u00edtico e partid\u00e1rio contrap\u00f4s-se, com mais for\u00e7a, \u00e0 cr\u00edtica necess\u00e1ria e ao jornalismo investigativo. O governo Fernando Henrique foi um per\u00edodo t\u00e3o nefasto para a \u201cm\u00eddia\u201d \u2014n\u00e3o considerado o aspecto financeiro, de grandes benef\u00edcios\u2014 que essa influ\u00eancia vigora at\u00e9 hoje. Mostrou-se em todas as campanhas eleitorais desde aqueles anos 1990. Fez o grande espet\u00e1culo da barragem protetora \u00e0s&nbsp;viol\u00eancias judiciais e pol\u00edticas da Lava Jato&nbsp;de Sergio Moro e Deltan Dallagnol. Mostra-se na complac\u00eancia com a corrup\u00e7\u00e3o dos A\u00e9cios do PSDB. J\u00e1 se entorta para a elei\u00e7\u00e3o presidencial de 2022. E os estilha\u00e7os do tiro da miseric\u00f3rdia, disparado de espingarda calibre 12, atingem n\u00e3o apenas o tucanato e a chamada Rep\u00fablica de Curitiba, sen\u00e3o que timbram em questionar a postura da empregadora Folha por haver relegado Janio de Freitas a uma, me expresso desta maneira, discreta e isolada mesinha da reda\u00e7\u00e3o, assediando um dos mais capacitados e \u00e9ticos jornalistas do pa\u00eds. Das cr\u00f4nicas de fundo pol\u00edtico, o anteparo da&nbsp;Folha&nbsp;me levou a uma coluna de informa\u00e7\u00f5es quentes e buriladas. Da\u00ed, isolado, passei \u00e0 rea\u00e7\u00e3o ao delet\u00e9rio fernandismo-peessedebismo. Por fim, terceirizado, a expor percep\u00e7\u00f5es perdidas ou relegadas no afundamento do pa\u00eds em crise total e mortal. Quarenta anos que sinto sem divis\u00f5es anuais, volume uniforme de tempo, nada que desejasse reviver. Os meus 40 carregam a satisfa\u00e7\u00e3o de tr\u00eas contribui\u00e7\u00f5es aos 100 da&nbsp;Folha: logo aos primeiros textos, tratar o assunto militares como qualquer outro, contra o velho tabu; aproveitar os desequil\u00edbrios de Gilmar Mendes e invadir a intocabilidade do Supremo, com mais um tabu que ca\u00eda; e revelar, com&nbsp;a Norte-Sul&nbsp;e muitas outra fraudes desvendadas e anuladas, a corrup\u00e7\u00e3o que \u00e9 a alma do \u201cdesenvolvimento\u201d no Brasil. A imprensa est\u00e1 em crise, mundo afora. A&nbsp;Folha&nbsp;merece corrigir seu caminho para vencer mais essa press\u00e3o.\u200b\u201d &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A quinta postagem sobre o tema, eu a providenciarei em 2121, j\u00e1 ent\u00e3o durante os festejos dos 200 anos de exist\u00eancia da Folha. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; At\u00e9 l\u00e1. #Folha de S\u00e3o Paulo#Centen\u00e1rio#J\u00e2nio de Freitas#Tost\u00e3o 05\/04\/2021(332)mmsmarcos1953@hotmail.com<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":15549,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-15547","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15547","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15547"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15547\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15555,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15547\/revisions\/15555"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/media\/15549"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15547"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15547"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15547"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}