{"id":15831,"date":"2022-09-03T12:51:09","date_gmt":"2022-09-03T15:51:09","guid":{"rendered":"http:\/\/mapati.com.br\/?p=15831"},"modified":"2022-09-03T12:51:14","modified_gmt":"2022-09-03T15:51:14","slug":"memorias-memorialistas-lxxviii","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/memorias-memorialistas-lxxviii\/","title":{"rendered":"Mem\u00f3rias\/Memorialistas (LXXVIII)"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-right\">S\u00f3 um tolo n\u00e3o se interessa pelo seu passado.<br> &#8211; Sigmund Freud &#8211;<\/p>\n\n\n\n<p style=\"color:#067dc2\" class=\"has-text-color\">Repassando este t\u00f3pico dos memorialistas me dei conta de haver deixado o Pedro Nava tanto tempo \u00e0 margem da ribalta &#8211; desde novembro de 2021. Pura soberba minha. Sou daqueles t\u00e9cnicos de futebol que desfrutam o luxo de possuir numeroso (e car\u00edssimo) elenco, treinam o time \u201cA\u201d como se fosse o time \u201cB\u201d e o time \u201cB\u201d como se fosse o time \u201cA\u201d. Meu Vasco pontificou assim numa \u00e9poca remota (hoje \u00e9 aquela coisa deplor\u00e1vel), vogando em simult\u00e2neo o \u201cExpresso da Vit\u00f3ria\u201d e o \u201cExpressinho\u201d, um excursionava para disputar torneios internacionais e o outro ficava por aqui encarando campeonatos nacionais ou regionais; n\u00e3o vi atuando nenhum deles pois a farra cruzmaltina terminou no ano em que este vale de l\u00e1grimas me viu chegar.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"color:#067dc2\" class=\"has-text-color\">Neste\u00a0<em>blog<\/em>, o apuro \u00e9 invej\u00e1vel: tem-se plantel com quatro memorialistas (os outros, Paulo Duarte, Afonso Arinos e Erico Ver\u00edssimo) craca\u00e7os que correspondem a 22 jogadores cada um, inteirando plantel de 88 atletas da bola, ou melhor, das letras. O Pedro Nava adentrar\u00e1 o gramado na conta\u00e7\u00e3o de epis\u00f3dios, um no primeiro tempo, outro no segundo, o terceiro na prorroga\u00e7\u00e3o e o quarto e \u00faltimo na decis\u00e3o por p\u00eanaltis.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"color:#067dc2\" class=\"has-text-color\">Sem ligar para minha prancheta de t\u00e9cnico, o inconfund\u00edvel capit\u00e3o Nava sobra\u00e7a o quarto volume de suas mem\u00f3rias. Tanto que abre o livro para consult\u00e1-lo, c\u00e2meras possantes espalhadas pelo est\u00e1dio (dificuldade minha para chamar de arena) nos permitem ler o trecho de \u201cBeira-Mar\u201d referindo pol\u00edticos em t\u00e9rmino de campanhas realizadas nas Minas Gerais, nos anos de 1920. Vivemos agora, no Brasil todo, o in\u00edcio delas. Portanto, que os ocasionais leitores e leitoras fa\u00e7am a associa\u00e7\u00e3o que entenderem pertinente com os candidatos(as) de hoje, perguntando-se, transcorrido um s\u00e9culo de l\u00e1 pra c\u00e1, se teria mudado algo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\"><em>\u201c(&#8230;) Dias tamb\u00e9m agitados eram os de chegada de pol\u00edticos. Vinham de excurs\u00f5es consagrat\u00f3rias no interior, voltavam de elei\u00e7\u00f5es un\u00e2nimes, chegavam para ler ou depois de ter lido plataformas. Com Bernardes e Melo Viana a vibra\u00e7\u00e3o c\u00edvica chegava a paroxismos. Os dois eram realmente populares. Cada qual, a seu g\u00eanero, representando o s\u00edmbolo f\u00e1lico e genitor que a psican\u00e1lise e o freudismo emprestam \u00e0 figura dos chefes de estado. Melo Viana era \u00edntimo, dadivoso e paternal. Bernardes era distante, punitivo e paternalista. Uma chegada de Melo Viana era coisa inesquec\u00edvel. Ele descia do seu trem e cumprimentava os pol\u00edticos admitidos \u00e0 plataforma. Seu\u00a0<\/em>tomara-que-chova<em>\u00a0esperava na pra\u00e7a e a multid\u00e3o urrava \u00e0 dist\u00e2ncia. De repente era como se o pr\u00f3prio Presidente obedecesse a um impulso insopit\u00e1vel. Ele mesmo dispensava o carro oficial, afastava os guardas, passava por cima ou rompia os cord\u00f5es de isolamento, atirava fora o chap\u00e9u e ca\u00eda em cheio nos bra\u00e7os do povo. E come\u00e7ava para os Secret\u00e1rios e Oficiais de Gabinete aquela ma\u00e7ada de subirem a p\u00e9 at\u00e9 ao Pal\u00e1cio. Isso, de fraque e ao sol sertanejo.\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/mapati.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/353_Artur-Bernardes-e-Melo-Viana_1922.jpg.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-15835\" width=\"470\" height=\"391\" srcset=\"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/353_Artur-Bernardes-e-Melo-Viana_1922.jpg.png 723w, https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/353_Artur-Bernardes-e-Melo-Viana_1922.jpg-300x250.png 300w\" sizes=\"(max-width: 470px) 100vw, 470px\" \/><figcaption>fontes: https:\/\/hu.wikipedia.org\/wiki\/Fernando_de_Melo_Viana e https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Artur_Bernardes<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p style=\"color:#067dc2\" class=\"has-text-color\">E eu aqui, no meu notebook sucessor das m\u00e1quinas de escrever el\u00e9tricas ou n\u00e3o, digitando \u00e0 sombra, como que protegido das intemp\u00e9ries da secura do cerrado neste fim de agosto, saboreio a narrativa. Me preparo para o espocar do foguet\u00f3rio, lobrigo os puxa-sacos suarentos na faina de abeberar as benesses e prebendas agarradas como cracas nas franjas do poder, e poder mesmo pois estamos tratando das Minas Gerais. Voltemos ent\u00e3o ao Nava.<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201c(&#8230;) Nestas manifesta\u00e7\u00f5es a figura de proa era um cartor\u00e1rio muito conhecido na cidade e que tinha o apelido de&nbsp;<\/em>Clamor P\u00fablico<em>. Apareciam foguetes como por milagre e Melo Viana \u2013 alto e elegante \u2013 era como um baliza a conduzir aquela massa humana. J\u00e1 as de Bernardes eram impressionantes. Ele era mantido dentro de um vasto espa\u00e7o vazio feito por tiras de m\u00e3os dadas a seus partid\u00e1rios mais ferozes, como por exemplo meu amigo C\u00e9sar Damasceno. Esse se descobrira de repente uma voca\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e queria fazer sua carreira sob a copa da \u00e1rvore frondosa do bernardismo \u2013 a que aderira, fazendo curva de cento e oitenta graus, atra\u00eddo, aliciado, convertido pelo Jo\u00e3o Gomes Teixeira. Quando o homem vinha da Vi\u00e7osa ou do Rio o nosso C\u00e9sar em vez de tomar posi\u00e7\u00e3o ao lado dos cadetes do oficialato de gabinete, queria mostrar mais dedica\u00e7\u00e3o ainda e assim cumpria mandados, encarregava-se n\u00e3o de redigir, mas de levar cartas e telegramas aos Correios, de despachar volume e de misturar-se aos toma-larguras dos cord\u00f5es de isolamento humanos que distribu\u00edam os empurr\u00f5es e coices que mantinham \u00e0 dist\u00e2ncia os correligion\u00e1rios mais chegadores que queriam tocar a m\u00e3o na figura sagrada do Chefe. Havia paradas obrigat\u00f3rias e novos magotes engrossavam a multid\u00e3o j\u00e1 comprimida. Irrompiam oradores e o cortejo parava para escutar. Impass\u00edvel e gelado o grande l\u00edder ouvia o discurso, respondia em palavras corretas e breves, sempre mais ou menos as mesmas, em cada esta\u00e7\u00e3o daquela marcha apote\u00f3tica. A \u00faltima j\u00e1 era no&nbsp;Grande Hotel&nbsp;onde ele assomava \u00e0 varanda do canto do primeiro andar e hirto, cipr\u00e9stico \u2013 arengava mais uma vez as massas antes de recolher-se.\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p style=\"color:#067dc2\" class=\"has-text-color\">E, por fim, saltamos das \u2018Nestas manifesta\u00e7\u00f5es\u2019 para \u2018Estas manifesta\u00e7\u00f5es\u2019, descontinuando nosso conv\u00edvio atentos na abordagem sociol\u00f3gica do m\u00e9dico e poeta Pedro Nava, mineiro da Zona da Mata como o meu pai.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\"><em>\u201c(&#8230;) Estas manifesta\u00e7\u00f5es e as arrua\u00e7as dos estudantes eram as \u00fanicas coisas que sacudiam a quietude das ruas de Belo Horizonte. Um fr\u00eamito passava como o vento que enruga a superf\u00edcie de um lago. Mas logo a for\u00e7a da gravidade e o pr\u00f3prio peso das \u00e1guas tornavam-nas quietas e seu espelho estagnado voltava a refletir as muta\u00e7\u00f5es dos c\u00e9us e as nuvens sempre diferentes que neles deslizavam \u2013 dando uma impress\u00e3o de vida. Entretanto os entusiasmos arrefeciam e a mineirada deixava-se de nove-horas e voltava ao seu ramerr\u00e3o habitual de que uma das coisas mais importantes era o trabalho de se gozarem uns aos outros. De indiv\u00edduo a indiv\u00edduo em cada bairro, de bairro em bairro em cada cidade, de cidade em cidade em cada zona. Mineiros do Tri\u00e2ngulo gozam os do Oeste. Os do Sul, a Mata. Os do Norte, o Centro e estes a todos. Minas \u00e9 o \u00fanico Estado do Brasil capaz do refinamento de rir de si mesmo&#8230;\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p style=\"color:#067dc2\" class=\"has-text-color\">Os tr\u00eas outros epis\u00f3dios ficam para a subsequente (ou subsequentes) postagem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-normal-font-size\"><a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Pedro_Nava\">#Pedro Nava<\/a><br><a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Beira-Mar_(livro)\">#Beira-Mar<\/a><br><a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Sigmund_Freud\">#Freud<\/a><br><a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Artur_Bernardes\">#Artur Bernardes<\/a><br><a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Fernando_de_Melo_Viana\">#Fernando de Melo Viana<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\">03\/09\/2022<br> (353)<br> <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"mailto:mmsmarcos1953@hotmail.com\" target=\"_blank\">mmsmarcos1953@hotmail.com<\/a> <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00f3 um tolo n\u00e3o se interessa pelo seu passado. &#8211; Sigmund Freud &#8211; Repassando este t\u00f3pico dos memorialistas me dei conta de haver deixado o Pedro Nava tanto tempo \u00e0 margem da ribalta &#8211; desde novembro de 2021. Pura soberba minha. Sou daqueles t\u00e9cnicos de futebol que desfrutam o luxo de possuir numeroso (e car\u00edssimo) elenco, treinam o time \u201cA\u201d como se fosse o time \u201cB\u201d e o time \u201cB\u201d como se fosse o time \u201cA\u201d. Meu Vasco pontificou assim numa \u00e9poca remota (hoje \u00e9 aquela coisa deplor\u00e1vel), vogando em simult\u00e2neo o \u201cExpresso da Vit\u00f3ria\u201d e o \u201cExpressinho\u201d, um excursionava para disputar torneios internacionais e o outro ficava por aqui encarando campeonatos nacionais ou regionais; n\u00e3o vi atuando nenhum deles pois a farra cruzmaltina terminou no ano em que este vale de l\u00e1grimas me viu chegar. Neste\u00a0blog, o apuro \u00e9 invej\u00e1vel: tem-se plantel com quatro memorialistas (os outros, Paulo Duarte, Afonso Arinos e Erico Ver\u00edssimo) craca\u00e7os que correspondem a 22 jogadores cada um, inteirando plantel de 88 atletas da bola, ou melhor, das letras. O Pedro Nava adentrar\u00e1 o gramado na conta\u00e7\u00e3o de epis\u00f3dios, um no primeiro tempo, outro no segundo, o terceiro na prorroga\u00e7\u00e3o e o quarto e \u00faltimo na decis\u00e3o por p\u00eanaltis. Sem ligar para minha prancheta de t\u00e9cnico, o inconfund\u00edvel capit\u00e3o Nava sobra\u00e7a o quarto volume de suas mem\u00f3rias. Tanto que abre o livro para consult\u00e1-lo, c\u00e2meras possantes espalhadas pelo est\u00e1dio (dificuldade minha para chamar de arena) nos permitem ler o trecho de \u201cBeira-Mar\u201d referindo pol\u00edticos em t\u00e9rmino de campanhas realizadas nas Minas Gerais, nos anos de 1920. Vivemos agora, no Brasil todo, o in\u00edcio delas. Portanto, que os ocasionais leitores e leitoras fa\u00e7am a associa\u00e7\u00e3o que entenderem pertinente com os candidatos(as) de hoje, perguntando-se, transcorrido um s\u00e9culo de l\u00e1 pra c\u00e1, se teria mudado algo. \u201c(&#8230;) Dias tamb\u00e9m agitados eram os de chegada de pol\u00edticos. Vinham de excurs\u00f5es consagrat\u00f3rias no interior, voltavam de elei\u00e7\u00f5es un\u00e2nimes, chegavam para ler ou depois de ter lido plataformas. Com Bernardes e Melo Viana a vibra\u00e7\u00e3o c\u00edvica chegava a paroxismos. Os dois eram realmente populares. Cada qual, a seu g\u00eanero, representando o s\u00edmbolo f\u00e1lico e genitor que a psican\u00e1lise e o freudismo emprestam \u00e0 figura dos chefes de estado. Melo Viana era \u00edntimo, dadivoso e paternal. Bernardes era distante, punitivo e paternalista. Uma chegada de Melo Viana era coisa inesquec\u00edvel. Ele descia do seu trem e cumprimentava os pol\u00edticos admitidos \u00e0 plataforma. Seu\u00a0tomara-que-chova\u00a0esperava na pra\u00e7a e a multid\u00e3o urrava \u00e0 dist\u00e2ncia. De repente era como se o pr\u00f3prio Presidente obedecesse a um impulso insopit\u00e1vel. Ele mesmo dispensava o carro oficial, afastava os guardas, passava por cima ou rompia os cord\u00f5es de isolamento, atirava fora o chap\u00e9u e ca\u00eda em cheio nos bra\u00e7os do povo. E come\u00e7ava para os Secret\u00e1rios e Oficiais de Gabinete aquela ma\u00e7ada de subirem a p\u00e9 at\u00e9 ao Pal\u00e1cio. Isso, de fraque e ao sol sertanejo.\u201d E eu aqui, no meu notebook sucessor das m\u00e1quinas de escrever el\u00e9tricas ou n\u00e3o, digitando \u00e0 sombra, como que protegido das intemp\u00e9ries da secura do cerrado neste fim de agosto, saboreio a narrativa. Me preparo para o espocar do foguet\u00f3rio, lobrigo os puxa-sacos suarentos na faina de abeberar as benesses e prebendas agarradas como cracas nas franjas do poder, e poder mesmo pois estamos tratando das Minas Gerais. Voltemos ent\u00e3o ao Nava. \u201c(&#8230;) Nestas manifesta\u00e7\u00f5es a figura de proa era um cartor\u00e1rio muito conhecido na cidade e que tinha o apelido de&nbsp;Clamor P\u00fablico. Apareciam foguetes como por milagre e Melo Viana \u2013 alto e elegante \u2013 era como um baliza a conduzir aquela massa humana. J\u00e1 as de Bernardes eram impressionantes. Ele era mantido dentro de um vasto espa\u00e7o vazio feito por tiras de m\u00e3os dadas a seus partid\u00e1rios mais ferozes, como por exemplo meu amigo C\u00e9sar Damasceno. Esse se descobrira de repente uma voca\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e queria fazer sua carreira sob a copa da \u00e1rvore frondosa do bernardismo \u2013 a que aderira, fazendo curva de cento e oitenta graus, atra\u00eddo, aliciado, convertido pelo Jo\u00e3o Gomes Teixeira. Quando o homem vinha da Vi\u00e7osa ou do Rio o nosso C\u00e9sar em vez de tomar posi\u00e7\u00e3o ao lado dos cadetes do oficialato de gabinete, queria mostrar mais dedica\u00e7\u00e3o ainda e assim cumpria mandados, encarregava-se n\u00e3o de redigir, mas de levar cartas e telegramas aos Correios, de despachar volume e de misturar-se aos toma-larguras dos cord\u00f5es de isolamento humanos que distribu\u00edam os empurr\u00f5es e coices que mantinham \u00e0 dist\u00e2ncia os correligion\u00e1rios mais chegadores que queriam tocar a m\u00e3o na figura sagrada do Chefe. Havia paradas obrigat\u00f3rias e novos magotes engrossavam a multid\u00e3o j\u00e1 comprimida. Irrompiam oradores e o cortejo parava para escutar. Impass\u00edvel e gelado o grande l\u00edder ouvia o discurso, respondia em palavras corretas e breves, sempre mais ou menos as mesmas, em cada esta\u00e7\u00e3o daquela marcha apote\u00f3tica. A \u00faltima j\u00e1 era no&nbsp;Grande Hotel&nbsp;onde ele assomava \u00e0 varanda do canto do primeiro andar e hirto, cipr\u00e9stico \u2013 arengava mais uma vez as massas antes de recolher-se.\u201d E, por fim, saltamos das \u2018Nestas manifesta\u00e7\u00f5es\u2019 para \u2018Estas manifesta\u00e7\u00f5es\u2019, descontinuando nosso conv\u00edvio atentos na abordagem sociol\u00f3gica do m\u00e9dico e poeta Pedro Nava, mineiro da Zona da Mata como o meu pai. \u201c(&#8230;) Estas manifesta\u00e7\u00f5es e as arrua\u00e7as dos estudantes eram as \u00fanicas coisas que sacudiam a quietude das ruas de Belo Horizonte. Um fr\u00eamito passava como o vento que enruga a superf\u00edcie de um lago. Mas logo a for\u00e7a da gravidade e o pr\u00f3prio peso das \u00e1guas tornavam-nas quietas e seu espelho estagnado voltava a refletir as muta\u00e7\u00f5es dos c\u00e9us e as nuvens sempre diferentes que neles deslizavam \u2013 dando uma impress\u00e3o de vida. Entretanto os entusiasmos arrefeciam e a mineirada deixava-se de nove-horas e voltava ao seu ramerr\u00e3o habitual de que uma das coisas mais importantes era o trabalho de se gozarem uns aos outros. De indiv\u00edduo a indiv\u00edduo em cada bairro, de bairro em bairro em cada cidade, de cidade em cidade em cada zona. Mineiros do Tri\u00e2ngulo gozam os do Oeste. Os do Sul, a Mata. Os do Norte, o Centro e estes a todos. Minas \u00e9 o \u00fanico Estado do Brasil capaz do refinamento de rir de si mesmo&#8230;\u201d Os tr\u00eas outros epis\u00f3dios ficam para a subsequente (ou subsequentes) postagem. #Pedro Nava#Beira-Mar#Freud#Artur Bernardes#Fernando de Melo Viana 03\/09\/2022 (353) mmsmarcos1953@hotmail.com<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":15837,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-15831","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15831","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15831"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15831\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15836,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15831\/revisions\/15836"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/media\/15837"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15831"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15831"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15831"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}