{"id":15839,"date":"2022-10-01T11:21:16","date_gmt":"2022-10-01T14:21:16","guid":{"rendered":"http:\/\/mapati.com.br\/?p=15839"},"modified":"2022-10-01T11:42:29","modified_gmt":"2022-10-01T14:42:29","slug":"obsessoes-musicais-xxvii","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/obsessoes-musicais-xxvii\/","title":{"rendered":"Obsess\u00f5es musicais (XXVII)"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-right\"><em>(\u2026) a mem\u00f3ria \u00e9 contr\u00e1ria ao tempo. Enquanto o tempo leva a vida embora como vento, a mem\u00f3ria traz de volta o que realmente importa, eternizando momentos.<br><\/em>&#8211; Ad\u00e9lia Prado \u2013<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-color has-vivid-cyan-blue-color\">Universo da m\u00fasica, duplas de artistas que n\u00e3o se dissolvem ao menos em nosso imagin\u00e1rio. Morre um(a) integrante ou a separa\u00e7\u00e3o (de ordin\u00e1rio traum\u00e1tica) explode na imprensa, ainda assim o duo sobreexiste. No exemplo primeiro, podemos arrolar Leandro &amp; Leonardo, Claudinho &amp; Bochecha, Jo\u00e3o Paulo &amp; Daniel, Milion\u00e1rio &amp; Z\u00e9 Rico, Paran\u00e1 &amp; Chico Rey. No segundo, in\u00fameros s\u00e3o os pares que, at\u00e9 de forma litigiosa, incursionaram por caminhos distintos, tendo alguns deles(as) passado a explorar outros fil\u00f5es. N\u00e3o me deterei nisso, basta de trazer \u00e0 cola\u00e7\u00e3o desentendimentos, agress\u00f5es.<br>\nNesse ritmo, exalto duplas que atravessaram d\u00e9cadas trabalhando em conjunto, proficuamente, fechadas embora para outras parcerias, insculpindo em nosso cancioneiro (termo vetusto; us\u00e1-lo \u00e9 coisa vetusta), na m\u00fasica popular brasileira obras admir\u00e1veis, quer pela letra, quer pela melodia: Antonio Adolfo e Tiberio Gaspar, Jair Amorim e Evaldo Gouveia (ambos falecidos), Michael Sullivan e Paulo Massadas, Antonio Carlos e Jocafi, S\u00e1 e Guarabyra (era um trio, integrado pelo falecido Z\u00e9 Rodrix).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-color has-vivid-cyan-blue-color\">Desafino, pois que divorcio o Adolfo do Tiberio. E o fa\u00e7o timbrando a relev\u00e2ncia que teve \u00e0 \u00e9poca (h\u00e1 quarenta e cinco anos) o bolach\u00e3o \u201cFeito em casa\u201d. De par com a excel\u00eancia art\u00edstica do LP, inevit\u00e1vel o registro do que significou tal lan\u00e7amento. Fiquemos com quem re\u00fane mais qualidades para descrever o fen\u00f4meno discogr\u00e1fico:<br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\"> &#8211; Felix Baigon &#8211;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\"><em>\u201cPrecursor da nossa m\u00fasica instrumental, o pianista e arranjador Antonio Adolfo gravou e lan\u00e7ou, em 1977, o disco mais representativo da m\u00fasica independente no Brasil.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\"><em>\u201cBatizado de \u2018Feito em Casa\u2019 (\u2026).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\"><em>\u201cTerminada a grava\u00e7\u00e3o da fita, o maestro n\u00e3o conseguiu espa\u00e7o em nenhuma gravadora em atividade na \u00e9poca e resolveu concluir o disco de forma totalmente artesanal e independente, da\u00ed o t\u00edtulo do \u00e1lbum.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\"><em>\u201cDesde a confec\u00e7\u00e3o da capa at\u00e9 a montagem e embalagem. As negocia\u00e7\u00f5es do \u00e1lbum eram feitas diretamente com os lojistas, em seus shows e em viagens por quase todo o Brasil.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\"><em>\u201cCerta feita, a cantora Carol Saboya, que \u00e9 filha de Antonio, contou-me passagens importantes da carreira dele e disse que tudo nesse disco foi artesanal mesmo.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\"><em>Assim como era feita a m\u00fasica instrumental ao redor do mundo nessa \u00e9poca.\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p> &#8211; Fellipe Torres &#8211;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\"><em>\u201cPara se aventurar musicalmente em busca de um p\u00fablico, hoje, na era da informa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 preciso muito al\u00e9m de uma c\u00e2mera, um viol\u00e3o e acesso \u00e0 internet. Claro, o tradicional modelo de ind\u00fastria fonogr\u00e1fica permanece por a\u00ed. Nas \u00faltimas duas d\u00e9cadas, reinventou-se como nunca para se manter relevante no modo de grava\u00e7\u00e3o, edi\u00e7\u00e3o, distribui\u00e7\u00e3o e consumo de conte\u00fado. Mas, se analisadas as dificuldades hist\u00f3ricas enfrentadas por artistas em busca de um lugar ao sol, \u00e9 seguro dizer: nada ser\u00e1 como antes.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\"><em>\u201cO protagonismo dos m\u00fasicos nas v\u00e1rias etapas desse processo reverbera a atmosfera p\u00f3s-moderna da d\u00e9cada de 1970, quando ganhava for\u00e7a no Brasil e no mundo a cultura DIY (sigla para \u2018do it yourself\u2019, ou \u2018fa\u00e7a voc\u00ea mesmo\u2019). De bra\u00e7os dados com a liberdade intelectual, o movimento pregava maneiras alternativas de se criar, sem as amarras de grandes corpora\u00e7\u00f5es. Imbu\u00eddo desse esp\u00edrito aventureiro, o pianista e arranjador carioca Antonio Adolfo produziu e lan\u00e7ou, h\u00e1 40 anos <\/em>(atualizo: 45 anos. Marcos)<em>, o vinil Feito em casa, considerado por muitos o primeiro \u00e1lbum independente do Brasil.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\"><em>\u201c\u2018Quis fazer o que estava sentindo. N\u00e3o queria compromisso com paradas de sucesso, com gravadoras. \u00c9 um disco bem pl\u00e1cido, bem calmo. Juntei os m\u00fasicos. Na \u00e9poca, tinha uma (perua) Belina. Colocava o piano nela, os discos, os endere\u00e7os para onde ia me apresentar\u2026 O Tim Maia me deu muitas dicas, porque j\u00e1 tinha feito aquele disco da fase racional\u2019, comentou Antonio Adolfo no programa Passagem de som, do Sesc, em conversa com o m\u00fasico Arrigo Barnab\u00e9.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\"><em>\u201cA ousadia do instrumentista abriu caminho para artistas como o pr\u00f3prio Arrigo, junto com Danilo Caymmi, Francisco Mario, Itamar Assump\u00e7\u00e3o. \u2018O disco \u00e9 um marco fundamental, j\u00e1 que foi a partir de seu lan\u00e7amento que &#8211; pela primeira vez &#8211; desenvolveu-se uma discuss\u00e3o em torno do tema. Uma cena independente surge tanto como espa\u00e7o de resist\u00eancia cultural e pol\u00edtica \u00e0 nova organiza\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria, quanto como \u00fanica via de acesso ao mercado para um variado grupo de artistas\u2019, assinala o pesquisador Eduardo Vicente, doutor em comunica\u00e7\u00e3o pela ECA\/USP, na obra A vez dos independentes(?): Um olhar sobre a produ\u00e7\u00e3o musical independente do pa\u00eds).\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-color has-vivid-cyan-blue-color\">Ou\u00e7amos ent\u00e3o esta m\u00fasica cativante (https:\/\/www.letras.mus.br\/antonio-adolfo\/aonde-voce-vai\/), que, vim a saber agora, integrou a trilha sonora de  &#8220;O Homem de Toronto&#8221;, filme rec\u00e9m lan\u00e7ado com pompa e circunst\u00e2ncia pela Netflix. Quanto \u00e0 letra ora transposta, me defenderei valentemente de qualquer pe\u00e7a acusat\u00f3ria no sentido de que minha escolha fora feita devido \u00e0 presente campanha eleitoral.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed-youtube aligncenter wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-embed-aspect-4-3 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe title=\"Antonio Adolfo - Aonde voce vai\" width=\"960\" height=\"720\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/k1BNrpSyD6g?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p style=\"font-size:18px\" class=\"has-text-align-center\"><strong>Aonde Voc\u00ea Vai<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\">Onde voc\u00ea vai, com tanta pressa?<br>\nCom tanta pressa?<br>\nCom tanta pressa?<br>\nOnde voc\u00ea vai, com tanta luta?<br>\nCom tanta luta?<br>\nCom tanta luta?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\">Eu vou, eu n\u00e3o sei onde eu vou<br>\nMas eu n\u00e3o sei onde eu vou, meu senhor<br>\nEu vou, eu n\u00e3o sei onde eu vou<br>\nMas eu n\u00e3o sei onde eu vou, meu senhor<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\">Onde voc\u00ea vai, com tanta impaci\u00eancia?<br>\nTanta impertin\u00eancia?<br>\nTanta maledic\u00eancia?<br>\nOnde voc\u00ea vai, com tanta impaci\u00eancia?<br>\nTanta impertin\u00eancia?<br>\nTanta maledic\u00eancia?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\">Eu vou, eu n\u00e3o sei onde eu vou<br>\nMas eu n\u00e3o sei onde eu vou, meu senhor<br>\nEu vou, eu n\u00e3o sei onde eu vou<br>\nMas eu n\u00e3o sei onde eu vou, meu senhor<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\">Onde voc\u00ea vai, com tanta busca?<br>\nCom tanto medo?<br>\nCom tanto \u00f3dio?<br>\nOnde voc\u00ea vai, com tanta busca?<br>\nCom tanto medo?<br>\nCom tanto \u00f3dio?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\">Eu vou, eu n\u00e3o sei onde eu vou<br>\nMas eu n\u00e3o sei onde eu vou, meu senhor<br>\nEu vou, eu n\u00e3o sei onde eu vou<br>\nMas eu n\u00e3o sei onde eu vou, meu senhor<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\">Onde voc\u00ea vai, com tanta gan\u00e2ncia?<br>\nTanta arrog\u00e2ncia?<br>\nTanta ignor\u00e2ncia?<br>\nOnde voc\u00ea vai, com tanta gan\u00e2ncia?<br>\nTanta arrog\u00e2ncia?<br>\nTanta ignor\u00e2ncia?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\">Eu vou, eu n\u00e3o sei onde eu vou<br>\nMas eu n\u00e3o sei onde eu vou, meu senhor<br>\nEu vou, eu n\u00e3o sei onde eu vou<br>\nMas eu n\u00e3o sei onde eu vou, meu senhor<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\">Onde voc\u00ea vai, um laro lera<br>\nUm laro lera<br>\nUm laro lera<br>\nOnde voc\u00ea vai, um laro lera<br>\nUm laro lera<br>\nUm laro lera<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\">Eu vou, eu n\u00e3o sei onde eu vou<br> Mas eu n\u00e3o sei onde eu vou, meu senhor<br> Eu vou, eu n\u00e3o sei onde eu vou<br> Mas eu n\u00e3o sei onde eu vou, meu senhor<br> Eu vou, eu n\u00e3o sei onde eu vou<br> Mas eu n\u00e3o sei onde eu vou, meu senhor<br> Mas eu n\u00e3o sei, eu n\u00e3o sei, eu n\u00e3o sei onde eu vou<br> Mas eu n\u00e3o sei onde eu vou, meu senhor<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:17px\" class=\"has-text-align-center\"><strong>&#8211; Ant\u00f4nio Adolfo &#8211;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-normal-font-size\"><a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Ad%C3%A9lia_Prado\">#Ad\u00e9lia Prado<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.discogs.com\/pt_BR\/release\/1458672-Antonio-Adolfo-Feito-Em-Casa\">#Feito em casa<\/a><br><a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Antonio_Adolfo\">#Antonio Adolfo<\/a><br>#Aonde voc\u00ea est\u00e1<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\">01\/10\/2022<br>(354)<br> <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"mailto:mmsmarcos1953@hotmail.com\" target=\"_blank\">mmsmarcos1953@hotmail.com<\/a> <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(\u2026) a mem\u00f3ria \u00e9 contr\u00e1ria ao tempo. Enquanto o tempo leva a vida embora como vento, a mem\u00f3ria traz de volta o que realmente importa, eternizando momentos.&#8211; Ad\u00e9lia Prado \u2013 Universo da m\u00fasica, duplas de artistas que n\u00e3o se dissolvem ao menos em nosso imagin\u00e1rio. Morre um(a) integrante ou a separa\u00e7\u00e3o (de ordin\u00e1rio traum\u00e1tica) explode na imprensa, ainda assim o duo sobreexiste. No exemplo primeiro, podemos arrolar Leandro &amp; Leonardo, Claudinho &amp; Bochecha, Jo\u00e3o Paulo &amp; Daniel, Milion\u00e1rio &amp; Z\u00e9 Rico, Paran\u00e1 &amp; Chico Rey. No segundo, in\u00fameros s\u00e3o os pares que, at\u00e9 de forma litigiosa, incursionaram por caminhos distintos, tendo alguns deles(as) passado a explorar outros fil\u00f5es. N\u00e3o me deterei nisso, basta de trazer \u00e0 cola\u00e7\u00e3o desentendimentos, agress\u00f5es. Nesse ritmo, exalto duplas que atravessaram d\u00e9cadas trabalhando em conjunto, proficuamente, fechadas embora para outras parcerias, insculpindo em nosso cancioneiro (termo vetusto; us\u00e1-lo \u00e9 coisa vetusta), na m\u00fasica popular brasileira obras admir\u00e1veis, quer pela letra, quer pela melodia: Antonio Adolfo e Tiberio Gaspar, Jair Amorim e Evaldo Gouveia (ambos falecidos), Michael Sullivan e Paulo Massadas, Antonio Carlos e Jocafi, S\u00e1 e Guarabyra (era um trio, integrado pelo falecido Z\u00e9 Rodrix). Desafino, pois que divorcio o Adolfo do Tiberio. E o fa\u00e7o timbrando a relev\u00e2ncia que teve \u00e0 \u00e9poca (h\u00e1 quarenta e cinco anos) o bolach\u00e3o \u201cFeito em casa\u201d. De par com a excel\u00eancia art\u00edstica do LP, inevit\u00e1vel o registro do que significou tal lan\u00e7amento. Fiquemos com quem re\u00fane mais qualidades para descrever o fen\u00f4meno discogr\u00e1fico: &#8211; Felix Baigon &#8211; \u201cPrecursor da nossa m\u00fasica instrumental, o pianista e arranjador Antonio Adolfo gravou e lan\u00e7ou, em 1977, o disco mais representativo da m\u00fasica independente no Brasil. \u201cBatizado de \u2018Feito em Casa\u2019 (\u2026). \u201cTerminada a grava\u00e7\u00e3o da fita, o maestro n\u00e3o conseguiu espa\u00e7o em nenhuma gravadora em atividade na \u00e9poca e resolveu concluir o disco de forma totalmente artesanal e independente, da\u00ed o t\u00edtulo do \u00e1lbum. \u201cDesde a confec\u00e7\u00e3o da capa at\u00e9 a montagem e embalagem. As negocia\u00e7\u00f5es do \u00e1lbum eram feitas diretamente com os lojistas, em seus shows e em viagens por quase todo o Brasil. \u201cCerta feita, a cantora Carol Saboya, que \u00e9 filha de Antonio, contou-me passagens importantes da carreira dele e disse que tudo nesse disco foi artesanal mesmo. Assim como era feita a m\u00fasica instrumental ao redor do mundo nessa \u00e9poca.\u201d &#8211; Fellipe Torres &#8211; \u201cPara se aventurar musicalmente em busca de um p\u00fablico, hoje, na era da informa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 preciso muito al\u00e9m de uma c\u00e2mera, um viol\u00e3o e acesso \u00e0 internet. Claro, o tradicional modelo de ind\u00fastria fonogr\u00e1fica permanece por a\u00ed. Nas \u00faltimas duas d\u00e9cadas, reinventou-se como nunca para se manter relevante no modo de grava\u00e7\u00e3o, edi\u00e7\u00e3o, distribui\u00e7\u00e3o e consumo de conte\u00fado. Mas, se analisadas as dificuldades hist\u00f3ricas enfrentadas por artistas em busca de um lugar ao sol, \u00e9 seguro dizer: nada ser\u00e1 como antes. \u201cO protagonismo dos m\u00fasicos nas v\u00e1rias etapas desse processo reverbera a atmosfera p\u00f3s-moderna da d\u00e9cada de 1970, quando ganhava for\u00e7a no Brasil e no mundo a cultura DIY (sigla para \u2018do it yourself\u2019, ou \u2018fa\u00e7a voc\u00ea mesmo\u2019). De bra\u00e7os dados com a liberdade intelectual, o movimento pregava maneiras alternativas de se criar, sem as amarras de grandes corpora\u00e7\u00f5es. Imbu\u00eddo desse esp\u00edrito aventureiro, o pianista e arranjador carioca Antonio Adolfo produziu e lan\u00e7ou, h\u00e1 40 anos (atualizo: 45 anos. Marcos), o vinil Feito em casa, considerado por muitos o primeiro \u00e1lbum independente do Brasil. \u201c\u2018Quis fazer o que estava sentindo. N\u00e3o queria compromisso com paradas de sucesso, com gravadoras. \u00c9 um disco bem pl\u00e1cido, bem calmo. Juntei os m\u00fasicos. Na \u00e9poca, tinha uma (perua) Belina. Colocava o piano nela, os discos, os endere\u00e7os para onde ia me apresentar\u2026 O Tim Maia me deu muitas dicas, porque j\u00e1 tinha feito aquele disco da fase racional\u2019, comentou Antonio Adolfo no programa Passagem de som, do Sesc, em conversa com o m\u00fasico Arrigo Barnab\u00e9. \u201cA ousadia do instrumentista abriu caminho para artistas como o pr\u00f3prio Arrigo, junto com Danilo Caymmi, Francisco Mario, Itamar Assump\u00e7\u00e3o. \u2018O disco \u00e9 um marco fundamental, j\u00e1 que foi a partir de seu lan\u00e7amento que &#8211; pela primeira vez &#8211; desenvolveu-se uma discuss\u00e3o em torno do tema. Uma cena independente surge tanto como espa\u00e7o de resist\u00eancia cultural e pol\u00edtica \u00e0 nova organiza\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria, quanto como \u00fanica via de acesso ao mercado para um variado grupo de artistas\u2019, assinala o pesquisador Eduardo Vicente, doutor em comunica\u00e7\u00e3o pela ECA\/USP, na obra A vez dos independentes(?): Um olhar sobre a produ\u00e7\u00e3o musical independente do pa\u00eds).\u201d Ou\u00e7amos ent\u00e3o esta m\u00fasica cativante (https:\/\/www.letras.mus.br\/antonio-adolfo\/aonde-voce-vai\/), que, vim a saber agora, integrou a trilha sonora de &#8220;O Homem de Toronto&#8221;, filme rec\u00e9m lan\u00e7ado com pompa e circunst\u00e2ncia pela Netflix. Quanto \u00e0 letra ora transposta, me defenderei valentemente de qualquer pe\u00e7a acusat\u00f3ria no sentido de que minha escolha fora feita devido \u00e0 presente campanha eleitoral. Aonde Voc\u00ea Vai Onde voc\u00ea vai, com tanta pressa? Com tanta pressa? Com tanta pressa? Onde voc\u00ea vai, com tanta luta? Com tanta luta? Com tanta luta? Eu vou, eu n\u00e3o sei onde eu vou Mas eu n\u00e3o sei onde eu vou, meu senhor Eu vou, eu n\u00e3o sei onde eu vou Mas eu n\u00e3o sei onde eu vou, meu senhor Onde voc\u00ea vai, com tanta impaci\u00eancia? Tanta impertin\u00eancia? Tanta maledic\u00eancia? Onde voc\u00ea vai, com tanta impaci\u00eancia? Tanta impertin\u00eancia? Tanta maledic\u00eancia? Eu vou, eu n\u00e3o sei onde eu vou Mas eu n\u00e3o sei onde eu vou, meu senhor Eu vou, eu n\u00e3o sei onde eu vou Mas eu n\u00e3o sei onde eu vou, meu senhor Onde voc\u00ea vai, com tanta busca? Com tanto medo? Com tanto \u00f3dio? Onde voc\u00ea vai, com tanta busca? Com tanto medo? Com tanto \u00f3dio? Eu vou, eu n\u00e3o sei onde eu vou Mas eu n\u00e3o sei onde eu vou, meu senhor Eu vou, eu n\u00e3o sei onde eu vou Mas eu n\u00e3o sei onde eu vou, meu senhor Onde voc\u00ea vai, com tanta gan\u00e2ncia? Tanta arrog\u00e2ncia? Tanta ignor\u00e2ncia? Onde voc\u00ea vai, com tanta gan\u00e2ncia? Tanta arrog\u00e2ncia? Tanta ignor\u00e2ncia? Eu vou, eu n\u00e3o sei onde eu vou Mas eu n\u00e3o sei onde eu vou, meu senhor Eu vou, eu n\u00e3o sei onde eu vou Mas eu n\u00e3o sei onde eu vou, meu senhor Onde voc\u00ea vai, um laro lera Um laro lera Um laro lera Onde voc\u00ea vai, um laro lera Um laro lera Um laro lera Eu vou, eu n\u00e3o sei onde eu vou Mas eu n\u00e3o sei onde eu vou, meu senhor Eu vou, eu n\u00e3o sei onde eu vou Mas eu n\u00e3o sei onde eu vou, meu senhor Eu vou, eu n\u00e3o sei onde eu vou Mas eu n\u00e3o sei onde eu vou, meu senhor Mas eu n\u00e3o sei, eu n\u00e3o sei, eu n\u00e3o sei onde eu vou Mas eu n\u00e3o sei onde eu vou, meu senhor &#8211; Ant\u00f4nio Adolfo &#8211; #Ad\u00e9lia Prado#Feito em casa#Antonio Adolfo#Aonde voc\u00ea est\u00e1 01\/10\/2022(354) mmsmarcos1953@hotmail.com<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":15846,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-15839","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15839","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15839"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15839\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15848,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15839\/revisions\/15848"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/media\/15846"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15839"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15839"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15839"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}