{"id":16133,"date":"2023-05-31T20:04:39","date_gmt":"2023-05-31T23:04:39","guid":{"rendered":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/?p=16133"},"modified":"2023-05-31T20:04:47","modified_gmt":"2023-05-31T23:04:47","slug":"memorias-memorialistas-lxxxi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/memorias-memorialistas-lxxxi\/","title":{"rendered":"Mem\u00f3rias\/ Memorialistas LXXXI"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-right\" style=\"font-size:16px\"><em>Como muitas pessoas, aprendi, adolescente, que n\u00e3o se fala mal de quem acabou de morrer &#8211; mesmo das pessoas detestadas ou detest\u00e1veis. Passados os anos, at\u00e9 podemos critic\u00e1-las. Mas a hora da morte exige respeito aos familiares do falecido e ao pr\u00f3prio mist\u00e9rio do fim da vida. A\u00ed est\u00e1 &#8211; ou estava? &#8211; um tra\u00e7o essencial da boa educa\u00e7\u00e3o: respeitar a morte.&nbsp;<br>&#8211; Renato Janine Ribeiro &#8211;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-color\" style=\"color:#0e6fa7;font-size:16px\">Se na plenitude de minha capacidade mental, n\u00e3o me sobraria alternativa sen\u00e3o desistir deste&nbsp;<em>blog<\/em>&nbsp;quase nunca lido, quase nunca comentado. Quem perpetra uma escrita fica bordejando, em seguida se acomoda no ber\u00e7o espl\u00eandido &#8211; at\u00e9 a primeira estocada, efeito devastador em quem se achava. Circunst\u00e2ncia agravante: quando o&nbsp;<em>elogio&nbsp;<\/em>se origina de pessoa de nosso c\u00edrculo pr\u00f3ximo. N\u00e3o me venha de borzeguins ao leito, n\u00e3o me venha com aquela historinha de que \u00e9 cr\u00edtica construtiva, que d\u00f3i mas \u00e9 para o meu bem. Isso n\u00e3o cola.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-color\" style=\"color:#0e6fa7;font-size:16px\">O desabafo se deve a que incauta, angelical leitora me cobrira de&nbsp;<em>enc\u00f4mios<\/em>. Vislumbrou, em textos meus, exibicionismo prolixo (lembrei, ela tamb\u00e9m aludiu \u00e0 melancolia). &nbsp;Congreguei energias para assimilar as aleivosias sem no entanto saber o que mais (de)merit\u00f3rio &#8211; sair por a\u00ed com uma melancia na cabe\u00e7a \u00e0 la Carmem Miranda ou me transmutar no deputado Eduardo Suplicy esgrimindo, redundante, o&nbsp;<em>Renda M\u00ednima<\/em>&nbsp;por horas e horas no parlamento. Ou as duas hip\u00f3teses. At\u00e9 a\u00ed, creiam, o sacode entrara como m\u00fasica suave em meus ouvidos. O que me arremessou de forma brutal no div\u00e3 da terapeuta foi minha&nbsp;<em>f\u00e3&nbsp;<\/em>ter revogado meu horizonte de adolescente e, contrariando os ensinamentos hauridos no seu recent\u00edssimo PhD em Direito, me chamou de anci\u00e3o. Anci\u00e3o, n\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-color\" style=\"color:#0e6fa7;font-size:16px\">Intuo que j\u00e1 estou recuperado ap\u00f3s a artilharia pesada e torno ao Erico Ver\u00edssimo consoante assinalado na postagem anterior. Trata-se de saber se nosso cavaleiro dos pampas \u00e9, ou n\u00e3o, pornogr\u00e1fico em sua literatura.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:16px\">\u201c<em>Por que \u2013 perguntam-me \u00e0s vezes \u2013 tenho tanta preocupa\u00e7\u00e3o com o sexo? Ora, respondo, decerto \u00e9 porque no fundo sou um puritano. Mora dentro de mim um pastor protestante a pregar interminavelmente um serm\u00e3o apocal\u00edptico contra o pecado da carne, e eu n\u00e3o posso consentir que esse homenzinho emascule as minhas personagens ou a mim mesmo.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:16px\"><em>\u201cPor outro lado quero contribuir para que o problema do sexo seja examinado com mais coragem, honestidade, esp\u00edrito adulto e&#8230; sa\u00fade; Muitas vezes fico alarmado ao pensar que, relativamente falando, um leitor sente menos indigna\u00e7\u00e3o ao tomar conhecimento do assass\u00ednio de seis milh\u00f5es de judeus nas c\u00e2maras de g\u00e1s asfixiante dos campos de concentra\u00e7\u00e3o nazistas, ou do lan\u00e7amento da bomba at\u00f4mica em Hiroxima que redundou na morte de mais de cem mil pessoas, ou ainda ao saber que mais de dois ter\u00e7os da popula\u00e7\u00e3o do Brasil vive numa mis\u00e9ria abjeta \u2013 do que quando l\u00ea num romance uma cena er\u00f3tica descrita com clara franqueza. O que quero dizer \u00e9 que noto uma despropor\u00e7\u00e3o absurda, direi mesmo monstruosa, entre a natureza e a intensidade desses dois tipos de indigna\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:16px\"><em>\u201cFalando com a maior sinceridade, para mim pornografia mesmo \u00e9 a crueldade do homem para com seu semelhante, a explora\u00e7\u00e3o do homem pelo homem; obscenidade \u00e9 a guerra e o genoc\u00eddio. Os mocambos do Recife, as favelas do Rio e de centenas de outras cidades da nossa terra constituem as mais indecentes e repulsivas p\u00e1ginas e cenas da vida brasileira.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-color\" style=\"color:#0e6fa7;font-size:16px\">N\u00e3o custa recordar que essas palavras chegaram ao p\u00fablico h\u00e1 quase cinquenta anos, portanto na d\u00e9cada de 1970. De l\u00e1 para c\u00e1, muita coisa mudou para melhor. Ser\u00e1? Por exemplo, nesse quinqu\u00eanio \u00faltimo no Banan\u00e3o (Ivan Lessa) preponderou o moralismo, que, na abalizada defini\u00e7\u00e3o do jornalista Reinaldo Azevedo, \u00e9 a moral deformada. <\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"3609\" height=\"2555\" data-id=\"16141\" src=\"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/361___2.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-16141\" srcset=\"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/361___2.png 3609w, https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/361___2-300x212.png 300w, https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/361___2-1024x725.png 1024w, https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/361___2-768x544.png 768w, https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/361___2-1536x1087.png 1536w, https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/361___2-2048x1450.png 2048w, https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/361___2-1140x807.png 1140w\" sizes=\"(max-width: 3609px) 100vw, 3609px\" \/><\/figure>\n<\/figure>\n\n\n\n<p style=\"font-size:16px\"><em>\u201cIsso nos d\u00e1 uma ideia da terr\u00edvel import\u00e2ncia da linguagem. Vivemos tolas e terr\u00edveis ilus\u00f5es sem\u00e2nticas. Por causa de palavras ou frases matamos ou morremos, sentimo-nos desgra\u00e7ados ou infernizamos a vida de nossos semelhantes. Qualquer ato ou fato, por mais prov\u00e1vel que seja, de acordo com paradigmas morais r\u00edgidos, perde a sua for\u00e7a, a sua natureza pecaminosa e tende a ser ignorado ou esquecido quando n\u00e3o verbalizado, principalmente em romances. Fazer, pois, n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o importante, t\u00e3o grave quanto dizer ou escrever. Quantas vezes transferimos a culpa duma situa\u00e7\u00e3o vergonhosa &#8211; que na realidade cabe a um regime pol\u00edtico-econ\u00f4mico ou a uma conjuntura social \u2013 para cima dos ombros do jornalista ou do ficcionista que ousou reproduzi-la num reportagem&nbsp; ou num romance?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:16px\"><em>\u201cE \u00e9 exatamente por causa da exagerada import\u00e2ncia que damos \u00e0s palavras que n\u00f3s muitas vezes resolvemos nossos problemas apenas no papel, isto \u00e9, de maneira verbal, e vamos dormir tranq\u00fcilos. Porque se ningu\u00e9m jamais pronunciar ou escrever a palavra puta (desculpem-me, que se me escapou o \u2018nome feio\u2019!) a prostitui\u00e7\u00e3o deixar\u00e1 de ter exist\u00eancia real.\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-color\" style=\"color:#0e6fa7;font-size:16px\">O ora exposto ser\u00e1 o derradeiro registro dentro do t\u00f3pico em quest\u00e3o, salvo se, ainda no recesso das mem\u00f3rias contidas no volume 2 do&nbsp;<em>Solo de clarineta<\/em>, em sequ\u00eancia eu trouxer \u00e0 baila as impress\u00f5es do Erico Ver\u00edssimo sobre sua religiosidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-color\" style=\"color:#0e6fa7;font-size:16px\">Sinto que os tr\u00eas anos que estudei em col\u00e9gio salesiano ter\u00e3o alguma influ\u00eancia na decis\u00e3o de continuar ou n\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\" style=\"font-size:18px\"><a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Ivan_Lessa\">#Ivan Lessa<\/a><br><a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Renato_Janine_Ribeiro\">#Renato Janine Ribeiro<\/a><br><a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/%C3%89rico_Ver%C3%ADssimo\">#Erico Ver\u00edssimo<\/a><br><a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Solo_de_Clarineta\">#Solo de Clarineta 2<br><\/a><a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Reinaldo_Azevedo\">#Reinaldo Azevedo<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\" style=\"font-size:16px\">29\/05\/2023<br>(361)<br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"mailto:mmsmarcos1953@hotmail.com\" target=\"_blank\">mmsmarcos1953@hotmail.com<\/a><\/p>\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-2 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\"><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-3 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\"><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-4 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\"><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-5 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\"><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-6 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\"><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-7 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\"><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-8 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\"><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-9 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\"><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como muitas pessoas, aprendi, adolescente, que n\u00e3o se fala mal de quem acabou de morrer &#8211; mesmo das pessoas detestadas ou detest\u00e1veis. Passados os anos, at\u00e9 podemos critic\u00e1-las. Mas a hora da morte exige respeito aos familiares do falecido e ao pr\u00f3prio mist\u00e9rio do fim da vida. A\u00ed est\u00e1 &#8211; ou estava? &#8211; um tra\u00e7o essencial da boa educa\u00e7\u00e3o: respeitar a morte.&nbsp;&#8211; Renato Janine Ribeiro &#8211; Se na plenitude de minha capacidade mental, n\u00e3o me sobraria alternativa sen\u00e3o desistir deste&nbsp;blog&nbsp;quase nunca lido, quase nunca comentado. Quem perpetra uma escrita fica bordejando, em seguida se acomoda no ber\u00e7o espl\u00eandido &#8211; at\u00e9 a primeira estocada, efeito devastador em quem se achava. Circunst\u00e2ncia agravante: quando o&nbsp;elogio&nbsp;se origina de pessoa de nosso c\u00edrculo pr\u00f3ximo. N\u00e3o me venha de borzeguins ao leito, n\u00e3o me venha com aquela historinha de que \u00e9 cr\u00edtica construtiva, que d\u00f3i mas \u00e9 para o meu bem. Isso n\u00e3o cola. 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Intuo que j\u00e1 estou recuperado ap\u00f3s a artilharia pesada e torno ao Erico Ver\u00edssimo consoante assinalado na postagem anterior. Trata-se de saber se nosso cavaleiro dos pampas \u00e9, ou n\u00e3o, pornogr\u00e1fico em sua literatura. \u201cPor que \u2013 perguntam-me \u00e0s vezes \u2013 tenho tanta preocupa\u00e7\u00e3o com o sexo? Ora, respondo, decerto \u00e9 porque no fundo sou um puritano. Mora dentro de mim um pastor protestante a pregar interminavelmente um serm\u00e3o apocal\u00edptico contra o pecado da carne, e eu n\u00e3o posso consentir que esse homenzinho emascule as minhas personagens ou a mim mesmo. \u201cPor outro lado quero contribuir para que o problema do sexo seja examinado com mais coragem, honestidade, esp\u00edrito adulto e&#8230; sa\u00fade; Muitas vezes fico alarmado ao pensar que, relativamente falando, um leitor sente menos indigna\u00e7\u00e3o ao tomar conhecimento do assass\u00ednio de seis milh\u00f5es de judeus nas c\u00e2maras de g\u00e1s asfixiante dos campos de concentra\u00e7\u00e3o nazistas, ou do lan\u00e7amento da bomba at\u00f4mica em Hiroxima que redundou na morte de mais de cem mil pessoas, ou ainda ao saber que mais de dois ter\u00e7os da popula\u00e7\u00e3o do Brasil vive numa mis\u00e9ria abjeta \u2013 do que quando l\u00ea num romance uma cena er\u00f3tica descrita com clara franqueza. O que quero dizer \u00e9 que noto uma despropor\u00e7\u00e3o absurda, direi mesmo monstruosa, entre a natureza e a intensidade desses dois tipos de indigna\u00e7\u00e3o. \u201cFalando com a maior sinceridade, para mim pornografia mesmo \u00e9 a crueldade do homem para com seu semelhante, a explora\u00e7\u00e3o do homem pelo homem; obscenidade \u00e9 a guerra e o genoc\u00eddio. Os mocambos do Recife, as favelas do Rio e de centenas de outras cidades da nossa terra constituem as mais indecentes e repulsivas p\u00e1ginas e cenas da vida brasileira. N\u00e3o custa recordar que essas palavras chegaram ao p\u00fablico h\u00e1 quase cinquenta anos, portanto na d\u00e9cada de 1970. De l\u00e1 para c\u00e1, muita coisa mudou para melhor. Ser\u00e1? Por exemplo, nesse quinqu\u00eanio \u00faltimo no Banan\u00e3o (Ivan Lessa) preponderou o moralismo, que, na abalizada defini\u00e7\u00e3o do jornalista Reinaldo Azevedo, \u00e9 a moral deformada. \u201cIsso nos d\u00e1 uma ideia da terr\u00edvel import\u00e2ncia da linguagem. Vivemos tolas e terr\u00edveis ilus\u00f5es sem\u00e2nticas. Por causa de palavras ou frases matamos ou morremos, sentimo-nos desgra\u00e7ados ou infernizamos a vida de nossos semelhantes. Qualquer ato ou fato, por mais prov\u00e1vel que seja, de acordo com paradigmas morais r\u00edgidos, perde a sua for\u00e7a, a sua natureza pecaminosa e tende a ser ignorado ou esquecido quando n\u00e3o verbalizado, principalmente em romances. Fazer, pois, n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o importante, t\u00e3o grave quanto dizer ou escrever. Quantas vezes transferimos a culpa duma situa\u00e7\u00e3o vergonhosa &#8211; que na realidade cabe a um regime pol\u00edtico-econ\u00f4mico ou a uma conjuntura social \u2013 para cima dos ombros do jornalista ou do ficcionista que ousou reproduzi-la num reportagem&nbsp; ou num romance? \u201cE \u00e9 exatamente por causa da exagerada import\u00e2ncia que damos \u00e0s palavras que n\u00f3s muitas vezes resolvemos nossos problemas apenas no papel, isto \u00e9, de maneira verbal, e vamos dormir tranq\u00fcilos. Porque se ningu\u00e9m jamais pronunciar ou escrever a palavra puta (desculpem-me, que se me escapou o \u2018nome feio\u2019!) a prostitui\u00e7\u00e3o deixar\u00e1 de ter exist\u00eancia real.\u201d O ora exposto ser\u00e1 o derradeiro registro dentro do t\u00f3pico em quest\u00e3o, salvo se, ainda no recesso das mem\u00f3rias contidas no volume 2 do&nbsp;Solo de clarineta, em sequ\u00eancia eu trouxer \u00e0 baila as impress\u00f5es do Erico Ver\u00edssimo sobre sua religiosidade. Sinto que os tr\u00eas anos que estudei em col\u00e9gio salesiano ter\u00e3o alguma influ\u00eancia na decis\u00e3o de continuar ou n\u00e3o. #Ivan Lessa#Renato Janine Ribeiro#Erico Ver\u00edssimo#Solo de Clarineta 2#Reinaldo Azevedo 29\/05\/2023(361)mmsmarcos1953@hotmail.com<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":16143,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-16133","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16133","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16133"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16133\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":16142,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16133\/revisions\/16142"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/media\/16143"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16133"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16133"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16133"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}