{"id":16245,"date":"2024-03-05T15:26:06","date_gmt":"2024-03-05T18:26:06","guid":{"rendered":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/?p=16245"},"modified":"2024-04-21T13:21:01","modified_gmt":"2024-04-21T16:21:01","slug":"obsessoes-musicais-xxxii","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/obsessoes-musicais-xxxii\/","title":{"rendered":"Obsess\u00f5es musicais XXXII"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-right\" style=\"font-size:16px\"><em>O lobo frontal monitora os acontecimentos e as recorda\u00e7\u00f5es, e julga o que deve ser considerado relevante em uma dada situa\u00e7\u00e3o. Se essas opera\u00e7\u00f5es n\u00e3o forem bem executadas pode ocorrer a persevera\u00e7\u00e3o. O lobo frontal, se avariado, pode bloquear a percep\u00e7\u00e3o de novos fatos e fixar a aten\u00e7\u00e3o em evento \u00fanico. Ent\u00e3o, uma ideia constante dominar\u00e1 a mente, a transparecer em um comportamento repetitivo.<\/em><br>&#8211; Luciano Magalh\u00e3es Melo &#8211;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-color has-link-color wp-elements-ae375abaabeadba88c16cd5f6535407c\" style=\"color:#0e6fa7;font-size:16px\">Natalia Jereissati prestou tocante depoimento \u00e0 edi\u00e7\u00e3o da VEJA de 16 de fevereiro pr\u00f3ximo passado. Antes de falar da mat\u00e9ria, que me seja franqueada uma observa\u00e7\u00e3o: saudade dos tempos em que o diretor de reda\u00e7\u00e3o da revista era o Mino Carta \u2013 por coincid\u00eancia, com tr\u00eas belos quadros de sua lavra expostos na sede nacional da Legi\u00e3o da Boa Vontade, aqui em Bras\u00edlia, em cuja biblioteca (sois concurseiro?) ora cometo esta postagem. Ali\u00e1s, o Mino anda sumido da sua CartaCapital h\u00e1 mais de m\u00eas, ser\u00e1 por motivo de sa\u00fade? Da mesma sorte, n\u00e3o temos not\u00edcia de outros ilustres integrantes do Clube dos Nonagen\u00e1rios, Sebasti\u00e3o Nery, Zuenir Ventura, Ziraldo, Luiz Fernando Ver\u00edssimo, esse ainda membro honor\u00e1rio, voejando em cima dos 88 anos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-color has-link-color wp-elements-97005ed0e4443404dc47598ba2aff4f2\" style=\"color:#0e6fa7;font-size:16px\">Volta \u00e0 cena Natalia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-color has-link-color wp-elements-a69f636df28d2efa49a6c5aa9e8b7d4f\" style=\"color:#0e6fa7;font-size:16px\">\u201c<em>A doen\u00e7a \u00e9 um detalhe na vida do meu filho<\/em>.\u201d Do relato n\u00e3o h\u00e1 discordar. No come\u00e7o, a fam\u00edlia de ra\u00edzes no Cear\u00e1, por\u00e9m hoje mais candanga do que tudo, sofreu o baque do diagn\u00f3stico do filho Jo\u00e3o &#8211; S\u00edndrome de Apert,&nbsp;<em>\u201cuma condi\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica que leva \u00e0 fus\u00e3o dos ossos do cr\u00e2nio, das m\u00e3os e dos p\u00e9s.\u201d<\/em>&nbsp;Dias depois, a mat\u00e9ria foi replicada na&nbsp;<em>Folha de S\u00e3o Paulo<\/em>, mat\u00e9ria na qual, ao lado de seu marido, Igor Cunha, a m\u00e3e do Jo\u00e3o, 6 anos e neto do senador Tasso Jereissati, publicizou-se que o casal, em meio a cirurgias in\u00fameras do menino, idealizou e est\u00e1&nbsp;<em>\u201cajudando a financiar um&nbsp;simp\u00f3sio internacional, dias 14 e 15 de mar\u00e7o, que acontecer\u00e1 no Hospital de Reabilita\u00e7\u00e3o e Anomalias Craniofaciais da USP (Universidade de S\u00e3o Paulo), em Bauru, interior paulista, refer\u00eancia brasileira no tratamento dessas s\u00edndromes.\u201d<\/em><em><\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-color has-link-color wp-elements-9c4caa497abb8437a9e1d7e02d7e8e9a\" style=\"color:#0e6fa7;font-size:16px\">Curioso \u00e9 que, na entrada deste 2024 e por via obl\u00edqua, eu tomara conhecimento dessa doen\u00e7a ao escutar e pesquisar sobre determinada m\u00fasica que sempre me arrebatou. &nbsp;A cantora&nbsp;tem igualmente um dos filhos acometido pela s\u00edndrome rara, tendo ela escrito um livro famoso sobre tal condi\u00e7\u00e3o, cujo t\u00edtulo \u00e9&nbsp;<em>O Que \u00e9 Que Ele Tem<\/em>. Seleciono trechos do seu relato na&nbsp;<em>Claudia<\/em>&nbsp;(revista que \u00e9 o quarto \u00f3rg\u00e3o de imprensa referenciado nesta postagem), onde vemos que o combate materno contra a doen\u00e7a e suas decorr\u00eancias se iniciou em 1981:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\" style=\"font-size:16px\"><em>\u201cAos 22 anos, eu era uma menina ansiosa para engravidar. Estava rec\u00e9m-casada com o cineasta Miguel Faria Jr., planejei com ele a gravidez e curti. Fiz cursos preparat\u00f3rios, li muitos livros, sonhei com um parto natural, tomei sucos naturebas e s\u00f3 caminhava de manh\u00e3, com o sol mais fraco. Mas o nascimento de Jo\u00e3o, h\u00e1 35 anos, foi um baque. Minha coreografia perfeita desandou ali. O primeiro dos meus quatro filhos chegou em 1981 com a rara s\u00edndrome de Apert, causada por uma muta\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica completamente desconhecida naquela \u00e9poca. (Ela provoca altera\u00e7\u00e3o na caixa craniana, que faz o rosto ficar disforme. Ocorrem comprometimento intelectual, problemas na fala, vis\u00e3o e audi\u00e7\u00e3o. O beb\u00ea apresenta os dedinhos dos p\u00e9s e das m\u00e3os unidos). Houve uma certa rejei\u00e7\u00e3o quando vi meu filho. Esperava voltar da maternidade e entrar no quarto decorado com rendas e cortinado de pr\u00edncipe carregando uma crian\u00e7a cor-de-rosa. Deitei no ber\u00e7o um beb\u00ea ligado a uma sonda, com a cabecinha cheia de ataduras. Surgiu a grande pergunta: \u2018O que ser\u00e1 daqui para a frente?\u2019<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\" style=\"font-size:16px\"><em>\u201c(&#8230;) Toda vez que ele entrava no centro cir\u00fargico, vinha a d\u00favida: \u2018Ser\u00e1 que \u00e9 isso mesmo?\u2019 Como os m\u00e9dicos n\u00e3o conheciam casos anteriores, fomos agindo sem saber ao certo quais seriam as sequelas. Aquela pessoa indefesa, pequena, toda recortada\u2026 O p\u00f3s-operat\u00f3rio de crian\u00e7as \u00e9 cruel; a gente fica arrebentada junto. Contava com a ajuda da minha fam\u00edlia, especialmente da minha m\u00e3e, que ficava com Jo\u00e3o por longas temporadas enquanto me esfor\u00e7ava para desenvolver minha carreira, fazer shows, trabalhar em est\u00fadios (tem nove discos gravados). Eu acreditava que, se n\u00e3o fizesse isso, me deprimiria e seria horr\u00edvel para ele.\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-color has-link-color wp-elements-74d867ea55dd28bb96ab372c0095eca3\" style=\"color:#0e6fa7;font-size:16px\">\u00c9 indeclin\u00e1vel buscar for\u00e7as, n\u00e3o propriamente sublimar, mas entender que as fatalidades fazem parte da vida de todos n\u00f3s. Meu filho viajou para a eternidade (postagens \u201cMeu Velha\u201d, neste blog), eu e a m\u00e3e (Tereza Padilha) do Tiago nos desesperamos e, passado um tempo, o luto foi embora (malgrado ele n\u00e3o acabe nunca) e retomamos nossa trajet\u00f3ria em prol das nossas duas filhas, Patr\u00edcia e Mariana. E o fizemos, respeitadas as devidas propor\u00e7\u00f5es, da mesma maneira que as duas hero\u00ednas desta postagem \u2013 vislumbre da necessidade de amparo de par com resili\u00eancia na medida e enquanto se vive neste plano. Prossigamos com a m\u00e3e do Jo\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\" style=\"font-size:16px\"><em>\u201cMas, h\u00e1 outro lado maravilhoso, de que me orgulho: ver como Jo\u00e3o vingou, a alegria que tem ao sair sozinho, escrever\u2026 E como recebe ajuda de muita gente \u2013 pessoas que agarrei para estarem no nosso barco. Por exemplo, a escola que aceitou sua presen\u00e7a diferente entre os demais. Concluo que foi importante brigar tanto e n\u00e3o sucumbir diante da dor e das impossibilidades. Vi crescer um ser humano raro, com defici\u00eancias que me chamaram para ser uma mulher t\u00e3o \u00fatil. \u00c9 claro que h\u00e1 muito preconceito. Essa \u00e9 uma das partes mais dif\u00edceis de lidar. N\u00e3o aprendi at\u00e9 hoje. Machuca quando algu\u00e9m desvia o olhar do Jo\u00e3o ou faz perguntas tolas, como: \u2018Ele nasceu assim?\u2019 Fico chateada mesmo, com a humanidade. Assim como quando leio sobre pais abandonando filhos com microcefalia. N\u00e3o sou craque em lidar com isso. Quando Jo\u00e3o nasceu, v\u00e1rios amigos se afastaram de n\u00f3s. Interpretei como uma rea\u00e7\u00e3o de quem v\u00ea na defici\u00eancia do outro as pr\u00f3prias mazelas. Felizmente, meu filho n\u00e3o se abala com o preconceito. Ele ri. \u00c9 superior. Tem uma autoconfian\u00e7a impressionante, (&#8230;) Aprendi com ele que ser seguro de si passa longe da bela forma f\u00edsica e est\u00e1 relacionado \u00e0quilo que se constr\u00f3i internamente. Jo\u00e3o me transformou. Sem ele, n\u00e3o seria a m\u00e3e que sou.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\" style=\"font-size:16px\"><em>\u201c(&#8230;) descobri uma capacidade enorme que ignorava. Passei a amar mais, ter toler\u00e2ncia. Deixei de lado a arrog\u00e2ncia, o ideal de excel\u00eancia e compreendi que n\u00e3o controlo tudo: Jo\u00e3o estar\u00e1 sempre ali para ser cuidado. Para chegar a esse ponto, precisei cavar a generosidade dentro de mim. Ir l\u00e1 no fundo e aceitar. \u00c9 necess\u00e1rio compreender o mist\u00e9rio da vida e o que de fato ocorreu com voc\u00ea. As pessoas falam em religiosidade, mas n\u00e3o aceitam o imponder\u00e1vel. Isso \u00e9 Deus. \u00c9 o hibisco branco que nasce entre hibiscos vermelhos. Coisas que acontecem, s\u00e3o da vida e provam que a gente n\u00e3o pode escolher tudo. Lutar contra, querer saber o que foi roubado de voc\u00ea \u00e9 sin\u00f4nimo de frustra\u00e7\u00e3o. N\u00e3o bota ningu\u00e9m para a frente. O que me empurrou foi ter compaix\u00e3o, abra\u00e7ar quem estava do lado, aceitar e amar.\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-color has-link-color wp-elements-f13db60eeb46c5c7c080cb1a24687119\" style=\"color:#0e6fa7;font-size:16px\">Para quem porventura j\u00e1 se restabeleceu, j\u00e1 recuperou os sentidos ap\u00f3s deparar com tudo isso, a pr\u00f3xima etapa, melanc\u00f3lica, bel\u00edssima, premonit\u00f3ria (olhemos ao redor o mundo de agora), \u00e9 ler a letra abaixo e ouvir a m\u00fasica (ou vice-versa), dada \u00e0 luz no disco intitulado, vejam s\u00f3,&nbsp;<em>A Barca do Sol<\/em>, cantada pela Olivia&nbsp;Byington, tamb\u00e9m m\u00e3e do Greg\u00f3rio Duvivier, que homenageara seu irm\u00e3o no pref\u00e1cio do livro e em artigo na&nbsp;<em>Folha de S\u00e3o Paulo<\/em>, ambos lavrados em 2016.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed aligncenter is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-4-3 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe title=\"OLIVIA BYINGTON LADY JANE\" width=\"960\" height=\"720\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/uUgNyzNKjNo?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\" style=\"font-size:16px\">LADY JANE<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\" style=\"font-size:16px\"><em>Lady Jane<br>Respire o cheiro dos esgotos no ch\u00e3o<br>Sob essas catedrais de Babel&#8230;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\" style=\"font-size:16px\"><em>Ah Lady Jane<br>Eu sinto o gosto dos esgotos no ch\u00e3o<br>Sob essas catedrais, sob essa escurid\u00e3o<br>Os edif\u00edcios tem de cair<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\" style=\"font-size:16px\"><em>Ah Lady Jane<br>Toda esta Terra vai se consumir<br>Com seus mist\u00e9rios e uma fogueira vai queimar, vai<br>queimar&#8230;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\" style=\"font-size:20px\"><em>Lady Jane,<br>Oh, Lady Jane<br>Eu tive um sonho estranho, de morte&#8230;<\/em><br><br><a href=\"https:\/\/lucianoneurologista.com.br\">#Luciano Magalh\u00e3es Melo<br><\/a><a href=\"https:\/\/veja.abril.com.br\/saude\/a-doenca-e-um-detalhe-na-vida-do-meu-filho-diz-natalia-jereissati\">#Natalia Jereissati<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.rededorsaoluiz.com.br\/doencas\/sindrome-de-apert\">#S\u00edndrome de Apert<\/a><br><a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Olivia_Byington\">#Olivia&nbsp;Byington&nbsp;&nbsp;<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\" style=\"font-size:16px\">05\/03\/2024<br>(367)<br><a href=\"mailto:mmsmarcos1953@hotmail.com\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">mmsmarcos1953@hotmail.com<\/a><\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" style=\"font-size:16px\">&nbsp;<\/h1>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O lobo frontal monitora os acontecimentos e as recorda\u00e7\u00f5es, e julga o que deve ser considerado relevante em uma dada situa\u00e7\u00e3o. Se essas opera\u00e7\u00f5es n\u00e3o forem bem executadas pode ocorrer a persevera\u00e7\u00e3o. O lobo frontal, se avariado, pode bloquear a percep\u00e7\u00e3o de novos fatos e fixar a aten\u00e7\u00e3o em evento \u00fanico. Ent\u00e3o, uma ideia constante dominar\u00e1 a mente, a transparecer em um comportamento repetitivo.&#8211; Luciano Magalh\u00e3es Melo &#8211; Natalia Jereissati prestou tocante depoimento \u00e0 edi\u00e7\u00e3o da VEJA de 16 de fevereiro pr\u00f3ximo passado. Antes de falar da mat\u00e9ria, que me seja franqueada uma observa\u00e7\u00e3o: saudade dos tempos em que o diretor de reda\u00e7\u00e3o da revista era o Mino Carta \u2013 por coincid\u00eancia, com tr\u00eas belos quadros de sua lavra expostos na sede nacional da Legi\u00e3o da Boa Vontade, aqui em Bras\u00edlia, em cuja biblioteca (sois concurseiro?) ora cometo esta postagem. Ali\u00e1s, o Mino anda sumido da sua CartaCapital h\u00e1 mais de m\u00eas, ser\u00e1 por motivo de sa\u00fade? Da mesma sorte, n\u00e3o temos not\u00edcia de outros ilustres integrantes do Clube dos Nonagen\u00e1rios, Sebasti\u00e3o Nery, Zuenir Ventura, Ziraldo, Luiz Fernando Ver\u00edssimo, esse ainda membro honor\u00e1rio, voejando em cima dos 88 anos. Volta \u00e0 cena Natalia. \u201cA doen\u00e7a \u00e9 um detalhe na vida do meu filho.\u201d Do relato n\u00e3o h\u00e1 discordar. No come\u00e7o, a fam\u00edlia de ra\u00edzes no Cear\u00e1, por\u00e9m hoje mais candanga do que tudo, sofreu o baque do diagn\u00f3stico do filho Jo\u00e3o &#8211; S\u00edndrome de Apert,&nbsp;\u201cuma condi\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica que leva \u00e0 fus\u00e3o dos ossos do cr\u00e2nio, das m\u00e3os e dos p\u00e9s.\u201d&nbsp;Dias depois, a mat\u00e9ria foi replicada na&nbsp;Folha de S\u00e3o Paulo, mat\u00e9ria na qual, ao lado de seu marido, Igor Cunha, a m\u00e3e do Jo\u00e3o, 6 anos e neto do senador Tasso Jereissati, publicizou-se que o casal, em meio a cirurgias in\u00fameras do menino, idealizou e est\u00e1&nbsp;\u201cajudando a financiar um&nbsp;simp\u00f3sio internacional, dias 14 e 15 de mar\u00e7o, que acontecer\u00e1 no Hospital de Reabilita\u00e7\u00e3o e Anomalias Craniofaciais da USP (Universidade de S\u00e3o Paulo), em Bauru, interior paulista, refer\u00eancia brasileira no tratamento dessas s\u00edndromes.\u201d Curioso \u00e9 que, na entrada deste 2024 e por via obl\u00edqua, eu tomara conhecimento dessa doen\u00e7a ao escutar e pesquisar sobre determinada m\u00fasica que sempre me arrebatou. &nbsp;A cantora&nbsp;tem igualmente um dos filhos acometido pela s\u00edndrome rara, tendo ela escrito um livro famoso sobre tal condi\u00e7\u00e3o, cujo t\u00edtulo \u00e9&nbsp;O Que \u00e9 Que Ele Tem. Seleciono trechos do seu relato na&nbsp;Claudia&nbsp;(revista que \u00e9 o quarto \u00f3rg\u00e3o de imprensa referenciado nesta postagem), onde vemos que o combate materno contra a doen\u00e7a e suas decorr\u00eancias se iniciou em 1981: \u201cAos 22 anos, eu era uma menina ansiosa para engravidar. Estava rec\u00e9m-casada com o cineasta Miguel Faria Jr., planejei com ele a gravidez e curti. Fiz cursos preparat\u00f3rios, li muitos livros, sonhei com um parto natural, tomei sucos naturebas e s\u00f3 caminhava de manh\u00e3, com o sol mais fraco. Mas o nascimento de Jo\u00e3o, h\u00e1 35 anos, foi um baque. Minha coreografia perfeita desandou ali. O primeiro dos meus quatro filhos chegou em 1981 com a rara s\u00edndrome de Apert, causada por uma muta\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica completamente desconhecida naquela \u00e9poca. (Ela provoca altera\u00e7\u00e3o na caixa craniana, que faz o rosto ficar disforme. Ocorrem comprometimento intelectual, problemas na fala, vis\u00e3o e audi\u00e7\u00e3o. O beb\u00ea apresenta os dedinhos dos p\u00e9s e das m\u00e3os unidos). Houve uma certa rejei\u00e7\u00e3o quando vi meu filho. Esperava voltar da maternidade e entrar no quarto decorado com rendas e cortinado de pr\u00edncipe carregando uma crian\u00e7a cor-de-rosa. Deitei no ber\u00e7o um beb\u00ea ligado a uma sonda, com a cabecinha cheia de ataduras. Surgiu a grande pergunta: \u2018O que ser\u00e1 daqui para a frente?\u2019 \u201c(&#8230;) Toda vez que ele entrava no centro cir\u00fargico, vinha a d\u00favida: \u2018Ser\u00e1 que \u00e9 isso mesmo?\u2019 Como os m\u00e9dicos n\u00e3o conheciam casos anteriores, fomos agindo sem saber ao certo quais seriam as sequelas. Aquela pessoa indefesa, pequena, toda recortada\u2026 O p\u00f3s-operat\u00f3rio de crian\u00e7as \u00e9 cruel; a gente fica arrebentada junto. Contava com a ajuda da minha fam\u00edlia, especialmente da minha m\u00e3e, que ficava com Jo\u00e3o por longas temporadas enquanto me esfor\u00e7ava para desenvolver minha carreira, fazer shows, trabalhar em est\u00fadios (tem nove discos gravados). Eu acreditava que, se n\u00e3o fizesse isso, me deprimiria e seria horr\u00edvel para ele.\u201d \u00c9 indeclin\u00e1vel buscar for\u00e7as, n\u00e3o propriamente sublimar, mas entender que as fatalidades fazem parte da vida de todos n\u00f3s. Meu filho viajou para a eternidade (postagens \u201cMeu Velha\u201d, neste blog), eu e a m\u00e3e (Tereza Padilha) do Tiago nos desesperamos e, passado um tempo, o luto foi embora (malgrado ele n\u00e3o acabe nunca) e retomamos nossa trajet\u00f3ria em prol das nossas duas filhas, Patr\u00edcia e Mariana. E o fizemos, respeitadas as devidas propor\u00e7\u00f5es, da mesma maneira que as duas hero\u00ednas desta postagem \u2013 vislumbre da necessidade de amparo de par com resili\u00eancia na medida e enquanto se vive neste plano. Prossigamos com a m\u00e3e do Jo\u00e3o. \u201cMas, h\u00e1 outro lado maravilhoso, de que me orgulho: ver como Jo\u00e3o vingou, a alegria que tem ao sair sozinho, escrever\u2026 E como recebe ajuda de muita gente \u2013 pessoas que agarrei para estarem no nosso barco. Por exemplo, a escola que aceitou sua presen\u00e7a diferente entre os demais. Concluo que foi importante brigar tanto e n\u00e3o sucumbir diante da dor e das impossibilidades. Vi crescer um ser humano raro, com defici\u00eancias que me chamaram para ser uma mulher t\u00e3o \u00fatil. \u00c9 claro que h\u00e1 muito preconceito. Essa \u00e9 uma das partes mais dif\u00edceis de lidar. N\u00e3o aprendi at\u00e9 hoje. Machuca quando algu\u00e9m desvia o olhar do Jo\u00e3o ou faz perguntas tolas, como: \u2018Ele nasceu assim?\u2019 Fico chateada mesmo, com a humanidade. Assim como quando leio sobre pais abandonando filhos com microcefalia. N\u00e3o sou craque em lidar com isso. Quando Jo\u00e3o nasceu, v\u00e1rios amigos se afastaram de n\u00f3s. Interpretei como uma rea\u00e7\u00e3o de quem v\u00ea na defici\u00eancia do outro as pr\u00f3prias mazelas. Felizmente, meu filho n\u00e3o se abala com o preconceito. Ele ri. \u00c9 superior. Tem uma autoconfian\u00e7a impressionante, (&#8230;) Aprendi com ele que ser seguro de si passa longe da bela forma f\u00edsica e est\u00e1 relacionado \u00e0quilo que se constr\u00f3i internamente. Jo\u00e3o me transformou. Sem ele, n\u00e3o seria a m\u00e3e que sou. \u201c(&#8230;) descobri uma capacidade enorme que ignorava. Passei a amar mais, ter toler\u00e2ncia. Deixei de lado a arrog\u00e2ncia, o ideal de excel\u00eancia e compreendi que n\u00e3o controlo tudo: Jo\u00e3o estar\u00e1 sempre ali para ser cuidado. Para chegar a esse ponto, precisei cavar a generosidade dentro de mim. Ir l\u00e1 no fundo e aceitar. \u00c9 necess\u00e1rio compreender o mist\u00e9rio da vida e o que de fato ocorreu com voc\u00ea. As pessoas falam em religiosidade, mas n\u00e3o aceitam o imponder\u00e1vel. Isso \u00e9 Deus. \u00c9 o hibisco branco que nasce entre hibiscos vermelhos. Coisas que acontecem, s\u00e3o da vida e provam que a gente n\u00e3o pode escolher tudo. Lutar contra, querer saber o que foi roubado de voc\u00ea \u00e9 sin\u00f4nimo de frustra\u00e7\u00e3o. N\u00e3o bota ningu\u00e9m para a frente. O que me empurrou foi ter compaix\u00e3o, abra\u00e7ar quem estava do lado, aceitar e amar.\u201d Para quem porventura j\u00e1 se restabeleceu, j\u00e1 recuperou os sentidos ap\u00f3s deparar com tudo isso, a pr\u00f3xima etapa, melanc\u00f3lica, bel\u00edssima, premonit\u00f3ria (olhemos ao redor o mundo de agora), \u00e9 ler a letra abaixo e ouvir a m\u00fasica (ou vice-versa), dada \u00e0 luz no disco intitulado, vejam s\u00f3,&nbsp;A Barca do Sol, cantada pela Olivia&nbsp;Byington, tamb\u00e9m m\u00e3e do Greg\u00f3rio Duvivier, que homenageara seu irm\u00e3o no pref\u00e1cio do livro e em artigo na&nbsp;Folha de S\u00e3o Paulo, ambos lavrados em 2016.&nbsp; LADY JANE Lady JaneRespire o cheiro dos esgotos no ch\u00e3oSob essas catedrais de Babel&#8230; Ah Lady JaneEu sinto o gosto dos esgotos no ch\u00e3oSob essas catedrais, sob essa escurid\u00e3oOs edif\u00edcios tem de cair Ah Lady JaneToda esta Terra vai se consumirCom seus mist\u00e9rios e uma fogueira vai queimar, vaiqueimar&#8230; Lady Jane,Oh, Lady JaneEu tive um sonho estranho, de morte&#8230; #Luciano Magalh\u00e3es Melo#Natalia Jereissati#S\u00edndrome de Apert#Olivia&nbsp;Byington&nbsp;&nbsp; 05\/03\/2024(367)mmsmarcos1953@hotmail.com &nbsp;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":16250,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-16245","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16245","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16245"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16245\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":16270,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16245\/revisions\/16270"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/media\/16250"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16245"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16245"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16245"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}