{"id":16317,"date":"2024-09-29T19:58:33","date_gmt":"2024-09-29T22:58:33","guid":{"rendered":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/?p=16317"},"modified":"2024-10-29T09:26:50","modified_gmt":"2024-10-29T12:26:50","slug":"a-historia-e-amarela-nelson-rodrigues","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/a-historia-e-amarela-nelson-rodrigues\/","title":{"rendered":"A Hist\u00f3ria \u00e9 amarela (Nelson Rodrigues)"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\" style=\"font-size:16px\"><em><br>A obra de arte \u00e9 uma filha rebelde que rompe com seu criador. O artista n\u00e3o exp\u00f5e seu pensamento \u2014no sentido de pensamento racional\u2014 pelo objeto que inventa. Ao criar, ele introduz no mundo um ser pensante e aut\u00f4nomo. A obra ganha vida pr\u00f3pria, separada de seu criador, e adquire a capacidade de se relacionar com o espectador de forma direta e intuitiva. Ela transcende as limita\u00e7\u00f5es da linguagem verbal e alcan\u00e7a o universo das sensa\u00e7\u00f5es e das emo\u00e7\u00f5es.<br>&#8211; Jorge Coli &#8211;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-color has-link-color wp-elements-1 wp-block-paragraph\" style=\"color:#0e6fa7;font-size:16px\">Comecei a ler a VEJA nos idos de 1974.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-color has-link-color wp-elements-2 wp-block-paragraph\" style=\"color:#0e6fa7;font-size:16px\">Era dirigida pelo Mino Carta, que, quando se demitira da publica\u00e7\u00e3o semanal, me deixou \u00f3rf\u00e3o, sensa\u00e7\u00e3o atenuada pela circunst\u00e2ncia de esse grande mestre da imprensa do Brasil haver se bandeado para a ISTO \u00c9 &#8211; a qual desde ent\u00e3o passei a fruir devotadamente, at\u00e9 quando, em guinada mais brusca, o italiano tamb\u00e9m rep\u00f3rter trouxe \u00e0 luz sua CARTA CAPITAL, assumindo uma faceta de empres\u00e1rio. (Registro: tudo indica que, neste 2024, o afastamento dele h\u00e1 semanas e semanas da reda\u00e7\u00e3o da CC se deve provavelmente a quest\u00f5es de sa\u00fade, o homem \u00e9 nonagen\u00e1rio, como o \u00e9 o sumido Zuenir Ventura e podemos incluir Luiz Fernando Ver\u00edssimo &#8211; prestes a completar 88).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-color has-link-color wp-elements-3 wp-block-paragraph\" style=\"color:#0e6fa7;font-size:16px\">Assinale-se que a VEJA daquela \u00e9poca reunia uma turma de colaboradores e colaboradoras que vou te contar. Mais para a frente, muito mais para frente, em 2017, a revista julgou por bem soltar na pra\u00e7a um livro com cinquenta entrevistas, intitulado&nbsp;<em>A Hist\u00f3ria \u00e9 amarela<\/em>, conduzidas por Elio Gaspari, Luiz Fernando Mercadante, T\u00e1rik de Souza, Leo Gilson Ribeiro, Lucia Rito, Hugo Estenssoro, Regina Echeverria, Eric Nepomuceno, Alessandro Porro, Zuenir Ventura (olha ele a\u00ed de novo), Selma Santa Cruz, Paulo Moreira Leite, entre muitos outros e outras.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-color has-link-color wp-elements-4 wp-block-paragraph\" style=\"color:#0e6fa7;font-size:16px\">Goste-se ou n\u00e3o da fam\u00edlia Civita, goste-se ou n\u00e3o da VEJA (hoje, eu ainda a leio, por\u00e9m mais com desgosto do que com gosto), a ningu\u00e9m \u00e9 dado o direito de negar a import\u00e2ncia em nossa hist\u00f3ria, por exemplo, das P\u00e1ginas Amarelas. Justificado reconhecer o acerto da Editora Abril nessa iniciativa de acomodar num livro dezenas dessas entrevistas com personalidades da cultura, da m\u00fasica popular e erudita, do entretenimento, da pol\u00edtica, da economia, dos esportes, da literatura, das artes pl\u00e1sticas, da religi\u00e3o, do cinema, da dramaturgia&#8230;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"512\" src=\"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/371_Nelson1-1024x512.jpg\" alt=\"\n\" class=\"wp-image-16321\" srcset=\"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/371_Nelson1-1024x512.jpg 1024w, https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/371_Nelson1-300x150.jpg 300w, https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/371_Nelson1-768x384.jpg 768w, https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/371_Nelson1-1080x540.jpg 1080w, https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/371_Nelson1-1140x570.jpg 1140w, https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/371_Nelson1.jpg 1248w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Arquivo Nacional \/ Wikimedia Commons \/ CP<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-text-color has-link-color wp-elements-5 wp-block-paragraph\" style=\"color:#0e6fa7;font-size:16px\">Estando este blog abrigado no site do Teatro Mapati, \u00e9 imperativo, tal qual se verificara no livro, abrir esta s\u00e9rie de postagens transcrevendo palavras arrancadas de um dramaturgo tido h\u00e1 muito como o maior de nosso pa\u00eds. Antes da longa conversa, ocorrida em 04 de junho de 1969, Luiz Fernando Mercadante como s\u00f3i tra\u00e7a um perfil do entrevistado, de que destaco<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\" style=\"font-size:16px\"><em>&#8220;(&#8230;) Brevemente, vai receber uma condecora\u00e7\u00e3o do Ex\u00e9rcito, &#8216;por relevantes servi\u00e7os prestados&#8217;, e diz que vai contente, pois n\u00e3o deixa de receber nada, nem sorriso. Pessoalmente, \u00e9 um desmentido \u00e0 imagem difundida pela propaganda dos seus livros, que o mostra de dedo em riste, olhar feroz, quase babando. \u00c9, estranhamente, um homem doce, de voz grave mas gentil, sorriso meio t\u00edmido, um jeito de garoto. Personagens dos seus escritos viram gente, de carne e osso, como o Palhares, &#8216;o canalha de olhar r\u00fatilo&#8217;, capaz de beijar a cunhada no corredor. Elogiado e amaldi\u00e7oado, Nelson Rodrigues considera-se &#8216;um homem da sua rua, do seu bairro (Ipanema) e da sua cidade&#8217;. Nunca saiu do Brasil, pois no M\u00e9ier j\u00e1 come\u00e7a a sentir saudade.&#8221;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-color has-link-color wp-elements-6 wp-block-paragraph\" style=\"color:#0e6fa7;font-size:16px\">Abram alas portanto para ouvir o que, h\u00e1 cinquenta e cinco anos, era servido como brinde aos leitores e leitoras de VEJA. Tratava-se em realidade da voz do autor de teatro mais encenado Brasil adentro, Nelson Rodrigues, com sua carga ferina e atordoante. A encena\u00e7\u00e3o se delineou na primeira edi\u00e7\u00e3o das P\u00e1ginas Amarelas mediante performance de m\u00edsseis cujos disparos n\u00e3o imprecisos provieram da coxia at\u00e9 alcan\u00e7ar a caixa c\u00eanica, nimbados de etarismo \u00e0s avessas (ou reverso?), machismo, racismo e &#8220;carinho&#8221; nas esquerdas.&nbsp;Eu sou um pierr\u00f4, sou um rom\u00e2ntico. Mas o rom\u00e2ntico piegas. N\u00e3o o rom\u00e2ntico de grande estilo, n\u00e3o o wagneriano<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li style=\"font-size:16px\"><em>Eu sou um pierr\u00f4, sou um rom\u00e2ntico. Mas o rom\u00e2ntico piegas. N\u00e3o o rom\u00e2ntico de grande estilo, n\u00e3o o wagneriano<\/em><\/li>\n\n\n\n<li style=\"font-size:16px\"><em>Eu sou uma flor de obsess\u00e3o<\/em><\/li>\n\n\n\n<li style=\"font-size:16px\"><em>Na televis\u00e3o, sempre que me lembro, eu digo que sou reacion\u00e1rio, s\u00f3 para chatear<\/em><\/li>\n\n\n\n<li style=\"font-size:16px\"><em>Passei \u00e0 a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica simplesmente porque deixei de ser covarde. Sou um ex-covarde<\/em><\/li>\n\n\n\n<li style=\"font-size:16px\"><em>Eu sou um anticomunista que se declara anticomunista. Geralmente, o anticomunista diz que n\u00e3o \u00e9. Mas eu sou e o confesso<\/em><\/li>\n\n\n\n<li style=\"font-size:16px\"><em>N\u00e3o, n\u00e3o sou cat\u00f3lico. Creio em Deus, na vida eterna e na ressurrei\u00e7\u00e3o de L\u00e1zaro. Mas a sobreviv\u00eancia da Igreja \u00e9 um problema que vai al\u00e9m de suas fronteiras, que interessa a toda a humanidade e que pesa no equil\u00edbrio mundial<\/em><\/li>\n\n\n\n<li style=\"font-size:16px\"><em>Hoje, qualquer coroinha contesta o papa<\/em><\/li>\n\n\n\n<li style=\"font-size:16px\"><em>Amo a juventude como tal. O que abomino \u00e9 o jovem idiota, uma das figuras mais sinistras da nossa \u00e9poca. O jovem, como o adulto, como o velho, comporta todos os tipos, O jovem pode ser um pulha, um santo, um her\u00f3i, um covarde. (&#8230;) De repente, os mais velhos passaram a ver os jovens como o certo, o hist\u00f3rico, o s\u00e1bio, o clarividente. O fato de um imbecil ter 17 anos transformou-se em um m\u00e9rito formid\u00e1vel<\/em><\/li>\n\n\n\n<li style=\"font-size:16px\"><em>Eu gosto muito da TV. Eu gosto do mau gosto da TV. A pior televis\u00e3o do mundo \u00e9 a inglesa, com aquela mania cultural. A TV tem de ser feita para as massas, e as massas s\u00e3o burras e t\u00eam mau gosto e n\u00e3o t\u00eam nada a ver com a grande arte, com a grande m\u00fasica, com a grande pintura<\/em><\/li>\n\n\n\n<li style=\"font-size:16px\"><em>Acho a (tele)novela formid\u00e1vel. Novela tem de ser novela, folhetim tem de ser folhetim. A pior coisa do mundo seria novela de bom gosto, a novela liter\u00e1ria. Seria o mesmo que, no Carnaval, em vez de fazer&nbsp;Mam\u00e3e, eu quero mamar, fazer a&nbsp;Nona sinfonia&nbsp;<\/em><\/li>\n\n\n\n<li style=\"font-size:16px\"><em>Costumo contar que, um dia, o meu t\u00e1xi parou na praia, diante de uma barraquinha de grapete. E uma menina maravilhosa, de uns 17 anos, um corpo lindo metido num biquini, ainda molhado, veio comprar um refrigerante. O crioulo do grapete estava conversando com outro crioulo, serviu uma garrafinha para a menina e voltou as costas para ela e ficou conversando com o amigo. Os dois crioulos n\u00e3o concederam a essa menina prodigiosa a esmola de um olhar. Ela ficou l\u00e1, bebendo pelo gargalo e n\u00e3o olhada por ningu\u00e9m. Quer dizer, a nudez do biquini tem a maior solid\u00e3o da Terra: a mulher mais invis\u00edvel do mundo \u00e9 a mulher de biquini<\/em><\/li>\n\n\n\n<li style=\"font-size:16px\"><em>N\u00e3o, n\u00e3o parei (de fazer teatro). Estou \u00e9 sem tempo. Considero o teatro um peda\u00e7o importante da minha vida<\/em><\/li>\n\n\n\n<li style=\"font-size:16px\"><em>Mas eu dava ao palavr\u00e3o uma fun\u00e7\u00e3o dram\u00e1tica. Depois veio o palavr\u00e3o pelo palavr\u00e3o, pelo prazer dos palavr\u00f5es. (&#8230;) Os meus elencos me representavam com o maior desprazer e vergonha. De repente, esses mesmos elencos passaram a dizer os palavr\u00f5es mais ferozes<\/em><\/li>\n\n\n\n<li style=\"font-size:16px\"><em>Cinema \u00e9 uma subarte. O filme mais inteligente, mais elaborado, mais constru\u00eddo \u00e9, no fim de certo tempo, assaltado por uma velhice c\u00f4mica<\/em><\/li>\n\n\n\n<li style=\"font-size:16px\"><em>Eu tive sete interdi\u00e7\u00f5es, e ningu\u00e9m se manifestou a meu favor. A direita, o centro e a esquerda estavam, ent\u00e3o, contra o palavr\u00e3o e a favor da interdi\u00e7\u00e3o<\/em><\/li>\n\n\n\n<li style=\"font-size:16px\"><em>O Palhares \u00e9 o brasileiro. Todo mundo gosta do Palhares. Ningu\u00e9m faz obje\u00e7\u00e3o ao Palhares. E todo mundo inveja o beijo na cunhada. Eu s\u00f3 tenho encontrado Palhares. Fora os presentes, todo mundo \u00e9 Palhares. Nunca vi ningu\u00e9m mais brasileiro. \u00c9 nascido aqui mesmo no Rio. O carioca \u00e9 o Brasil. E o Palhares \u00e9 feito de todos os brasileiros, menos o paulista. O paulista nunca sai de S\u00e3o Paulo.<\/em><\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left wp-block-paragraph\" style=\"font-size:20px\"><a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Jorge_Coli\">#Jorge Coli<\/a><br><a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Veja\">#Veja<\/a><br><a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Isto%C3%89\">#Isto \u00c9<\/a><br><a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/CartaCapital\">#Carta Capital<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Mino_Carta\">#Mino Carta<\/a><br><a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Nelson_Rodrigues\">#Nelson Rodrigues<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\" style=\"font-size:16px\">29\/09\/2024<br>(371)<br><a href=\"mailto:mmsmarcos1953@hotmail.com\">mmsmarcos1953@hotmail.com<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A obra de arte \u00e9 uma filha rebelde que rompe com seu criador. O artista n\u00e3o exp\u00f5e seu pensamento \u2014no sentido de pensamento racional\u2014 pelo objeto que inventa. Ao criar, ele introduz no mundo um ser pensante e aut\u00f4nomo. A obra ganha vida pr\u00f3pria, separada de seu criador, e adquire a capacidade de se relacionar com o espectador de forma direta e intuitiva. Ela transcende as limita\u00e7\u00f5es da linguagem verbal e alcan\u00e7a o universo das sensa\u00e7\u00f5es e das emo\u00e7\u00f5es.&#8211; Jorge Coli &#8211; Comecei a ler a VEJA nos idos de 1974. Era dirigida pelo Mino Carta, que, quando se demitira da publica\u00e7\u00e3o semanal, me deixou \u00f3rf\u00e3o, sensa\u00e7\u00e3o atenuada pela circunst\u00e2ncia de esse grande mestre da imprensa do Brasil haver se bandeado para a ISTO \u00c9 &#8211; a qual desde ent\u00e3o passei a fruir devotadamente, at\u00e9 quando, em guinada mais brusca, o italiano tamb\u00e9m rep\u00f3rter trouxe \u00e0 luz sua CARTA CAPITAL, assumindo uma faceta de empres\u00e1rio. (Registro: tudo indica que, neste 2024, o afastamento dele h\u00e1 semanas e semanas da reda\u00e7\u00e3o da CC se deve provavelmente a quest\u00f5es de sa\u00fade, o homem \u00e9 nonagen\u00e1rio, como o \u00e9 o sumido Zuenir Ventura e podemos incluir Luiz Fernando Ver\u00edssimo &#8211; prestes a completar 88). Assinale-se que a VEJA daquela \u00e9poca reunia uma turma de colaboradores e colaboradoras que vou te contar. Mais para a frente, muito mais para frente, em 2017, a revista julgou por bem soltar na pra\u00e7a um livro com cinquenta entrevistas, intitulado&nbsp;A Hist\u00f3ria \u00e9 amarela, conduzidas por Elio Gaspari, Luiz Fernando Mercadante, T\u00e1rik de Souza, Leo Gilson Ribeiro, Lucia Rito, Hugo Estenssoro, Regina Echeverria, Eric Nepomuceno, Alessandro Porro, Zuenir Ventura (olha ele a\u00ed de novo), Selma Santa Cruz, Paulo Moreira Leite, entre muitos outros e outras. Goste-se ou n\u00e3o da fam\u00edlia Civita, goste-se ou n\u00e3o da VEJA (hoje, eu ainda a leio, por\u00e9m mais com desgosto do que com gosto), a ningu\u00e9m \u00e9 dado o direito de negar a import\u00e2ncia em nossa hist\u00f3ria, por exemplo, das P\u00e1ginas Amarelas. Justificado reconhecer o acerto da Editora Abril nessa iniciativa de acomodar num livro dezenas dessas entrevistas com personalidades da cultura, da m\u00fasica popular e erudita, do entretenimento, da pol\u00edtica, da economia, dos esportes, da literatura, das artes pl\u00e1sticas, da religi\u00e3o, do cinema, da dramaturgia&#8230; Estando este blog abrigado no site do Teatro Mapati, \u00e9 imperativo, tal qual se verificara no livro, abrir esta s\u00e9rie de postagens transcrevendo palavras arrancadas de um dramaturgo tido h\u00e1 muito como o maior de nosso pa\u00eds. Antes da longa conversa, ocorrida em 04 de junho de 1969, Luiz Fernando Mercadante como s\u00f3i tra\u00e7a um perfil do entrevistado, de que destaco &#8220;(&#8230;) Brevemente, vai receber uma condecora\u00e7\u00e3o do Ex\u00e9rcito, &#8216;por relevantes servi\u00e7os prestados&#8217;, e diz que vai contente, pois n\u00e3o deixa de receber nada, nem sorriso. Pessoalmente, \u00e9 um desmentido \u00e0 imagem difundida pela propaganda dos seus livros, que o mostra de dedo em riste, olhar feroz, quase babando. \u00c9, estranhamente, um homem doce, de voz grave mas gentil, sorriso meio t\u00edmido, um jeito de garoto. Personagens dos seus escritos viram gente, de carne e osso, como o Palhares, &#8216;o canalha de olhar r\u00fatilo&#8217;, capaz de beijar a cunhada no corredor. Elogiado e amaldi\u00e7oado, Nelson Rodrigues considera-se &#8216;um homem da sua rua, do seu bairro (Ipanema) e da sua cidade&#8217;. Nunca saiu do Brasil, pois no M\u00e9ier j\u00e1 come\u00e7a a sentir saudade.&#8221; Abram alas portanto para ouvir o que, h\u00e1 cinquenta e cinco anos, era servido como brinde aos leitores e leitoras de VEJA. Tratava-se em realidade da voz do autor de teatro mais encenado Brasil adentro, Nelson Rodrigues, com sua carga ferina e atordoante. A encena\u00e7\u00e3o se delineou na primeira edi\u00e7\u00e3o das P\u00e1ginas Amarelas mediante performance de m\u00edsseis cujos disparos n\u00e3o imprecisos provieram da coxia at\u00e9 alcan\u00e7ar a caixa c\u00eanica, nimbados de etarismo \u00e0s avessas (ou reverso?), machismo, racismo e &#8220;carinho&#8221; nas esquerdas.&nbsp;Eu sou um pierr\u00f4, sou um rom\u00e2ntico. Mas o rom\u00e2ntico piegas. N\u00e3o o rom\u00e2ntico de grande estilo, n\u00e3o o wagneriano #Jorge Coli#Veja#Isto \u00c9#Carta Capital#Mino Carta#Nelson Rodrigues 29\/09\/2024(371)mmsmarcos1953@hotmail.com<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":16320,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-16317","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16317","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16317"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16317\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":16332,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16317\/revisions\/16332"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/media\/16320"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16317"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16317"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16317"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}