{"id":16353,"date":"2024-11-30T13:18:08","date_gmt":"2024-11-30T16:18:08","guid":{"rendered":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/?p=16353"},"modified":"2024-11-30T13:22:43","modified_gmt":"2024-11-30T16:22:43","slug":"a-historia-e-amarela-3-chico-buarque","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/a-historia-e-amarela-3-chico-buarque\/","title":{"rendered":"A Hist\u00f3ria \u00e9 amarela 3 (Chico Buarque)"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-right\"><em>Nestes tempos, nos dedicamos a reescrever o passado. A gente, que tem a triste mania de esfarrapar as palavras, usar tanto at\u00e9 que elas pare\u00e7am vazias.<\/em><br><em>&#8211; Ana Paula Lisboa &#8211;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-color has-link-color wp-elements-854b60eafa04b09eb1f131ab2d69ab22\" style=\"color:#0e6fa7;font-size:16px\">Continua nossa viagem em tons amarelos. A meta agora \u00e9 a singradura de \u00e1guas musicais. Na rota talvez nos deparemos com o marinheiro que l\u00e1 atr\u00e1s, em 1988, a brisa soprando-lhe nos ouvidos, proclamou que viria a\u00ed bom tempo. Ele acertou na sua previs\u00e3o porque a partir da\u00ed o Brasil come\u00e7ou a sedimentar seu processo de cancelamento do autoritarismo, v\u00edvido e cruel no per\u00edodo 1968\/1978, trazendo a lume os trabalhos de nossos(as) Constituintes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-color has-link-color wp-elements-0e4c822df69ef8514a94094608a1b52d\" style=\"color:#0e6fa7;font-size:16px\">Esse homem do mar, como quer que seja, amparou seu racioc\u00ednio otimista calibrando tudo o que passara na vida at\u00e9 aquele momento e, portanto, n\u00e3o havia que esmorecer. O devir se entremostrava venturoso e estimulante.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-color has-link-color wp-elements-9f7397887a3b69eb27027de102af6c69\" style=\"color:#0e6fa7;font-size:16px\">Ali\u00e1s, um epis\u00f3dio bobinho, agora mera curiosidade, mas que naquela \u00e9poca de ditadura militar afligia um pouco. Incomodado com as m\u00fasicas sistem\u00e1ticas de protesto pol\u00edtico, Jo\u00e3o Figueiredo, iracundo (lembra algu\u00e9m hoje?), declarou \u00e0 imprensa que preferia muito mais a fase rom\u00e2ntica do Chico Buarque. Ao que o nosso Popeye l\u00edrico devolveu na lata: eu tamb\u00e9m gostava mais da fase rom\u00e2ntica do general.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-color has-link-color wp-elements-7be9cf0603776d516197a81c212838b2\" style=\"color:#0e6fa7;font-size:16px\">Doutra feita, em expedi\u00e7\u00e3o terrestre, parou num pr\u00e9dio da Marginal Tiet\u00ea e, provocado pelo entrevistador (T\u00e1rik de Souza) das P\u00e1ginas Amarelas, desandara a falar, temperando sua interven\u00e7\u00e3o com cr\u00edticas aos \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos que obstavam a cria\u00e7\u00e3o art\u00edstica atrav\u00e9s da censura oficial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-color has-link-color wp-elements-d0d6c1668def7922a3abda2c05e1c86b\" style=\"color:#0e6fa7;font-size:16px\">Desnecess\u00e1rio anotar que nessa conversa a dois, mantida no distante ano de 1971, nosso personagem, ent\u00e3o com 27 anos, j\u00e1 era, como se diz hoje para o bem ou para o mal, celebridade nacional por virtude de seu talento. E realmente desde ent\u00e3o, transcorridas seis d\u00e9cadas, os brasileiros e as brasileiras o mant\u00eam inabal\u00e1vel no posto de um dos maiores g\u00eanios da m\u00fasica popular brasileira.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-color has-link-color wp-elements-947ebe3cdb15792bad2f2ec09f0df365\" style=\"color:#0e6fa7;font-size:16px\">Vejamos o que disse o menino torcedor do Fluminense, filho de um dos maiores intelectuais do pa\u00eds e cantor\/letrista\/poeta\/compositor que j\u00e1 enfileirava, entre muitas outras obras primas da m\u00fasica,&nbsp;<em>A Banda, Roda-Viva, Pedro Pedreiro, Sonho de um Carnaval, Quem te viu, quem te v\u00ea, A Rita<\/em>:<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\"><div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"724\" height=\"720\" data-id=\"16362\" src=\"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/373_Morte-e-vida.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-16362\" srcset=\"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/373_Morte-e-vida.jpg 724w, https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/373_Morte-e-vida-300x298.jpg 300w, https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/373_Morte-e-vida-150x150.jpg 150w, https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/373_Morte-e-vida-75x75.jpg 75w\" sizes=\"(max-width: 724px) 100vw, 724px\" \/><\/figure>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li style=\"font-size:16px\"><em>A partir da m\u00fasica que fiz para a pe\u00e7a Morte e Vida Severina, foi que comecei uma coisa minha mesmo. Alguns sambas fizeram sucesso e ficou essa coisa de dizerem que s\u00f3 fa\u00e7o samba. Isso me atrapalha um pouco;<\/em><br><\/li>\n\n\n\n<li style=\"font-size:16px\"><em>Eu me lembro de que ouvia&nbsp;Chega de saudade&nbsp;a tarde inteira, umas cinquenta vezes seguidas. A\u00ed, pegava o viol\u00e3o &#8211; eu e um amigo que tocava bateria, o Oliver -, e a gente tentava pegar as batidas do Jo\u00e3o. E \u00e9 por isso que eu toco viol\u00e3o errado at\u00e9 hoje: comecei a aprender n\u00e3o foi nem de &#8220;olho&#8221;;<br><\/em><\/li>\n\n\n\n<li style=\"font-size:16px\"><em>Acho que cada m\u00fasica tem seu ritmo. Ela nasce com ele. \u00c0s vezes acontece de eu fazer a coisa num ritmo e depois mudar. N\u00e3o \u00e9 &#8220;eu hoje vou fazer tal ritmo&#8221;;<br><\/em><\/li>\n\n\n\n<li style=\"font-size:16px\"><em>A que eu fiz brincando \u00e9&nbsp;Deus lhe pague. Mas essa por enquanto est\u00e1 censurada. A outra, que se chama&nbsp;Constru\u00e7\u00e3o, n\u00e3o foi censurada. Em termos de composi\u00e7\u00e3o, eu estou num embalo muito bom, fazendo muita coisa, preparando meu disco. O problema \u00e9 que estou com um medo danado de mandar m\u00fasicas novas para a Censura, porque a propor\u00e7\u00e3o est\u00e1 assim: de cada tr\u00eas m\u00fasicas, liberam uma;<br><\/em><\/li>\n\n\n\n<li style=\"font-size:16px\"><em>\u00c9 claro que cheguei \u00e0 autocensura. Mas, dentro desse limite que j\u00e1 me coloquei, acho que ainda tenho campo para fazer o neg\u00f3cio. Esse tipo de m\u00fasica que tenho feito, que para mim \u00e9 uma coisa nova, \u00e9 a raz\u00e3o de ser de fazer um disco novo. Elas est\u00e3o dentro de limites que eu acho que no esp\u00edrito da Censura podem passar. Agora, se eles me fizerem recuar mais ainda, eu paro. Quando eu mando tr\u00eas m\u00fasicas para a Censura e me liberam uma, essa n\u00e3o me d\u00e1 vontade de gravar;<br><\/em><\/li>\n\n\n\n<li style=\"font-size:16px\"><em>Tenho feito shows, durante e depois do sucesso de&nbsp;Apesar de voc\u00ea. Mas com a Censura a coisa acaba, porque a gente se apresenta em cima de um sucesso, e sem sucesso n\u00e3o tem muito que fazer;<br><\/em><\/li>\n\n\n\n<li style=\"font-size:16px\"><em>Eu estava me mantendo na It\u00e1lia. E sei que, se eu for pra l\u00e1, me mantenho, mas tenho de estar l\u00e1 e trabalhando. O artista m\u00e9dio de l\u00e1 vai a todos os programas de televis\u00e3o, d\u00e1 entrevista a todas as revistas, e eu n\u00e3o estou mais a fim disso, n\u00e3o. Acho que foi bom estar l\u00e1;<br><\/em><\/li>\n\n\n\n<li style=\"font-size:16px\"><em>Se eles acham que eu sou o cara que fez&nbsp;A Rita, ent\u00e3o vai ver que sou eu. Mas eu, me vendo de fora, sou mais o cara que fez Ol\u00ea, Ol\u00e1 ou Pedro Pedreiro;<br><\/em><\/li>\n\n\n\n<li style=\"font-size:16px\"><em>J\u00e1&nbsp;Morte e Vida Severina&nbsp;foi um trabalho de equipe, eu ouvi o palpite de todo mundo, me imbu\u00eda do esp\u00edrito do espet\u00e1culo Foi um trabalho diferente, de fazer m\u00fasica para verso, que nunca mais eu fiz. Sempre fa\u00e7o mais verso para a m\u00fasica, porque acho que tenho mais habilidade com as palavras, sou mais t\u00e9cnico, conhe\u00e7o mais a gram\u00e1tica que a teoria musical. (&#8230;) Porque eu sempre fui bom aluno de portugu\u00eas e nunca fui bom aluno de m\u00fasica;<br><\/em><\/li>\n\n\n\n<li style=\"font-size:16px\"><em>Depois de gravar, no est\u00fadio, parece que perde o encanto. Parece que ela (a m\u00fasica) perde o encanto. Parece que ela acabou de ser entregue: est\u00e1 feita, est\u00e1 gravada, saio do est\u00fadio e parto para outra. Nesse caso, sou p\u00e9ssimo profissional como cantor. Mas, como compositor, acho que \u00e9 uma rea\u00e7\u00e3o l\u00f3gica;<br><\/em><\/li>\n\n\n\n<li style=\"font-size:16px\"><em>(&#8230;) hoje eu tenho um certo equil\u00edbrio financeiro, vamos dizer, que me permite, por enquanto, n\u00e3o ser homenageado. Naquela \u00e9poca n\u00e3o tinha muito como optar. E n\u00e3o \u00e9 bem que estava deslumbrado com o sucesso &#8211; mas \u00e9 quase isso. Estava achando divertido, tudo muito f\u00e1cil. Era f\u00e1cil ganhar dinheiro, fazer sucesso. E isso tudo era muito perigoso.<\/em><\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-medium-font-size\"><a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Ana_Paula_Lisboa\">#Ana Paula Lisboa<\/a><br><a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Chico_Buarque\">#Chico Buarque<\/a><br><a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/T%C3%A1rik_de_Souza\">#T\u00e1rik de Souza<\/a><br><a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Veja\">#Revista Veja<\/a><br><a href=\"https:\/\/veja.abril.com.br\/paginas-amarelas\">#P\u00e1ginas Amarelas<\/a>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\">30\/11\/2024<br>(373)<br><a href=\"mailto:mmsmarcos1953@hotmail.com\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">mmsmarcos1953@hotmail.com<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nestes tempos, nos dedicamos a reescrever o passado. 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Incomodado com as m\u00fasicas sistem\u00e1ticas de protesto pol\u00edtico, Jo\u00e3o Figueiredo, iracundo (lembra algu\u00e9m hoje?), declarou \u00e0 imprensa que preferia muito mais a fase rom\u00e2ntica do Chico Buarque. Ao que o nosso Popeye l\u00edrico devolveu na lata: eu tamb\u00e9m gostava mais da fase rom\u00e2ntica do general.&nbsp; Doutra feita, em expedi\u00e7\u00e3o terrestre, parou num pr\u00e9dio da Marginal Tiet\u00ea e, provocado pelo entrevistador (T\u00e1rik de Souza) das P\u00e1ginas Amarelas, desandara a falar, temperando sua interven\u00e7\u00e3o com cr\u00edticas aos \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos que obstavam a cria\u00e7\u00e3o art\u00edstica atrav\u00e9s da censura oficial. Desnecess\u00e1rio anotar que nessa conversa a dois, mantida no distante ano de 1971, nosso personagem, ent\u00e3o com 27 anos, j\u00e1 era, como se diz hoje para o bem ou para o mal, celebridade nacional por virtude de seu talento. E realmente desde ent\u00e3o, transcorridas seis d\u00e9cadas, os brasileiros e as brasileiras o mant\u00eam inabal\u00e1vel no posto de um dos maiores g\u00eanios da m\u00fasica popular brasileira. 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