{"id":16393,"date":"2025-02-28T18:34:17","date_gmt":"2025-02-28T21:34:17","guid":{"rendered":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/?p=16393"},"modified":"2025-03-01T11:42:41","modified_gmt":"2025-03-01T14:42:41","slug":"a-historia-e-amarela-5-elis-regina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/a-historia-e-amarela-5-elis-regina\/","title":{"rendered":"A Hist\u00f3ria \u00e9 amarela 5 (Elis Regina)"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\" style=\"font-size:16px\"><em>Era a primeira vez que \u00c1lvaro assistia a uma crema\u00e7\u00e3o. Achou detest\u00e1vel e indigno, meter um morto numa\u2002f\u00e1brica de cinzas, misturado aos restos de outros mortos. Ningu\u00e9m limpa essa jo\u00e7a. (&#8230;) \u00c1lvaro esperou que algu\u00e9m&nbsp;se rasgasse pelo amigo. Mas todos pareciam conformados, ele inclusive. (&#8230;) No mais, entediava-se. Culpa da cerim\u00f4nia ou do calor? Porque o tempo abafa&nbsp;sempre que morre algu\u00e9m. (&#8230;) A morte nada tem de natural. Faltava a revolta, o desamparo, o luto de antigamente. Faltava o morrer de amor.<\/em><br>&#8211; Fernanda Torres (livro<em>&#8220;Fim&#8221;<\/em>) &#8211;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-color has-link-color wp-elements-e32c18e16964b87ed72161872f9b4df5 wp-block-paragraph\" style=\"color:#0e6fa7;font-size:16px\">Depois de breve intervalo, o do&nbsp;<em>Retiro o que eu disse<\/em>, volto a amarelecer este blog. No quinto epis\u00f3dio, numera\u00e7\u00e3o aleat\u00f3ria \u2013 n\u00e3o a da Veja -, \u00e9 mais do que obrigat\u00f3rio o chamamento da entrevistadora Regina Echeverria para compartilhar o que pensa da sua entrevistada. A jornalista, misturando cores, traz para o tapete vermelho (item que est\u00e1 na moda) nada mais, nada menos do que Elis Regina, na \u00e9poca de 1978 com seus verdadeiros brilhantes aos 33 anos de idade, uma menina ainda (n\u00e3o confundir com o menino neosantista h\u00e1 pouco regressado \u00e0 Vila Belmiro).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-color has-link-color wp-elements-3714ac1d9165086928858d03f4bd2b19 wp-block-paragraph\" style=\"color:#0e6fa7;font-size:16px\">Uma das mais profundas conhecedoras da pessoa e da carreira da &#8220;Pimentinha&#8221;, a jornalista sobe ao palco e externa seu entusiasmo com a artista: &#8220;Ela conseguia reunir voz, interpreta\u00e7\u00e3o e escolha de repert\u00f3rio como nenhuma outra\u201d. Bi\u00f3grafa e xar\u00e1 da artista (vide o livro&nbsp;<em>Furac\u00e3o Elis<\/em>, hoje um cl\u00e1ssico), Regina Echeverria arrogou-se como desafiante:&nbsp;\u201cSer\u00e1 que algum dia teremos uma cantora do Brasil com uma voz do outro mundo? Acho dif\u00edcil. Ela conseguia reunir voz, interpreta\u00e7\u00e3o e escolha de repert\u00f3rio como nenhuma outra\u201d. Esse desafio, em rigor, at\u00e9 eu faria, moleza, moleza. De 1968 a 1978 e de 1979 at\u00e9 o presente, n\u00e3o surgiu no Brasil cantora alguma desse gabarito. Cantor &#8211; j\u00e1 existia um, apenas um, que felizmente sobreexiste e viaja no Trem Azul com a gente. Ele, mesmo, Milton Nascimento, o Bituca.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-large-font-size wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"500\" height=\"723\" src=\"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/376_Elis3.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-16405\" srcset=\"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/376_Elis3.png 500w, https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/376_Elis3-207x300.png 207w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">foto: Miguel Benevides<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"has-text-color has-link-color wp-elements-356d5d2cb425b8988cc13546e175589c wp-block-paragraph\" style=\"color:#0e6fa7;font-size:16px\">Sou fofoqueiro. Revelo alguns trechos da entrevista, evitando poluir a transcri\u00e7\u00e3o com minhas intercala\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\" style=\"font-size:16px\"><em>&#8211; Aquele engarrafamento me deixou uma impress\u00e3o muito forte, principalmente porque eu estava gr\u00e1vida e me senti indefesa naquela hora. Tinha helic\u00f3pteros de um lado, cavalos de outro, gente correndo por todos os lados. E eu estava ali, sem ter escolhido aquilo. Estava fechada dentro de um t\u00e1xi, com medo, sem poder falar com o chofer, porque voc\u00ea nunca sabe com quem voc\u00ea anda, e o Ubaldo&nbsp;tomou conta de mim.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-color has-link-color wp-elements-3c288e91b439d4477d41368025fe8007 wp-block-paragraph\" style=\"color:#0e6fa7;font-size:16px\">Nesse compasso, anota-se que&nbsp;<em>Ubaldo, o paranoico<\/em>&nbsp;era mais uma das cria\u00e7\u00f5es do genial Henfil. O vacilante personagem, encartado em tirinhas de jornais e revistas, apresentava-se com medo de tudo e de qualquer coisa, enxergava milicos em todos os lugares. A palavra retorna para a Elis.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\" style=\"font-size:16px\">&#8211; A analogia veio depois, porque na hora voc\u00ea faz a fotografia, a amplia\u00e7\u00e3o vem depois. Quer dizer, assisti, ao vivo, \u00e0 falta de respeito que est\u00e1 solta no ar. A falta de respeito existe para com o rio, a pessoa, a \u00e1rvore, o passarinho. Esse desrespeito, na verdade, criou uma situa\u00e7\u00e3o de impasse. Voc\u00ea sabe que o sinal de tr\u00e2nsito s\u00f3 vai ser aberto quando o guarda resolver abrir. Enquanto isso, voc\u00ea est\u00e1 dentro de um t\u00e1xi e tudo acontecendo. Voc\u00ea imagina sa\u00eddas, mas o sinal n\u00e3o abriu, o que podemos fazer? Ficamos sentados dentro de um t\u00e1xi, numa transversal do tempo, esperando. N\u00e3o te perguntam nada, n\u00e3o te pedem opini\u00e3o;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\" style=\"font-size:16px\">&#8211; A partir do momento em que resolvi que minha arte deve ter liga\u00e7\u00e3o com a realidade em que vivo, m\u00ednima que seja, lamento imensamente a cara amarrada, a falta de espa\u00e7o, a falta de amigos. Tamb\u00e9m n\u00e3o fui preparada para isso, \u00e9 o que me est\u00e1 sendo dado para digerir. Gostaria que fosse diferente. Mas tamb\u00e9m, como a maioria das pessoas, estou esperando o guarda acionar a mudan\u00e7a de cor no sinal;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\" style=\"font-size:16px\">&#8211; Enquanto isso, eu canto um sinal de alerta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-color has-link-color wp-elements-11f48bef652cef3e34785f54c104a862 wp-block-paragraph\" style=\"color:#0e6fa7;font-size:16px\">Havia sinal de alerta, havia sinal fechado. E nessa m\u00fasica do Paulinho da Viola, hino metaf\u00f3rico, permanente tens\u00e3o entre o desespero da solid\u00e3o e o otimismo, a interpreta\u00e7\u00e3o da Elis vai sacudir, vai derrubar toda a turma que insistia em acus\u00e1-la de aliena\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\" style=\"font-size:16px\">&#8211; Mostrar o momento pol\u00edtico de impasse em que vivemos e o resultado dos momentos pol\u00edticos que nos trouxeram a esse impasse. O partido pol\u00edtico com o qual voc\u00ea conta para ser de oposi\u00e7\u00e3o arregla e 41 saem da sala, se escondem debaixo do tapete ou no banheiro, s\u00f3 pode ser. Isso \u00e9 uma porcaria quando voc\u00ea est\u00e1 nas portas do 15 de novembro e tem de votar nesse partido de novo. Agora, vai votar no outro? N\u00e3o, vota nesse e continua tudo na mesma. Esse \u00e9 o impasse, a falta de escolha, a falta de espa\u00e7o, de ar, de confian\u00e7a, de relaxo;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\" style=\"font-size:16px\">&#8211; Parti do princ\u00edpio de que uma cabe\u00e7a conturbada n\u00e3o consegue organizar atos l\u00facidos. Ent\u00e3o, acho que corri ao sabor do vento numa determinada \u00e9poca da minha vida. Mas agora, quando estou agindo, agitando, sentindo capacidade para desenvolver, criar, retomar e iniciar uma s\u00e9rie de coisas, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel fazer julgamentos. Julgar uma pessoa de 33 anos chega mais ou menos \u00e0s raias do rid\u00edculo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-color has-link-color wp-elements-0912015f8a0d198ff0a89324ccbfc237 wp-block-paragraph\" style=\"color:#0e6fa7;font-size:16px\">Com o epis\u00f3dio das Olimp\u00edadas do Ex\u00e9rcito, a coisa pegou mais ainda. Sempre que provocada, a Elis timbrava em explicar, justificar sua participa\u00e7\u00e3o no evento, em 1969.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\" style=\"font-size:16px\">&#8211; Eu cantei nessas Olimp\u00edadas e o pessoal da Globo tamb\u00e9m participou. Todos foram obrigados a fazer. E voc\u00ea vai dizer que n\u00e3o? Eu tinha exemplos muito recentes de pessoas que disseram n\u00e3o e se lascaram, ent\u00e3o eu disse sim. Quando apareceu isso, eu procurei o Aldir Blanc e disse: \u201cPoxa, que sacanagem\u201d. E ele falou: \u201cVoc\u00ea cedeu como cederam os 90 milh\u00f5es\u201d. Agora, \u00e9 f\u00e1cil acusar. Quero saber o que essa pessoa estava fazendo quando eu estava cantando nas Olimp\u00edadas. E tem mais, numa situa\u00e7\u00e3o excepcional, id\u00eantica, eu n\u00e3o sei se faria de novo. Porque eu morro de medo. Fa\u00e7o todos os espet\u00e1culos me borrando de medo todos os dias. Fa\u00e7o, mas com medo. E se mandar parar eu paro, porque medo eu tenho.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-color has-link-color wp-elements-a59ca11b2a4da7f4266d83d69f2750cb wp-block-paragraph\" style=\"color:#0e6fa7;font-size:16px\">Finalizo. At\u00e9 hoje, eu n\u00e3o sei os motivos pelos quais o apelido de Elis era&nbsp;<em>Pimentinha<\/em>. Maldade? Inj\u00faria? Nossa maior cantora era um docinho de coco.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\" style=\"font-size:16px\">&#8211; Eu n\u00e3o tenho a menor inten\u00e7\u00e3o de ser simp\u00e1tica a algumas pessoas. Me furtam o direito inclusive de escolher. Sou obrigada a aceitar quem passar pela minha frente. Me tomam por quem? Uma imbecil? Ent\u00e3o eu n\u00e3o tenho gosto, n\u00e3o tenho prefer\u00eancia, n\u00e3o tenho padr\u00f5es, modelos, nada disso? Sou algo que se molda do jeitinho que se quer? Isso \u00e9 o que todos queriam, na realidade. Mas n\u00e3o v\u00e3o conseguir, porque, quando descobrirem que estou verde, j\u00e1 estarei amarela. Eu sou do contra. Ningu\u00e9m vai me dirigir n\u00e3o;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\" style=\"font-size:16px\">&#8211; Sou a Elis Regina de Carvalho Costa que poucas pessoas v\u00e3o morrer conhecendo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\" style=\"font-size:19px\"><a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Fernanda_Torres\">#Fernanda Torres<\/a><br><a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Elis_Regina\">#Elis Regina<\/a><br><a href=\"#Regina Echeverria\">#Regina Echeverria<\/a><br><a href=\"https:\/\/veja.abril.com.br\/\">#Revista Veja<\/a><br><a href=\"https:\/\/veja.abril.com.br\/paginas-amarelas\">#P\u00e1ginas Amarelas&nbsp;<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\" style=\"font-size:16px\">28\/02\/2024<br>(376)<br><a href=\"mailto:mmsmarcos1953@hotmail.com\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">mmsmarcos1953@hotmail.com<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Era a primeira vez que \u00c1lvaro assistia a uma crema\u00e7\u00e3o. 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A jornalista, misturando cores, traz para o tapete vermelho (item que est\u00e1 na moda) nada mais, nada menos do que Elis Regina, na \u00e9poca de 1978 com seus verdadeiros brilhantes aos 33 anos de idade, uma menina ainda (n\u00e3o confundir com o menino neosantista h\u00e1 pouco regressado \u00e0 Vila Belmiro). Uma das mais profundas conhecedoras da pessoa e da carreira da &#8220;Pimentinha&#8221;, a jornalista sobe ao palco e externa seu entusiasmo com a artista: &#8220;Ela conseguia reunir voz, interpreta\u00e7\u00e3o e escolha de repert\u00f3rio como nenhuma outra\u201d. Bi\u00f3grafa e xar\u00e1 da artista (vide o livro&nbsp;Furac\u00e3o Elis, hoje um cl\u00e1ssico), Regina Echeverria arrogou-se como desafiante:&nbsp;\u201cSer\u00e1 que algum dia teremos uma cantora do Brasil com uma voz do outro mundo? Acho dif\u00edcil. Ela conseguia reunir voz, interpreta\u00e7\u00e3o e escolha de repert\u00f3rio como nenhuma outra\u201d. Esse desafio, em rigor, at\u00e9 eu faria, moleza, moleza. De 1968 a 1978 e de 1979 at\u00e9 o presente, n\u00e3o surgiu no Brasil cantora alguma desse gabarito. Cantor &#8211; j\u00e1 existia um, apenas um, que felizmente sobreexiste e viaja no Trem Azul com a gente. Ele, mesmo, Milton Nascimento, o Bituca. Sou fofoqueiro. Revelo alguns trechos da entrevista, evitando poluir a transcri\u00e7\u00e3o com minhas intercala\u00e7\u00f5es. &#8211; Aquele engarrafamento me deixou uma impress\u00e3o muito forte, principalmente porque eu estava gr\u00e1vida e me senti indefesa naquela hora. Tinha helic\u00f3pteros de um lado, cavalos de outro, gente correndo por todos os lados. E eu estava ali, sem ter escolhido aquilo. Estava fechada dentro de um t\u00e1xi, com medo, sem poder falar com o chofer, porque voc\u00ea nunca sabe com quem voc\u00ea anda, e o Ubaldo&nbsp;tomou conta de mim. Nesse compasso, anota-se que&nbsp;Ubaldo, o paranoico&nbsp;era mais uma das cria\u00e7\u00f5es do genial Henfil. O vacilante personagem, encartado em tirinhas de jornais e revistas, apresentava-se com medo de tudo e de qualquer coisa, enxergava milicos em todos os lugares. A palavra retorna para a Elis.&nbsp; &#8211; A analogia veio depois, porque na hora voc\u00ea faz a fotografia, a amplia\u00e7\u00e3o vem depois. Quer dizer, assisti, ao vivo, \u00e0 falta de respeito que est\u00e1 solta no ar. A falta de respeito existe para com o rio, a pessoa, a \u00e1rvore, o passarinho. Esse desrespeito, na verdade, criou uma situa\u00e7\u00e3o de impasse. Voc\u00ea sabe que o sinal de tr\u00e2nsito s\u00f3 vai ser aberto quando o guarda resolver abrir. Enquanto isso, voc\u00ea est\u00e1 dentro de um t\u00e1xi e tudo acontecendo. Voc\u00ea imagina sa\u00eddas, mas o sinal n\u00e3o abriu, o que podemos fazer? Ficamos sentados dentro de um t\u00e1xi, numa transversal do tempo, esperando. N\u00e3o te perguntam nada, n\u00e3o te pedem opini\u00e3o;&nbsp; &#8211; A partir do momento em que resolvi que minha arte deve ter liga\u00e7\u00e3o com a realidade em que vivo, m\u00ednima que seja, lamento imensamente a cara amarrada, a falta de espa\u00e7o, a falta de amigos. Tamb\u00e9m n\u00e3o fui preparada para isso, \u00e9 o que me est\u00e1 sendo dado para digerir. Gostaria que fosse diferente. Mas tamb\u00e9m, como a maioria das pessoas, estou esperando o guarda acionar a mudan\u00e7a de cor no sinal;&nbsp; &#8211; Enquanto isso, eu canto um sinal de alerta. Havia sinal de alerta, havia sinal fechado. E nessa m\u00fasica do Paulinho da Viola, hino metaf\u00f3rico, permanente tens\u00e3o entre o desespero da solid\u00e3o e o otimismo, a interpreta\u00e7\u00e3o da Elis vai sacudir, vai derrubar toda a turma que insistia em acus\u00e1-la de aliena\u00e7\u00e3o.\u00a0 &#8211; Mostrar o momento pol\u00edtico de impasse em que vivemos e o resultado dos momentos pol\u00edticos que nos trouxeram a esse impasse. O partido pol\u00edtico com o qual voc\u00ea conta para ser de oposi\u00e7\u00e3o arregla e 41 saem da sala, se escondem debaixo do tapete ou no banheiro, s\u00f3 pode ser. Isso \u00e9 uma porcaria quando voc\u00ea est\u00e1 nas portas do 15 de novembro e tem de votar nesse partido de novo. Agora, vai votar no outro? N\u00e3o, vota nesse e continua tudo na mesma. Esse \u00e9 o impasse, a falta de escolha, a falta de espa\u00e7o, de ar, de confian\u00e7a, de relaxo;&nbsp; &#8211; Parti do princ\u00edpio de que uma cabe\u00e7a conturbada n\u00e3o consegue organizar atos l\u00facidos. Ent\u00e3o, acho que corri ao sabor do vento numa determinada \u00e9poca da minha vida. Mas agora, quando estou agindo, agitando, sentindo capacidade para desenvolver, criar, retomar e iniciar uma s\u00e9rie de coisas, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel fazer julgamentos. Julgar uma pessoa de 33 anos chega mais ou menos \u00e0s raias do rid\u00edculo. Com o epis\u00f3dio das Olimp\u00edadas do Ex\u00e9rcito, a coisa pegou mais ainda. Sempre que provocada, a Elis timbrava em explicar, justificar sua participa\u00e7\u00e3o no evento, em 1969.&nbsp; &#8211; Eu cantei nessas Olimp\u00edadas e o pessoal da Globo tamb\u00e9m participou. Todos foram obrigados a fazer. E voc\u00ea vai dizer que n\u00e3o? Eu tinha exemplos muito recentes de pessoas que disseram n\u00e3o e se lascaram, ent\u00e3o eu disse sim. Quando apareceu isso, eu procurei o Aldir Blanc e disse: \u201cPoxa, que sacanagem\u201d. E ele falou: \u201cVoc\u00ea cedeu como cederam os 90 milh\u00f5es\u201d. Agora, \u00e9 f\u00e1cil acusar. Quero saber o que essa pessoa estava fazendo quando eu estava cantando nas Olimp\u00edadas. E tem mais, numa situa\u00e7\u00e3o excepcional, id\u00eantica, eu n\u00e3o sei se faria de novo. Porque eu morro de medo. Fa\u00e7o todos os espet\u00e1culos me borrando de medo todos os dias. Fa\u00e7o, mas com medo. E se mandar parar eu paro, porque medo eu tenho. Finalizo. At\u00e9 hoje, eu n\u00e3o sei os motivos pelos quais o apelido de Elis era&nbsp;Pimentinha. Maldade? Inj\u00faria? Nossa maior cantora era um docinho de coco. &#8211; Eu n\u00e3o tenho a menor inten\u00e7\u00e3o de ser simp\u00e1tica a algumas pessoas. Me furtam o direito inclusive de escolher. Sou obrigada a aceitar quem passar pela minha frente. Me tomam por quem? Uma imbecil? Ent\u00e3o eu n\u00e3o tenho gosto, n\u00e3o tenho prefer\u00eancia, n\u00e3o tenho padr\u00f5es, modelos, nada disso? Sou algo que se molda do jeitinho que se quer? Isso \u00e9 o que todos queriam, na realidade. Mas n\u00e3o v\u00e3o conseguir, porque, quando descobrirem que estou verde, j\u00e1 estarei amarela. Eu sou do contra. Ningu\u00e9m vai me dirigir n\u00e3o;&nbsp; &#8211; Sou a Elis Regina de Carvalho Costa que poucas pessoas v\u00e3o morrer conhecendo. #Fernanda Torres#Elis Regina#Regina Echeverria#Revista Veja#P\u00e1ginas Amarelas&nbsp; 28\/02\/2024(376)mmsmarcos1953@hotmail.com<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":16401,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-16393","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16393","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16393"}],"version-history":[{"count":10,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16393\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":16412,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16393\/revisions\/16412"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/media\/16401"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16393"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16393"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16393"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}