{"id":1668,"date":"2016-09-10T23:40:00","date_gmt":"2016-09-10T23:40:00","guid":{"rendered":"http:\/\/mapati.com.br\/blog\/?p=1668"},"modified":"2016-09-10T23:40:00","modified_gmt":"2016-09-10T23:40:00","slug":"kombi-caliente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/kombi-caliente\/","title":{"rendered":"Kombi caliente\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><em>Era um doming\u00e3o, tinha muito sol\/Meu av\u00f4 na frente, minha av\u00f3 atr\u00e1s\/<br \/>\nE o r\u00e1dio a mil, que legal.\/O meu pai guiava,\/Minha m\u00e3e falava,\/<br \/>\nMinha irm\u00e3 chorava,\/O tot\u00f3 latia,\/Tudo num fusc\u00e3o, que legal.\/<br \/>\nVamos indo todos,\/Vamos indo juntos \u00e0 praia grande,\/<br \/>\nLevando at\u00e9 televis\u00e3o.\/Era um doming\u00e3o.\/Mas ao chegar na praia\/<br \/>\nO tempo logo fechou.\/Meu av\u00f4 de tanga,\/Minha av\u00f3 de mai\u00f4,\/<br \/>\nMinha m\u00e3e chorava,\/O tot\u00f3 latia, o meu pai calava,\/<br \/>\nE no mais chovia&#8230;\/<br \/>\nEra um doming\u00e3o&#8230;\/Tudo no fusc\u00e3o, que legal\/<br \/>\nE era um doming\u00e3o,\/que legal\/Meu av\u00f4 de tanga, que legal,\/<br \/>\nO tot\u00f3 latia, au au au,\/<br \/>\nE o r\u00e1dio a mil, que legal,\/O meu pai calava&#8230;<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>(Fim de Semana &#8211; Prem\u00ea)<\/em><\/p>\n<p>Para o bem e para o mal, geralmente para o mal, espalham que ser pobre \u00e9 uma tristeza. Na opini\u00e3o dos mais radicais, uma desgra\u00e7a.<\/p>\n<p>Aquele homem, ao que me recorde, n\u00e3o pensava assim. Ou ent\u00e3o pessoa fin\u00e9rrima (essa \u00e9 nova). Nele, \u00a0n\u00e3o se percebiam sinais de contrariedades por haver sido condenado a recepcionar parentes (serpentes e minhoquinhas) no final de uma malfadada noite.<\/p>\n<p>Inicio minha maldade.<\/p>\n<p>A pobraiada viajava pro Rio. Ou era trajeto de volta pra Bras\u00edlia? Indiscut\u00edvel \u00e9 que aleatoria e desvinculadamente as cenas foram capturadas d\u00e9cadas depois por cineastas argentinos (encaixo uruguaios tamb\u00e9m?), cuja compet\u00eancia n\u00f3s muito invejamos.<\/p>\n<p>N\u00e3o era calor humano &#8211; apesar da viagem com centenas e centenas de passageiros juntos e misturados, mais misturados do que juntos. Era o quentinho do xixi que, debaixo das cobertas esfarrapadas, alagava o bagageiro do p\u00e3o de forma cor de Acetin que ca\u00eda aos peda\u00e7os, molhando os incautos e incautas que ali tentavam dormir um pouco em meio aos solavancos da estrada de uma \u00e9poca em que nem se sonhava(?) com ped\u00e1gio.<\/p>\n<figure id=\"attachment_1669\" aria-describedby=\"caption-attachment-1669\" style=\"width: 425px\" class=\"wp-caption alignright\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-1669\" src=\"http:\/\/2017.mapati.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/208_kombi1.jpeg\" alt=\"http:\/\/fotos.sapo.pt\/berny\/fotos\/?uid=ARZVzuCZSJrFuHsak44S&amp;grande#foto\" width=\"425\" height=\"317\" srcset=\"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/208_kombi1.jpeg 940w, https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/208_kombi1-300x224.jpeg 300w, https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/208_kombi1-768x573.jpeg 768w, https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/208_kombi1-200x149.jpeg 200w, https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/208_kombi1-400x298.jpeg 400w, https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/208_kombi1-600x447.jpeg 600w, https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/208_kombi1-800x597.jpeg 800w\" sizes=\"(max-width: 425px) 100vw, 425px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1669\" class=\"wp-caption-text\"><span style=\"font-size: 8pt;\">http:\/\/fotos.sapo.pt\/berny\/fotos\/?uid=ARZVzuCZSJrFuHsak44S&amp;grande#foto<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Fora o aroma e a ard\u00eancia provocada na pele devido \u00e0 composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica da urina inconscientemente liberada por petizes, tudo estaria muito bom se a temperatura ficasse por a\u00ed, jungida ao calor do l\u00edquido, quentinho. Mas, como alertavam nossos av\u00f3s, onde h\u00e1 fuma\u00e7a h\u00e1 fogo. Nem Bob Marley dos bons tempos lograria fazer aquele fumac\u00ea todo que sa\u00eda do motor do combalido ve\u00edculo, nem calejados bombeiros de Nova York (olha a\u00ed nosso complexo de vira-lata) enfrentariam aquele fogar\u00e9u que iluminava o c\u00e9u fechado nas imedia\u00e7\u00f5es da Belo Horizonte do in\u00edcio da d\u00e9cada de 1960.<\/p>\n<p>S\u00f3 n\u00e3o contavam com a ast\u00facia (e o desassombro) dos passageiros e passageiras, adultos e crian\u00e7as (eu, meus irm\u00e3os e irm\u00e3s e uma penca de primos e primas) que, guerreiros remelentos, desceram do carro e se puseram a combater as chamas usando os cobertores rotos e a \u00e1gua (n\u00e3o era mineral, car\u00edssima para os padr\u00f5es de consumo daquela gente) acondicionada em garrafinhas para ser bebida &#8211; e depois transformada em pipi nos len\u00e7\u00f3is consoante a Lei do v\u00f4 Lavoisier.<\/p>\n<p>Debelou-se o fogo. Em sequ\u00eancia, entrava em cena o cheiro de queimado, a formar dupla com o fedor de mijo. Bem assim d\u00favida de natureza existencial &#8211; ou de sobreviv\u00eancia mesmo: onde e como dormir?<\/p>\n<p>Foi a\u00ed que, olhando para o motorista de bigod\u00f5es ruivos\u00a0 (meu tio Sergio, ent\u00e3o marido de minha bel\u00edssima tia Z\u00e9a, filho de tabeli\u00e3o, e num perrengue daquele, como era poss\u00edvel?), meu pai teve uma epifania e prospectou l\u00e1 no fundo da mem\u00f3ria um nome milagroso: Elcio.<\/p>\n<p>Se celular era objeto inimagin\u00e1vel \u00e0 \u00e9poca, telefone fixo existia, ostentava o seu charme e por isso era praticamente coisa de rico. Orelh\u00e3o? Nem pensar, ainda mais num ermo daquele. Sucede que pobre, tal qual o sertanejo, \u00e9 antes de tudo um forte. E depois de tudo um cara de pau. O fato \u00e9 que o Bojudo (apelido de inf\u00e2ncia do meu pai) n\u00e3o s\u00f3 conseguiu o nome do primo (no cat\u00e1logo de assinantes, aquele tijol\u00e3o?): permitiu-se o desprendimento de ligar pro Elcio e \u201cconvid\u00e1-lo\u201d a ser nosso anfitri\u00e3o recebendo a turma toda de famintos e famintas.<\/p>\n<p>Ao aristocr\u00e1tico e at\u00e9 \u00e0quela altura abonado hospedeiro, v\u00edtima de <em>pesadelos do c\u00e3o<\/em>, outra alternativa n\u00e3o restava al\u00e9m de abrigar \u00a0<em>os saltimbancos<\/em>. Lembrei, lembrei (na minha idade, sempre que nos lembramos de algo, devemos comemorar, e comemorar muito): o parente agora desafortunado (voc\u00eas ver\u00e3o por que) ainda fora nos resgatar \u00e0 beira da rodovia, <em>naquela escurid\u00e3o que nem sei: Olha, eu n\u00e3o sou disso n\u00e3o, sabe, mas naquela hora me deu uma vontade arretada de chorar, chorar e chorar aos solu\u00e7os\u201d.<\/em><\/p>\n<p>No momento em que os quinze seres, um time de futebol de campo mais quatro reservas, chegamos \u00e0 bela mans\u00e3o do casal, no fim da noite, a vis\u00e3o era paradis\u00edaca: a esposa de nosso salvador, mulher recatada e do lar, tipo aquelas de\u2026 filme americano (notem o complexo a\u00ed, de novo. Fora, complexo), j\u00e1 havia feito as camas com len\u00e7\u00f3is e fronhas brancos, imaculados e cheirosos (Meu Deus, e a urina noturna?), juntamente com toalhas de banho e de rosto, e preparado uma mesa com in\u00fameros acepipes e guloseimas (sumira tudo das despensas palacianas).<\/p>\n<figure id=\"attachment_1670\" aria-describedby=\"caption-attachment-1670\" style=\"width: 656px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" class=\" wp-image-1670\" src=\"http:\/\/2017.mapati.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/208_kombi2.png\" alt=\"http:\/\/2.bp.blogspot.com\/_JQKb5VOEn-s\/TNiHSvMhfzI\/AAAAAAAAAVA\/qcq9q6xCT1g\/s1600\/kombipronto2.png\" width=\"656\" height=\"438\" srcset=\"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/208_kombi2.png 589w, https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/208_kombi2-300x200.png 300w, https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/208_kombi2-200x133.png 200w, https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/208_kombi2-400x267.png 400w\" sizes=\"(max-width: 656px) 100vw, 656px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1670\" class=\"wp-caption-text\"><span style=\"font-size: 8pt;\">http:\/\/2.bp.blogspot.com\/_JQKb5VOEn-s\/TNiHSvMhfzI\/AAAAAAAAAVA\/qcq9q6xCT1g\/s1600\/kombipronto2.png<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Durante os dois ou tr\u00eas dias do conserto do motor (n\u00e3o sei quem pagou), providenciado por um mec\u00e2nico conhecido do primo Elcio (eta homens bons), os andrajosos aproveitaram a mesa farta e se esbaldaram na piscina, prenunciando o que repetidamente aconteceria muitas vezes depois no Rio de Janeiro. \u00c9 que passamos a filar boia noutra mans\u00e3o, do meu tio Gilberto Perrone, em Jacarepagu\u00e1, no Rio de Janeiro, mas isso \u00e9 outra hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Do Elcio primo do meu pai, nunca mais tive not\u00edcias, n\u00e3o sei se est\u00e1 vivo, o que n\u00e3o impossibilita lhe deixar aqui meus agradecimentos pela acolhida especial, inesquec\u00edvel.<\/p>\n<p>E quanto aos demais personagens nominados? Embarcaram numa outra kombi e est\u00e3o felizes l\u00e1 no c\u00e9u.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">10\/09\/2016<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">(208)<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"color: #0000ff;\"><a style=\"color: #0000ff;\" href=\"mailto:mmsmarcos1953@hotmail.com\">mmsmarcos1953@hotmail.com<\/a><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Era um doming\u00e3o, tinha muito sol\/Meu av\u00f4 na frente, minha av\u00f3 atr\u00e1s\/ E o r\u00e1dio a mil, que legal.\/O meu pai guiava,\/Minha m\u00e3e falava,\/ Minha irm\u00e3 chorava,\/O tot\u00f3 latia,\/Tudo num fusc\u00e3o, que legal.\/ Vamos indo todos,\/Vamos indo juntos \u00e0 praia grande,\/ Levando at\u00e9 televis\u00e3o.\/Era um doming\u00e3o.\/Mas ao chegar na praia\/ O tempo logo fechou.\/Meu av\u00f4 de tanga,\/Minha av\u00f3 de mai\u00f4,\/ Minha m\u00e3e chorava,\/O tot\u00f3 latia, o meu pai calava,\/ E no mais chovia&#8230;\/ Era um doming\u00e3o&#8230;\/Tudo no fusc\u00e3o, que legal\/ E era um doming\u00e3o,\/que legal\/Meu av\u00f4 de tanga, que legal,\/ O tot\u00f3 latia, au au au,\/ E o r\u00e1dio a mil, que legal,\/O meu pai calava&#8230; (Fim de Semana &#8211; Prem\u00ea) Para o bem e para o mal, geralmente para o mal, espalham que ser pobre \u00e9 uma tristeza. 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Era o quentinho do xixi que, debaixo das cobertas esfarrapadas, alagava o bagageiro do p\u00e3o de forma cor de Acetin que ca\u00eda aos peda\u00e7os, molhando os incautos e incautas que ali tentavam dormir um pouco em meio aos solavancos da estrada de uma \u00e9poca em que nem se sonhava(?) com ped\u00e1gio. Fora o aroma e a ard\u00eancia provocada na pele devido \u00e0 composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica da urina inconscientemente liberada por petizes, tudo estaria muito bom se a temperatura ficasse por a\u00ed, jungida ao calor do l\u00edquido, quentinho. Mas, como alertavam nossos av\u00f3s, onde h\u00e1 fuma\u00e7a h\u00e1 fogo. Nem Bob Marley dos bons tempos lograria fazer aquele fumac\u00ea todo que sa\u00eda do motor do combalido ve\u00edculo, nem calejados bombeiros de Nova York (olha a\u00ed nosso complexo de vira-lata) enfrentariam aquele fogar\u00e9u que iluminava o c\u00e9u fechado nas imedia\u00e7\u00f5es da Belo Horizonte do in\u00edcio da d\u00e9cada de 1960. S\u00f3 n\u00e3o contavam com a ast\u00facia (e o desassombro) dos passageiros e passageiras, adultos e crian\u00e7as (eu, meus irm\u00e3os e irm\u00e3s e uma penca de primos e primas) que, guerreiros remelentos, desceram do carro e se puseram a combater as chamas usando os cobertores rotos e a \u00e1gua (n\u00e3o era mineral, car\u00edssima para os padr\u00f5es de consumo daquela gente) acondicionada em garrafinhas para ser bebida &#8211; e depois transformada em pipi nos len\u00e7\u00f3is consoante a Lei do v\u00f4 Lavoisier. Debelou-se o fogo. Em sequ\u00eancia, entrava em cena o cheiro de queimado, a formar dupla com o fedor de mijo. Bem assim d\u00favida de natureza existencial &#8211; ou de sobreviv\u00eancia mesmo: onde e como dormir? Foi a\u00ed que, olhando para o motorista de bigod\u00f5es ruivos\u00a0 (meu tio Sergio, ent\u00e3o marido de minha bel\u00edssima tia Z\u00e9a, filho de tabeli\u00e3o, e num perrengue daquele, como era poss\u00edvel?), meu pai teve uma epifania e prospectou l\u00e1 no fundo da mem\u00f3ria um nome milagroso: Elcio. Se celular era objeto inimagin\u00e1vel \u00e0 \u00e9poca, telefone fixo existia, ostentava o seu charme e por isso era praticamente coisa de rico. Orelh\u00e3o? Nem pensar, ainda mais num ermo daquele. Sucede que pobre, tal qual o sertanejo, \u00e9 antes de tudo um forte. E depois de tudo um cara de pau. O fato \u00e9 que o Bojudo (apelido de inf\u00e2ncia do meu pai) n\u00e3o s\u00f3 conseguiu o nome do primo (no cat\u00e1logo de assinantes, aquele tijol\u00e3o?): permitiu-se o desprendimento de ligar pro Elcio e \u201cconvid\u00e1-lo\u201d a ser nosso anfitri\u00e3o recebendo a turma toda de famintos e famintas. Ao aristocr\u00e1tico e at\u00e9 \u00e0quela altura abonado hospedeiro, v\u00edtima de pesadelos do c\u00e3o, outra alternativa n\u00e3o restava al\u00e9m de abrigar \u00a0os saltimbancos. Lembrei, lembrei (na minha idade, sempre que nos lembramos de algo, devemos comemorar, e comemorar muito): o parente agora desafortunado (voc\u00eas ver\u00e3o por que) ainda fora nos resgatar \u00e0 beira da rodovia, naquela escurid\u00e3o que nem sei: Olha, eu n\u00e3o sou disso n\u00e3o, sabe, mas naquela hora me deu uma vontade arretada de chorar, chorar e chorar aos solu\u00e7os\u201d. No momento em que os quinze seres, um time de futebol de campo mais quatro reservas, chegamos \u00e0 bela mans\u00e3o do casal, no fim da noite, a vis\u00e3o era paradis\u00edaca: a esposa de nosso salvador, mulher recatada e do lar, tipo aquelas de\u2026 filme americano (notem o complexo a\u00ed, de novo. 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