{"id":1734,"date":"2016-10-16T15:24:53","date_gmt":"2016-10-16T15:24:53","guid":{"rendered":"http:\/\/mapati.com.br\/blog\/?p=1734"},"modified":"2016-10-16T15:24:53","modified_gmt":"2016-10-16T15:24:53","slug":"bacenianas-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/bacenianas-2\/","title":{"rendered":"Bacenianas (2)"},"content":{"rendered":"<p>Naquele 1972, o Banco Central se espalhava por v\u00e1rios pontos de Bras\u00edlia. Os diretores e assessoria, em depend\u00eancias mais confort\u00e1veis e luxuosas, como s\u00f3i, despachavam na sede do Banco do Brasil, pr\u00e9dio verde azulado\/azul esverdeado no Setor Banc\u00e1rio Sul, o qual, nos dias de hoje tendo \u00e0 frente a Esta\u00e7\u00e3o Galeria do Metr\u00f4 (a \u00faltima greve foi cansativa e ruim pra quase todo mundo da capital e do entorno), n\u00e3o mais \u00e9 de propriedade da institui\u00e7\u00e3o financeira p\u00fablica federal que adora um PDV: foi alienado a terceiros.<\/p>\n<p>Alguns setores do Bacen ficavam no Ed\u00edficio Vera Cruz (depois, abrigados nos vizinhos Brasal I e Brasal II), enquanto que a Ger\u00eancia do Mercado de Capitais (com um dos setores embri\u00e3o da CVM &#8211; Comiss\u00e3o de Valores Mobili\u00e1rios), a saudosa Gemec, onde me lotaram, funcionava no Edif\u00edcio Uni\u00e3o, tamb\u00e9m no Setor Comercial Sul, o primeiro da fila daqueles domin\u00f3s em p\u00e9 e defronte ao Hospital Distrital, cujo nome restou mudado para Hospital de Base (os servi\u00e7os m\u00e9dicos melhoraram?). N\u00e3o me perguntem o porqu\u00ea da altera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<figure id=\"attachment_1735\" aria-describedby=\"caption-attachment-1735\" style=\"width: 259px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-1735\" src=\"http:\/\/2017.mapati.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/214_bacen.jpg\" alt=\"foto: Marcos Martins\" width=\"259\" height=\"342\" srcset=\"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/214_bacen.jpg 325w, https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/214_bacen-227x300.jpg 227w, https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/214_bacen-200x265.jpg 200w\" sizes=\"(max-width: 259px) 100vw, 259px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1735\" class=\"wp-caption-text\"><span style=\"font-size: 8pt;\">foto: Marcos Martins<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Este blogueiro integrava a turma dos calouros (agora, chamam de fraldas), tendo sido alocado no 13\u00ba andar (seria no 14\u00ba?). Para chegar \u00e0 minha mesa de trabalho, ou <em>bureau<\/em>, na linguagem de Pernambuco (bir\u00f4, sotaque delicioso), necess\u00e1rio era cruzar a sala ocupada por tr\u00eas autoridades, o gerente adjunto, Am\u00edlcar Filgueira (homem educad\u00edssimo), e dois chefes de divis\u00e3o, Carlos Noronha (que saudade do seu Noronha, precursor dos esportes na Asbac) e Marizes de Assis Sousa, ainda entre n\u00f3s, sacudido, em marcha para os oitenta anos, se \u00e9 que j\u00e1 n\u00e3o chegou l\u00e1. No estamento militar, os postos corresponderiam a general de brigada, o primeiro, e a coronel, os dois outros chefes. O gerente, o titular, o chef\u00e3o de todos e todas, Ari Cordeiro Filho, um menino de 32, 33 anos, mandava, e mandava muito, mais do que boa parte dos ministros de Estado, com quem me reencontrei funcionalmente passadas duas d\u00e9cadas, ele um eficiente e operoso advogado com atua\u00e7\u00e3o na iniciativa privada.<\/p>\n<p>Na minha patente de suboficial, at\u00e9 por minha idade, a de jogador de futebol da categoria sub-20, eu transpunha aquele ambiente -acarpetado e s\u00f3brio, sil\u00eancio absoluto, apenas o ar condicionado de janela bombando, frio glacial -, eu fazia aquela travessia em atitude respeitosa diante de senhores da alta hierarquia situados na faixa de quarenta, cinquenta anos. Nenhum deles ainda pertencia ao quadro pr\u00f3prio (o que aconteceria anos ap\u00f3s), implantado havia cinco anos, portanto em 1967, mediante concurso p\u00fablico.<\/p>\n<p>A prop\u00f3sito, o Bacen desde aquela remota \u00e9poca se estabelecia, na \u00e1rea de recursos humanos, como entidade de vanguarda e democr\u00e1tica no atinente \u00e0 pol\u00edtica de recrutamento de pessoal, na medida em que, \u00e0 exce\u00e7\u00e3o dos poucos servidores e servidoras origin\u00e1rios da Sumoc &#8211; Superintend\u00eancia da Moeda e do Cr\u00e9dito e dos terceirizados e terceirizadas (indispens\u00e1veis a qualquer \u00f3rg\u00e3o se escolhidos sob crit\u00e9rios t\u00e9cnicos e profissionais), ningu\u00e9m ingressava na autarquia sem passar pelo certame p\u00fablico, e isso mesmo antes, muito antes da Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1988, que passou a vedar ingresso de pessoal via contrata\u00e7\u00e3o direta. Ali, somente se abria espa\u00e7o para concurseiros e concurseiras exitosos em provas de muita disputa, bem menos dif\u00edcil, no entanto, do que as presentemente aplicadas.<\/p>\n<p>Outra caracter\u00edstica bem marcante do Bacen, em toda a sua hist\u00f3ria, \u00e9 a de ser institui\u00e7\u00e3o cedente de m\u00e3o de obra, inclusive para organismos internacionais. Se n\u00e3o considerarmos a fase de implanta\u00e7\u00e3o, que se estendera at\u00e9 1975, praticamente nunca houve requisi\u00e7\u00e3o de pessoal deflagrada pela autarquia consoante seus pr\u00f3prios interesses e conveni\u00eancias administrativas internas. Para o bem ou para o mal, n\u00e3o se \u201calugava\u201d (nem se \u201caluga\u201d) o passe de nenhum funcion\u00e1rio, servidor ou empregado da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica. Quem atuava (e atua) em seus departamentos e unidades eram (s\u00e3o) servidores e servidoras do quadro pr\u00f3prio. Sem contar membros da diretoria (nos \u00faltimos tempos, a maioria \u00e9 da casa), bem assim as miss\u00f5es especiais e de curto prazo, n\u00e3o existe ningu\u00e9m trabalhando no Bacen cedido por outras entidades ou \u00f3rg\u00e3os federais, estaduais ou municipais.<\/p>\n<p>Os pareceres, as cotas, os expedientes\u2026 numa outra postagem.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">15\/10\/2016<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">(214)<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"color: #0000ff;\"><a style=\"color: #0000ff;\" href=\"mailto:mmsmarcos1953@hotmail.com\">mmsmarcos1953@hotmail.com<\/a><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Naquele 1972, o Banco Central se espalhava por v\u00e1rios pontos de Bras\u00edlia. 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Alguns setores do Bacen ficavam no Ed\u00edficio Vera Cruz (depois, abrigados nos vizinhos Brasal I e Brasal II), enquanto que a Ger\u00eancia do Mercado de Capitais (com um dos setores embri\u00e3o da CVM &#8211; Comiss\u00e3o de Valores Mobili\u00e1rios), a saudosa Gemec, onde me lotaram, funcionava no Edif\u00edcio Uni\u00e3o, tamb\u00e9m no Setor Comercial Sul, o primeiro da fila daqueles domin\u00f3s em p\u00e9 e defronte ao Hospital Distrital, cujo nome restou mudado para Hospital de Base (os servi\u00e7os m\u00e9dicos melhoraram?). N\u00e3o me perguntem o porqu\u00ea da altera\u00e7\u00e3o. Este blogueiro integrava a turma dos calouros (agora, chamam de fraldas), tendo sido alocado no 13\u00ba andar (seria no 14\u00ba?). Para chegar \u00e0 minha mesa de trabalho, ou bureau, na linguagem de Pernambuco (bir\u00f4, sotaque delicioso), necess\u00e1rio era cruzar a sala ocupada por tr\u00eas autoridades, o gerente adjunto, Am\u00edlcar Filgueira (homem educad\u00edssimo), e dois chefes de divis\u00e3o, Carlos Noronha (que saudade do seu Noronha, precursor dos esportes na Asbac) e Marizes de Assis Sousa, ainda entre n\u00f3s, sacudido, em marcha para os oitenta anos, se \u00e9 que j\u00e1 n\u00e3o chegou l\u00e1. No estamento militar, os postos corresponderiam a general de brigada, o primeiro, e a coronel, os dois outros chefes. O gerente, o titular, o chef\u00e3o de todos e todas, Ari Cordeiro Filho, um menino de 32, 33 anos, mandava, e mandava muito, mais do que boa parte dos ministros de Estado, com quem me reencontrei funcionalmente passadas duas d\u00e9cadas, ele um eficiente e operoso advogado com atua\u00e7\u00e3o na iniciativa privada. Na minha patente de suboficial, at\u00e9 por minha idade, a de jogador de futebol da categoria sub-20, eu transpunha aquele ambiente -acarpetado e s\u00f3brio, sil\u00eancio absoluto, apenas o ar condicionado de janela bombando, frio glacial -, eu fazia aquela travessia em atitude respeitosa diante de senhores da alta hierarquia situados na faixa de quarenta, cinquenta anos. Nenhum deles ainda pertencia ao quadro pr\u00f3prio (o que aconteceria anos ap\u00f3s), implantado havia cinco anos, portanto em 1967, mediante concurso p\u00fablico. A prop\u00f3sito, o Bacen desde aquela remota \u00e9poca se estabelecia, na \u00e1rea de recursos humanos, como entidade de vanguarda e democr\u00e1tica no atinente \u00e0 pol\u00edtica de recrutamento de pessoal, na medida em que, \u00e0 exce\u00e7\u00e3o dos poucos servidores e servidoras origin\u00e1rios da Sumoc &#8211; Superintend\u00eancia da Moeda e do Cr\u00e9dito e dos terceirizados e terceirizadas (indispens\u00e1veis a qualquer \u00f3rg\u00e3o se escolhidos sob crit\u00e9rios t\u00e9cnicos e profissionais), ningu\u00e9m ingressava na autarquia sem passar pelo certame p\u00fablico, e isso mesmo antes, muito antes da Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1988, que passou a vedar ingresso de pessoal via contrata\u00e7\u00e3o direta. Ali, somente se abria espa\u00e7o para concurseiros e concurseiras exitosos em provas de muita disputa, bem menos dif\u00edcil, no entanto, do que as presentemente aplicadas. Outra caracter\u00edstica bem marcante do Bacen, em toda a sua hist\u00f3ria, \u00e9 a de ser institui\u00e7\u00e3o cedente de m\u00e3o de obra, inclusive para organismos internacionais. Se n\u00e3o considerarmos a fase de implanta\u00e7\u00e3o, que se estendera at\u00e9 1975, praticamente nunca houve requisi\u00e7\u00e3o de pessoal deflagrada pela autarquia consoante seus pr\u00f3prios interesses e conveni\u00eancias administrativas internas. Para o bem ou para o mal, n\u00e3o se \u201calugava\u201d (nem se \u201caluga\u201d) o passe de nenhum funcion\u00e1rio, servidor ou empregado da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica. Quem atuava (e atua) em seus departamentos e unidades eram (s\u00e3o) servidores e servidoras do quadro pr\u00f3prio. 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