{"id":1827,"date":"2016-11-18T02:19:10","date_gmt":"2016-11-18T02:19:10","guid":{"rendered":"http:\/\/mapati.com.br\/blog\/?p=1827"},"modified":"2016-11-18T02:19:10","modified_gmt":"2016-11-18T02:19:10","slug":"bacenianas-4","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/bacenianas-4\/","title":{"rendered":"Bacenianas (4)"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_1828\" aria-describedby=\"caption-attachment-1828\" style=\"width: 870px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-1828\" src=\"http:\/\/2017.mapati.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/216-mont_isqueiro.jpg\" alt=\"foto: pixabay.com\" width=\"870\" height=\"653\" srcset=\"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/216-mont_isqueiro.jpg 870w, https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/216-mont_isqueiro-300x225.jpg 300w, https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/216-mont_isqueiro-768x576.jpg 768w, https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/216-mont_isqueiro-200x150.jpg 200w, https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/216-mont_isqueiro-400x300.jpg 400w, https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/216-mont_isqueiro-600x450.jpg 600w, https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/216-mont_isqueiro-800x600.jpg 800w\" sizes=\"(max-width: 870px) 100vw, 870px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1828\" class=\"wp-caption-text\"><span style=\"font-size: 8pt;\">foto: pixabay.com<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Por que retardar mais um pouco o desfecho do vertente t\u00f3pico? A pergunta, eu a fa\u00e7o a mim mesmo, o \u00fanico ledor destas linhas, todas elas tra\u00e7adas sob o brilho da lua nova. Respondo a indaga\u00e7\u00e3o com a not\u00edcia de que a postagem derradeira sofrer\u00e1 mais um adiamento, desta feita para ceder lugar a um personagem interessante, um figura\u00e7a &#8211; como se dizia naquela \u00e9poca.<\/p>\n<p>Chama-lo-ei (eita, mais uma do MT) de Ede.<\/p>\n<p>Faixa 40\/50 de idade, n\u00e3o era nenhum servidor que se pudesse elogiar pela alta efici\u00eancia no manejo das quest\u00f5es ventiladas nos processos em tr\u00e2mite na Divro, a divis\u00e3o encarregada da homologa\u00e7\u00e3o de investidura dos administradores de institui\u00e7\u00e3o financeira; de aumento de capital; de incorpora\u00e7\u00e3o e fus\u00e3o; em suma, das mat\u00e9rias deliberadas em assembleia geral de acionistas e dependentes de chancela da autoridade supervisora, da\u00ed ser subunidade conhecida, na Gemec, por cart\u00f3rio.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m integrante da turma da saudade (mas sem melanc\u00f3lica subida ao terra\u00e7o), saudade do Leblon, da rua Aristides Esp\u00ednola, onde passara boa parte de sua (pitoresca) exist\u00eancia at\u00e9 ser transferido para Bras\u00edlia, o nosso Ede matava de raiva os <em>nerds<\/em> e os puxa-sacos e matava de rir o pessoal da Zona Norte, os que, como sabemos, se sentavam na \u00faltima fileira da sala de aula. De que maneira aconteciam esses homic\u00eddios? Melhor, como se operavam esses crimes de les\u00e3o corporal?<\/p>\n<p>Ia chegando o meio da tarde e come\u00e7\u00e1vamos discretamente a reparar na t\u00e9cnica de nosso rei da sacanagem e da maldade. Entediado com o amarelo da capa dos processos, o personagem com que ora nos ocupamos dava in\u00edcio a uma de suas traquinagens &#8211; para dizer o m\u00ednimo.<\/p>\n<p>Na cena, primeiramente um dos objetos do crime: o clips, isso mesmo, o clips, tamb\u00e9m usado como refer\u00eancia por quem era contra e tentava implodir quaisquer medidas, s\u00e9rias ou n\u00e3o, de conten\u00e7\u00e3o dos gastos p\u00fablicos: \u201cIsso \u00e9 economia de clips\u201d.<\/p>\n<p>Empunhando um alicatinho maneiro, t\u00edpico de eletricista cioso da profiss\u00e3o, o Ede pescava o clips e nele prendia a moeda met\u00e1lica (seria em cruzeiros? Hoje, seria em reais; a de um real), o outro objeto do delito. Subsequentemente, acendia o Ronson e a chama do isqueiro c\u00e9lebre e estiloso circundava o item de escrit\u00f3rio em movimentos regulares, meticulosos e precisos de modo a esquentar o objeto redondo e igualmente met\u00e1lico, a moeda, cuja distribui\u00e7\u00e3o, via bancos, \u00a0ao p\u00fablico em geral incumbia, e incumbe, ao Departamento do Meio Circulante, o Mecir, a unidade do Bacen respons\u00e1vel pelo numer\u00e1rio do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Fogo do capeta, cor alaranjada, \u00e0 semelhan\u00e7a dos ferros de marcar gado, a moeda era retirada do clips (cromado? N\u00e3o me lembro, s\u00f3 sei que prateado; o de cor dourada, acho, apareceu depois) e dolosamente lan\u00e7ada da altura do d\u00e9cimo-terceiro andar (seria d\u00e9cimo-quarto andar?). A bichinha quase em derretimento e disforme quicava solertemente na cal\u00e7ada do SCS, l\u00e1 embaixo, onde servidores p\u00fablicos e comerci\u00e1rios transitavam. Em pouqu\u00edssimos segundos, o cardume era vasto, surgia o incauto se achando o sortudo da humanidade. Era o coitado apanhar a moeda do Tio Patinhas no ch\u00e3o e o grito de dor era ouvido l\u00e1 de cima pela turma de bancarinos comandada pelo Ede. Tiv\u00e9ssemos um bin\u00f3culo e movidos pelo deboche s\u00e1dico, ver\u00edamos em <em>close<\/em> o desespero do infeliz a agitar os bra\u00e7os tentando se livrar da moeda incandescente j\u00e1 envolta por um belo peda\u00e7o de pele, pele n\u00e3o t\u00e3o grosa, pele da palma da m\u00e3o, onde as ciganas quiromantes fazem a festa em troca de alguns reais. O gajo olhava para cima, xingava o pr\u00e9dio (Edif\u00edcio Uni\u00e3o) todinho e, sem trocadilho, saia fumegando.<\/p>\n<p>At\u00e9 para n\u00e3o ter de ir urgentemente buscar socorro num hospital de queimados, largarei a moeda uma brasa, mora. Mas o Ede n\u00e3o vou largar agora, n\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">17\/11\/2016<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">(219)<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"color: #0000ff;\"><a style=\"color: #0000ff;\" href=\"mailto:mmsmarcos1953@hotmail.com\">mmsmarcos1953@hotmail.com<\/a><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por que retardar mais um pouco o desfecho do vertente t\u00f3pico? A pergunta, eu a fa\u00e7o a mim mesmo, o \u00fanico ledor destas linhas, todas elas tra\u00e7adas sob o brilho da lua nova. Respondo a indaga\u00e7\u00e3o com a not\u00edcia de que a postagem derradeira sofrer\u00e1 mais um adiamento, desta feita para ceder lugar a um personagem interessante, um figura\u00e7a &#8211; como se dizia naquela \u00e9poca. Chama-lo-ei (eita, mais uma do MT) de Ede. Faixa 40\/50 de idade, n\u00e3o era nenhum servidor que se pudesse elogiar pela alta efici\u00eancia no manejo das quest\u00f5es ventiladas nos processos em tr\u00e2mite na Divro, a divis\u00e3o encarregada da homologa\u00e7\u00e3o de investidura dos administradores de institui\u00e7\u00e3o financeira; de aumento de capital; de incorpora\u00e7\u00e3o e fus\u00e3o; em suma, das mat\u00e9rias deliberadas em assembleia geral de acionistas e dependentes de chancela da autoridade supervisora, da\u00ed ser subunidade conhecida, na Gemec, por cart\u00f3rio. Tamb\u00e9m integrante da turma da saudade (mas sem melanc\u00f3lica subida ao terra\u00e7o), saudade do Leblon, da rua Aristides Esp\u00ednola, onde passara boa parte de sua (pitoresca) exist\u00eancia at\u00e9 ser transferido para Bras\u00edlia, o nosso Ede matava de raiva os nerds e os puxa-sacos e matava de rir o pessoal da Zona Norte, os que, como sabemos, se sentavam na \u00faltima fileira da sala de aula. De que maneira aconteciam esses homic\u00eddios? Melhor, como se operavam esses crimes de les\u00e3o corporal? Ia chegando o meio da tarde e come\u00e7\u00e1vamos discretamente a reparar na t\u00e9cnica de nosso rei da sacanagem e da maldade. Entediado com o amarelo da capa dos processos, o personagem com que ora nos ocupamos dava in\u00edcio a uma de suas traquinagens &#8211; para dizer o m\u00ednimo. Na cena, primeiramente um dos objetos do crime: o clips, isso mesmo, o clips, tamb\u00e9m usado como refer\u00eancia por quem era contra e tentava implodir quaisquer medidas, s\u00e9rias ou n\u00e3o, de conten\u00e7\u00e3o dos gastos p\u00fablicos: \u201cIsso \u00e9 economia de clips\u201d. Empunhando um alicatinho maneiro, t\u00edpico de eletricista cioso da profiss\u00e3o, o Ede pescava o clips e nele prendia a moeda met\u00e1lica (seria em cruzeiros? Hoje, seria em reais; a de um real), o outro objeto do delito. Subsequentemente, acendia o Ronson e a chama do isqueiro c\u00e9lebre e estiloso circundava o item de escrit\u00f3rio em movimentos regulares, meticulosos e precisos de modo a esquentar o objeto redondo e igualmente met\u00e1lico, a moeda, cuja distribui\u00e7\u00e3o, via bancos, \u00a0ao p\u00fablico em geral incumbia, e incumbe, ao Departamento do Meio Circulante, o Mecir, a unidade do Bacen respons\u00e1vel pelo numer\u00e1rio do pa\u00eds. Fogo do capeta, cor alaranjada, \u00e0 semelhan\u00e7a dos ferros de marcar gado, a moeda era retirada do clips (cromado? N\u00e3o me lembro, s\u00f3 sei que prateado; o de cor dourada, acho, apareceu depois) e dolosamente lan\u00e7ada da altura do d\u00e9cimo-terceiro andar (seria d\u00e9cimo-quarto andar?). A bichinha quase em derretimento e disforme quicava solertemente na cal\u00e7ada do SCS, l\u00e1 embaixo, onde servidores p\u00fablicos e comerci\u00e1rios transitavam. Em pouqu\u00edssimos segundos, o cardume era vasto, surgia o incauto se achando o sortudo da humanidade. Era o coitado apanhar a moeda do Tio Patinhas no ch\u00e3o e o grito de dor era ouvido l\u00e1 de cima pela turma de bancarinos comandada pelo Ede. Tiv\u00e9ssemos um bin\u00f3culo e movidos pelo deboche s\u00e1dico, ver\u00edamos em close o desespero do infeliz a agitar os bra\u00e7os tentando se livrar da moeda incandescente j\u00e1 envolta por um belo peda\u00e7o de pele, pele n\u00e3o t\u00e3o grosa, pele da palma da m\u00e3o, onde as ciganas quiromantes fazem a festa em troca de alguns reais. O gajo olhava para cima, xingava o pr\u00e9dio (Edif\u00edcio Uni\u00e3o) todinho e, sem trocadilho, saia fumegando. At\u00e9 para n\u00e3o ter de ir urgentemente buscar socorro num hospital de queimados, largarei a moeda uma brasa, mora. 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