{"id":2260,"date":"2017-06-03T03:06:29","date_gmt":"2017-06-03T03:06:29","guid":{"rendered":"http:\/\/mapati.com.br\/blog\/?p=2260"},"modified":"2017-06-03T03:06:29","modified_gmt":"2017-06-03T03:06:29","slug":"memoriasmemorialistas-xlviii","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/memoriasmemorialistas-xlviii\/","title":{"rendered":"Mem\u00f3rias\/Memorialistas (XLVIII)"},"content":{"rendered":"<p>\n\t<span style=\"font-size:20px;\"><span style=\"font-family:times new roman,times,serif;\">Desde o &uacute;ltimo 6 de mar&ccedil;o, dia do meu anivers&aacute;rio, encontrava-se abandonado o t&oacute;pico das recorda&ccedil;&otilde;es, as minhas e as dos outros; a rigor, muito mais as deles do que as minhas.<\/span><\/span>\n<\/p>\n<p>\n\t<span style=\"font-size:20px;\"><span style=\"font-family:times new roman,times,serif;\">Um dos contadores de hist&oacute;rias deste&nbsp;<i>blog<\/i>, participante revel, &eacute; o Pedro Nava, o maior memorialista brasileiro,.<\/span><\/span>\n<\/p>\n<p>\n\t<span style=\"font-size:20px;\"><span style=\"font-family:times new roman,times,serif;\">O voo &eacute; longo, com destino a passado remoto; iremos triscar nos tempos da primeira grande guerra, por volta de 1915, mas sem nenhuma refer&ecirc;ncia b&eacute;lica.<\/span><\/span>\n<\/p>\n<p>\n\t<span style=\"font-size:20px;\"><span style=\"font-family:times new roman,times,serif;\">Mais ou menos. H&aacute; beliger&acirc;ncia, sim, no relacionamento entre o Nava e os seus c&uacute;mplices do Col&eacute;gio Pedro II, de um lado, e o professor de ingl&ecirc;s, do outro, o Pissil&atilde;o, cruel apelido do professor que n&atilde;o conseguia pronunciar o Y, letra, ali&aacute;s, que veio de ser ressuscitada pela nossa (deles) ainda n&atilde;o aceita reforma ortogr&aacute;fica.<\/span><\/span><br \/>\n\t<img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" alt=\"http:\/\/3.bp.blogspot.com\/-wTSvPBIdaUs\/Tclh1xZMiDI\/AAAAAAAAET0\/5RuXM0fKF7U\/s1600\/Pedro_II_-_1.jpg\" class=\"size-full wp-image-2294 aligncenter\" height=\"613\" src=\"http:\/\/2017.mapati.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/247_dpedro3.jpg\" style=\"\" title=\"\" width=\"748\" srcset=\"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/247_dpedro3.jpg 748w, https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/247_dpedro3-300x246.jpg 300w, https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/247_dpedro3-200x164.jpg 200w, https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/247_dpedro3-400x328.jpg 400w, https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/247_dpedro3-600x492.jpg 600w\" sizes=\"(max-width: 748px) 100vw, 748px\" \/>\n<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\n\t<span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 14px;\">Col&eacute;gio Dom Pedro II&nbsp;&#8211; RJ<\/span>\n<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">\n\t<span style=\"font-size:18px;\"><span style=\"font-family:trebuchet ms,helvetica,sans-serif;\"><i>&ldquo;&#8230; junte-se &agrave; sua rabugem ferruginosa o que ele possu&iacute;a em mat&eacute;ria<br \/>\n\tdas desgra&ccedil;as f&iacute;sicas que tornam a velhice t&atilde;o repulsiva &ndash; ai! de n&oacute;s &ndash; aos olhos dos que v&atilde;o ficar como n&oacute;s, se chegarem at&eacute; aqui. Pois o nosso Pissil&atilde;o era horrendo, em roda. De frente, impressionava logo sua cara amarrada, a cabe&ccedil;a quadrada, a pele morena e oleosa, o largo nariz cortado de lado a lado por velha cicatriz exuberante. Conservava as sobrancelhas e o bigode quase pretos e tingia mal mal os cabelos e o cavanhaque que ficavam de um amarelo sujo depois de passados por uma dessas lo&ccedil;&otilde;es apregoadas para caspa e revigoramento do couro cabeludo mas que no fundo servem<br \/>\n\tpara disfar&ccedil;ar as c&atilde;s da velhice envergonhada, coitada! Tra&iacute;da, como no caso do nosso mestre,<br \/>\n\tpela testa boursoufl&eacute;e de pr&eacute;-cad&aacute;ver, em cada lado da qual enrolavam-se as serpentes sim&eacute;tricas das art&eacute;rias temporais mostrando que a senten&ccedil;a estava lavrada e o dono daqueles vasos contado, pesado e medido (&#8230;)&rdquo;<\/i><\/span><\/span>\n<\/p>\n<p>\n\t<span style=\"font-size:20px;\"><span style=\"font-family:times new roman,times,serif;\">O escritor mineiro, encantador de serpentes pela for&ccedil;a sedutora de suas palavras, &ldquo;vinga&rdquo; todos os alunos de todos os col&eacute;gios do mundo e continua a destrui&ccedil;&atilde;o do mestre da disciplina ingl&ecirc;s que n&atilde;o conseguia falar ingl&ecirc;s. Nesse livro 3 de suas mem&oacute;rias,&nbsp;<i>Ch&atilde;o de Ferro<\/i>, sobre o qual estamos debru&ccedil;ados, aprendemos que o&nbsp;<i>bullying<\/i>&nbsp;com os professores n&atilde;o &eacute; coisa surgida em nossos dias, o ataque j&aacute; acontecia no in&iacute;cio do s&eacute;culo XX, dando para imaginar os coment&aacute;rios que o memorialista faria sobre as perucas ou os cabelos acaju de boa parte dos nossos respeitados parlamentares federais, estaduais e municipais.<\/span><\/span>\n<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">\n\t<span style=\"font-size:18px;\"><span style=\"font-family:trebuchet ms,helvetica,sans-serif;\"><i>&ldquo;(&#8230;) Sua boca funda e desornada tornava imposs&iacute;vel o seu <\/i><br \/>\n\ttieitch e os that, those, this, the<i>&nbsp;&#8211; viravam l&aacute; nele em<\/i>z&eacute;t, z&ocirc;ze, zis, zi<i>. Em vez dele nos perseguir (&#8230;) n&oacute;s &eacute; que o escarment&aacute;vamos pronunciando as linguodentais que ele n&atilde;o conseguia emitir. De pura safadeza ped&iacute;amos que ele nos explicasse a senten&ccedil;a corrente &ndash;&nbsp;<\/i>I tell you that that that that you see here is a pronoum&nbsp;<i>&ndash; para v&ecirc;-lo zezail&aacute; de modo penoso z&eacute;tz&eacute;tz&eacute;tz&eacute;t &ndash; numa chuva de perdigotos e pel&iacute;culas de charuto. O velho arfava num sorriso l&iacute;vido. De suas p&aacute;lpebras de mandarim vinha o fiapo dum &oacute;dio negro. Sabia mas n&atilde;o podia mostrar que sabia porque, sen&atilde;o, tinha de se olhar de frente, e no espelho que nossa mal&iacute;cia lhe apresentava. Disfar&ccedil;ava. Mas, tamb&eacute;m, n&atilde;o nos poupava! e estava sempre de boca pronta para gritar: zero! e zero, agora, bem pronunciado, gostosamente dado. Aos nossos repel&otilde;es de mau humor, olhava por cima dos &oacute;culos. Dizia: olha, nhonh&ocirc;, eu aqui&nbsp;<\/i>enchino ingleix<i>; educa&ccedil;&atilde;o &eacute; em casa, com a mam&atilde;e. Percebia-se o puta-que-pariu recalcado. Com a mam&atilde;e. E descomprimia-se mais, juntando o zero de comportamento ao zero em aplica&ccedil;&atilde;o.&rdquo;<\/i><\/span><\/span>\n<\/p>\n<p>\n\t<span style=\"font-size:20px;\"><span style=\"font-family:times new roman,times,serif;\">Na pr&oacute;xima postagem, a qual sai jazinho, veremos a capitula&ccedil;&atilde;o do professor ap&oacute;s m&iacute;sseis Tomahawk disparados pelo aluno bilingue e solerte.&nbsp;<\/span><\/span>\n<\/p>\n<p>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:arial,helvetica,sans-serif;\">#Pedro Nava &nbsp;#Ch&atilde;o de ferro &nbsp;#Col&eacute;gio Sion &nbsp;#Dad Squarisi &nbsp;#Correio Braziliense &nbsp;#Medicina Legal &nbsp;#Professor&nbsp;Pissil&atilde;o<\/span><\/span>\n<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">\n\t<span style=\"font-size:20px;\"><span style=\"font-family:times new roman,times,serif;\">03\/06\/2017<\/span><\/span>\n<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">\n\t<span style=\"font-size:20px;\"><span style=\"font-family:times new roman,times,serif;\">(247)<\/span><\/span>\n<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">\n\t<span style=\"font-size:20px;\"><span style=\"font-family:times new roman,times,serif;\"><a href=\"mailto:mmsmarcos1953@hotmail.com\" target=\"_blank\"><span style=\"color:#0000FF;\">mmsmarcos1953@hotmail.com<\/span><\/a><\/span><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desde o &uacute;ltimo 6 de mar&ccedil;o, dia do meu anivers&aacute;rio, encontrava-se abandonado o t&oacute;pico das recorda&ccedil;&otilde;es, as minhas e as dos outros; a rigor, muito mais as deles do que as minhas. Um dos contadores de hist&oacute;rias deste&nbsp;blog, participante revel, &eacute; o Pedro Nava, o maior memorialista brasileiro,. O voo &eacute; longo, com destino a passado remoto; iremos triscar nos tempos da primeira grande guerra, por volta de 1915, mas sem nenhuma refer&ecirc;ncia b&eacute;lica. Mais ou menos. H&aacute; beliger&acirc;ncia, sim, no relacionamento entre o Nava e os seus c&uacute;mplices do Col&eacute;gio Pedro II, de um lado, e o professor de ingl&ecirc;s, do outro, o Pissil&atilde;o, cruel apelido do professor que n&atilde;o conseguia pronunciar o Y, letra, ali&aacute;s, que veio de ser ressuscitada pela nossa (deles) ainda n&atilde;o aceita reforma ortogr&aacute;fica. Col&eacute;gio Dom Pedro II&nbsp;&#8211; RJ &ldquo;&#8230; junte-se &agrave; sua rabugem ferruginosa o que ele possu&iacute;a em mat&eacute;ria das desgra&ccedil;as f&iacute;sicas que tornam a velhice t&atilde;o repulsiva &ndash; ai! de n&oacute;s &ndash; aos olhos dos que v&atilde;o ficar como n&oacute;s, se chegarem at&eacute; aqui. Pois o nosso Pissil&atilde;o era horrendo, em roda. De frente, impressionava logo sua cara amarrada, a cabe&ccedil;a quadrada, a pele morena e oleosa, o largo nariz cortado de lado a lado por velha cicatriz exuberante. Conservava as sobrancelhas e o bigode quase pretos e tingia mal mal os cabelos e o cavanhaque que ficavam de um amarelo sujo depois de passados por uma dessas lo&ccedil;&otilde;es apregoadas para caspa e revigoramento do couro cabeludo mas que no fundo servem para disfar&ccedil;ar as c&atilde;s da velhice envergonhada, coitada! Tra&iacute;da, como no caso do nosso mestre, pela testa boursoufl&eacute;e de pr&eacute;-cad&aacute;ver, em cada lado da qual enrolavam-se as serpentes sim&eacute;tricas das art&eacute;rias temporais mostrando que a senten&ccedil;a estava lavrada e o dono daqueles vasos contado, pesado e medido (&#8230;)&rdquo; O escritor mineiro, encantador de serpentes pela for&ccedil;a sedutora de suas palavras, &ldquo;vinga&rdquo; todos os alunos de todos os col&eacute;gios do mundo e continua a destrui&ccedil;&atilde;o do mestre da disciplina ingl&ecirc;s que n&atilde;o conseguia falar ingl&ecirc;s. Nesse livro 3 de suas mem&oacute;rias,&nbsp;Ch&atilde;o de Ferro, sobre o qual estamos debru&ccedil;ados, aprendemos que o&nbsp;bullying&nbsp;com os professores n&atilde;o &eacute; coisa surgida em nossos dias, o ataque j&aacute; acontecia no in&iacute;cio do s&eacute;culo XX, dando para imaginar os coment&aacute;rios que o memorialista faria sobre as perucas ou os cabelos acaju de boa parte dos nossos respeitados parlamentares federais, estaduais e municipais. &ldquo;(&#8230;) Sua boca funda e desornada tornava imposs&iacute;vel o seu tieitch e os that, those, this, the&nbsp;&#8211; viravam l&aacute; nele emz&eacute;t, z&ocirc;ze, zis, zi. Em vez dele nos perseguir (&#8230;) n&oacute;s &eacute; que o escarment&aacute;vamos pronunciando as linguodentais que ele n&atilde;o conseguia emitir. De pura safadeza ped&iacute;amos que ele nos explicasse a senten&ccedil;a corrente &ndash;&nbsp;I tell you that that that that you see here is a pronoum&nbsp;&ndash; para v&ecirc;-lo zezail&aacute; de modo penoso z&eacute;tz&eacute;tz&eacute;tz&eacute;t &ndash; numa chuva de perdigotos e pel&iacute;culas de charuto. O velho arfava num sorriso l&iacute;vido. De suas p&aacute;lpebras de mandarim vinha o fiapo dum &oacute;dio negro. Sabia mas n&atilde;o podia mostrar que sabia porque, sen&atilde;o, tinha de se olhar de frente, e no espelho que nossa mal&iacute;cia lhe apresentava. Disfar&ccedil;ava. Mas, tamb&eacute;m, n&atilde;o nos poupava! e estava sempre de boca pronta para gritar: zero! e zero, agora, bem pronunciado, gostosamente dado. Aos nossos repel&otilde;es de mau humor, olhava por cima dos &oacute;culos. Dizia: olha, nhonh&ocirc;, eu aqui&nbsp;enchino ingleix; educa&ccedil;&atilde;o &eacute; em casa, com a mam&atilde;e. Percebia-se o puta-que-pariu recalcado. 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E descomprimia-se mais, juntando o zero de comportamento ao zero em aplica&ccedil;&atilde;o.&rdquo; Na pr&oacute;xima postagem, a qual sai jazinho, veremos a capitula&ccedil;&atilde;o do professor ap&oacute;s m&iacute;sseis Tomahawk disparados pelo aluno bilingue e solerte.&nbsp; #Pedro Nava &nbsp;#Ch&atilde;o de ferro &nbsp;#Col&eacute;gio Sion &nbsp;#Dad Squarisi &nbsp;#Correio Braziliense &nbsp;#Medicina Legal &nbsp;#Professor&nbsp;Pissil&atilde;o 03\/06\/2017 (247) mmsmarcos1953@hotmail.com<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-2260","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2260","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2260"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2260\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2260"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2260"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2260"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}