{"id":33,"date":"2015-12-16T18:11:03","date_gmt":"2015-12-16T18:11:03","guid":{"rendered":"http:\/\/mapati.com.br\/blog\/?p=33"},"modified":"2015-12-16T18:11:03","modified_gmt":"2015-12-16T18:11:03","slug":"arte-sobre-rodas-ii","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/arte-sobre-rodas-ii\/","title":{"rendered":"Arte sobre rodas (II)"},"content":{"rendered":"<p>Est\u00e1vamos em Rio Branco (AC). Cidade bem tra\u00e7ada, razoavelmente limpa, simp\u00e1tica e acolhedora. Por\u00e9m, distante, muito distante<br \/>\nde Bras\u00edlia, 3.200 km por via terrestre.<\/p>\n<p>Imaginem vencer esse percurso de caminh\u00e3o, seguido de micro-\u00f4nibus &#8211; a fronteira da Bol\u00edvia, \u00e0 nossa esquerda, n\u00e3o acabava nunca e nossa delega\u00e7\u00e3o, de 17 pessoas, afligia-se com aquele cen\u00e1rio. As Farcs<br \/>\ns\u00e3o (ou eram) da Col\u00f4mbia, mas e se ali, por tr\u00e1s daquela fileira<br \/>\nde \u00e1rvores, houvesse alguma sucursal dessa turma adepta<br \/>\nde um sequestro? J\u00e1 cativos, cumprindo rapidinho ordens do bigodudo comandante do destacamento, ter\u00edamos de encenar a cada dia uma nova pe\u00e7a para n\u00e3o cair o moral da tropa, pena de nos jogarem num buraco cheio de serpentes e cobras venenosas.<\/p>\n<p>Na pra\u00e7a escolhida para montagem do palco, avistamos ao longe<br \/>\numa mo\u00e7a que vinha em nossa dire\u00e7\u00e3o. Aproximou-se de n\u00f3s e come\u00e7ou a se enturmar. Comunicativa, educada, elegante, bonita, despertou v\u00edvido interesse em boa parte de nossa turma. Mas os admiradores logo se viram desencorajados porque ela era casada \u2013 e casada<br \/>\ncom um delegado da Pol\u00edcia Federal. Ainda bem que todos ali tinham um pouco de ju\u00edzo.<\/p>\n<p>Momentos antes de iniciar o espet\u00e1culo e como eu fazia quando participava da jornada (por causa de meu trabalho, nem sempre<br \/>\neu podia viajar), subi no tijolo, quer dizer, no ve\u00edculo e comecei a fala\u00e7\u00e3o (os atores e atrizes debochavam muito daquele burocra enxerido<br \/>\na invadir o espa\u00e7o deles). A hist\u00f3ria do Mapati, as suas principais atividades art\u00edsticas, a pe\u00e7a a ser encenada, bl\u00e1, bl\u00e1, bl\u00e1&#8230; e esse \u00faltimo \u201cbl\u00e1\u201d consistia nas refer\u00eancias \u00e0s impressionantes caracter\u00edsticas<br \/>\nda regi\u00e3o. E o carioca \/candango supliciava os espectadores: tome matas, \u00edndios, seringueiros (Chico Mendes j\u00e1 tinha ido, covardemente assassinado), ecologia (Marina ainda n\u00e3o havia chegado nacionalmente), fronteira com o Peru.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/2017.mapati.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/FIG3post6.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-37\" src=\"http:\/\/2017.mapati.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/FIG3post6.jpg\" alt=\"FIG3post6\" width=\"589\" height=\"442\" \/><\/a><\/p>\n<p>Terminado o sofr\u00edvel discurso, \u201cdescidas\u201d as cortinas depois das \u00faltimas palmas (o povo gostou da pe\u00e7a), a beldade (n\u00e3o me lembro<br \/>\nse era acriana ou moradora de l\u00e1 h\u00e1 muito tempo) veio falar comigo. Metido, pensei que ouviria alguns elogios ao desempenho dos artistas. Sem querer ser engra\u00e7adinho agora, a esposa do policial estava<br \/>\numa arara. Minha sorte \u00e9 que, diferentemente do marido, n\u00e3o portava arma. Como que vociferou, deblaterou e me lan\u00e7ou esta: \u201cVoc\u00eas v\u00eam aqui e exaltam a floresta, a fauna, as ervas medicinais&#8230; N\u00e3o aguento mais isso. O pessoal acha que somos o qu\u00ea? Por acaso ficamos aqui<br \/>\ns\u00f3 cultuando a mata. Que saco esse neg\u00f3cio de ecologia. Na nossa cidade, tem <em>shopping<\/em>, tem roupa de grife, tem boteco, vida noturna\u201d. O recado era em s\u00edntese: \u201cAbor\u00edgenes \u00e9 a pqp\u201d. E eu, pseudourban\u00f3ide,<br \/>\nme achando, me vendo ao lado dos \u201cnativos\u201d, antropologicamente integrado a eles. Valeria a pena saber o que, de l\u00e1 pra c\u00e1, ela teria feito com os turistas ecol\u00f3gicos, com os membros do PV, com a turma<br \/>\ndas ONGs chegada a uma mata e protetora dos miquinhos&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"padding-left: 60px; text-align: right;\">13 de setembro de 2013<\/p>\n<p style=\"padding-left: 60px; text-align: right;\">(006)<\/p>\n<p style=\"padding-left: 60px; text-align: right;\"><span style=\"color: #0000ff;\"><a style=\"color: #0000ff;\" href=\"mailto:mmsmarcos1953@hotmail.com\">mmsmarcos1953@hotmail.com<\/a><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Est\u00e1vamos em Rio Branco (AC). Cidade bem tra\u00e7ada, razoavelmente limpa, simp\u00e1tica e acolhedora. Por\u00e9m, distante, muito distante de Bras\u00edlia, 3.200 km por via terrestre. Imaginem vencer esse percurso de caminh\u00e3o, seguido de micro-\u00f4nibus &#8211; a fronteira da Bol\u00edvia, \u00e0 nossa esquerda, n\u00e3o acabava nunca e nossa delega\u00e7\u00e3o, de 17 pessoas, afligia-se com aquele cen\u00e1rio. As Farcs s\u00e3o (ou eram) da Col\u00f4mbia, mas e se ali, por tr\u00e1s daquela fileira de \u00e1rvores, houvesse alguma sucursal dessa turma adepta de um sequestro? J\u00e1 cativos, cumprindo rapidinho ordens do bigodudo comandante do destacamento, ter\u00edamos de encenar a cada dia uma nova pe\u00e7a para n\u00e3o cair o moral da tropa, pena de nos jogarem num buraco cheio de serpentes e cobras venenosas. Na pra\u00e7a escolhida para montagem do palco, avistamos ao longe uma mo\u00e7a que vinha em nossa dire\u00e7\u00e3o. Aproximou-se de n\u00f3s e come\u00e7ou a se enturmar. Comunicativa, educada, elegante, bonita, despertou v\u00edvido interesse em boa parte de nossa turma. Mas os admiradores logo se viram desencorajados porque ela era casada \u2013 e casada com um delegado da Pol\u00edcia Federal. Ainda bem que todos ali tinham um pouco de ju\u00edzo. Momentos antes de iniciar o espet\u00e1culo e como eu fazia quando participava da jornada (por causa de meu trabalho, nem sempre eu podia viajar), subi no tijolo, quer dizer, no ve\u00edculo e comecei a fala\u00e7\u00e3o (os atores e atrizes debochavam muito daquele burocra enxerido a invadir o espa\u00e7o deles). A hist\u00f3ria do Mapati, as suas principais atividades art\u00edsticas, a pe\u00e7a a ser encenada, bl\u00e1, bl\u00e1, bl\u00e1&#8230; e esse \u00faltimo \u201cbl\u00e1\u201d consistia nas refer\u00eancias \u00e0s impressionantes caracter\u00edsticas da regi\u00e3o. E o carioca \/candango supliciava os espectadores: tome matas, \u00edndios, seringueiros (Chico Mendes j\u00e1 tinha ido, covardemente assassinado), ecologia (Marina ainda n\u00e3o havia chegado nacionalmente), fronteira com o Peru. Terminado o sofr\u00edvel discurso, \u201cdescidas\u201d as cortinas depois das \u00faltimas palmas (o povo gostou da pe\u00e7a), a beldade (n\u00e3o me lembro se era acriana ou moradora de l\u00e1 h\u00e1 muito tempo) veio falar comigo. Metido, pensei que ouviria alguns elogios ao desempenho dos artistas. Sem querer ser engra\u00e7adinho agora, a esposa do policial estava uma arara. Minha sorte \u00e9 que, diferentemente do marido, n\u00e3o portava arma. Como que vociferou, deblaterou e me lan\u00e7ou esta: \u201cVoc\u00eas v\u00eam aqui e exaltam a floresta, a fauna, as ervas medicinais&#8230; N\u00e3o aguento mais isso. O pessoal acha que somos o qu\u00ea? Por acaso ficamos aqui s\u00f3 cultuando a mata. Que saco esse neg\u00f3cio de ecologia. Na nossa cidade, tem shopping, tem roupa de grife, tem boteco, vida noturna\u201d. O recado era em s\u00edntese: \u201cAbor\u00edgenes \u00e9 a pqp\u201d. E eu, pseudourban\u00f3ide, me achando, me vendo ao lado dos \u201cnativos\u201d, antropologicamente integrado a eles. Valeria a pena saber o que, de l\u00e1 pra c\u00e1, ela teria feito com os turistas ecol\u00f3gicos, com os membros do PV, com a turma das ONGs chegada a uma mata e protetora dos miquinhos&#8230; &nbsp; 13 de setembro de 2013 (006) mmsmarcos1953@hotmail.com<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-33","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=33"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=33"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=33"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=33"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}