{"id":530,"date":"2015-12-21T20:17:24","date_gmt":"2015-12-21T20:17:24","guid":{"rendered":"http:\/\/mapati.com.br\/blog\/?p=530"},"modified":"2015-12-21T20:17:24","modified_gmt":"2015-12-21T20:17:24","slug":"memoriasmemorialistas-x-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mapati.com.br\/blogmapati\/memoriasmemorialistas-x-2\/","title":{"rendered":"Mem\u00f3rias\/Memorialistas (X)"},"content":{"rendered":"<p>N\u00e3o \u00e9 razo\u00e1vel negar ser cortante e reparador o bisturi de Afonso Arinos de Melo Franco. Nossa incurs\u00e3o pela \u201cAlma do Tempo\u201d, aqui na invoca\u00e7\u00e3o dos trechos acerca de Bras\u00edlia, faz-nos acusar sem titubeios o corte da l\u00e2mina, que, tal como a dos mais competentes dos cirurgi\u00f5es, cura, restabelece o paciente \u2013 mas como d\u00f3i\u2026<\/p>\n<p>Por isso mesmo, a Concei\u00e7\u00e3o j\u00e1 deve ter nos abandonado. Retomemos, mesmo sem a preciosa companhia, a longa jornada noite adentro (obrigado, Eugene O\u2019Neill) puxando os itens que, justamente desconstrutores (sem trocadilho), abordam as caracter\u00edsticas de cidade fabricada.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 90px;\"><em><span style=\"font-family: 'trebuchet ms', geneva, sans-serif;\">\u201c(\u2026) No espa\u00e7o ainda diminuto da cidade (diminuto, apesar da amplid\u00e3o, das perspectivas, em compara\u00e7\u00e3o com o Rio ou S\u00e3o Paulo) as desigualdades escandalosas como se revelam com mais f\u00f4r\u00e7a. Claudel dizia que uma das coisas estranhas da cidade chinesa era a aus\u00eancia de m\u00e1quinas. Em Bras\u00edlia o estranho \u00e9 a aus\u00eancia de bichos. S\u00f3 se v\u00eaem m\u00e1quinas, autom\u00f3veis luxuosos, do \u00faltimo tipo, jipes, caminh\u00f5es, niveladoras, lambretas, helic\u00f3pteros, avi\u00f5es. No entanto, ao redor, \u00e9 a infinda caatinga sertaneja, torr\u00e3o de terra bruta, natura primeva. Bras\u00edlia \u00e9 como uma ilha no meio do deserto. Sente-se, aqui, a sensa\u00e7\u00e3o de estar prisioneiro, n\u00e3o do confinamento, mas da amplid\u00e3o. Centro arquitet\u00f4nico. poeirento e mecanizado, gritante \u00e9 o seu desligamento do meio em que jaz, e, portanto, o seu artificialismo. Como eu acentuei no discurso acima referido, Bras\u00edlia \u00e9 um esfor\u00e7o de expans\u00e3o geogr\u00e1fica; n\u00e3o atingiu, ainda, o ponto de constituir um centro de integra\u00e7\u00e3o s\u00f3cio-econ\u00f4mico. Bras\u00edlia n\u00e3o tem a naturalidade de uma cidade nacional; exibe o artificialismo administrativo de uma cidade federal (\u2026).\u201d<\/span><\/em><\/p>\n<figure id=\"attachment_194\" aria-describedby=\"caption-attachment-194\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/2017.mapati.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/FIG29post40.jpg\" rel=\"attachment wp-att-194\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-194\" src=\"http:\/\/2017.mapati.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/FIG29post40.jpg\" alt=\"http:\/\/www.skyscrapercity.com\/showthread.php?t=404892&amp;page=198\" width=\"560\" height=\"373\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-194\" class=\"wp-caption-text\"><span style=\"font-size: 8pt;\">http:\/\/www.skyscrapercity.com\/showthread.php?t=404892&amp;page=198<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Como se v\u00ea, muitas coisas mudaram quando consideramos j\u00e1 o ingresso em 2014, e a Concei\u00e7\u00e3o obviamente n\u00e3o divergiria. Para os entusiasmados e para os empedernidos, Bras\u00edlia explodiu, chamou para dan\u00e7ar Goi\u00e1s, Tocantins, os dois Mato Grosso, rinc\u00f5es do Norte, dezenas de munic\u00edpios do Nordeste. E o nosso mineiro, n\u00e3o sei se tomado pelo banzo, continuava soltando impreca\u00e7\u00f5es\u2026<\/p>\n<p style=\"padding-left: 90px;\"><span style=\"font-family: 'trebuchet ms', geneva, sans-serif;\"><em>\u201c(\u2026) N\u00e3o vi ainda um cavalo de montaria, um burro carregado de verdura, um carneiro, um gato vadio, uma galinha viva. A aus\u00eancia de \u00e1rvores faz com que n\u00e3o existam p\u00e1ssaros, a n\u00e3o ser em gaiolas. At\u00e9 agora, s\u00f3 vi um cachorro, pr\u00eato e lazarento, cheirando restos na porta de um bar americano, na avenida W3. O \u00fanico bicho, o \u00fanico animal que se v\u00ea em Bras\u00edlia \u00e9 o candango, o trabalhador. Exibe-se, deslavada e brutal, a diferen\u00e7a entre n\u00f3s, homens, e \u00eales, bichos. N\u00f3s temos tudo, \u00eales, que fizeram a cidade, nada (\u2026).\u201d<\/em><\/span><\/p>\n<p>Agora, as \u00faltimas postagens sobre o tema \u2013 a primeira, a mais cruenta; a derradeira, definam voc\u00eas se atual.<\/p>\n<p>Nelas duas, minha aus\u00eancia preencher\u00e1 uma lacuna (obrigado, Stanislaw Ponte Preta) e s\u00f3 haver\u00e1 espa\u00e7o para o memorialista que deu nome \u00e0 principal lei contra a discrimina\u00e7\u00e3o de ra\u00e7a no Brasil.<\/p>\n<p>At\u00e9 breve.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">14 de janeiro de 2014<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">(040)<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"text-decoration: underline;\"><span style=\"color: #0000ff; text-decoration: underline;\">mmsmarcos1953@hotmail.com<\/span><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o \u00e9 razo\u00e1vel negar ser cortante e reparador o bisturi de Afonso Arinos de Melo Franco. 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S\u00f3 se v\u00eaem m\u00e1quinas, autom\u00f3veis luxuosos, do \u00faltimo tipo, jipes, caminh\u00f5es, niveladoras, lambretas, helic\u00f3pteros, avi\u00f5es. No entanto, ao redor, \u00e9 a infinda caatinga sertaneja, torr\u00e3o de terra bruta, natura primeva. Bras\u00edlia \u00e9 como uma ilha no meio do deserto. Sente-se, aqui, a sensa\u00e7\u00e3o de estar prisioneiro, n\u00e3o do confinamento, mas da amplid\u00e3o. Centro arquitet\u00f4nico. poeirento e mecanizado, gritante \u00e9 o seu desligamento do meio em que jaz, e, portanto, o seu artificialismo. Como eu acentuei no discurso acima referido, Bras\u00edlia \u00e9 um esfor\u00e7o de expans\u00e3o geogr\u00e1fica; n\u00e3o atingiu, ainda, o ponto de constituir um centro de integra\u00e7\u00e3o s\u00f3cio-econ\u00f4mico. Bras\u00edlia n\u00e3o tem a naturalidade de uma cidade nacional; exibe o artificialismo administrativo de uma cidade federal (\u2026).\u201d Como se v\u00ea, muitas coisas mudaram quando consideramos j\u00e1 o ingresso em 2014, e a Concei\u00e7\u00e3o obviamente n\u00e3o divergiria. Para os entusiasmados e para os empedernidos, Bras\u00edlia explodiu, chamou para dan\u00e7ar Goi\u00e1s, Tocantins, os dois Mato Grosso, rinc\u00f5es do Norte, dezenas de munic\u00edpios do Nordeste. E o nosso mineiro, n\u00e3o sei se tomado pelo banzo, continuava soltando impreca\u00e7\u00f5es\u2026 \u201c(\u2026) N\u00e3o vi ainda um cavalo de montaria, um burro carregado de verdura, um carneiro, um gato vadio, uma galinha viva. A aus\u00eancia de \u00e1rvores faz com que n\u00e3o existam p\u00e1ssaros, a n\u00e3o ser em gaiolas. At\u00e9 agora, s\u00f3 vi um cachorro, pr\u00eato e lazarento, cheirando restos na porta de um bar americano, na avenida W3. O \u00fanico bicho, o \u00fanico animal que se v\u00ea em Bras\u00edlia \u00e9 o candango, o trabalhador. Exibe-se, deslavada e brutal, a diferen\u00e7a entre n\u00f3s, homens, e \u00eales, bichos. N\u00f3s temos tudo, \u00eales, que fizeram a cidade, nada (\u2026).\u201d Agora, as \u00faltimas postagens sobre o tema \u2013 a primeira, a mais cruenta; a derradeira, definam voc\u00eas se atual. Nelas duas, minha aus\u00eancia preencher\u00e1 uma lacuna (obrigado, Stanislaw Ponte Preta) e s\u00f3 haver\u00e1 espa\u00e7o para o memorialista que deu nome \u00e0 principal lei contra a discrimina\u00e7\u00e3o de ra\u00e7a no Brasil. 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